A Casa Das Máscaras
2 Capítulo 2
David
Ketteridge é uma universidade extremamente elitista, onde se exige excelência, obediência e conquista de medalhas na área esportiva. Minha área. Eu iria cursar educação física. Meu sonho não é exatamente virar um jogador profissional de vôlei, apesar de o técnico dos tempos da escola dizer que eu poderia seguir carreira, se quisesse. Eu nem sabia bem o que queria, então escolhi educação física porque tinha paixão por qualquer tipo de esporte. Em geral me dava bem com todos. Por esse motivo o diretor logo me chamou e me apresentou para o técnico de natação.
“Ficamos sabendo que você já participou de alguns campeonatos amadores de natação, Sr. Young, e que se saiu muito bem neles. Tenho certeza que será ótimo para o seu currículo se envolver com essa área, além do vôlei.” O diretor, chamado Gregor Weneger, salientou.
“Sem problemas.” Assegurei. Eu nem pensei direito antes de confirmar. Eu gostava de natação, então não vi problema algum em tentar. Gregor sorriu brilhantemente e me dispensou depois de algumas recomendações.
“Os treinos acontecem três vezes por semana. Não sei se aguentará o ritmo, Sr. Young, considerando que ainda terá os treinos de vôlei.” Meu novo treinador revelou sua dúvida enquanto descíamos as escadas após sairmos da sala do diretor. “Ketteridge é conhecida por sua excelência” e lá estava a palavra de novo. “na natação, e não desejo diminuir o nível. Espero o melhor de você.”
“Claro.” Retruquei, com o lábio ligeiramente torcido. “Eu vou dar conta.”
Ele assentiu antes de seguirmos por caminhos diferentes. Eu voltei para o meu quarto. Ainda era o primeiro dia ali, sábado, e as aulas começariam na segunda. Logo depois da surpresa em descobrir que meu colega de quarto seria o prostituto que me tirou a razão há três semanas, o diretor me chamou. Quando voltei ao quarto, Andreas ainda não havia retornado. Suspirei, me jogando na cama e pensando como seria a rotina com ele. Eu certamente acabaria enlouquecendo com isso.
Fechei os olhos e lembrei-me do que havia acontecido depois que gozei dentro dele.
Fui empurrado assim que ele conseguiu reunir forças, fazendo com que eu caísse meio torto sobre o colchão. Olhei-o confuso e ainda atordoado pelo melhor orgasmo da minha vida. Ele parecia terrivelmente furioso. O que o deixava terrivelmente lindo. Ele alcançou a máscara que eu havia tirado há pouco e a recolocou, antes de cravar seus olhos nublados, que agora relampeavam, em mim.
“Você não ouviu eu dizer que é regra da casa não retirar a máscara dos acompanhantes?” Ele parecia controlar-se para não gritar e me xingar. Seu corpo suado brilhava e tremia de indignação.
“Eu ouvi.” Falei, apoiando meu corpo com os cotovelos. Não havia muito que dizer. Eu quis ver seu rosto, então tirei a máscara e mandei a Casa das Máscaras e suas regras para o inferno. Philip costumava chamar-me de genioso. Eu já prefiro o termo decidido.
O lábio inferior dele tremeu violentamente e tive certeza que ele engolira um dos melhores xingamentos em seu repertório. Sorri inocente e ele bufou, tentando sair da cama, mas eu o segurei pelo pulso e o puxei de volta para mim, já passando meus braços por sua cintura. Ele se debateu, irritado, enquanto eu dava beijos molhados em sua nuca.
“Por que a pressa?” Perguntei com deboche, sorrindo ao ouvi-lo grunhir exasperado. Ficava uma graça irritado. E eu não estava nem um pouco arrependido por ter vencido minhas dúvidas e me arriscado a experimentar sexo com outro homem.
“Você violou as regras da casa,” ele avisou, ainda tentando escapar, mas meus braços estavam fortemente cerrados ao redor de seu torso. “e isso não pode ficar impune! Eu vou te denunciar para Desmond e você não vai mais-“
Eu o mordi com força nas costas, arrancando um gemido de dor que o impediu de terminar seu ameaça.
