Notas iniciais
Yo! Eu estava revendo meu roteiro para terminar 3 fics de uma vez de modo que não atrapalhe e não tire a graça da história. Ok? Essa aqui ainda vai demorar um pouquinho, mas espero que as coisas fluem mais rápido e mais intenso também (se é que me entendem kkk). Então vou me focar em A Casa Imoral primeiro e depois trabalharei com as de Grand Chase. IM Happy now!!
Boa Leitura!

-AH, eu perdi o ponto da van. Gomenasai...

O azulado arqueou as sobrancelhas, curioso. Pela cara do loiro não devia ter sido somente isso, não pela coloração e pela forma tensionada de seus ombros.

Len cruzava os braços, segurando os cotovelos, seus olhos desviados. No momento pensava em Nero, que foi realmente um choque ter encontrado.

-Tudo bem. –o loiro avistou novamente o conteúdo da panela: uma massa marrom que lhe deu ânsias. – Eu farei a comida agora.

O azulado se levantou para deixar a cozinha, talvez ir se lavar no banheiro. O menor sentiu algo estranho, uma sensação diferente e então segurou o pulso do “irmão”. Seus olhos baixos.

-Não quer me ajudar? Seus molhos são os melhores. Você viu o Gack-san e a Luka-san saindo daqui? –perguntou com um sorriso torto.

Era visível que estava um tanto sem graça. Era óbvio que ele estava preocupado com outras coisas.

Kyte não moveu o pulso nenhum segundo, sentindo-se um pouco nervoso. Antes de tudo, Len sempre fora considerado seu irmãozinho e ele sempre o consolava, dava conselhos e todas as coisas que um responsável devia fazer (uma mãe...). com a outra mão tocou o topo da cabeça do mais novo, acariciando os fios loiros como normalmente fazia para acalmá-lo.

-Sim. Gackpo disse que não vai voltar para casa hoje. A Luo-chan e a Rion-chan já foram para casa. Rin está no colégio e o Kuro também. Você não quer me contar o que está te incomodando?

Len sentiu seu rosto ficar mais vermelho do que o normal. Seus olhos ficaram um pouco maiores do que o comum -como se estivesse com 12 anos novamente- e sua voz travou na garganta, seus dedos apertando a camisa.

Por que Kyte sabia de tudo sobre si?

O maior estreitou os olhos, sua mão na franja movendo-se pacificamente. Os olhos azuis dele eram como o extenso oceano pacífico. Doce, acalentador. Era uma fortaleza em que Len buscava se refugiar desde criança. Os olhos afilados, calmos, belos, preocupados.

Len sentiu que estava encarando diretamente os olhos de Kyte, mas ele não estava perturbado pelo olhar intenso.

-N-Não tem n-nada errado. -falou com dificuldade, sentindo a boca seca e seu peito doendo.

Luki era um idiota.

Kyte soltou os dedos, ainda que relutante, e a mão de Len soltou sua blusa. Assim que percebeu, Len sentiu-se arrepiar e ficou de repente muito confuso.

-D-DESCULPA, KYTE-NII! Eu não devia ter te segurado assim! Ah, o que deu em mim?! Gomenasai...- Len desviava os olhos o tempo todo, se virando para começar a limpar a bagunça do mais velho.

O azulado se viu rindo baixinho do impulso de Len. Até que gostava assim... Na verdade, Len sempre tinha sido dessa forma. Como uma garotinha indefesa.

-“Se bem que ele não iria gostar NADA de ouvir isso.” Kyte *gota*.

O azulado deixou o avental no lugar e sorriu, vendo o corpo do Kagamine se movendo habilmente para jogar fora aquela pasta que fez.

Kyte pegou um pano em cima da pia e começou a ajudar, ficando ao lado do loiro. O pequeno o olhava pelo canto dos olhos, apenas tentava não ser muito encarado, mas não estava conseguindo ao menos ser discreto.

-“Por que será que mesmo depois de tudo que vivemos só estou sentindo essas coisas estranhas agora?...” Resmungava enquanto começava a cortar os legumes retirados da janela.

-Que tipo de molho? Tradicional?

A voz grave fez Len se arrepiar e rapidamente respondeu.

-O-O que combinar com legumes e carne seca em pedaços!!

-Ohn... Pode ser então um molho mais para carnes?

O loiro virou-se para Kyte lhe apontando a faca.

-P-Pode ser qualquer coisa, agora fiquei quieto, Kyte-nii!! Não quero cortar minha mão!

O azulado riu, afagando os cabelos loiros novamente.

