A Casa Imoral

36 Chapter 36: Anata


Notas iniciais
Yup! Anata (dito sozinho para seu Namorado/Marido) significa Querido. Quase chegando ao fim de Casa Imoral! Aqui está o romance KytexLen e final oficial (depois são só 4 especiais mais curtos). Boa Leitura!

...

A visão foi se recuperando após uns segundos e tudo o que Len conseguiu ver naquele pequeno segundo foi uma clara expressão de preocupação se tornando de felicidade. Sua franja não tapava seus olhos como estava esperando.

–Len! -a voz de Rin foi vibrante e cheia de emoção, e em seguida um abraço. Foi possível ouvir até mesmo os estralos dos ossos, e Len não conseguiu ainda lembrar o que acontecendo ali.

Depois de Rin soltá-lo foi a vez de Gackpo, que pareceu ter renascido e sua expressão preocupada finalmente apareceu.

–Como você está? Normalmente você causa problemas assim, mas dessa vez foi sério, Len-kun! Quantas vezes vou ter que dizer para escutar o que dizemos? -o arroxeado reclamou um tempo e o loiro só conseguiu ficar quieto e sorrir vez ou outra. Seus olhos azuis correram em volta num determinado segundo e encontrou Kyte.

Ele estava aliviado visto sua expressão. “Que bom...” Len sorriu mais largamente e relaxou.

–Onde está o Kuro? -perguntou calmo, causando estranhez pela forma arrastada que falava. Kyte piscou e resolveu responder. Rin continuou sentada, acariciando seus cabelos, um carinho tão bom e nostálgico, sentia muita falta.

–Está descansando, Len. Seus amigos também ligaram, especialmente o Luki-kun. -Kyte disse em seu tom normal, transparecendo calma. O olhar profundo de felicidade do mais velho era algo que Len não conseguiria mais ignorar. O brilho vinha e tocava o seu, forçando seu coração aceitar a presença do sentimento.

Assim, Len voltou os olhos em cada um que pertencia a sua família, exceto Kuro que estava no quarto, e sorriu agradecido. Ele tinha muitas coisas para dizer... E hoje ele diria apenas algumas delas, mas amanhã ele diria mais outras, e depois de amanhã também.

Iria chegar um ponto onde ele não conseguiria dizer mais, então ficaria em silêncio e continuaria com seus dias normais.

Mas para chegar o dia em que os problemas ficaram para trás, o Kagamine decidiu seguir em frente e mostrar que amava essa casa.

–Gackpo-san... -seus olhos quase começaram a lacrimejar de tanto medo que havia sentido e que tudo poderia ter acabado. -... Rin-nee, Kyte... Eu amo vocês.

A partir daí seu choro não conseguiu mais, as lágrimas caíram e se sentiu uma criança. Ele não se sentia como se um dia tivesse vivido a violência, as críticas, a fama e o amor adolescente... Foram poucas experiências em comparação com outras pessoas, mas foi muito para sua mente, momentos intensos e que nunca se esqueceria.

Acima de tudo, sua paixão infindável por não magoar Kyte não era de irmão. Era claro, e sentia que Gackpo, o “pai da família” via tudo e orava pra Deus que protegesse a todos. Ele era ocupado e um tanto sério, às vezes explodia com a Luka e com Kyte por alguma coisa boba, mas era o stress acumulado. Porém, quando chegava final de semana, eles se divertiam e convidavam os amigos, faziam programações com todos e com os que podiam, senão deixavam para a próxima semana. Era a válvula de escape, e todos voltavam a ficar bem.

Não eram ligados por sangue, exceto os gêmeos, e eles nunca vieram a saber como tinham conseguido ficar juntos sem nenhum conflito extremo até os dias atuais. Era bom, e poderiam continuar assim, todos estavam encaminhados.

Len entrou em seu quarto, dirigindo-se até a cama, onde notou o gatinho preto dormindo despreocupadamente em cima de seu travesseiro. Um riso saiu de seus lábios, se divertindo com a cena do bichano contorcido, a língua pra fora, como gatos às vezes fazem, e todo virado de barriga pra cima. Era muito jovem com certeza.

–Kuro. -chamou, coçando sua barriga. Lembrava-se de que a criatura gostava de mimos e sentia falta de carícias que eram feitas antes quando eram crianças. -Me desculpe.

O gatinho acordou e se sentou, olhando Len com os gordos olhozinhos vermelhos, sem entender o motivo das desculpas.

“Por que, Len-kun? Eu pensei que estava bravo comigo.” Len ouviu a voz em sua mente. Isso seria um tanto difícil no dia a dia, mas se esforçaria para se adaptar nessa comunicação telepática.

“Não. Eu e a Rin nem estaríamos vivos se não fosse por você, muito obrigado por isso. Eu peço desculpas por ter ido junto com Tonio-san... Você ficou ferido, não é?”

Kuro se estivesse na forma de um humano agora teria ficado vermelho e abalado com o Kagamine. Era típico de Len ser a pessoa boa da história, mas era muito até mesmo para ele.

Um carinho em seu pescoço o fez se contorcer mais em direção ao contato, muito booom!

“Eu não posso te impedir de fazer nada, Len-kun. Eu reuni bastante energia, mas a Rin-chan também passou por uma fase depressiva e isso me pegou de surpresa. Sua ligação com ela é mais forte do que pode imaginar.”

“Eu imaginei. Agora eu acho que você deve descansar o máximo possível... Depois daquilo acredito que você ficou exausto, não?”

O gatinho miou apenas e se enrolou no travesseiro.

“Já falou com o Kyte?” Kuro perguntou, coçando a orelha com a pata dianteira esquerda.

Len engoliu em seco, avermelhando bastante. Sua voz travou enquanto seus olhos buscavam qualquer ponto, menos olhar Kuro — mesmo que fosse só um gatinho fofo.

–Não... -falou sussurrante. O loirinho desde que tinha subido para o segundo andar ficou pensando no que aconteceu minutos antes; tinha chorado vergonhosamente. Rin afagou seu cabelo, assim como fazia quando era criança, e depois Gackpo lhe deu uma xícara de chá, dizendo “Você precisa descansar. Vá dormir e te chamamos para jantar depois, sim?” O olhar de alívio de Gackpo era confortante, mostrando mais do que nos outros dias o quanto ele era importante. Seus olhos azuis claros piscaram calmamente e Len somente assentiu com a cabeça. Sua visão parou em Kyte, todo esse tempo mais silencioso que o habitual, um sorriso muito enigmático desenhava seus lábios. E ao Kagamine interessava saber o que era.

“O que você acha de falar com ele essa noite?... Você já tem 16 anos. Vai poder resolver as coisas. A Rin e o Gackpo já sabem desse clima entre vocês, desde bastante já.” Kuro explicou, vendo como Len ficava ainda mais ruborizado e colocava uma expressão de incerteza.