“Se você vai fazer isso, eu vou aproveitar melhor a noite de hoje.” Eu disse, segurando seu braço e o jogando de volta para o colchão. Ele caiu de costas com uma exclamação abafada e me encarou assustado. Eu voltei a arrancar a máscara de seu rosto e apoiei minhas mãos aos lados de seu rosto, pairando acima dele com a testa franzida. “Qual o grande problema de eu ter visto o teu rosto?”
Ele virou a cara, emburrado, me deixando com vontade de mordê-lo de novo, no pescoço. Vi que ele não iria responder, então apoiei os cotovelos no colchão e colei meu corpo ao dele novamente, imediatamente sentindo excitação pelo contato. Comecei a deslizar a língua por seu pescoço e mover meu corpo em busca de atrito. Sorri com satisfação ao perceber o pênis dele ficar teso contra o meu. Ele tentou suprimir um gemido que eu quis arrancar de sua garganta.
“Não conta nada pra ninguém.” Eu murmurei contra sua orelha, pegando-o pelos glúteos e afastando bem suas pernas. Ele não oferecia resistência, mas também não retribuía. “Eu quero te ver de novo depois de hoje. Pela primeira vez na vida eu realmente gostei de sexo.”
“Você não deveria ter visto meu rosto.” Teimou. “Você não tinha o direito. Não vai poder mais por os pés aqui dentro.” Ele completou, num tom cruel e seco que eu odiei.
“Você não pode me impedir de vir de ter de novo!” Eu repliquei, irritado.
“Vai se fuder!” Ele tentou me empurrar. De alguma forma entramos em uma briga estranha, rolando na cama entre tapas e beijos. O loiro parecia até estar se divertindo, mas eu não conseguia dizer com certeza, pois ele era ágil e mais forte do que eu esperava. Não sei como eu acabei com uma camisinha no pênis, mas nós já estávamos suados e ofegantes quando encaixei minha glande na entrada dele o penetrei com força, tomado pelo furor daquela luta onde nossos corpos roçavam, nossos lábios se encontravam, ele me dava mordidas, tentava escapar e depois se atirava contra mim novamente tentando me derrubar.
Ele mordeu o lábio e abafou um grito ao arquear o corpo e afundar as unhas na minha pele, rasgando-me.
“Bastardo.” Ele xingou baixo com os olhos apertados. Eu segurei seus pulsos e os coloquei acima de sua cabeça enquanto estocava com o dobro de força que o normal, perdendo de novo o controle, meio desesperado com a possibilidade de nunca mais ter aquele corpo. Eu voltei a beijá-lo; ele mordeu meus lábios a ponto de arrancar sangue, o gosto metálico espalhando-se entre a saliva, mas depois sugou meu lábio com uma luxúria que me estonteou. Não era um beijo, mas uma briga violenta que nenhum dos dois queria perder.
Eu soube quando atingi sua próstata quando ele soltou uma lamúria alta em minha boca, e passei a atingir o mesmo lugar com ainda mais violência, sentindo-o se contorcer e praticamente chorar de prazer e ódio com minhas investidas. Eu usei minha mão livre para masturbar seu pênis no mesmo ritmo com que me enfiava com cobiça dentro dele. Ele acabou cedendo completamente e eu dominei também sua boca, explorando cada pedacinho daquele paraíso enlouquecedor. Eu poderia fazer isso a noite toda. Arrancar aqueles gritos e gemidos até que as cordas vocais dele arrebentassem.
Mas em algum momento, apertei com força um dos glúteos fartos e acabei gozando ainda mais forte do que antes, ultrapassando meus limites. Ele também já havia gozado, melecando o meu abdômen e o dele. Desabei sobre o corpo delgado do loiro, tentando recuperar minha sanidade e o ritmo da minha respiração. Ele permaneceu jogado na cama, quase inerte, até que eu me afastasse.
“Acho que isso não deve ter te convencido a não me denunciar.” Resmunguei em deboche, escondendo o quão irritado eu estava por ter perdido completamente o domínio sobre mim mesmo daquela maneira, por causa dele. Eu estava exausto depois de gozar duas vezes tão seguido, mas só de vê-lo nu, estirado e suado no colchão, com a boca inchada e o corpo sujo e fedendo a sexo, eu quis fodê-lo outra vez, até desmaiar de exaustão. Me senti um pervertido doente, e acabei por encará-lo em arrependimento.