“Espera. Se estão todos fora... Quer dizer que eu e o Kyte vamos ficar sozinhos a tarde inteira?” Len sentiu uma gota de suor. Ele não podia. Não podia. Kyte era culto, não era verdade que o amava.

-Ah, Len... Não vai trocar de roupa? Você só tem um uniforme por enquanto. Não quer por a roupa pra lavar agora?

O loiro olhou novamente para Kyte. Se sujasse ia ser um problema não é mesmo? Mas o Kagamine estava tão afundado em pensamentos naquele dia complicado que até mesmo se esqueceu dessa coisa importante. Não era normal ele perder o roteiro, mas a volta para Kyoto estava mais confusa do que todos seus compromissos em Tokyo.

-Ah, ok. Abaixe o fogo para mim... Eu me troco em cinco minutos.

O loiro deixou-o ali sem pensar muito no perigo que Kyte representava para a cozinha e correu para cima. Ah, ele estava perdido.

Seu quarto tinha mudado muito com aquela reforma básica, mas continuava com a mesma sensação de “lar” que ele adorava. Seus olhos percorreram uma parte do guarda-roupa que não tinha aberto antes devido ao cansaço. Seus dedos envolveram a maçaneta branca e puxaram. No mesmo instante foi como se uma avalanche de memórias caísse sobre si.

Seus vestidos.

-A-Ano... -Len falou consigo mesmo, pasmo por terem mantido aquelas “coisas” ali, no seu quarto. Foi Rin com certeza. Aquela!

Mesmo com pressa, Len tirou um deles. Aquele branco que foi à casa do Meito-san. Ele era muito bonito, mas não sabia se teria coragem para usar aquilo novamente. Seus olhos percorreram pelas dezenas dos outros tecidos, azuis-índigos, pretos, vermelhos-vinhos, roxos, e um monte de outros.

Sua mão passou pelo tecido lembrando-se claramente dos momentos em que os usou. Por mais que quisesse ignorar, era estranho não era? Um menino gostar tanto assim de vestidos.

Especialmente aqueles com babados, eram lindos e tão fofos que ele não conseguia resistir ao impulso.

Automaticamente retirou a camisa, jogando-a em cima da cama e em seguida as calças, correndo ao banheiro com um modelo azul nas mãos. Sentia falta, queria ver como ficava! Era mais forte que si.

Ao entrar no banheiro afobado, seu rosto no espelho mostrou um menino corado e ofegante. Ele estava tão diferente de seu eu comum. Era só voltar para casa e já se esquecia do quão bom foi ser aquele Len famoso e popular. Ao encontrar sua família sua vontade era a de ser o que estava guardado dentro de seu coração. A saudade era muita.

“Mas Kyte vai rir?... Vai rir porque eu ainda sou assim?” Ele se perguntava olhando-se no reflexo fechando o zíper das costas.

Len se afastou, arrumando o tecido envolvendo suas pernas. De alguma forma cobriam seu corpo perfeitamente. “Alguém deve tê-los levado a uma costureira.” Len sentiu seu corpo começar a se aquecer, assim como acontecia quando era elogiado na frente dos outros.

“Ah, droga.” Len se abaixou um pouco, fechando os olhos. Estava se sentindo amado. “Quem fez isso? Eu tenho que agradecê-la.” Seus lábios formaram um sorriso doloroso e seus olhos começaram a sentir as lágrimas.

“Kyte não vai rir... Eu sei que não. Talvez seja por isso que eu goste tanto dele.”

Seu corpo aos poucos ganhou confiança e ele voltou ao quarto. Procurou outro vestido. Se estivesse certo, todos foram renovados.

Ele despiu o vestido azul de babados pretos ali mesmo e trocou por outro modelo que ele gostava em particular.

-V-Voltei.

Kyte se virou com um sorriso, mas ele logo desapareceu, parecendo incrédulo. O azulado parecia assustado.

-C-Como é que...

-Ah, eu achei eles. Eu senti... Saudades. -seu rosto esquentou tanto que Len teve que tocar sua bochecha, uma forma de tentar esconder, mas mal ele sabia que só aumentava o efeito na pessoa que o visse.

-Como é que você pode não mudar nada, hein?

Len arregalou os olhos, fitando Kyte com cuidado. Sentia insegurança agora. Não era mais tão criança para tratar aquilo como normal. O azulado se aproximou com um olhar sério. Sua mão tocou o ombro desnudo.

Dali houve uma onda térmica que Len sentiu atravessar seu íntimo. O calor veio com força, envolvendo aquela parte toda, aquela mão grande e cálida, apertando levemente. Em seguida foi a outra mão.