“Hm. Não seria melhor amanhã? Talvez eu consiga pensar melhor.”

Foi quando o gatinho parou de se lamber e dirigiu os olhos finos de demônio para o loiro.

“Pensar? Por dois anos você não pensou nisso?”

O Kagamine imediatamente juntou as sobrancelhas.

“Pensei, é claro... Que eu estava apaixonado pelo Nero. E que Kyte não podia ser mais do que meu irmão. Só que eu me enganei.” Len apertou as mãos na calça, cruzando as pernas em cima da cama. “O que eu devo fazer?! Eu vivo com o Kyte, como vai ser namorar com ele sendo que moramos na mesma casa? Ele tem uma vida formado, já alcançou seu sonho e... Eu não tenho nenhum.”

Kuro miou, parecendo virar os olhos para o drama típico.

“Vamos, Len! Só marque um encontro, cinema, no parque ou mesmo no seu quarto! Você acha que vai diferença ficar pensando? EU já senti. Só vá em frente.” A voz de Kuro não compatia com sua aparência de gatinho, mas era bom ouvir, mesmo naquele tom rude e descolado.

Len não deixou de rir um pouco, melhorando o sorriso no rosto, já não parecendo estar de luto.

“Vou falar com ele hoje ainda... Só não sei o que vou dizer.”

“Também não é como se você devesse fazer um discurso. Pense na hora, vá com seu coração, não com seu cérebro. Quer dizer... Mais ou menos isso, vai na fé!” Kuro riu depois disso, estendendo a pata e tocando a perna de Len, apenas para depois se afastar e se acomodar.

–Boa noite? -Len perguntou baixo acariciando seu pelo e depois se levantando para voltar ao quarto. Tinha que pensar em alguma coisa.

xxx

Algo roçava sua nuca, fazendo o loiro resmungar um pouco, imerso num sonho onde Nero e Lily brigavam e depois voltavam a fazer pazes. Era bem assim que era na verdade, mas eles se gostavam tanto que nem Len conseguiu acreditar. Mesmo que não fosse, ele se sentiu como o invasor.

Depois disso o roce alcançou abaixo de sua orelha. Suas pálpebras moveram-se em questão de milésimos de segundo e se abriram, incomodado não, mas arrepiado.

Os dedos de Kyte acariciavam uns fios longos que caíam ali. Mas ele não parecia estar só acarinhando, apenas parecia querer que Len acordasse. “Que forma pra me acordar... Não podia ser de outro jeito, Kyte?” O rapaz pensou, mas apenas sentou-se devagar ao que a mão meio gelada do mais velho saía.

–Hm? -sibilou ao perceber seu quarto. Ainda estava vestido com o uniforme escolar e seu cabelo estava saindo do prendedor em várias mechas, todo desorganizado, e seus óculos de aro vermelho nos dedos de Kyte, o livro que estava lendo antes agora estava fechado em cima do criado mudo. Avermelhando, o loiro empurrou os cabelos todos para trás, sem saber o que dizer.

Kyte se pronunciou.

–Vim ver se você já estava dormindo. -sorriu gentilmente, e se sentou de lado na cama, se afastando totalmente do mais novo, que olhou para suas roupas, para a camisa social branca e o casaco e as calças de sarja.

–Eu me sentei para ler um livro e estava com preguiça de me trocar... Só que eu cochilei. -respondeu com graça, estranhando sua conversa ser com as costas do adulto. -Ei, Kyte, o que foi?

O azulado virou o rosto como se não tivesse entendido a pergunta. Era óbvio que ele não estava normal, pois normalmente ele seria mais enérgico e mais acessível com as palavras.

–Nada, eu acho. Estava preocupado com você e com o Kuro... Fui pego de surpresa. -Kyte sorriu um pouco mais largamente, tentando passar mais confiança.

Len saiu da posição e se moveu para se sentar ao lado do mais alto, que mexia nas pernas de seus óculos de leitura.

–Algo mais? -perguntou baixo, dobrando os joelhos na beirada e abraçando-os. Seu olhar estava no chão, mas isso porque seu coração já podia ser ouvido. E sua temperatura elevou-se um grau, esquentando várias partes ao mesmo tempo.

Kyte tinha cortado o cabelo de novo naquele estilo repicado, e deixou de novo a franja sobre o olho esquerdo. Parecia um adolescente popular, com os olhos sérios, porém amáveis também. Usava uma camisa de mangas compridas preta e uma calça branca, parecia ter vindo de algum lugar, o que levava Len a pensar que já devia ser bem tarde.

–Não em especial. O Kiyoteru está querendo te ver. -sorriu. -Tem uns trabalhos para você, se quiser, pode voltar a ser anônimo.

Len arregalou os olhos.

–Mas desde que saí fiquei sabendo que seria difícil preencher uma vaga de novo. Nós tivemos sorte antes porque você e o Gackpo trabalham na área, mas então como agora...?

–Há certos rapazes na empresa que te conhecem e querem você no grupo. Vai até lá amanhã bem cedo? -perguntou o azulado, sorrindo mais genuinamente ao ver a expressão realizada de Len.

A quentura nas bochechas faziam Len parecer-se mais com o garotinho de 6 anos que foi um dia. Kyte pensava nisso repetidas vezes, lembrando especialmente daquela vozinha fina que quase estourou seus tímpanos. Ele tinha vivido muito bem e seu desejo de casar com uma boa mulher e ter filhos sumiu a partir daquela época. Adeus mulheres, bem vindas, crianças. E agora jovens bem dotados e cheios de amor.

–Sim! É claro que eu vou. -Len apertou as mãos, feliz da vida. Novamente ele poderia fazer o que gostava, mas estava mesmo era curioso para saber quem era o grupo que o convidou.

–Bem, então tem que dormir, não é? Já passa da meia noite. -Kyte se aproximou, puxando o pescoço de Len um pouco e deixando um beijo leve em sua bochecha.

–A-Ano... -o loiro piscou, segurando a mão de Kyte com a ponta dos dedos.

–Hm? -perguntou o mais velho. Len não tinha visto, mas só agora que estavam cara a cara que conseguiu ver a expressão de cansaço de Kyte. “Não vai ser hoje...”

–Durma bem, Kyte. -Len sorriu sinceramente, abrindo os braços e puxando-o pelo pescoço, dando um abraço apertado no mais velho e retribuindo o beijo, mas mais úmido.

O compositor então ficou vermelho e ficou sem fala, até dar risada e se levantar.

–Precisamos conversar, né? Eu sei. -disse ele coçando a nuca, envergonhado.

–Sim, mas amanhã. E é melhor não dormir comigo... Eu vou te chutar, está calor. -Len usou esse argumento, o que foi suficiente para Kyte acenar e desejar boa noite mais uma vez, e sair do quarto, fechando a porta.