Ele me olhou depois de alguns segundos de inércia, e parecia chocado ao me encarar. Eu ergui uma sobrancelha, não entendendo aquela expressão. Ele se ergueu e engatinhou até mim, com uma expressão que me fez queimar e cair para trás, desnorteado quando ele se enroscou em mim e segurou meu rosto com ambas as mãos, aprisionando-me antes percorrer a língua pelo corte que havia aberto em minha boca.
“Do que você está falando?” Ele riu rente à minha boca. “Isso é apenas parte do show. Ou você achou mesmo que os clientes mais ousados não vivem arrancando as máscaras quando se empolgam no meio de uma trepada?”
Eu me senti aturdido com isso.
“Você estava fingindo?” Perguntei sem acreditar.
“Vou contar um segredinho para você,” Ele lambeu minha boca lenta e provocativamente, deixando-me louco. “eu adoro homens selvagens. E queria te ver perdendo o controle.” Soltou uma risadinha cínica.
Eu o encarei embasbacado enquanto ele sorria repleto de malícia, para então começar a morder e sugar meu pescoço. E ele era ótimo nisso. Acho que ninguém poderia ser tão bom com a língua quanto ele. Mas eu continuei inerte, meio palerma, enquanto ele se esfregava em mim e percorria a língua por todo meu torso, recolhendo o próprio sêmen que sujara a minha pele.
“Adônis!” Alguém gritou do corredor e bateu na porta chamando nossa atenção. “Adônis, Desmond quer falar com você. Acabe logo com isso aí dentro!” Era a voz de alguma garota.
Adônis – certamente um apelido, que caía muito bem por sinal, já que era o nome do rapaz considerado pelos gregos como o modelo da beleza masculina – bufou e se afastou, deixando meu corpo frio. Ele me encarou com diversão enquanto recolocava lentamente as roupas, ainda provocante.
“Mais um detalhe: nós realmente denunciamos os bastardos que tiram as máscaras sem permissão, se não gostamos deles.” O sorriso branco de Adônis se alargou. “Mas eu gostei de você. Venha na Casa das Máscaras e me foda assim mais vezes que considerarei te ensinar alguns truquezinhos interessantes na cama...”
Eu permaneci meio jogado na cama, bestificado por vários minutos antes de colocar a cabeça no lugar, me levantar e sair do quarto. Não encontrei Alan ou Derek em lugar nenhum, então voltei para casa, sem conseguir parar de reviver a noite.
E agora cá estava eu, deitado na cama do dormitório, esperando Andreas aparecer para, quem sabe, fodê-lo daquela maneira de novo. Só de pensar nisso minha calça já apertava, praticamente formando um morro em meu baixo ventre. Eu acabei me perdendo na minha própria tesão e abri o zíper da minha calça, colocando meu pênis para fora. Ele saltou em busca de liberdade, duro em toda sua magnitude, e eu passei a me masturbar, grunhindo de prazer enquanto me tocava e imaginava a boca pequena de Andreas me sugando e lambendo.
E Andreas escolheu justo esse momento para abrir a porta do quarto e me pegar em flagrante, gemendo seu nome. Eu pulei de susto e tapei meu pênis inchado com o travesseiro. E juro, se cubos de gelo tivessem olhos, estariam com inveja do olhar frio que Andreas me lançou. Eu sorri sem-graça e cocei a parte de trás dos meus cabelos. Ele fechou a porta com um baque surdo, sem entrar muito no quarto.
“Isso é algum tipo de gozação? Uma maneira de jogar na minha cara que eu sou o prostitutozinho que você fodeu gostoso e que agora tem de continuar de onde parou?”
“Bem...” Eu soltei, ponderando. Não era como se eu não fosse gostar se ele viesse me ajudar a terminar o serviço. Mas dessa vez eu percebi que ele não estava encenando, estava verdadeiramente furioso e irritado com a ideia de ter de dividir quarto com alguém que já o havia comido por trás.
Ele soltou um bufo estressado. Parecia completamente diferente do que era na Casa das Máscaras: não estava tentando ser provocante, não carregava aquele porte que despertava a libido de qualquer um só por olhá-lo. Parecia um adolescente completamente normal – ainda que muito bonito – e irritado. Andreas caminhou até a cama dele e se sentou, de frente para mim e os braços apoiados nos joelhos.