Len sentiu a sombra cobrir todo seu corpo. Kyte era muito alto, só não tão alto quanto Gackpo. Dali debaixo sentiu seu coração acelerar. Tão encurralado e tão indefeso em sua visão. Se Kyte quisesse fazer algo ali naquele momento ele conseguiria facilmente.

-Você continua tão bonito como sempre.

Mas o sorriso agradável sempre tomava o rosto que devia mostrar excitação. Kyte era tão compreensível.

-Você também continua parecendo um príncipe. -falou baixo, a cabeça baixa.

Seus cabelos estavam soltos, o vestido branco com um avental preto em cima, como um maid em negativo, os pés descalços. O salto ele deixaria de lado, fazia tempo que não andava em um.

O azulado riu baixinho, não resistindo em dar um abraço no mais novo.

“Para ele não há outra escolha. Para ele só vai haver amor e afeto. Mas eu devo me controlar.”

Len sentiu de encontro com seu ouvido o som relutante do coração de Kyte sob a camisa, sob a pele quente, sob a carne macia. O grande coração que Kyte possuía era bom demais para admitir qualquer coisa que pudesse prejudicar sua família.

Len levantou os braços. Havia mangas separadas brancas com fitas pretas enroladas, terminando em um babado bem rente a sua mão. Suas mãos tocaram levemente as costas do irmão. Costas largas. Músculos firmes. Kyte era lindo.

“Por que é tão difícil para eu admitir? Eu estou com medo?”

Kyte infiltrou os dedos no cabelo loiro. A panela atrás de si começava a fumegar.

-K-Kyte-nii...

Kyte fechou os olhos, colocando o rosto de Len na curva de seu pescoço.

-Eu te amo muito, Len. Você sabe disso.

O loiro se viu entre a pele e a orelha, acima de seus olhos estavam os fios curtos e azuis sedosos. Len aspirou o cheiro. Suas mãos apertaram a camisa.

“Eu também... Eu também...” Seus olhos começaram a doer. Suas mãos continuavam tão gentis e macias quanto antes, porém, suas unhas quase transpassavam a camisa para agarrar o mais velho ali.

Quando sentiu ele começar a se afastar, Len ficou na ponta dos pés, envolvendo o pescoço de Kyte o suficiente para desequilibrá-lo e po-lo contra a mesa. A mão de Len alcançou com facilidade o fogo da panela que já estava no ponto, exalando um delicioso aroma que fazia seu estômago roncar.

Kyte piscou umas três vezes, sentindo o corpo de Len quase em cima do seu, seu quadril encostando-se sem nenhum escrúpulo no do maior. Uma das mãos ao lado de seu corpo, os olhos fixos nos seus e a outra mão em sua nuca.

O adulto sentiu-se encolher com a aproximação. Sua mão esquerda levantou-se para parar o menor, mas a mão quente e pequena que tanto gostava de segurar entrelaçou em seus dedos, fazendo com que seu corpo tivesse uma aceitação tão clara que a sensação lhe deu um tranco, fazendo-o se arquear.

-K-Kyte-nii...

Os olhos chorosos o martirizaram. Era doloroso. Ele tinha feito doer. Por que não se perdoava?

-Ore mo... -os lábios trêmulos chegaram tão perto que Kyte fechou os olhos com muita força, envolvendo um dos braços nas costas do Kagamine. (Ore mo: Eu também)

Com o instinto ultrapassando todos os limites impostos por eles, Kyte atravessou aquele curto espaço de forma um pouco brutal para sua pessoa. Sua boca entreabriu, tomando aqueles lábios pequenos e macios com uma vontade mais do que reprimida. Ele estava finalmente...

Os dedos se apertaram. Len e Kyte tinham seus corpos clamando, com ofegos num beijo descontrolado.

-Hm-mm...

Os braços de Kyte envolveram a cintura e as costas do menor, sua língua adentrou a boca delirante. Como um pecado, era tão bom, molhado. A língua quente de encontro a sua sem saber onde tocar.

“Essa é a primeira vez que eu não sei como beijar uma pessoa.”

Os pensamentos de Len o faziam se encolher envergonhado. Tudo misturado naquele momento, a excitação subindo de forma dolorida por suas coxas ao ar livre, seus ombros e orelhas ficando vermelhas. Sua pele arrepiava-se com os toques das mãos que o alisavam calmamente no mesmo ritmo em que sua boca se movia, a saliva se juntando.

Era tudo muito com para ele se convencer de que não amava mesmo aquela pessoa mais que tudo.

“Mais que tudo...”

Os olhos azuis céu de Len ficaram opacos um instante e os movimentos do corpo pararam um pouco.

“Nero.”

