Notas iniciais
Capitulo dedicado a Hinatakuran pela linda recomendação! Obrigada sua linda, eu amei de coração suas palavras!! Agora, boa leitura ^^

Réquiem

O afogamento pode ser dividido em quatro fases: a primeira é quando a pessoa se debate tentando ficar na superfície. Ela prende a respiração o quanto pode e sem querer aspira um pouco de água, isso provoca o fechamento da laringe.

A segunda ocorre depois de alguns minutos, a laringe relaxa e a pessoa involuntariamente respira debaixo d'água, aspirando e engolindo grande quantidade de água. Parte do líquido vai para o estômago e o restante segue o mesmo caminho do ar.

A terceira fase é quando o pulmão se enche de água, o cérebro é gravemente lesionado e pessoa fica inconsciente.

A quarta é a pior que todas, quando a água entra no sangue e penetra nos glóbulos vermelhos, destruindo-os. Com isso, o potássio presente nessas células vaza para o plasma sanguíneo.

O coração para de bater.

Ela viu todas as reações passarem pelos olhos da outra enquanto se dava conta do que estava fazendo. Quando caíram na imensidão do mar afundaram alguns pés e logo tentaram voltar, mas ela sabia que alguém teria que morrer antes disso.

Assim, a segurou em baixo d’agua, forçou seus ombros para baixo e viu o corpo se debater, viu o pânico a tomar quando engoliu vários litros de água, viu se debater por oxigênio enquanto o corpo era aos poucos destruído, por fim, viu a ultima sombra de vida deixar-lhe a face.

Tomando impulso com a pouca força que lhe restava ela voltou à superfície, trazendo o corpo sem vida junto consigo.

Sasuke sentiu um nó se formar no estomago e lutou contra as lagrimas que vieram quando Sakura empurrou Hinata e juntas caíram naquela imensidão de água negra.

Olhou para baixo na esperança de vê-las nadar de volta, mas nada. Sendo assim, tomou a trilha que dava para o pequeno banco de areia e correu desesperado.

Seu coração não podia, não queria acreditar que Sakura estava morta, não, ela não podia estar. Como ele faria? Como ficaria sem ela? Logo ele que demorara tanta a sentir as coisas que o amor trazia.

Quando chegou a prainha correu para as pedras que seguraram o corpo de Neji há alguns dias atrás. Preparou-se para pular na agua quando um movimento chamou sua atenção, e sim, seu coração parou por um milésimo de segundo.

Viu a mulher emergir e nadar com dificuldade para a areia trazendo um corpo inerte junto de si.

Correu para socorrê-la, entrou alguns metros molhando toda a roupa e a abraçou com força. Ela estava viva.

– Minha Sakura – disse enquanto beijava toda aquela face branca e gelada.

– Sasuke... – foi a única coisa que ela conseguiu dizer antes que as lagrimas viessem a tona e todo seu corpo fosse tomado por soluços.

– Calma, acabou... agora acabou.

Ela depositou o corpo sem vida de Hinata na areia e chorou, chorou pela perda de uma amiga, pela morte de Tsunade, pelas mentiras contadas e pelo sofrimento de tantas crianças inocentes.

.

~~

Ela acordou no quarto já conhecido. Espalmou as mãos pelos lençóis limpos e cheirosos de Karin e se deixou repousar por mais uns minutos.

Pensou sobre tudo que acontecera em sua vida, pensou nos erros que tinha cometido e principalmente, pensou em qual momento Hinata se tornara uma assassina fria e calculista.

Suspirou quando ouviu uma batida tímida na porta.

– Entre. – disse com a voz arrastada.

A porta se abriu e Sasuke entrou. Vestia uma calça jeans preta e uma camisa da mesma cor. Ela às vezes esquecia-se de respirar perto dele, era tão lindo que parecia ser de mentira.

– Que bom que acordou. – disse ele sentando na cama ao lado dela.

– Por quanto tempo eu dormi? – perguntou ela acariciando o rosto pálido dele.

