A Casa Sem Fim
1 Onde tudo começou...
Notas iniciais
Acordo em um dia normal, me enfio dentro de minha roupa, prendo meu longo cabelo, olho para o espelho e falo:
-Bom dia Joana.
Respondendo internamente desço as escadas e tomo o meu saudável café da manhã, bolacha com ketchup, lavo uma maçã e a coloco dentro de minha bolsa para ir pra escola. Saio de casa, num frio e numa neblina inexplicável, pego o meu fusca 72 azul calcinha, foi o único carro que consegui pagar aos 18 anos, e sigo para a faculdade, a tão sonhada faculdade de artes cênicas. No caminho percebo o caótico transito de São Paulo, e resolvo tomar uma rota alternativa, o que ás 5 da manhã não deveria ser muito perigoso, apenas uma neblina intensa cobria o chão de terra. O meu fusquinha foi reclamando e tossindo, a cada buraco sentia seu escapamento batendo no chão, e o que eu não esperava aconteceu: meu fiel fusquinha me deixou na mão. Justamente no dia que fui esperta o suficiente para optar por essa rota alternativa e desconhecida, o que na minha mente tinha a maior lógica, mas que aparentemente eu não estava nada perto de minha faculdade de artes cênicas. Tentei consertar o estrago, mas o cheiro que saía do motor era de coisa queimada, e eu não queria encostar a mão naquilo, abri a porta, sentei no banco e lá esperei esperançosamente que alguém passasse para me ajudar. Horas depois, ás 8 horas da manhã eu ainda estava lá, já sabia que tinha perdido a aula da professora mais chata da faculdade, a senhora Eunice, e eu sabia também que ela me castigaria por não estar na aula superimportante dela de História da Arte, e isso era o que mais me preocupava, não queria mais uma DP esse semestre. Então entediada e preocupada resolvi buscar ajuda, andei por um tempo na beira daquela estrada sinistra, e avistei um casebre de madeira, com o telhado faltando pedaço e as janelas de vidro quebrado; entre as opções de passar o dia todo fritando naquele fusca ou a opção de pedir ajuda nesse casebre eu prefiro a segunda.
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