Len mordeu os lábios. Ele não amava mais Nero... Mas porque sentia um assunto inacabado ali? antes que Kyte os separasse, assustado, Len o puxou com força de encontro ao corpo, dominando o beijo.

Era verdade que não era tão experiente. De sua boca escorria uma fina linha de saliva, mas seu desejo era tão grande que não poderia ser comparado a nada.

Kyte não soube o que fazer, um som arranhou sua garganta no momento em que Len praticamente subiu em sua coxa, ele sentiu uma das coisas mais maravilhosas que aconteciam quando as pessoas têm relações com outras. Sua mão automaticamente desceu, apertando a bunda do menino por cima do vestido.

Len deu um salto soltando um gemido e foi como se tudo parasse no tempo dali em diante. A porta da cozinha abriu.

Uma figura loira com uma bolsa pendurada no ombro observou a cena, completamente chocada e a boca entreaberta. Como Len, suas orelhas e ombros à mostra pela regatinha que usava ficaram tão vermelhos como seu rosto.

A surpresa que Rin teve foi a cena assustadora de seus “dois irmãos”... “Daquele jeito”. Ela não sabia se sentia raiva ou se ficava feliz. Eles a olharam pelo canto dos olhos, altamente corados e separaram as bocas no instante seguinte, Len com as duas mãos sobre a boca, apavorado, enquanto o mais velho estava com a boca ainda entreaberta e sem saber para onde olhar.

Rin, como sabem, já tinha conhecimento dos sentimentos do azulado. Mas... Não esperava que logo Len ia corresponder, er... Tão cedo.

Ela não soube o que fazer, ficando corada também, apontando para um e para o outro, em seguida baixando os olhos com a boca aberta ainda. Quando sua voz saiu, ela estava tremendo de nervosismo e tudo o que conseguiu dizer, depois daquele silêncio constrangedor sem que eles pudessem se olhar nos olhos, e sair correndo foi:

-M-M-ME DESCULPA ATRAPALHAR! EU VOU DORMIR NA CASA DA NEKOMURA-SAN!

Ela desapareceu depois disso, deixando-os atordoados com a velocidade com que falou. Rin era muito histérica às vezes!

Mas somente isso, a sensação de seu ouvido ser atravessado por um som fino e irritante, não foi suficiente para que os dois medissem a situação e se encarassem.

Kyte estava indeciso. Ele era um adulto e tinha que olhar, tinha que dizer. Tinha que ser homem. Mas a coragem onde estava? A coragem parecia sumir quando olhava bem nos olhos azuis quando estava tentando mentir.

Len já devia ter percebido que quando Kyte não o olhava nos olhos era porque estava mentindo.

Len levantou a cabeça bem devagar, soltando as mãos dos lábios. O rosto estava fervendo ainda... Não era como se tivesse acontecido com uma garota qualquer. Não. Era o Kyte. Era o seu irmão. Acima de tudo isso, estava envergonhado, porque aquele beijo foi tão intenso quanto ele não conseguiria nem sonhar. Era simplesmente outra coisa... Sua imaginação lhe pregando peças, ou o Luki sendo um ótimo cupido.

O loiro sentiu o pomo de adão em sua garganta (que quase não existia) mexer-se quando engoliu a saliva. Os lábios secos agora entreabriam-se, mas não sabia o que dizer. Tudo era incerto.

Kyte tentou se mover, mas não dava. Pareciam estátuas. Mas com esforço ele proferiu umas palavras.

-L-Len, me perdoa... Eu n-não...

Mas se calou. Len poderia dizer que entendia as coisas agora muito melhor do que antes. Bem que diziam... Que o Kyte era apaixonado por ele.

Len virou a cabeça para o lado, sua mão direita segurando o braço esquerdo. Incrivelmente, havia um sorriso ali.

-Eu te amo, Kyte.

O loiro virou-se de costas e saiu andando com pressa. O som dos pés descalços fez com que Kyte ainda andasse até a porta para ver Len chamar por Rin.

O azulado abaixou os olhos. O que ele faria agora? Nada estava certo ainda. Como Len foi capaz de dizer algo assim? Ele sem querer se declarou indiretamente. Estava perdido.

Continua

Notas finais
Yottekimasu! E então...está aí o momento dos dois. Uahahahahaha... eu planejo um lemon em breve. Vamos ver como fica. Me desculpem se a partir de agora demore para postar. Minhas férias chegaram, hoje é o penúltimo de aula, mas na verdade estou agora mesmo na sala sem professor usando o wii fi da escola. Massa né?
De qualquer forma vai demorar as postagens. Agosto eu volto com tudo, mas haverá sim atualizações durante junho. Blz? Mereço uns reviews? Bjos até mais minna, obrigada a todos!