A Casa Sem Fim
2 Não tenho mais saída...
Bato na porta e ela se abre num rangido que me causou arrepio na espinha, aparentemente não tem ninguém em casa então resolvo entrar, era a minha única chance afinal, o que vejo de início é uma mesinha velha com um envelope em cima, abro o envelope e nele tem a mensagem “Bem vindo(a) a casa sem fim, entre na porta a frente e comece seu desafio, quem conseguir chegar ao final da casa terá a sua recompensa de 500 reais e terá um desejo concedido”. Pensei comigo mesma e vi que era tudo o que eu precisava no momento, 500 reais pra balada de sábado e um desejo, que seria o meu fusca consertado, lembrei também no tamanho do casebre, não parecia ter mais de quarenta metros quadrados, e eu só precisava atravessa-lo, sem mais delongas entrei na primeira porta, que era uma porta de madeira com um numero 1 de metal.
Entro confiante, querendo terminar esse negócio ridículo rapidamente e encontrar o Silvio Santos lá fora com meus prêmios, mas quando eu chego na sala está tudo escuro, nunca gostei de escuro, desde criança, e um silencio incomodo que provocava zumbidos em meus ouvidos, eu não sabia mais por onde tinha entrado, nem pra onde deveria ir, só sabia que queria desesperadamente sair de lá, o escuro pressionava minha pele, e o ar ficava cada vez mais pesado. Após o choque da entrada, eu resolvi voltar e desistir dos 500 reais e do desejo, nada mais daquilo fazia sentido, então me virei e tentei abrir a porta; tentativa frustrada, a porta estava trancada, então forcei a porta, tentei chutá-la e o desespero me atingiu. Não compreendia como estava trancada naquele lugar, então gritei:
-Não tem graça, abra essa porta, me tire daqui! Podem aparecer, devem ter câmeras em algum lugar... Só pode ser uma daquelas pegadinhas. — Sem resposta, depois de alguns eternos minutos percebi que não ouvira nenhum passo e ninguém poderia estar lá, e percebi que eu só tinha uma saída: seguir em frente. Sigo meu caminho ás cegas, desesperada, morrendo aos poucos, o medo me consumia, aparentemente não indo pra lugar nenhum; a minha visão não se acostuma com a escuridão, eu literalmente não enxergava nada, porém a minha única saída era em frente, eu precisava mais do que nunca sair de lá, a cada passo tinha a sensação que cairia num abismo, mas quando transferia meu peso para a outra perna eu tocava o chão; passo a passo me habituava com aquele caminhar, fechei os olhos e acabei acelerando o passo e dei de cara com uma porta com o numero 2 como aqueles números de casas, feito de ferro; um feixe de luz passava por baixo dela, e me senti aliviada com isso, tinha acabado, achei a saída, a agonia teve um fim; não hesitei e prossegui abrindo a porta.
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