Len suspirou. Se levantou e começou a tirar o casaco de qualquer jeito junto com as calças e as meias, e começou a abrir os botões. Quando chegou no terceiro a porta abriu.

–Len-kun, não se esqueça de, -o azulado paralisou enquanto Len soltou um chiado, cobrindo o peito e tentando cobrir as partes baixas com a barra da blusa. -D-Desculpa!

O azulado saiu correndo para seu quarto e decidiu não voltar mais. KAMI! Que boxer mais kawaii!

No dia seguinte...

Len procurou nos quartos, mas ele não estava.

–Que foi, Len? -Gackpo indagou preguiçosamente, vestido num kimono preto e com o cabelos liso solto. Estava obviamente num dia de folga.

–Kyte. -respondeu apenas, terminando de prender os cabelos, que estavam muito grandes, estranhamente grandes. Já batiam quase em seu peito. -Ia pedir pra ele me levar pra cortar o cabelo onde ele cortou o dele.

–Hm, então vai ter que esperar ele voltar da reunião. Ele não me contou, sabe? -o arroxeado se aproximou com um copo de chá que fedia. Era aquela porcaria de chá de berinjela de novo.

–Ugh, Gackpo-san! -Len se afastou um passo, sentindo seu nariz arder. Depois a mão grande do Kamui veio em seu cabelo, desarrumando-o.

–Deixe solto, fica bonito.

–Não sou você, Gack-san!! -Len chiou, tendo que arrumar o cabelo de novo, mas foi só arrumar a franja, a mão de Kuro veio também e Rin abraçou-o.

“Será que assim não é amor demais?” Reclamou mentalmente, sentindo-se um boneco de pelúcia ou uma daquelas irmãzinhas pequenas que as pessoas gostam de abraçar.

–Vou indo. -sibilou, pegando a mochila. -Ah, que reunião, Gack-san? É na cidade?

–Ele foi para Osaka. Parece que encontraram uma garota talentosa... Chamada Maika. Não sei, vamos lá, se mexa, faltam alguns minutos para você sair. Você não esqueceu de que hoje vamos ver os planos para essa apresentação sua, né?

–Não esqueci não. Estou indo. -e acenou saindo.

No portão de sua casa estavam encostados Luki, Yuma, Piko e IA.

–Pessoal! -Le se aproximou, vendo os ferimentos tratados em Aria e no Megurine. -Vocês tão legais?

–Aquele acidente nos rendeu esses bandaids, mas não é nada. Eu estou muito aliviado que você está bem, Len. -Luki abraçou-o forte.

–Hm. Meiko-san não deve ter gostado nada né? -Len riu amarelo, olhando IA e segurando sua mão.

–Você machucou a testa feio, não é, IA-san?

–N-Não foi nada! Eu também estou aliviada. -ela sorriu amigavelmente, apertando a mão de Len. -Quando a van rasgou foi como se tivesse acabado.

Len segurou aquelas bobas lágrimas de felicidade. Yuma tocou seu ombro, com aquele olhar gélido e a expressão enigmática, mas totalmente confortável.

Eles seguiram em frente. Rin estava apoiada na beirada da janela do quarto, vendo o grupo. Kuro a abraçou por trás, seu cabelo grande também, e o de Rin quase na cintura.

–Devíamos ir ao cabelereiro também? -riu a garota, olhando-o com um brilho nos olhos vivo e fervente.

O gato riu, inclinando-se e beijando-a superficialmente.

–Sim, ou o Gackpo faz um corte rápido pra gente com a katana...

–Tá louco?! -a loira arregalou os olhos, imaginando a cena. (ridículo no mínimo ahahahaha!).

–Deixa pra lá. O que acha disso? -perguntou Kuro apontando com o queixo onde Len estava.

–Perfeito. -Rin sorriu, corando. -Finalmente, Kuro... Ele começou a crescer. Estava demorando.

O de olhos vermelhos acariciou os cabelos lisos da namorada e sorriu, pensando que era verdade.

Na escola...

–Eu soube do acidente pelo Mikuo-kun. Ele teve o braço quebrado. -explicava Gacha para Len, que veio primeiro até a sala do Conselho Estudantil. -Você está bem? Todos ficamos preocupados por aqui.

–Ah, me desculpe por isso. Eu também fiquei chocado, e vou falar com o Mikuo-san. Eu queria saber como fica a minha situação com os clubes, Gachan. -Len mostrou sua preocupação com assunto. Vinha adiando a escolha um bom tempo.

–Eu vi que você fica dando voltas e não para. Então tomei a liberdade de escolher um, e calma, não é teatro. Eu coloquei você no tênis.

–Tênis, porque? -indagou curioso “Eu avisei que não era bom em esportes!”

–Piko-kun se ofereceu para ajudar. Também não é como se você fosse precisar jogar, existe uma coisa no esporte que em artes normalmente não existe: reserva.

–Ah. -Len suspirou de alívio. -Mas seu o Piko-kun vai me ajudar não tem problema. Espero que dê certo, então.

–Sim, sim... Sugiro você levar um protetor contra ursos agora. -disse o esverdeado, sorrindo de canto com aquela boca de gatinho.

–Hm...? -indagou o loiro sem entender as palavras.

–O Inspetor de Corredor também soube e está falando desde ontem em você. Talvez ele te esmague hoje... E cuidado de novo com a Ritsu, ela também está empolgada pra te ver.

O loiro tremeu, lembrando-se de ter quase virado um corpo versão líquida quando a ruiva pulou em cima de si. Talvez ela devesse se chamar “Elefanta”. (ô, maldade! ò.ó).

–Ok, vou ficar atento. -Len disse suando frio, apesar de que abraçar Lui não seria nada mal, ele era tão fofinho.

O Kagamine se despediu do esverdeado, dando-se com o corredor das respectivas salas da secretaria, diretoria, conselho estudantil e banheiros dos serventes e professores.

O movimento de alunos tinha acabado e devido a primeira aula ser com o professor pacifíco Len não apressou tanto o passo, ele queria passar despercebido, e falar com Lui sozinho. Não demorou muito para os cabeleiros castanhos muito claros aparecerem em sua visão em conjunto com aqueles olhos mel. Ele esboçou um sorriso e veio em seu encontro.

–Bom dia, Lui-kun. -Len cumprimentou, esperando o abraço de urso que não veio. Aparentemente Lui achava que uma pessoa possivelmente ferida não podia ser abraçada repentinamente. “Bom menino!” Len agradeceu mentalmente.

–Len-san! Você está ok? E o acidente? Você está ferido? Você parece bem. -o castanho soltou as perguntas, sobressaltado, e finalizou juntando as mãos. -Ah, você está a um minuto de se atrasar para a aula. Não é nada pessoal, mas eu vou ter que te dar uma advertência se você não for logo pra sala. No intervalo nos falamos. -Lui sorriu, segurando com as duas mãos e apertando as suas como se fossem aquelas amigas do ensino fundamental.

–Tudo bem. -Len teve que sorrir de volta. Ele se sentia tão bem, como se tivesse estado ali com eles a vida inteira. Gostava deles, de todos. -Até, Lui-kun.

Len se afastou rapidamente, vendo o terceiranista voltar à patrulha. Não acreditava que ele sairia ainda esse ano do colégio... Será que iriam se ver?

O loiro deixou todos os pensamentos para trás e adentrou a sala depois de um toque. O professor nem tinha chegado, o que era raro, então apenas sentou-se com Aria, ouvindo todos os comentários acerca de um possível namoro entre ele e a albina. Len ria internamente enquanto a albina fazia uma cara incrédula e começava a desmentir, mas ninguém acreditava.

Estavam reunidos, os alunos estavam rindo sobre alguma coisa e perguntando sobre o acidente, o qual Len respondia o possível e ouvia as versões das outras pessoas.

–Seu irmão mais velho ficou desesperado, dava pra ver na cara. Ele gosta muito de você, Kagamine-san. -falava a garota chamada Iroha, com aquele chapéu de Hellokitty.

–Eu sei. Eu gosto dele também, do mesmo jeito. -Len sorriu largo, tão fofamente e vermelho, que todos os presentes ficaram maravilhados com sua sincera expressão.

A aula tomou seu rumo com a entrada do professor Yohio.

–Ou, jovens! -o loiro de cabelos dourados acenou e arrumou o casaco cinza, colocando um óculos de aro retangular preto. -O professor de matemática faltou. Então... Eu estava aqui desocupado e resolvi fazer a substituição. Vamos treinar o inglês de vocês hoje e aplicar nas músicas da apresentação da Feira Cultural. Para o Clube de Música, TODOS.

O período passou muito mais rápido do que Len imaginou e ele tinha conversado com uma quantidade incrível de pessoas, acompanhado de todos seus amigos. Falou com Mikuo, convidando-o para um encontro no final de semana com seus amigos no karaokê, todos que Len pôde convidar (mais da metade de sua sala e outros de outras salas).

Yuma e Luki haviam ficado contentes de estarem interagindo com os outros sem as impressões que davam por causa dos anos recentes de fama. Estavam todos sendo eles mesmos.

O Kagamine deu-se com Piko e comentou dos treinos e explicou sobre os horários que teriam que marcar.

–Eu vou a Vocaloid hoje porque parece que eu consegui o cargo. -Len sorriu tímido enquanto falava. -E vou poder voltar a trabalhar nos projetos anônimos e na produção de vídeos.

Ele parecia contente na visão de todos, então já podiam ficar felizes por ele já que era o desejo de Len trabalhar nisso.

–Então depois disso, quando você assinar tudo, podemos marcar seus horários e você vai voltar à rotina do inferno. -riu Luki maldosamente, lembrando que o rosado era praticamente o tutor de Len.

Quando o sinal tocou, Len soube que teria que ir pra empresa.

–Nos vemos amanhã, sim? Hoje eu também tenho outro assunto pra resolver. -Len se despediu.

–Esse assunto tem nome? -Yuma perguntou arqueando uma sobrancelha. Ele tinha cara de que sabia, então era só pra provocar. Roro Yuma era um cara quieto, mas com certeza tinha um lado malicioso. (Você não viu nada, Len).

O Kagamine riu gostosamente, pegando a van junto com Luki, Mikuo e IA, já que moravam todos na mesma área.

xxx

Kiyoteru quase chorou quando viu Len, abraçando-o e, se estivesse mais em forma, teria girado-o no ar de tanta felicidade.

–Que saudades de você Len-chan! -o moreno parecia estar sofrendo com alguma coisa e por isso a felicidade extrema. -Veja bem... Estou enlouquecendo com esses “talentos” que mandaram pra cá, estão fazendo os acessos dos nossos vídeos aumentarem em 120%!

–Isso não é bom?

–Aumentaram em 120%, mas mais da metade só classifica como ruim. Que bom né? -o castanho arrumou os óculos, demonstrando sua insatisfação.

–Ow... Péssimo. Então, que história é essa de eu voltar? -Len comentou. Hoje ele pretendia resolver-se com Kyte. Queria tentar.

–Sim, você volta ao trabalho anterior. Tem um passe pra você dos integrantes do grupo F.U, Fourth Unknown. Se você se juntar, a versão do grupo mudará para Fifth. Resta só você conhecê-los e decidir-se.

–Uhn... Tá legal.

O local de trabalho desse grupo era espaçoso e muito conhecido, o mesmo local onde Len e Rin passavam o tempo treinando com os instrumentos. Não era uma sala acústica, mas mesmo assim era ali que ficavam, e era até bom para se acostumar com tocar em ambiente local.

Agora ali estavam mesas especializadas para computadores e mesas de som. Havia uma mesa normal de escritório onde estavam vários papéis e os dois armários nos cantos repletos de caixas e mais aparelhos como microfones, fios e outra infinidade de coisas.

O que mais surpreendeu o loiro foi os quatro rapazes reunidos em um canto, com papéis de notas musicais em mãos, fazendo testes de som.

–Vocês! -Len sorriu imediatamente. -Como puderam?! Vocês tem escondido isso de mim há quanto tempo?

O loiro se aproximou correndo, sendo observado por Kiyoteru na porta, atrás dele estava Mew, que chegava com Tonio em seu encalço.

–Ow, então eles se conhecem. Como você é esperto Hiyama. -Tonio sorriu de lado. -Você ainda vai se tornar um grande empresário.

O moreno ajeitou os óculos diante da clara provocação de Tonio, crispando os lábios.

–Claro, claro... -sua sobrancelha tremeu. -... Daqui um ano você pode arrumar suas malas.

O homem de barba riu baixo e bateu no ombro do rapaz.

–Você é jovem, Kiyoteru. Espero que se dê bem com seu parceiro daqui em diante... Vocês se combinam.

–Como você-! -Kiyoteru avermelhou, ficando apavorado pelo empresário saber de sua vida pessoal.

–Vamos, Mew. Depois eu volto aqui. Temos uns assuntos pendentes.

O moreno ficou observando como os dois iam embora, e resmungou, ainda com vergonha aparente.

–Assuntos pendentes o nariz... Corvo desgraçado. -Kiyoteru se virou para ver como Len conversava com os amigos.

Todos eles eram colegas do colégio: Utatane Piko, que frequentava ali desde que Len saiu em turnê, Hibiki Lui, que tinha se juntado a pouquíssimas semanas, influenciado pelo baixinho de cabelo verde, Gacha, e por último, claro, Megurine Luki o que criou o grupo.

–Foi você então, Luki-kun. -o loiro pensou mesmo que tinha sido ele. -Mas eu nunca iria imaginar que vocês todos iriam estar aqui.

