A Casa

3 Capítulo 3


Quando o dedetizador chegou, Fábio o levou diretamente para o sótão, onde acreditava que ficasse o ninho dos ratos. Mais de duas horas depois, o rapaz de macacão bege apareceu na porta do escritório.

“Bom já olhei todos os cantos onde pudesse ter algum foco de ratos ou insetos. Nenhum ninho, nem fezes. Também não tem como ser nenhum outro animal como um esquilo, um pássaro ou um guaxinim. Há algumas aranhas e algumas baratas mas nada além do normal.”

“Então eu não vejo de onde possa vir esses barulhos.”

“A casa é bem velha. Pode ser a fiação. Desde que me entendo por gente ela está aqui.”

“Você é daqui?”

“Nascido e crescido na rua de trás. Me mudei quando noivei com a minha patroa. Você fez um belo trabalho aqui, ela parece quase nova.”

“Ah, só fiz o básico. A casa estava com umas rachaduras aqui na sala, bolor no teto do banheiro, uns azulejos quebrados. Os móveis só precisavam de um carinho.”

“É, o Seu José nunca foi cuidadoso. Já viu o Chevette velho dele? Nem sei como aquilo ainda anda!”

“Bom já percebi que preciso refazer umas coisas aqui que estão fora do meu conhecimento. Vou ter que chamar um eletricista e quem sabe alguém para dar uma olhada nos tacos do chão.”

“Eu deixei um pouco de veneno e umas armadilhas pela casa, vamos ver o que agente pega com eles.”

Depois de seis meses, Fábio já havia trocado a fiação, reformado o piso, trocado o encanamento e os barulhos continuavam. Todo o encantamento com aquele lugar havia desaparecido. Naquela noite ele sentiu como se algo o pressionasse contra a cama, segurando-o até que não pudesse mais respirar. Ofegante, Fábio tentou abrir os olhos e lutar para se soltar, mas tudo o que viu fora o teto de seu quarto. Branco, tranquilo, vazio.