“Parece que eu vou ter de ser ainda mais claro. Aqui eu sou só um aluno da universidade, está entendendo? Quando você for à Casa das Máscaras, pode agir, falar e me comer como bem entender, porém aqui eu exijo que me trate como trataria qualquer outro colega de quarto. E quero discrição. Há outros alunos nessa universidade que frequentam o bordel, mas não sabem que eu trabalho lá, e nem precisam saber.” Andreas endireitou o corpo e passou as mãos pelos cabelos ondulados. “Eu não vou te chupar ou transar com você aqui, então cuide para se aliviar num lugar privativo, como o banheiro, por exemplo.”
Ele se levantou e pegou a mala dele jogada no chão, para começar a arrumá-la. Eu o observei em silêncio por um tempo, impressionado com sua mudança de atitude, e em como parecia maduro e seguro de si. Eu já sabia que ele era bem seguro na cama, mas agora via que ia muito além disso. Em parte isso era meio chocante porque seus traços delicados, mais suaves do que a maioria dos garotos, denunciavam uma personalidade frágil e dominável – o que era uma grande mentira.
“A Casa das Máscaras está fechada há três semanas.” Eu atestei o que ele deveria saber bem. Andreas continuou a arrumar suas roupas no armário de gavetas do seu lado do quarto, sem se preocupar em me olhar para responder.
“Desmond teve alguns problemas com alguns poderosos.” Andreas riu com escárnio. “Um deles é louco por uma das meninas da casa e quer comprá-la a todo custo. Desmond obviamente não quer vendê-la, é uma das garotas que melhor trabalha lá dentro... O psicopata do cara que quer comprá-la para poder fodê-la todos os dias, como bem entender, tentou prejudicar os negócios, então Desmond fechou a casa em retaliação.”
“Retaliação?” Ecoei, apoiando meus cotovelos na cama.
“É. O resto dos grandes que frequentam o bordel com regularidade ficam fulos da vida por não poderem afogar seus paus necessitados em seus prostitutos preferidos e pressionam o idiota a desistir da compra e aprender a não ser tão glutão.” Andreas se virou, olhando-me com uma sobrancelha erguida. “Acontece vez ou outra.”
“Já aconteceu por sua causa?” Perguntei interessado. Quase me imaginei fazendo uma cena dessas por ele, mas afastei rapidamente o pensamento. Andreas soltou uma risada abafada pelo nariz enquanto jogava a mala vazia na última gaveta do armário.
“É claro. Não sou chamado de Adônis lá dentro por nada.” Ele disse, tão convencido que eu abri uma careta de deboche. Ele me encarou com ainda mais escárnio. “Desmond cuida para proteger suas preciosas minas de ouro. Você não imagina o que esses ricaços pagam por uma boa foda. Ah é, você deve imaginar, já que pagou bem caro por uma.”
“E quando a casa vai abrir de novo?” Ignorei seu comentário. Alan e Derek haviam pagado minha primeira visita. Mas se meu pai descobrisse que eu estava pensando em gastar uma pequena fortuna para aproveitar os serviços da Casa das Máscaras de novo, eu provavelmente não veria a cor do dinheiro por um bom tempo.
“Final de semana que vem, talvez.” Andreas deu de ombros, e eu segurei a respiração quando ele tirou a camisa e começou a trocar de roupa bem ali, na minha frente. “Você não parece bem.” Ele me encarou pensativo, apenas de cuecas. “Ficou sem sexo desde aquela noite?”
Eu senti meu rosto queimar. Eu estava na seca desde aquele dia, mas não queria admitir isso para ele. Mas nem foi preciso, já que ele riu sacana e se vestiu com roupas leves, de academia.
“Pobre rapaz. Você deveria encontrar algum garoto aqui na faculdade para te chupar e aliviar teu estresse.” Ele recomendou com naturalidade. “Eu estou indo malhar um pouco. Vou ficar umas duas horas fora, então você pode terminar de se masturbar nesse meio tempo. Mas coloque algum aviso se for trazer alguém para cá, um cordão pendurado na maçaneta do lado de fora, ou algo assim.”
