A Casa No Fim Da Rua
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Notas iniciais
A casa no fim da rua
Mais um dia nessa cidade medíocre, estou quase entrando em depressão. Moro em uma pequena cidade no interior da Inglaterra, cidade monótona, pessoas mais ainda. Não mereço isso. Nunca tive muitos amigos, só o necessário para sobreviver as “panelinhas” escolares. Minha rotina cotidiana é entediante, vou para a escola de manhã, passo a tarde toda “vegetando”, exceto as quartas-feiras que tenho aula de piano. Raramente saio à noite, na verdade não tem o que fazer aqui. Passo a maior parte do tempo sozinha em casa, minha mãe trabalha em uma editora de revista, não sei nem como isso existe aqui. Agradeço por estar no ultimo ano da escola, finalmente vou me formar e ir para uma faculdade, sair daqui de uma vez por todas. Só fico aflita por minha mãe, depois que meu pai morreu ela ficou inconsolável, já faz dois anos. Minha família não é uma das maiores e todos moram em cidades diferentes.
- Júlia? Júlia, querida, preste atenção – Ouvi a voz de Louise, minha professora de piano particular. Amo tocar piano, toco desde os treze anos. Sempre achei lindo, delicado, suave...e me faz lembrar do meu pai. Ele tocava lindamente.
- Ah! Me desculpe, eu meio que...me distraí
- De novo – ela riu – Vamos fazer uma pausa, semana que vem nós continuamos.
- Ótima ideia, que tal um suco?
- Não sei Jú, tenho que comprar umas coisas...
- Com muito gelo, que eu sei que você gosta – pisquei os olhos constantemente
- Tudo bem, você venceu!
- Eu sempre venço – gargalhei. Terminamos de tomar o suco e Louise foi embora. Estou sozinha...De novo. Joguei-me no sofá para assistir um filme e acabei adormecendo. Acordei com minha mãe cutucando meu braço.
- Jú? Acorda
- hm, mãe? Você já chegou? Que horas são?
- Sim, filha, eu saí mais cedo hoje.
- Nossa, em que mundo estamos? Você saiu cedo. – Fiz cara de surpresa
- Eu tenho uma noticia pra te contar! – ela disse animada
- O que houve?– esfreguei os olhos
- Eu fui transferida para outra revista, nós vamos para Londres!
- O QUE? – arregalei os olhos – Mãe isso não se faz comigo, para de brincadeira mulher!
- Não é brincadeira, filha – ela riu – Nós vamos no sábado de manhã.
- AI MEU DEUS! Eu vou morrer, não acredito mãe! – abracei-a e nós duas caímos no chão gargalhando
- Sabia que você ia gostar
- Eu não gostei, eu amei!
- Vai ser um novo começo, para nós duas. Agora vai dormir.
- Mas eu não tenho que ir para aula amanhã, certo?
- Sim, mas nós vamos empacotar tudo para a transportadora levar.
- Ah bom, vou dormir, boa noite mãe – dei um beijo em seu rosto
- Boa noite querida.
Fui para o meu quarto, a ansiedade tomava conta de mim e ao mesmo tempo meu estomago revirava. Cidade nova, pessoas novas, escola nova, casa nova...vida nova. Deitei-me na cama e fiquei imaginando como seria minha nova vida em Londres com minha mãe. O que meu pai diria? Queria que ele estivesse aqui, a cada mês que passa a saudade aumenta. Nunca soube exatamente a causa de sua morte, a investigação do caso foi encerrada. Sinto muita falta dele, mas sei que ele está olhando por mim em algum lugar. Acredito que com o passar do tempo as feridas curam, é só seguirmos em frente.
No dia seguinte empacotamos tudo para a transportadora levar para a nova casa. Mesmo que eu a minha vontade de ir seja enorme, machuca muito ter que sair dessa casa, onde eu cresci e vivi momentos maravilhosos. Peguei a ultima caixa, uma caixa de madeira estranha, toda entalhada. Nunca havia visto antes. Minha curiosidade me venceu, abri a caixa e então me deparei com pertences de meu pai. Fotos, agendas, luvas de beisebol. Sorri com cada lembrança que vinha em minha mente. Fechei a caixa e levei para o caminhão da transportadora.
Sábado de manhã, fomos para a estação de trem rumo a Londres. Sentei-me com minha mãe no segundo vagão. Encostei minha cabeça na janela do trem e dormi, esperando chegar mais rápido ao nosso destino. Um novo começo.
O trem deu um solavanco fazendo-me despertar do sono, havíamos chegado. Pegamos nossas bagagens e pegamos um taxi. O sol, encoberto pelas nuvens, tinha dificuldade em aparecer. O frio era constante, não sentia meu nariz. Minha mãe falou o endereço ao taxista, chegam a um condomínio fechado, muito bonito por sinal. Casas de todos os tipos e tamanhos. Fomos até o final da rua principal, paramos em uma casa enorme, muito antiga e escura. Corvos rodeavam-na. Com certeza era assustadora, mas ainda assim elegante e majestosa. Tinha um aspecto macabro, tinha que ser a casa no fim da rua.
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