O Kagamine sorriu ainda mais bobamente, sem acreditar. Como esperar de bandeja um emprego, o trabalho que realmente queria, seus amigos juntos, e na empresa em que Kyte trabalhava? Era sorte. Sorte demais.

–Eu não vou perder a chance. Vamos trabalhar juntos então? -Len sorriu largamente. Pela primeira vez ele se sentiu como se nada mais pudesse dar errado.

–SIM!!! -riram juntos já começando a organizar os planos.

O Len de antes havia se tornado um rapaz amado por seus verdadeiros valores e, como dizem, quem sofre há de ter sua recompensa. O Kagamine a recebeu mais cedo do que pensava e iria desfrutar com todo o gosto.

Sem mágoas, sem desejar o mal a ninguém mais, ele seguiu seu caminho como todos os outros.

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Era visível como Len estava radiante quando chegou em casa mais de nove horas da noite. Gackpo sabia que ele esteve o tempo todo no prédio da Vocaloid, então deixou passar, especialmente porque ele estava só tão feliz. O mais velho da família desejava ver isso há bastante tempo.

Rin perguntou o motivo da felicidade toda, mas ela parecia muito feliz também com algo. Estava até mais doce, corada.

As conversas foram rápidas, porque em determinado momento na empresa com seus amigos ele lembrou. “Pessoal, eu tenho um assunto pra resolver ainda. É importante.” Luki deu uns tapinhas em suas costas, desejando sorte mudamente. Ele já sabia muito antes uma vez que frequentava sua casa, mas a confirmação não era certa.

Enfim, Len foi parado por uma mão em seu braço.

–Len-kun! -Kuro sorriu largamente. -Eu e a Rin-chan vamos pra uma lanchonete com a Lily, o Meito-kun, o Mikuo-kun, a Ring-chan, a SeeU-chan e a Aoki-chan. Beleza? Vamos dormir fora.

O menor piscou sem entender. Tantas pessoas... Até Ring?

–Cuidado com quem andam. -avisou, parecendo até mesmo rude, mas não fez por mal.

–Relaxa. Eu vou pra casa do Mikuo-kun e a Rin pra casa da SeeU-chan. -ele piscou.

–Hm... Tá legal então. Se divirtam! -Len sorriu, beijando os rostos dos irmãos enquanto eles já iam pra fora, acenando para Gackpo.

–Claro, Len-kun! Boa noite, Gack-san!

–Boa noite. Cuide da Rin, abusado. -o arroxeado arrumou o terno sem dar muita atenção. “Terno?”

–Vai sair também? -Len perguntou, interessado em saber o motivo de todos estarem abandonado a casa com ele.

–Uhum. Luka me mandou ir a um encontro com ela. -ele suspirou.

–Hum?

–Deixe, é que o Luki-kun vai estar na casa da Meiko-san, então a casa está vazia. -o homem não foi nada discreto no mínimo. Len riu.

–Certo. O Kyte está aí? -indagou, desejando que sim, mas estava com azar nisso hoje.

–Não, ele vai voltar no mesmo horário de ontem, eu acho. Está tomando meu lugar em algumas reuniões essa semana, no Hotel Zaki, zona norte. Tudo bem se você quiser chamar seus amigos pra dormirem aqui. -ele sorriu. -Tem comida pronta, salgados, pipoca. Pode fazer o que quiser, Len.

O loiro somente acenou com a cabeça.

–Não se preocupe, eu vou me comportar, Gack-san. -ele se despediu do mais velho, que deixou a mansão na noite escura, banhada pela lua crescente.

Len sentiu-se sozinho. Mas apesar de tudo não era ruim.

“Quero ver o Kyte... Aproveitar que estamos sozinhos.”

–Será que eu deveria esperar por ele?... Será que eu deveria ir até o hotel e surpreende-lo?

Len ficou na dúvida. Kyte não ia gostar dessa última.

Len então foi pego por uma súbita vontade de tirar essas roupas. Foi até o quarto, um pouco assustado com o escuro e o silêncio, pegando todos os seus vestidos, seu travesseiro e coberta, voltando para a sala. Então ligou o rádio e a televisão, deixando o local mais vivo.

Foi para a cozinha e começou a esquentar a comida, fazendo barulho e prestando mais atenção na televisão. Era um truque para não sentir medo quando ficava só.

–Ok. -olhou maravilhado para os vestidos. Tinha tido uma ideia incrível e agora iria executá-la.

Gackpo tinha uma daquelas máquinas fotográficas que revelavam a foto no momento em que a foto era tirada. Ele iria usar, e também o pé da câmera que ele tinha também escondido em um cantinho.

–Muito bem, muito bem. -ele sorria, montando as coisas. Agora restava ele se trocar e programar a máquina.

O escolhido primeiramente foi o vestido das más lembranças, quando terminou com Nero na festa à fantasia. O branco com a rosa amarela.

Seu cabelo estava muito maior e olhando-se melhor no espelho Len podia ver que realmente parecia uma menina. Só que não se importava mais.

O salto foi colocado e ele ainda deu uma ajeitada, vendo como estava ainda um pouco apertado, mesmo depois do ajuste na costureira.

Sua aparência estava boa mesmo se maquiagem, e ele poderia facilmente enganar qualquer um. Isso iria ser engraçado.

Len programou a máquina e se posicionou nas escadas, como uma princesa olhando o nada, uma mão sobre o peito e a outra no corrimão brilhante da escadaria.

Esse foi o início. Len tirou inúmeras fotos com um vestido em vários lugares da casa, depois o trocou, e mudou também a maquiagem e o penteado.

Fez isso tantas vezes que os pés começavam a doer um pouco pelos calçados de salto alto. Mas ele passou tantas horas fazendo isso e aquilo, se trocando, dando retoques e correções, além de repetir fotos que não considerou boas, que chegou um momento que sua fome despertou.

Ele guardou tudo e se permitiu ficar com uma camisa branca e o short preto que costumava dormir. O cabelo foi empurrado pra trás.

–Tá muito grande. -repetiu para si mesmo, olhando-o por um vidro.

Em certo momento enquanto jantava uma chuva inavisada começou a cair. Ele piscou para a vidraça e ficou imaginando se Kyte tinha ido de carro e se tinha levado um guarda-chuva.

Mais tarde, Len tinha estado experimentando a canção que deveria cantar no Festival. Não era nada muito absurdo, era uma música em coro, e ele faria a segunda voz em tom agudo, pois o clube decidiu que o destaque seria Iroha, com a primeira voz em tom grave.

Era uma música complicada, em que o comum foi revertido. Os agudos eram a base de fundo e os graves faziam a letra da música aparecer. Era de outro nível, e por isso Len teria que se esforçar muito, não só na letra, mas na melodia e para manter seu nível de canto.

Não importava tanto nesse momento. Ele estava sobre o sofá, cantando baixo e depois alto. Colocou a música no rádio, ouviu repetidas vezes e depois fez até uma gravação, cantando com os fones.

Len estava prestes a analisar seu progresso quando sentiu uma presença na porta de entrada. Kyte olhava-o um tanto curioso.

–Olá? Len, ainda está acordado? -o azulado entrou, deixando as botas negras e se dirigindo para o loirinho. Kyte pensou imediatamente que Len não poderia estar mais fofo, com o cabelo solto, empurrado pelos headphones para trás, a camisa folgada e o shortinho kawaii e sexy. Era impossível não querê-lo.

O sorriso do pequeno se alargou.

–Kyte! Você chegou. -ele caminhou até o mais velho. Não estava sentindo o mínimo de sono. -Eu estava esperando por você.

–P-Por quê?

–“Por quê?” nada... Você disse que queria conversar comigo. Eu também queria conversar. -sua voz ficou mais baixa e sua expressão tímida. Mesmo se tornado esse rapaz tão diferente, ele não havia mudado em tudo. Kyte sabia disso.

O azulado riu.

–Eu não tenho tido muito tempo não é? -ele riu, coçando a nuca e olhando de uma forma que Len conhecia bem. Um sentimento contido.

O loiro respirou e deixou seu corpo agir por si só. Seus braços abriram-se e seu abraço foi tão amaciante que Kyte deixou cair a bolsa só para abraça-lo de volta. Era tão afável.

–Len... Você já sabe que eu gosto de você, não sabe?

Len viajou na melodia da voz de Kyte. Era maravilhoso ouvi-lo, senti-lo... Sua bochecha encostada ao peito do maior abafava sua voz, então ao responder, pareceu que estava resmungando. Kyte riu, afagando seus cabelos.

–O que disse, Len-kun?

–Huh... Eu cresci, Kyte. Eu já sei que algo assim entre nós normalmente não daria certo. -ele apertou-se ainda mais. -Mas você é meu irmão querido... Sei que nunca vai me abandonar.

O mais velho suspirou. Não, ele não o deixaria.

–Miku falou pra mim quando terminamos que eu ainda me daria mal sentindo essas coisas por você, que eu era doentio. Que eu estava errado e deveria procurar outra pessoa, mesmo que não fosse ela. Não consegui, Len... Você me perdoa?

Len olhou para o mais velho. Ele parecia estar lidando com um grante problema, mas ninguém havia percebido.

–Perdoar?... Kyte, o que foi?

–Você é meu querido. Meu pequeno... Eu nunca vou poder tirar da mente isso, como eu vou conseguir te olhar, e conviver com você sendo apenas meu irmãozinho?

–Como... -Len franziu as sobrancelhas. -Como temos feito até agora.

O mais velho paralisou um instante.

–Nós não fizemos nada, Len. Não tem como comparar... -o azulado tentava se entender com sua razão. Miku tinha dito essas coisas.

Mas sabe, era injusto... Ninguém falava mal de Luki por estar com uma mulher de 25 anos. Era injusto, não era?

O loiro tirou o rosto do peito do maior e apertou os dedos em sua camisa.

–Então vamos fazer alguma coisa! -Len interpelou, puxando a camisa do mais velho, assustado com a reação. -Eu fui traído, então esperei o tempo que me deu, fui embora, feri o Kuro e descobri que existe só você! Então faça isso por nós, Kyte, por que eu sei que alguém falou alguma coisa, você só está com medo dos outros! Eu sei que sou querido por você de outra forma!

–L-Len-,

–Eu te amo!

O Kagamine respirava rapidamente, apavorado com a possibilidade de sua felicidade desvanecer num piscar de olhos. “Seja meu...”

–Eu também. -Kyte tocou seu rosto, os olhos azuis doces. -Você é apenas um jovem. Vai conseguir arcar com as responsabilidades?

–Você não confia em mim?

–Então você aceita, mesmo sabendo que nós não vamos ser mais do que nós dois?

–Isso não é verdade. -Len sorriu, fazendo o mais velho ficar surpreso e sorrir também. -Rin-nee vai ter filhos, Gack-san também, com certeza, e nós seremos seus tios! Nós vamos ter nossos amigos, e você vai ter a mim. Se apaixone mais por mim, Kyte... Eu vou te fazer feliz também.

Kyte puxou o corpo do mais novo, beijando-o profundamente. “Esse gosto...”

Len abraçou-o fortemente, sentindo a língua acariciar a sua, o beijo sem fôlego sendo movido por um ciclo de ar escasso.

O azulado deu mais intensidade, acariciando a cintura. Sonhou com esse momento, despindo-o com os olhos, assistindo-o se desvestir só para si...

Len perdeu um pouco o ar. Nem quando aprendeu a beijar tinha perdido o controle dessa forma, porém, agora, ele parecia cair num poço escuro, tento a confiança que iria cair nos braços estendidos de Kyte.

“Nero... Eu nunca mais vou me lembrar de você dessa forma, e me sentir atraído por você. Eu devo ter me rebelado em algum momento por sua culpa, mas ainda acredito que nós poderíamos ter continuado como amigos. Eu amo aqueles dias também. Mas eu amo mais os de agora.”

Len apertou seus braços frágeis no pescoço do maior e mordiscou-lhe os lábios finos, enquanto as mãos de Kyte passeavam por sua cintura, baixando até chegar às coxas, apalpando por cima da bermuda preta colada.

Kyte suspirou ao sentir os lábios separarem, o cheiro o chamando até o rosto arredondado, beijando-o suavemente em vários pontos da bochecha rosada e descendo por seu queixo, vendo como os cílios longos de Len fechavam-se e seus lábios entreabriam para respirar baixinho. Sua mão passando por sua perna subiu lentamente, tocando com pressão o cós da bermuda e subindo os dedos longos por dentro da camisa branca, achando o umbigo.

–Hmm... -Len arfou em seu ouvido, parecendo sentir a intensidade de sua paixão.

As pontas dos dedos de Kyte apertaram o umbigo e deslizaram pela pele incrivelmente suave. Sua outra mão apertou-se na cintura e subiu a camisa, puxando-a e fazendo Len levantar os braços para tira-la. O que mais surpreendeu foi sua falta de vergonha com aquilo.

Len segurou a gola da camisa de botões do azulado, sem se mover e olhando-o profundamente.

Na visão de Kyte ele era um garoto de shortinho, muito parecido com uma garota, mas seu peito chato com esses mamilos róseos e rígidos o delatava; e seu rosto sério, os olhos estreitos, a cor avermelhada... Parecia estar sofrendo de desejo.

–Kyte. -Len moveu os dedos para o primeiro botão, desfazendo-o rapidamente. Kyte tocou sua testa, empurrando os fios loiros para trás.

–Você fica ainda mais lindo quando seu rosto fica à mostra. -segredou o mais velho, beijando a pálpebra de seu olho ao que Len continuava abrindo sua blusa. Mesmo a diferença de altura não foi um problema, e o azulado encostou Len no sofá.

