A Canção da Morte
1 Cap 01 - Medo de Altura
Notas iniciais
Muito tenso.
Passei novamente as mãos em meu violino. Fazer as malas era mais difícil do que parecia.
Morar em Nova Iorque é viciante. As luzes, os shows, os carros, os barulhos... Observar as diferentes pessoas passar pela rua era bem divertido para mim. Havia aquelas que podiam usar um short até no inverno, somente com um casaco comprido.
Eu iria ficar com saudades. Mas nunca fui uma pessoa popular, muito pelo o contrário, elas me ignoravam, e eu nem ligava para isso.
Nunca realmente fui uma garota normal. E nem precisam perder saliva dizendo que sou normal, garotas de 16 anos não vêem espíritos perambulando pela cidade e lhe pedindo coisas na noite.
Bem, vamos deixar isso de lado (se conseguirem). Minha família é formada por minha mãe e eu. Meu pai morreu quando eu tinha uns 7 anos. Ele era um empresário muito famoso, que se casou com uma pianista. No final, minha mãe e meu tio começaram a cuidar da empresa.Mas depois de alguns anos, meu tio percebeu que não podia continuar morando aqui, e se mudou com a minha prima e a esposa para Vancouver. Dois anos depois eles sofreram em um acidente, meus tios morreram e o corpo da minha prima nunca foi encontrado.
Aos 13 eu comecei a perambular pela cidade. De vez em quando conhecia uns turistas simpáticos e lhe dizia umas informações e outras. Teve um dia em especial que nunca saiu da minha memória. Um dia passei pela Macy’s*, e acabei vendo um garoto da minha idade perdido. Acabamos ficando muito amigos, me lembro que ele vinha da Califórnia ou algo do tipo. Passeamos pela loja, e finalmente encontramos seus pais. Fiquei meio decepcionada, ele era bem legal, e sem dizer que era bem bonitinho. Quando ele se foi, me disse para não se preocupar, por que nos veríamos de novo. O perguntei como ele tinha certeza, então ele pegou meu colar de pentagrama e disse “Quando nos reencontrarmos eu te devolvo isso.” Ele piscou. “Mas você é que tem que se lembrar.” Desde então nunca mais o vi. Tenho certeza que ele já se esqueceu disso e jogou aquela coisa horrorosa fora.
E finalmente aos 14, vi meu primeiro fantasma. Um homem vestido de palitó preto, com um chapéu coco. Estranhei aquele cara no meio da nossa casa, e perguntei pra mamãe se ele seria algum cliente dela. Ela me olhou como se eu fosse uma louca e disse que não trouxe ninguém para casa. Olhei novamente para o homem do palitó, ele somente nos encarava meio que triste, suspirando e cantarolando uma música antiga. Aquela canção “Não chore por mim*”. Na primeira vez que ele cantou levei até um susto, o meu nome é Suzannah, como na canção. Mas percebi que não era comigo, pois ele nem pareci ligar pra mim.
Foi aí que começou minha ficha na polícia. Arrombamentos, invasão... Essas coisas. Eu tinha até pena da mamãe, ela era tão legal, não merecia uma filha dessas.
Então, aos 15, comecei a receber cartas para estudar em um colégio em Tóquio. Uma bolsa de estudos inteirinha, e até alugariam uma casa para mim. O problema era que não era bem uma escola.
A diretora, a Srta. Yamashita me enviou uma segunda carta bem suspeita. Pra entrar no colégio eu teria que trabalhar para o governo, sabe como? Na Organização Secreta de Casos Espectrais. A OSCE. Tudo em segredo sigiloso. Eu ganharia salário, um distintivo e uma carteirinha, dizendo que faço parte da organização. Teria que aprender a lutar e usar armas. Aprender a fazer interrogatórios e coisas do tipo.
Parecia que um demônio estava à solta, destruindo as almas que estavam presas no mundo, e eu teria que destruí-lo.
Quando terminei de ler comecei a rir e rasguei o papel. Rejeitei a bolsa e continuei a morar em Nova Iorque por mais um ano.
Mas esse ano não deu mais pra fugir. É que a empresa acabou falindo por causa da crise que teve. Então minha mãe voltou a ser pianista, e tive que aceitar aquela maldita bolsa.
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- Susan? – Mamãe me chamou lá de baixo. – Seu vôo já vai partir.
Coloquei meu violino na sua maleta e peguei minha bolsa. Desci meio tonta as escadas, teria que passar um bom tempo naquele maldito avião.
- Está pronta? – Mamãe perguntou quando me viu na escada. Suas sobrancelhas castanhas se franziram. – Suzannah! Por favor, pelo menos arrume seu cabelo direito... Ele tem uma cor tão linda, mas vocês nem cuida dele.
Passei a mão no cabelo. Ele estava um nó só.
- Penteie logo. – Ela me entregou uma escova pequena. – Droga, Su, você tem um ruivo tão bonito.
Senti-me um pouco envergonhada. Eu não tinha nada haver com a minha mãe. A pele, os olhos e o cabelo eram do meu pai. Ela um dia me disse que adorava a cor de cabelo dele, ela brilahva ao sol.
Quando acabei, vestimos nossos casacos pesados e fomos até o aeroporto. Estava lotado, como sempre. As férias estavam acabando, e os turistas estavam voltando para suas casas. Seria é estranho se o aeroporto estivesse vazio.
Corremos para o portão de embarque, e logo o avião chegou. Despedi-me de minha mãe e entrei.