– Um dia.

– Quero saber o que aconteceu... depois.

Ele suspirou e puxou uma mecha de cabelo rosado.

– O corpo da Hinata foi levado para a pericia e já foi liberado, amanha será o enterro. Não vai ter velório porque as pessoas estão realmente enfurecidas...

– Vão tentar me matar quando sair daqui?

Ele sorriu fraco.

– Não, as pessoas estão gratas a você. As crianças que conseguiram fugir contaram tudo e bem, todos sabem a verdade agora.

– A verdade toda? Sobre magia?

– Não, as crianças estavam nervosas e desgastadas. Não perceberam quem vocês eram, o que dissemos a imprensa foi que Hinata Hyuuga era uma psicopata. Matava deliberadamente por prazer.

– Deuses, isso é horrível.

– O que ela fez foi horrível Sakura.

– E o Naruto? Como ele está?

Sasuke fez uma careta.

– Péssimo. Ele realmente gostava dela.

– Coitado, sinto muito por ele... por todos nós.

– Ele vai ficar bem, só não tem condições para terminar o caso. Está voltando para Tóquio hoje mesmo.

Ela ergueu os olhos, lembrando de repente que ele também voltaria pra casa.

– E você?

– Eu fico aqui por mais uma semana, é o tempo que preciso para encerrar tudo.

– Entendo... – respondeu ela sentindo uma tristeza maior ainda.

– Sakura, eu quero que você vá comigo.

O nó na garganta dela se desfez.

– Que eu vá com você?

– Sim, não quero ficar longe de você e tenho certeza que existem duas pessoas loucas para receber a filha em casa.

Os olhos verdes se encheram de água.

– Sinto tanta falta deles... ainda mais agora.

– Então vem comigo. Você precisa de férias.

Ela assentiu e ouviram outra batida na porta. Sasuke se levantou.

– Tem alguém que precisa falar com você agora, eu volto mais tarde.

Ela o olhou confusa e recebeu um beijo nos lábios, depois que ele saiu Ciara Johnson entrou. Ela vestia um vestido preto que ia até os joelhos e as olheiras em rosto eram gritantes.

– Você? – perguntou a garota confusa.

– Sim, temos que conversar Sakura.

A rosada se arrumou melhor na cama e fez sinal para que a outra sentasse.

– O que quer?

A mulher suspirou tristemente.

– Sakura, primeiro quero dizer que estou feliz por você estar bem, e claro, por ter salvado três crianças.

– Obrigada.

– Bem, então vamos ao começo. Eu também estava investigando a Hinata, quando Sasuke entrou na minha casa e encontrou a camiseta listrada de umas das crianças eu sabia que estava no caminho certo.

– Como você desconfiou? E você sabia da Tsunade, sabia que ela não tinha problema algum..

– Eu era amiga de Tsunade.

A rosada arregalou os olhos. Nunca vira Tsunade falar de ninguém.

– Amiga?

– Sim, eu sou como vocês, sou uma bruxa Wicca e Tsunade era uma grande amiga. Nos conhecíamos a anos e eu pedi a ela que nunca falasse de mim para vocês por conta do meu emprego, era melhor ficar em segredo. Ela ia todas as quartas feiras em minha casa, bebíamos, víamos filmes e fofocávamos, era ótimo. Tsunade foi mais que uma amiga Sakura, foi uma mãe, uma irmã.

– Agora eu lembro que ela sempre saia nas quartas.

– Sim. Bem, quando você chegou ela ficou em polvorosa! Viu muito poder em você e achou incrível, queria te ensinar mil coisas... ah Sakura, ela era mulher incrível e tinha muitos planos.

Sakura continuou observando.

– Então um dia ela apareceu a uma das nossas reuniõezinhas com um livro, era velho e gasto. O titulo era “Magia muy maligna”, ela achara o livro nos pertences de uma das suas protegidas, Hyuuga Hinata.

– Oh! – exclamou Sakura.