–Quer subir? -Kyte beijou-o após a pergunta, roubando o restante do ar e descendo uma mão pelo pescoço alvo, pelo peito, brincando com um mamilo entre os dedos e continuando o caminho, até ligeiramente tocar a virilha. Len arqueou-se e gemeu com o contato quase direto, terminando de abrir a camisa num puxão com sua reação.

O Kagamine mantinha os olhos fechados enquanto lentamente Kyte acariciava sua entreperna, causando um tremor forte e fazendo-o se excitar como nunca. Nem o tecido o impedia de sentir a pressão e o desejo imposto. Kyte a direcionavamais abaixo do membro e massageava o vão de suas nádegas.

–A-hnn... -Len segurou a camisa com força, mal conseguindo olhar para o peito do azulado, contorcendo ante o toque. Seu membro esquentava muito e sentia uma vontade louca de se esfregar, de roçar mais e mover-se com mais ímpeto.

Kyte trouxe mais a mão para frente e tocou onde seriam os testículos, fazendo o loiro apoiar o rosto em seu pescoço e, com uma expressão torcida de luxúria, gemer e morder seu peito, achando o mamilo e chupando enquanto era massageado naquela área.

–Len...

O mais velho permitiu sua mão livre fazer a volta e tocar o volume das nádegas do adolescente. Eram tão macios como nunca havia pensado. Apertando-os constantemente, como sempre queria ter feito, Len aprovou-o, descendo seus pequenos dedos fortemente em seu corpo até a cintura e tocar a borda da calça, ameaçando abaixá-la.

–H-aa... Kyte...

Suas pernas se entrelaçaram impacientes. Kyte num momento de autocontrole pegou Len pelas pernas e costas, subindo-o para seus braços.

–Vamos subir. -explicou, caminhando rapidamente em direção às escadas.

O loiro sentiu seu rosto esquentar dessa vez, não sabendo por quê. Talvez essa forma de Kyte o tratar o envergonhava, mas também não desgostava e até apreciava, só que para sobreviver a isso... Ele precisava esconder sua face, pois não poderia se sentir mais gay do que isso.

–O que foi, Len? -Kyte parou quando chegaram ao segundo andar. O mais velho o sentou no corrimão, fazendo-o abraçar seu pescoço para não cair; as mãos do mais velho em seus joelhos.

–H-Hm, nada. Só, só foi... Etto...

O azulado abaixou-se um pouco, tomando os lábios agora avermelhados do menor,succionando-os e apertando os dedos em volta de seu joelho. A sensação de aflição o tomou e Len se arrepiou todo, abraçando-o com força.

–K-Kyte! -Len reclamou, corado, vendo que o azulado gostou de sua reação, mordiscando sua orelha.

–Hm? -Kyte o envolveu e voltou-o em seu colo, mas dessa vez Len pôde entrelaçar as pernas em suas costas e colocar as mãos em seus ombros. O azulado podia ver e sentir perfeitamente o volume da ereção do loiro tocar seu abdômen e seus olhos firmes de rapaz se preencher de comandos visuais como “Rápido”.

Quando o loiro percebeu, o calor havia se alastrado por todos seus poros e seu peito grudava ao do maior, e não muito depois suas costas encostavam-se a uma textura macia de colcha. Era sua cama ou de Kyte? Len apertou os olhos gemendo outra vez ao sentir a pressão no meio das pernas.

Kyte saboreava-o cuidadosamente, com o olhar, com o nariz, com as mãos, com os lábios e a língua. A pele macia acariciava a sua, só um pouco mais rígida já que ele não era nenhum exemplo de força masculina, mas claramente mais formado. Podia sentir a dureza reagir com seu toque e o abdômen do loiro dobrar-se fortemente quando o massageava.

Kyte...

O som de cinto desfivelando chamou sua atenção, e Len avistou com esforço como Kyte abaixava a calça e jogava a camisa para o lado, expondo seu tórax branco e revelando a forma lisa de um autêntico rockeiro sensual.

Len mordeu o lábio por dentro, sem conter sua fome. Seus hormônios estavam muito ativos e não poderia impedir. O mínimo roce o fazia vibrar.

O mais velho inclinou-se sobre ele, ambos sob uma luz fraca que tinha sido regulada pelo mais velho assim que entraram no quarto. Len percebeu que era seu quarto assim que olhou uma parede, ao ter o pescoço coberto por beijos e chupadas leves, para não marca-lo tanto, o que já era meio difícil.

O Kagamine sentiu-o deitar o quadril no seu e move-los devagar, contudo, o breve segundo em que o fez, Len agarrou seus cabelos e fechou as coxas em sua cintura. A partir daí as movimentações em suas entranhas se remexeu e Len arfou contra a ereção do amante.

–Kyte-niii... -o loiro gemeu, não somente para provoca-lo, mas algo em seu interior se mexeu também, fazendo-o dizer a primeira coisa que vio em sua mente. Len também notou que sua bermuda em um segundo estava, e no outro não mais. Tremendo, sentiu mais do contato, úmido dessa vez.

Kyte absorveu o aroma que impregnava-se no ar e inclinou-se no meio das pernas do garoto, para tirar sua roupa íntima, tão curta quanto ele não poderia suportar, e desnudou seu pequeno parceiro de uma só vez. Para piorar, os gemidos se tornavam tão extensos que seus ouvidos lutavam contra eles, para poder manter sua sanidade.

O olhar azul claro como o céu atingiu o teto acompanhado de um quase grito, sentindo sua intimidade envolvida toda em uma maravilhosa cavidade molhada. O músculo vivo vinha e enrolava-se, melando-o inteiro, as sugadas o puxava em direção a um espaço mais estreito, que era a garganta do azulado, e com isso uma dor incomoda no traseiro, onde Kyte introduzia um dedo úmido.

–K-Kyte... A-Ahhnn... -Len queria se sentar, mas não conseguia devido à força que Kyte usava para chupá-lo, deixando-o literalmente em suas mãos.

Quando o gosto doce veio, Kyte sugou-o só um pouco mais e depois o soltou, descendo o rosto enquanto abria mais as pernas à sua mercê. Len não negou, apenas se encolhendo ao sentir o líquido misturado com saliva em sua entrada. Seus glúteos fecharam-se como reação, mas Kyte piorou tudo, circulando-o com a língua e forçando entrada já com o dedo indicador lá dentro.

A sensação poderia ser chamada de ruim, pois tudo o que é desconhecido é estranho ao ponto de ser ruim. E sem contar o ritmo cardíaco que quase o deixava sem ar... Len suspirou ao sentir mais um dedo. Seu canal era apertado e ardia quando Kyte fazia isso para alarga-lo, mas não podia dizer que sentia perfeitamente, apenas sentia incômodo, mas nada extraordinário, por enquanto.

