Notas iniciais
Hey, Sei que demorei pra postar, mas eu tava de castigo - hehe. Emfim, espero que gostem. Eu e Meggie decidimos jogar RPG e cada uma escreve um capítulo alternadamente, então podem me culpar por erros ou algo assim porque eu escrevi esse. Aviso: Ta bem clichê! Beijos na alma. Sua, etc. Little Train.

Uma chuva torrencial cai enquanto me reviro em minha cama esperando o sono que, apesar da minha exaustão, não chega.

Raios cortam a penumbra palpável da madrugada e os trovões fazem a casa tremer. A visita à minha nova vizinha não sai da minha cabeça... Nova vizinha?

A determinação ainda não me abandonara, eu iria até a outra casa pela manhã novamente e dessa vez trataria de ir preparada.

Mamãe me lançara um olhar estranho quando eu descera para o jantar. Ela parecia preocupada, provavelmente por causa do pequeno show na cozinha e pela desculpa esfarrapada que eu dera. Corridas noturnas? Porra, Zoey! O único exercício que você faz é subir e descer as escadas.

Reviro-me na cama. A luz escassa em meu quarto que provem da luminária acesa, os ponteiros do relógio no criado mudo marcam duas horas da manhã... Tudo isso só serve para deixar-me mais alheia e conseqüentemente mais acordada.

Mais um relâmpago seguido de um barulho ensurdecedor e a casa sacode novamente. Por um momento, acredito ouvir mais um ruído no meio daquela balbúrdia. Gritos? Sim, um grito agudo corta a madrugada impiedosamente.

Levanto-me rapidamente e corro até a janela, os gritos não pareceram vir de perto, pareceram — engulo em seco — vir da casa vizinha.

Meu coração congela quando um garoto sai correndo da trilha do jardim que liga as duas casas, ele está ensopado e olha pra todas as direções. Outro grito, dessa vez mais distante e ele dispara de volta pelo caminho de pedra.

Um terror invade meu ser e em um momento de puro impulso resolvo o seguir. A curiosidade avassaladora me acomete mais uma vez. Um sentimento incontrolável quando misturado com o medo. Abro minha porta devagar tentando fazer o mínimo de barulho possível.

O terror chega a fechar minha garganta, mas não consigo resistir e deixo meus pés descalços continuarem a corrida. O caminho é iluminado ocasionalmente por relâmpagos. Chego ao seu fim depois do que se parecem segundos e a vejo: com a exceção de uma luz acesa no segundo andar, a casa continua assustadora, exatamente como nessa mesma tarde.

Paro para respirar e toda a minha determinação desaparece. O porquê de eu ter seguido o garoto eu não sabia, só sabia que tinha sido uma péssima ideia. Não me consigo me obrigar a continuar até a casa e nem a voltar para minha.

Desabo com as costas ao lado do portão de ferro da mureta que rodeia o Jardim, respirando pesadamente enquanto meus pulmões queimam em busca de oxigênio. Meu corpo todo treme por causa da chuva gélida... e por causa do medo.

Não ouço mais gritos, o único barulho que ouço é o da chuva chicoteando minha pele. Mais raios, mais trovões. Horas parecem se passar até que ouço passos.

Eles se aproximam devagar, ritmadamente e gentis até. Minhas esperanças cegas me fazem pensar no meu pai. Ele deve ter ouvido a escada ranger enquanto passava apressada por ela ou levantado e visto a porta de casa escancarada.

Os passos se aproximam e minhas esperanças caem por terra quando percebo que o barulho dos sapatos vem da direção da casa a minhas costas. Escolho-me ainda mais contra o muro e obrigo os soluços se abafarem em minha garganta.

— Senhorita? — Me viro automaticamente ao som da voz.

É ele, o garoto que vagava pelo Jardim da minha casa ainda a pouco. Seu rosto expressa a mais genuína surpresa. Um V se forma entre suas sobrancelhas grossas, seus olhos da cor preta mais escura estão ligeiramente arregalados e a boca levemente aberta.

Ele está me encarando e algo dentro de mim chacoalha. Eu o encaro também. Suas roupas encharcadas são elegantes demais, me fazem pensar na cosplayer de Wednesday e que talvez ambos fizessem parte de uma macabra família que gostasse de se vestir daquele jeito. Seu terno que possui um tom muito escuro, indistinguível na penumbra, sobrepõe uma camisa branca, suas calças sociais são do mesmo tom escuro e ele usa sapatos elegantes demais para se usar em qualquer ocasião que não fosse um baile do seculo XIX. Seus sapatos lustrosos também não apresentam nenhum resquício de lama.

Seus olhos se abaixam e examinam minhas calças e minha camiseta encharcadas grudadas ao meu corpo. Ele desvia o olhar parecendo envergonhado.

Continuo encarando-o por um tempo, mas ele não volta a olhar pra mim.