– Ela estava preocupada, disse que tinha começado a notar animais mortos em torno da casa, então decidiu conversar com a garota. Um tempo depois ficou doente, não compareceu mais a minha casa e eu não podia ir até a sua, chamaria muita atenção.

Os olhos da mulher se tornaram turvos e voz embargada.

– Ai ela morreu.

– Eu sinto muito por você Ciara...

– Tudo bem – disse a outra balançando a mão no ar – já faz um tempo não é? Bem, eu falei com o legista e pedi para ele dar uma atenção especial para Tsunade, quando ele me disse que ela simplesmente não tinha nada percebi que algo estava errado. Fingi que não sabia de nada e comecei a investigar, nisso a primeira criança foi sequestrada.

Eu escondi pistas Sakura para não chamar atenção antes de tempo, sabia que Hinata estava metida com isso e tive medo, não sabia quão poderosa ela poderia ser. Cheguei à relação dela com Neji Hyuuga e o chamei para uma conversa amistosa, logo depois ele apareceu morto.

– Ai você teve mais certeza.

– Sim, ela já estava percebendo e de repente me vejo incriminada por uma blusa suja de sangue, mas eu estava bem por dentro das investigações do Sasuke e do Naruto, enquanto eles procuravam as crianças eu procurei a assassina, só queria uma confirmação, e a tive.

– Você deveria ter me contado...

– Eu tentei, mas você fugiu da minha casa aquele dia, lembra?

A garota sentiu o rosto ficar vermelho.

– Lembro, desculpe.

– Tudo bem, o importante é que esse inferno acabou.

– O que vai acontecer com você?

– Vou responder um processo administrativo porque bem, eu omiti informações.

– Sinto muito por isso.

– Não sinta, eu fiz errado.

– Você estava com medo.

A mulher anuiu.

– Bem, acho melhor eu ir, tenho certeza que tem um moreno louco para entrar aqui e cuidar de você.

A rosada sorriu.

– Talvez...

– Você tem sorte, Sasuke é incrível.

A mulher sorriu tristemente e saiu pela porta. Sakura suspirou, tinha muito no que pensar.

~~

– Tem certeza que quer voltar agora? Porque não espera mais uma semana e vai comigo e com a Sakura?

Sasuke estava escorado na parede vendo o amigo arrumar uma mala, seus olhos estavam vermelhos e as feições duras.

– Não Sasuke, não quero ficar aqui.

– Naruto, não é culpa sua.

O loiro deixou uma blusa cair das mãos e segurou a vontade de chorar, não podia chorar na frente de outra pessoa, ainda mais sendo o Sasuke.

– Não Sasuke, eu deveria ter percebido.

– Naruto..

– Por favor cara, eu vou ficar legal.

O moreno assentiu tristemente, esperou Naruto arrumar tudo e o levou até o aeroporto.

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~~

Sakura jantou com Karin e Gaara e depois de um banho demorado voltou para o quarto de visitas. Não quis assistir ao noticiário e nem sair na sua, na verdade queria muito voltar à casa da colina, mas sabia que sozinha não conseguiria.

Sasuke tomou seu depoimento em casa mesmo alegando que ela estava muito fragilizada para sair, e, embora ele garantisse que não seria presa por homicídio ela não deixava de pensar no rosto de Hinata perdendo a vida.

‘“Foi necessário” pensou enquanto se enrolava nas cobertas.

Conseguiu sorrir quando ouviu uma batina na porta e Sasuke entrou, retirou a camisa e largou em um canto do quarto.

– Cansada? – disse deitando ao lado dela.

– Um pouco, você demorou. – respondeu ela deitando no peito dele e o abraçando.

– Fui levar o Naruto no aeroporto.

– Estou preocupada com ele...

– Ele vai ficar bem, Naruto é forte.

– E o enterro?

– Você vai querer ir?

Ela ficou em silencio por um minuto.

– Não.

– Melhor assim.

Abraçados os dois adormeceram vencidos pelo cansaço.