–Pronto? -Kyte deixou-o, direcionando seu rosto para seus lábios e roçando seus lábios, esperando a resposta.

Len sorriu com os lábios, assentindo timidamente. Queria sentir. Queria sentir nesse exato momento.

O azulado não precisou de muito mais do que isso. Suas vestes estavam longe e os dois, podia-se dizer, tinham suas ideias de corpos bem formadas. Para eles soou natural quando o mais velho colocou-se sobre ele, inserindo o membro devagar.

–Hm. -Len franziu a testa, sentindo que essa dor pioraria. Mas a mão que segurou a sua num gesto de ternura foi o suficiente e Len deixou que ele adentrasse ao seu ritmo, acostumando-se um ao outro, respeitando os limites do corpo de cada um.

Kyte suava na fronte, avermelhado e arfante. Sua mão apertava Len um pouco forte demais também.

–L-Len... -sua voz falhou ao deitar o rosto no pescoço do rapaz, sentindo seu membro ser engolido de uma forma torturante que quase chegava a ser dolorosa. Tão estreito... Parecia querer arrancar sua carne e chupá-la para o interior, e ardia de tão bom que isso era.

Os minutos se passaram sem se mexerem. Len sentiu-se relaxar, quase com vontade de dormir, mas seu alívio ainda não havia chegado e seu tormento continuava bem no interior de seu ânus, quase como se ele houvesse prendido ali algo grande e muito quente. Seu pênis não amolecia enquanto “essa coisa” estava lá.

–K-Kyte. -chamou-o, passando os dedos pelos braços do mais velho. Era uma textura bem mais fria que a sua, mas era pouco áspera e criava uma sensação de relaxamento toda vez que fazia isso. Um calmante natural... -Pode fazer.

Até mesmo sua natural voz aguda se tornou mais grave, e bem baixa, mexendo com os sentidos do mais velho.

As mãos tocaram embaixo de suas coxas e as colocaram dobradas ao que seu corpo elevava-se. Olhando-o de cima, Kyte tinha os fios azuis pendidos no ar e seu olhar leve atingiu Len, fazendo seu coração acelerar e tocar em seu cérebro, seu pescoço e todos os cantos. O primeiro movimento de seu quadril foi lento e sem força, e nele Kyte descobriu que Len era com certeza o ser mais erótico que ele poderia encontrar.

Seguindo mais uma investida, Len deitou a cabeça do lado, gemendo apenas de reação, um som curto e sem sentido. O suor escorria por sua face cansada.

–Huhh... -seu gemido era como um pedido de mais.

Kyte deitou os cotovelos e dobrou as pernas, movendo-se mais forte, sentindo todos os músculos se contraírem em volta.

–Ahh...

–Len...

Onde o Kagamine sentia que estava seco logo foi sendo coberto pela consistência do orgasmo e o deslizamento facilitou em um segundo. Com força os dois se abraçaram e o sexo foi ficando ritimicamente branco, com trocas de beijos e gemidos e investidas leves.

Len passou suas panturrilhas em volta do quadril de Kyte, ajudando-o, recebendo a totalidade de seu membro e do prazer que poderia ser concedido. Além desses olhares quentes e as mãos tocando seu membro, os lábios em seus mamilos e testículos, Len aventurava-se a tocar os fios azuis até o fim das costas do companheiro. Tudo muito calmo, mas intenso ao mesmo tempo.

Sem ter mais nenhuma noção de força, Kyte moveu-se de uma forma que Len teve que se virar um pouco, para não bater a cabeça na cabeceira da cama. O ritmo em certo momento ficou rápido e forte, batendo um no outro com toda a força, produzindo sons altos do sexo e de suas vozes, até que Len se derramou com um grito histérico.

Arfando profundamente, o loiro não se moveu um centímetro.

–... Hmm... -gemeu debilmente ao sentir-se incapaz de se mexer. Foi abatido por uma temperatura absurda e o calor subiu em seu cérebro, cozinhando seus neurônios. Len só conseguia respirar e piscar lentamente, estando totalmente absorvido na sensação do orgasmo.

O mais alto por sua vez já tinha se recuperado, mas estava satisfeito apenas com essa vez. Mais uma coisa, não poderia culpar Len pelo estado em que estava, pois era apenas um jovem com hormônios descontrolados como qualquer outro. Contudo, ele era seu.

–Te amo. -sussurrou, gotas de suor em seu pescoço. O cheiro mal foi notado, e ele nem conseguia sentir o gozo cobrindo seu membro no interior do garoto, por causa do entorpecimento. Foi incrível como conseguiu se satisfazer dessa forma tão gloriosa. Se isso não era amor, Kyte decidiu que agora era.

Len cobriu o braço com os olhos e de forma engraçada começou a rir. Bobamente, como se tivesse ficado tão feliz como se fosse criança e tivesse ganhado um doce.

Kyte viu algumas lágrimas surgindo debaixo da pele avermelhada de tanto se remexer e esfregar. Curioso, tocou a mão do loiro, entrelaçando seus dedos e obrigando-o a mostrar o rosto. Len franziu os lábios, seus olhos cristalinos brilhavam.

–Estou muito feliz, Kyte... Obrigado.

O azulado sorriu de volta, deitando-se ao lado do menino e o abraçando. Sem dizer mais palavras, ele apenas apertou os lábios, começando a murmurar uma melodia que costumava cantar para Len dormir quando mais novo.

O loiro então se aconchegou, não sentindo nenhuma estranhez em seus corpos juntos e deixou sua mente rodar com o sono e a melodia.

Certamente Len não trocaria nada. Não havia nada do que poderia ser mais aconchegante do que possuir uma família, o amor de sua vida e a esperança de um futuro sempre melhor.

O Kagamine não prestou atenção quando começou a chover e Kyte só ficou admirando suas feições até que dormisse.

Amanhã, Len teria que inventar uma boa desculpa por não comparecer ao estúdio no primeiro dia de trabalho. Só isso que ele tinha absoluta certeza.

Fim

Notas finais
YUP!!! Finalmente esse lemon desgraçado que eu enrolei desde o começo da fic. Eu sou muito chata e nem percebi, mas esse é o FIM. Tipo, bye bye Len. Eu sinceramente não via a hora de acabar, e os especiais serão feitos em datas não pré-marcadas. Só estou tão feliz de ter conseguido um ótimo resultado nela! Agradeço a todos que acompanharam, deixaram seus comentários e me desculpem a questão de postagens e essa enrolação minha. Bem, eu sinto dizer também que minha vontade de escrever Vocaloid atualmente zerou (não faço ideia do porque), mas acho que é uma coisa assim de momento. QUANDO um dia eu tiver vontade... Eu volto a escrever uma coisinha ou outra. Por enquanto eu vou ficar ajudando o kevin Henri na fanfic Our Promisses, na correção. Jaa na minna, obrigada novamente!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.