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- Sua passagem, por favor. – Uma aeromoça pediu.
- Aqui. – Entreguei minha passagem para a moça. Ela era uma asiática, eu teria que me acostumar com isso.
- 1º classe. Cadeira nº4. – Ela sorriu e me devolveu o papel.
- Olha, moça. – Eu falei em japonês. – Por favor, a senhorita pode falar comigo em japonês? Tenho que ver se aprendi tudo direitinho, terei que passar um ano no Japão.
Os olhos negros da mulher se arregalaram, mas logo voltou a sorrir e respondeu um hai.
Agradeci e comecei a procurar meu lugar. Senti um frio na barriga, a nº4 era bem na janela! Eu realmente odeio altura.Mas me segurei para não fazer escândalo e sentei no lugar certo, fechando a janela.
Uns 15 minutos se passaram, e o capitão ordenou para colocarem os cintos, pois o vôo iria partir.
Meus estavam ficando mais pesados, eu estava começando a adormecer...
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- EI! – Alguém gritou. Acordei com o barulho e procurei a razão da confusão. – Me deixem entrar!
Olhei para a porta do avião, um vi um rapaz brigando com os comissários. Ele percebeu meu olhar e retribui. Sorriu e acenou para mim. Disse algo bem baixinho para os comissários e apontou para onde eu estava. Levei um susto quando eles andaram até minha cadeira.
- A Srta está junto desse rapaz? – O comissário que parecia o mais novo perguntou.
Arregalei os olhos e olhou para o garoto. Meu Deus do céu! Esse era definitivamente o garoto mais bonito que eu vi em toda a minha vida! Seus cabelos eram bem bagunçados e castanhos escuros. Os olhos eram bem azuis e tinha uma pele levemente bronzeada. Mas tudo isso não era desculpa para o que ele me aprontou. Franzi as sobrancelhas e cruzei os braços, estava bem perto de dizer que não.
- Olha... – Eu comecei.
Ele me olhou com uns olhos de cachorro abandonado e fez beicinho.Suspirei bem fundo e relaxei.
- É. – Eu disse. – Ele está comigo.
- Não falei? – O garoto disse aos homens, que pediam perdão.
Ele se sentou ao meu lado e sorriu.
- O quê foi aquilo? – Eu sussurrei. – Eu nem te conheço! Deveria me agradecer melhor!
Ele piscou os olhos umas cinco vezes e passou mão na nuca.
- Desculpe. – Ele disse. – Sean O’den.
- Suzannah Saunders. – Respondi no meio do suspiro. – Quer saber? Pode me fazer um favor?
- Mesmo se for para irmos ao banheiro para fazer “aquilo”, eu faço. – piscou.
- Bem, em primeiro lugar, isso não é uma boa cantada para as mulheres. – Respondi. – Só se você quiser uma vadia, o que eu não sou. Segundo, você pode mudar de lugar comigo?
- Claro. – Ele respondeu. – Você tem medo de altura.
Concordei com a cabeça, mas percebi depois que ele estava afirmando, e não perguntando. Bem, qualquer pessoa que passasse por ali iria ver o jeito que eu virava a cara para a janela, que descobri que não fechava toda. A maioria das pessoas deveria estar com as caras grudadas na janela, olhando o avião se mexer.
- Olha, só vai ter que esperar que decolemos, e nos trocamos de lugar, tá, Suzannah?
- Certo. – Engoli o seco. O avião estava começando a andar.
- Aviões não caem tão facilmente. – Sean tentou me animar. – Esse é uns dos melhores aeroportos do mundo, nada vai acontecer!
- Se você diz... – Eu respondi.
- Acredite em mim.
Segurei-me na cadeira e senti a pressão quando o avião saiu do chão.
- Olhe pra mim. – Sean disse.
O obedeci. Ficamos nos olhando por uns 10 minutos. Minhas bochechas estavam literalmente pegando fogo, e posso dizer que vi uma coloração avermelhada no rosto de Sean também.
A luz de “apertar os cintos” foi desligada, e me soltei. Levantamos-nos no meio de uma turbulência, e tivemos que segurar um no outro para não cairmos.
- Graças a Deus! – Eu disse quando apertava o cinto. – Obrigada, Sean.
- Tudo bem. – Ele respondeu com um sorriso. – Além do mais, você tem olhos bem bonitos.
-Obrigada, mas não precisa ficar dando em cima de mim em tanto pouco tempo. Mal nos conhecemos direito!
Ele sorriu. Meu Deus, como ele sorri!
- Ainda não nos conhecemos direito. – Ele respondeu. – Temos um booom tempo para isso.
Suspirei. Ele estava totalmente certo. Olhei para a TV no banco da frente, e pude ver um mapa-múndi com um aviãozinho em cima do estado de NY, com um ponto vermelho no Japão. Passaria um bom tempo naquele lugar.
Notas finais
Bem, sou nova nesse site (sério?!), então, por favor, não me mutilem! x.x curva-se. Quem quiser pode me chamar de Kairi-chan/-san/-sama ou qualquer coisa do tipo... Ou só Kairi.
É gente, é da Kairi de Kingdom Hearts. morre
x NOTAS:
*Macy's : Uma loja bem famosa em NY. Deve ter uns 7 andares.
*Não chores por mim : Todo mundo conhece.risos. É aquele canção antiga "Oh, Suzannah, não chores por mim. Eu vou pra Califórnia pra tocar meu bandolim" Deve estar errado, mas tudo bem. º3º
Bjsnãomeligemacobrar
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