“Aí,” Chamei, fazendo-o virar antes de fechar a porta. “tem certeza que é só final de semana que vem que a Casa das Máscaras abre?”
Ele revirou os olhos.
“Talvez.” Respondeu e fechou a porta.
XxX
Eu saí do quarto e fui me encontrar com Alan e Derek. Havíamos combinado de ir a algum barzinho para beber e aproveitar o último final de semana de férias. O lugar se chamava King Baron e tinha uma boa cerveja e boa música. Sentamos numa mesa no canto e ficamos conversando sobre esportes, até que o assunto acabasse em sexo (não entre nós, óbvio) quando eu deixei escapar que a Casa das Máscaras abriria no próximo final de semana.
“Ah, já não era sem tempo! Eu estou louco para voltar lá e ficar de novo com uma moreninha da última vez.” Derek falou, jogando o corpo contra a cadeira despojadamente. Alan o encarou incrédulo.
“Você traiu a Larsa?”
Derek bufou.
“Eu e a morena só passamos a noite conversando. Mas... eu ainda não contei para vocês: eu terminei com a Larsa.” Meu amigo anunciou como se fosse a coisa mais natural do mundo terminar, sem qualquer motivo aparente, com a garota que você passou os últimos anos dizendo que ama profundamente.
“O quê? Por quê?” Eu perguntei estarrecido. Derek deu de ombros, bebendo mais um gole de sua cerveja.
“Não estava dando certo. Eu quase a traí, doido de vontade de transar com a morena da Casa das Máscaras. Se eu senti isso, é porque não gosto da Larsa o suficiente para não ter esse tipo de vontade. Preferi terminar tudo a traí-la qualquer hora dessas; seria muita falta de consideração depois do que tivemos.”
“A Larsa é uma ótima garota.” Alan balançou a cabeça em negativa. Ele considerava Larsa como uma irmã mais nova desde que Derek havia apresentado ela pra gente.
“Por isso mesmo.” Derek reforçou. “Mas e aí, David, qual é a tua? Já decidiu se é homem ou fruta?”
“Vai se foder, Derek.” Retruquei rapidamente, com vontade de quebrar meu copo na cabeça dele. Derek gargalhou, não sendo acompanhado por Alan, e deu alguns tapinhas nas minhas costas.
“Hei, relaxa, David. Não é porque agora você gosta de rabo de homem que eu vou te julgar. Cada um com as suas preferências.” Ele falou, entre debochado e sério. “Mas e você, Alan? Você nunca fala nada quando entramos nesses assuntos! Será que estou sozinho nesse mundo dos depravados que gostam de falar de sexo?”
Alan olhou para mim nesse momento, tão fixamente, que eu senti um desconforto e soltei o ar aliviado quando ele desviou a atenção para sua bebida. Alan era o mais quieto de nós três, com um jeitão taciturno. Nós continuamos falando bobagem por um tempo, os dois me contando um pouco sobre a universidade e as ‘lendas’ do campus, quando algo me chamou a atenção.
Eu olhei em direção ao balcão do bar e paralisei ao ver Andreas ali, junto com outro garoto. Na verdade esse garoto era um coitado: não deveria ter nem um e sessenta de altura, era magrelo e mirrado e duvidei que tivesse dezoito anos. Andreas tinha um braço ao redor dele e sussurrava algo em seu ouvido. Fiquei olhando estupefato para a cena.
“David, ‘cê tá bem?” Derek perguntou.
Eu me levantei e fui até o bar, não aguentando ver aquela cena.
“Hei,” Chamei, atraindo a atenção dos dois. Andreas me encarou com surpresa que logo virou desinteresse. “É proibido entrar com menores aqui, sabia?”
Andreas soltou uma risadinha divertida e se escorou relaxadamente no balcão, o que fez meus olhos passearem por todo seu corpo. Era impossível não olhar.
“Ainda bem que o Louis já tem dezoito anos.” Andreas informou. Aquele pirralho mal havia saído das fraldas!
“Fala sério. Eu vou falar com o dono do lugar.” Eu me virei para ir atrás do gerente ou coisa que o valha, mas Andreas segurou meu braço e me impediu, sua expressão irritada. Ele olhou por cima do ombro para o tal Louis.