— Que-quem é você? — Minha voz sai completamente trêmula quando consigo reunir o mínimo de coragem para dizer alguma coisa.

— Meu nome é Caleb Van Fossan — a frase sai automaticamente como se fosse já ensaiada a séculos. Estremeço. Ele ainda não me olha — Você deve ser minha nova vizinha, correto?

— Hum — solto um grunhido baixo confirmando.

Ele finalmente se vira para me olhar e nós nos encaramos. Suas feições mudaram para preocupação. Muito devagar ele me estende uma das mãos. Comprimo-me ainda mais contra as pedras da mureta e ele a recolhe imediatamente.

— Senhorita...?

— Zo-zoey Likens — gaguejo.

— Senhorita Likens, — diz calmamente — por favor, saia dessa chuva.

Ele estende as mãos de novo.

— Não vou voltar a perturbar vocês. E-eu consigo voltar sozinha — Informo enquanto me levanto cambaleante.

Meu estômago enrola e minha cabeça gira muito rápido, mal percebo e já estou caindo em direção ao chão. O garoto se adianta e agarra meus braços. Ele é mais forte do que aparenta e me puxa em um movimento rápido e me envolve em seus braços me segurando. Nossos olhos se encontram por um segundo e eu não consigo respirar. Percebo-o corar mesmo na penumbra e ele me põe de pé gentilmente e se afasta.

Recupero o fôlego e faço menção de continuar o meu caminho. Entro novamente na trilha e agradeço silenciosamente as árvores por me protegerem da chuva e depois de dar alguns passos percebo que ele me acompanha. Viro-me e o encaro novamente. Seu rosto está extremamente calmo. Arqueio as sobrancelhas.

— O que você esta fazendo? — pergunto um pouco ríspida.

— Não posso permitir que a senhorita ande a essa hora sozinha. — Ele responde como se fosse óbvio. Isso me irrita.

—Eu cheguei aqui sozinha, não preciso da sua ajuda. Eu nem mesmo te conheço! E meu nome é Zoey, não senhorita. — Respondo e volto a caminhar.

Ele ainda me acompanha. Lanço-lhe um olhar ameaçador. Ele esboça um sorriso gentil.

...e lindo.

Estremeço novamente.

— Escuta aqui, eu não sei quem você é e não sei se posso confiar em você. Então, por favor — tento dizer isso com educação — pode me deixar em paz, porra?

Ele se assusta com a ultima palavra e esconde o rosto.

— Senhorita Zoey!

— Quê?

— Uma dama não deveria usar palavras como essa! — ele se justifica.

Dama?

Ele não olha mais pra mim.

— Você se confundiu — falo — eu não sou uma dama nem nada assim. Sou só uma garota, beleza?

— Creio que eu não possa entender — seu rosto parece realmente confuso — toda garota na sua idade é uma dama, senhorita.

Reviro os olhos e volto a caminhar e ele me segue e dessa vez não me importo. Seguimos eu e meu companheiro esquisito até a entrada do jardim. Vejo a porta dos fundos ainda escancarada e sinto a chuva me chicotear novamente e me encolho.

Caleb para ao meu lado e olha pra minha casa.

—Creio que é aqui que devo deixar a senhorita. — Diz suavemente.

Uma pergunta ronda a minha cabeça.

— Como você sabia que eu estava lá? — pergunto — Quero dizer... lá na chuva? Como sabia que eu tinha te seguido?

Ele se vira pra mim.

— Eu não teria como saber da presença da senhorita. Realmente não percebi que me seguia — seus olhos correm por meu rosto — Por que a senhorita seguiu-me?

— Porque eu vi você aqui no jardim e... — Um arrepio corre minha espinha e por um momento um pequeno resquício do pânico volta aos meus membros trêmulos de frios, e eu me lembro dos gritos que me puseram nessa chuva — Os gritos. Eles me assustaram. De onde eles vieram?

Seus ombros se retesam ao meu lado. Seu rosto exibe um semblante sério.

— Senhorita — diz sem olhar para mim — não aconselho que se preocupe com assuntos como esse. Desculpe-me por invadir sua casa no meio da madrugada, infelizmente já tomei muito de sua noite. Dê-me licença, por favor.

Ele faz uma mensura coma a cabeça e volta pelo mesmo caminho em que viemos sem olhar para trás. Meus olhos o acompanham até ele sumir em uma curva.

Confusa, encaro a chuva e me dirijo apressada para a porta trancando-a atrás de mim. Subo as escadas com cuidado e me tranco no quarto. Troco minhas roupas encharcadas e seco meus cabelos antes de me encolher embaixo das cobertas.

Ele não respondeu a minha pergunta... Tento esquecer tudo, a casa, os gritos, a garota e dormir, mas um único pensamento persiste em não me abandonar, e esse pensamento tem nome e se chama Caleb Van Fossan.

Seu sorriso ronda meus pensamentos até que eu, lentamente, vou caindo no sono.

Notas finais
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