A Canção da Morte
2 Cap 02 - Posso dizer que já dormimos juntos.
Capítulo 2 – POSSO DIZER QUE JÁ DORMIMOS JUNTOS.
Já haviam se passado umas 3 horas de viagem. Sean que estava sentado ao meu lado já havia adormecido há 1 hora. As outras 2 horas ele ficou falando mal do filme que colocaram para passar.
- Sean... – Eu o cutuquei. Não iria passar a viagem toda sozinha, só assistindo De repente 30.
- Anh...? – Ele murmurou enquanto abria os olhos. – Que foi?
- Não durma. Não vou aguentar passar toda essa viagem sozinha.
- Você estava indo muito bem... – Ele coçou os olhos e se levantou. – Vou ao banheiro.
- Lave bem o rostinho, tá? – Pisquei para ele com um sorriso bobo.
- É né... Fazer o quê?
Sorri vitoriosamente enquanto ele entrava no banheiro masculino.
Tentei olhar pela janela, queria ver pelo menos o céu. Era isso que eu odiava em ter medo de altura, eu sabia como era lindo ver o céu e as cidades de um avião, mas eu simplesmente tinha medo.
Levantei devagarzinho a janela de Sean, mas não deu muito certo, acabei olhando para baixo.
- Droga! – Virei a cara e me levantei para sentar novamente no meu banco, mas senti novamente uma turbulência, e cai de cara no chão.
- Ai, ai, ai... – Eu massageava meu joelho, quando me lembrei que Sean estava no banheiro. Aquela turbulência havia sido muito mais forte do que as outras.
Levantei-me e andei o mais rápido que pude, tentando não esbarrar nas pessoas que dormiam.
Quando fui batendo na porta, ele a abriu. Saiu tão abobado que até me derrubou.
- Que droga, Sean... – Eu falei quando estava no chão. – Preste atenção por onde você anda...
Olhei para cima e vi seu rosto vermelho bem perto do meu. Santo Deus, ele havia caído em cima de mim!
- Senhor, é proibido ter relações dentro do banheiro. – O mesmo comissário que havia detido Sean no começo falou, com um sorriso maroto. – Por favor, voltem aos seus lugares.
- Como é que é?! – Eu falei ainda no chão. – Eu não tava tendo nada com isso não!
- Vamos, Su, vamos nos sentar. – Ele se levantou e puxou minha mão. – Desculpe, tio.
- Não me chame de tio, senhor. – O comissário respondeu.
- Epa. Foi mal denovo, tio. – Sean respondeu com um sorriso brincalhão.
Ele foi me empurrando pelos ombros até nos sentarmos em nossos lugares.
- Que cara idiota... – Eu falei. – Num é?
- O quê é que você foi fazer lá? – Ele perguntou zangado. – Ficou doida? Não sentiu aquela turbulência? Podia ter se machucado!
- Como é? – Eu o encarei. Ele só podia estar louco. – É claro que senti, caramba! Você é que podia ter se machucado! Já pensou se batesse a cabeça no vaso?
- Eu estava me segurando bem! – Ele respondeu. – Caraca, Su... Não faça isso de novo.
- Não posso prometer nada... – Respondi acariciando o joelho. Ele ainda estava doendo.
- Eureca! – Sean falou apontando acusadoramente para o meu joelho. – Cê se machucou quando foi me ver, é?
- Não. – Respondi rispidamente. – Já estava assim!
- Não seja criança, Suzannah. – Ele franziu as sobrancelhas castanhas. – Nunca vá socorrer um homem! São os homens que socorrem as mulheres!
- Se você estivesse falando isso em um hospital, aposto que seria lixado.
- Tanto faz. – Ele balançou a mão fazendo pouco caso. – Vamos cuidar do seu joelho...
- Jajá passa... – Respondi. – Não precisa se preocupar.
- Homens protegem as mulheres, certo? – Ele piscou.
Senti como se fosse vomitar.
- Ei. Que cara de desgosto é essa? – Ele me encarou. – Você deveria me agradecer.
- Eu não.
- Mas eu sou homem... – Ele apontou para si mesmo. – E você é mulher. – Seu dedo apontou para mim. – Eu tenho que proteger você, sacou?
- Pode parar com esse papo-furado, Sean. – Encostei minha cabeça no banco. – Esse seu negócio de homem proteger a mulher só acontece com casais.
- Aeromoça! – Ele não me ouviu. Ou pelo menos fingiu. – A senhorita pode trazer um saco com gelo? – Ele pediu quando a moça se aproximou. – Minha charmosa e atrapalhada companheira se machucou.
Senti um pouco de raiva. Não de o Sean me chamar de atrapalhada, por que eu realmente sou isso. MAS POR QUE AQUELA AEROMOÇA TINHA UM DECOTE TÃO CHAMATIVO?!
Quando Sean disse “charmosa” ela olhou para mim com um pouco de raiva. Mas logo se virou para Sean com um sorriso amigável nos lábios carnudos.
- O senhor gostaria de ir pegar o gelo da sua namorada? – A mulher pressionou os braços nos lados dos seios, tentando os deixar maiores.
Aquela vaca estava tentando transar com Sean?
Meu Deus! A gente estava em um avião! Ele tem uns 17 anos, ela deveria ter uns 20!
É claro que Sean poderia enganar qualquer um, podendo se passar por maior de idade, mas ele ainda era menor! Mas posso dizer, mesmo não querendo admitir, que ele parece aquele tipo de cara que se você dormir com ele pode ter orgasmos múltiplos em menos de uma noite.
- Sean... – Tentei sussurrar para ele. – Realmente n...
- Ah, não! – Sean respondeu antes de me ouvir. – Se eu for talvez ela me siga e acabe se machucando mais!
A mulher suspirou.
- Tudo bem... – Ela respondeu. – Mas qualquer problema, pode me chamar. – Ela piscou.
- Que vaca! – Eu disse. – E você é mesmo um idiota por não perceber!
- É claro que percebi! – Ele respondeu. – Não acredito que você me fez perder essa! Nunca vi mulher mais gostosa!
- Ah, então você deveria ter ido! – Respondi. – Teria sido maravilhoso você engravidando uma mulher sendo menor de idade. Mas se ela é tão gostosa assim...
- Mas se eu fosse você iria ficar com ciúmes e iria espiar o que estávamos fazendo. Então teria uma turbulência e você cairia no chão mais uma vez.
- Há. – Eu ri. – Por que eu iria ficar com ciúmes? Que idiota...
- Porque eu sou o tipo de cara que te faz ter orgasmos múltiplos em menos de uma noite. – Ele respondeu com um sorriso torto.
- C-como é...? – Minhas bochechas pegaram fogo. Ele só podia ter lido minha mente! – Eu... Falei muito alto?
- Não se preocupe, só eu ouvi. – Ele sorriu.
Virei meu rosto para o lado oposto, tentando esconder minha cara de pimenta. Eu sou realmente uma idiota!
“Senhores passageiros apertem os cintos. Em poucos minutos vamos aterrissar em Berlim.”
- Ah, é... – Sean disse enquanto colocávamos os cintos. – Esse é um vôo com escala em Berlim. – Ele olhou para mim. – