Ela andava pelos corredores imundos, seus pés tremiam a cada passo que dava. Estava frio. Ela queria se mover, mas a camisa-de-força a obrigava a apenas andar.

-Angelina Lélia-falou a enfermeira.-Esse é o seu quarto.

-Me chame de Angie.-falou Angelina desconfortavel pela camisa-de-força.-Tenho mesmo que usar essa camisa?

-Em primeiro, eu não recebo ordens de pacientes e em segundo, recebi ordens que diziam claramente para que você usasse essa camisa.

Angelina revirou os olhos e olhou para sua cela. Era pequena, tinha uma mesa, uma cama e uma cadeira.

"É bom para o padrão de um manicônio", pensou Angelina.

Quando a irmã de Angelina, Eva a encriminou por seus crimes doentios, ela foi posta em julgamento e foi posta em um manicômio.

Ela andou pelos cantos do quarto com seus olhos fitando a pequena janela com vista... para a parede.

De repente, um canivete caiu do duto de ár.

-Aí menina! Me ajuda aqui?-disse uma voz de dentro do duto.

-Eu adoraria, mas a camisa-de-força me impede!-respondeu Angelina.

-Ah, deixa que eu te ajudo!-disse a voz.

A grade do duto de ár foi ao chão e de dentro dele, saiu uma menina. Parecia ter uns 17 anos e usava uma roupa rasgada e suja. Ela pegou o canivete do chão e encarou Angelina.

-Fique parada.-disse ela cortando a costura das mangas da camisa-de-força.

-Obrigada.-disse Angelina movendo os braços.-Prazer, sou Angelina.

-Angelina?-disse a estranha.-Você não vai sobreviver aqui.

-Por que?-Angelina sentiu um arrepio na espinha.

-Ah, você vai descobrir.-ela suspirou.-Até lá eu te ajudo.-ela examinou Angelina.-Agora seu nome é Vidro.

-Ok. Sou Vidro Lélia, então?

-Não. Aqui não existem sobrenomes.

-Ok. Mais algo que eu devo saber?

-Sim, como sair do quarto.

A estranha pegou a mão da "Vidro" e junto com ela, subiu no rodapé e deu um salto até o duto de ár, com o canivete na boca.

-Ah, meu nome é Faca.-disse ela.

-Por que?

-Porque eu dava facadas em meus amigos.