A Casa Sem Fim
3 Não existe mais volta....
Entrei na segunda sala, e não estava tão claro quanto eu imaginei, mas já era um grande progresso comparando com a escuridão da outra. Encostei-me à porta que entrei, um arrepio frio subiu minhas costelas, eu estava apavorada, não sabia o que me esperava. A sala era como a entrada da casa, com duas cadeiras e uma mesa de madeira, e gastas pelo tempo, uma janela estava do lado direito da sala, que tinha uma leve claridade e iluminava as cadeiras velhas; pensei... Será que estou andando em círculos? Olhei para tudo aquilo sem imaginar que seria verdade, quando percebi que as cadeiras e a mesa não faziam sombra no chão como normalmente aconteceria, passei um tempo tentando entender como seria possível fisicamente que isso acontecesse. Então coloquei a mão para trás onde deveria estar a maçaneta; deveria estar porque não estava e então a calma que me consumia agora era desespero. Virei-me então rapidamente procurando a antiga porta de madeira pela que entrei, e não estava mais lá, procurei desesperadamente pela porta e não a encontrei. Pensei que tipo de louco seria capaz de fazer isso comigo, que tipo de ser humano faria isso com outro? O que eu fiz para merecer um castigo desses? Chorei, agonizei no chão, eu não tinha inimigos, eu não merecia nada daquilo, eu não conhecia nenhum ser humano capaz disso, nem fisicamente nem moralmente, que tipo de pessoa é essa? Sim, é uma pessoa, minha fé sobre coisas sobrenaturais e forças inexplicáveis já tinha se ido faz tempo, é algo contra a ciência, mas e agora em quem irei me apegar? Percebi então que de nada adiantaria continuar nessa lamentação, olhei para frente e avistei a porta numero três, eu quero desesperadamente sair de lá, e chegar a porta três seria mais um avanço, tomo coragem e decido correr até lá. Tomo folego e vou correndo até lá minha respiração está pesada, aquele lugar é abafado, não corre ar puro lá mas as lagrimas em meus olhos se resfriam e eu me envergonho de ter chorado, não por que e nem de quem eu grito sozinha com o que me resta de voz –Você não vai me derrotar, não vai consegui. Olho para o chão e percebo que tinham sombras em forma de garras me perseguindo, o desespero me atinge novamente, que ser seria capaz daquilo? Desejo internamente morrer, desejo que tudo isso acabe, se alguém aparecesse e me desse um tiro, seria mais fácil, menos doloroso, agora sou o brinquedinho de quem quer que seja então acelero a corrida esse jogo não vai durar muito eu não o darei esse gostinho e finalmente chego a porta três, uma porta igual as outras, mas ao invés de madeira, ela era de ferro preto.
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