“Você pode me esperar um instante?”
“C-claro, Roy.”
Eu franzi a testa para o nome que o garoto usou. Andreas me arrastou com ele para algum canto mais discreto e silencioso do recinto. Me largou com um empurrão e me encarou irritado.
“O que você pensa que está fazendo?” Ele sussurrou.
“Aquele pentelho não deve ter mais do que quinze anos, ‘cê tá doido? Você poderia ser acusado de pedofilia!” Exclamei, me mordendo internamente de ciúmes, porque queria estar no lugar do pirralho. Eu tinha certeza de que Louis não era um amigo com quem Andreas havia decidido sair para beber e conversar. Andreas suspirou, cansado.
“Olha,” Ele começou, umedecendo os lábios. “o Louis tem dezessete anos, quase dezoito, vê se não exagera. O segurança deixou ele entrar comigo porque é um conhecido meu...”
Eu ri. Imaginei que tipo de conhecido ele era. Apertei os punhos.
“O que você veio fazer aqui com ele?”
Andreas me encarou com indignação.
“Desde quando você acha que devo satisfações a você?” Perguntou ao cruzar os braços sobre o peito.
“Ou você fala, ou eu acabo com a sua noite e seus planos.” Avisei, estressado. Andreas apertou o maxilar e quase pude ver seu cérebro trabalhando em busca de alguma saída. Ao perceber que não havia nenhuma, ele bufou de novo e passou as mãos pelos cabelos sedosos.
“Louis é um dos meus clientes por fora. Ele está pagando para que eu o divirta, embebedando-o e depois comendo ele gostoso. Sabe como isso é difícil de encontrar? Um cliente que eu possa foder em vez de um que me coma e me deixe sem caminhar por dias?”
“Pensei que você gostasse.” Torci os lábios, sentindo a indireta.
“Eu gosto. Mas é bom variar. E ele paga bem. Eu não posso me dar ao luxo de ficar sem grana enquanto Desmond resolve os problemas do bordel.” Andreas me encarou mortalmente sério. “Então vê se não dá uma de empata foda. Já fui bem legal com você naquela noite, fazendo da tua primeira vez algo fantástico, então mostre alguma gratidão.”
Eu segurei o braço dele e o puxei contra meu corpo, uma ideia sórdida surgindo na minha mente.
“Só se na volta, você deixar eu te comer.” Sorri maldoso.
As sobrancelhas de Andreas se ergueram.
“Você não pode ‘tá falando sério.” Ele rangeu os dentes. “Eu te falei para não me trat-“
Eu o segurei pela cintura com força e afundei meu rosto em seu pescoço.
“Estou falando bem sério. Você está dando uma de prostituto hoje, então que termine a noite comigo.” Sussurrei. Ele se afastou com ainda mais raiva, e eu sorri torto.
“Muito bem,” Ele alisou as roupas, como se estivesse se livrando da minha sujeira. “se eu vou bancar o prostituto, você vai ter de pagar. Ou nada feito. Vá lá bancar o dedo-duro filho da puta e depois se entenda com o Louis. Ele pode parecer um mané, mas é filho do prefeito e sobrinho do chefe de polícia. Você não imagina quantos garotos ele já ferrou por menos que isso.”
Eu não sabia se era ou não um blefe, mas eu resolvi não arriscar. Philip ficava fulo da vida quando eu me metia em encrencas muito sérias, apesar de depois de um tempo rir delas junto com os amigos.
“Quanto?”
“Cinco mil.”
Eu quase engasguei.
“Tá maluco? O que está incluso nisso?”
Andreas deu de ombros.
“Chupada, penetração... é pegar ou largar. Eu não tenho a noite toda.”
“Ah, que se foda. Vê se volta preparado para ficar sem andar por dias.” Grunhi.
Andreas abriu um sorrisinho de canto e me deu as costas, voltando para o balcão junto ao Louis. Eu vi ele já ir logo passando um braço pelos ombros do garoto e beijando-o no pescoço enquanto alcançava uma bebida para ele. Bufei e só avisei meus amigos que iria embora. Os dois decidiram me acompanhar de volta quando não conseguiram me convencer a ficar, e deixamos juntos o King Baron.
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