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~~

Uma semana mais tarde Sasuke havia conseguido encerrar o caso e a mudança na cidade era visível. As pessoas saiam às ruas para aproveitar melhor o dia e a noite, bares estavam cheios e os cartazes foram retirados.

Muitas pessoas tentaram falar com Sakura, desde as mães das crianças até canais de televisão querendo entrevistas exclusivas. Ela rejeitou todos, queria ficar em paz.

– Você não vai me esquecer não é? – disse Karin chorosa abraçando a amiga na porta de casa.

– Não sua ruiva maluca, e vou ficar só um tempo fora. Talvez Sasuke peça remoção pra cá.

– Jura? – gritou a outra batendo palmas.

– Sim, mas precisamos de uns dias fora daqui... você sabe.

– Sei sim, promete que vai se cuidar?

– Prometo.

Ela a abraçou forte e depois se despediu de Gaara.

– Sei que não conversamos direito depois de tudo... – começou ela sem graça.

– Esquece isso gatinha, se cuida tá?

– Obrigada – disse ela o abraçando forte.

Depois entrou no carro de Sasuke e juntos foram para o lugar que ela mais amava, sua casa na colina.

Ela notou as flores no portão, trazidas pelas pessoas que consideravam a casa o tumulo das crianças, reparou na terra remexida pelos policiais em busca dos corpos e da aparência fria e triste.

Dentro da casa estava tudo bagunçado pela pericia, ela chutou uma almofada que jazia no chão com desanimo.

– Vou levar mil anos pra limpar tudo isso.

– Vamos achar alguém pra te ajudar.

De repente ela lembrou.

– E Kurama? Pelos deuses como eu pude esquecê-lo?

Sasuke sorriu.

– Calma amor, o Naruto levou.

Ela arregalou os olhos.

– O que disse?

– Que o Naruto o levou junto pra Tóquio.

– Não, a outra coisa? – disse ela com um sorriso bobo no rosto.

– Que coisa? – perguntou ele confuso.

– Você me chamou de amor! – gritou pulando no pescoço dele e aspirando o perfume gostoso.

Sasuke começou a rir sem graça, não percebeu do que a chamara, mas havia gostado do resultado.

– Vai logo pegar as suas coisas...

Ela assentiu e juntos foram até o quarto, fizeram uma pequena mala e antes de sair ela olhou pela janela do quarto. O crepúsculo banhava os céus e um vento cálido lambia a copa das árvores.

Sentiu a respiração falhar quando viu na orla da floresta uma mulher de branco, ao seu lado, várias crianças. Todas olharam para a casa por um longo tempo, depois, de mãos dadas adentraram na mata.

– Niksa sempre vai ter os seus fantasmas... – sussurrou ela para si mesma.

Suspirou com tristeza e saiu pela porta, encontrou Sasuke no carro com um livro nas mãos.

– O que é isso? – perguntou observando o velho exemplar.

– Magia muy maligna.

– Era o livro da Hinata.

– No fim de tudo, você sabe o que ela queria fazer?

Sakura sentiu uma dor no peito e olhou para a orla da floresta, não viu nada lá.

– Queria sugar a alma das crianças para obter poder, queria reinar sobre todos e mostrar que a magia existe. No fim de tudo, ela queria vingança.

Ele a observou e ligou o carro.

– Vamos embora, meus sogros nos esperam.

Enquanto o carro se distanciava ela fitou a floresta, queria vê-la novamente, no fim, sabia que veria.

Fim

Notas finais
* Réquiem: missa para os mortos. Gostaram? odiaram? quero saber!! Ainda vou postar o Epílogo! Então não me odeiem por acabar a fic assim, ela precisava acabar assim pelo modo sombrio que eu a vejo. No Epílogo vou contar como Naruto está,como Karin está e como nosso casal lindo está... ok? ok. Algumas pessoas sugeriram uma segunda temporada, estou pensando certo? Enfim, espero seus comentários e até o Epílogo!!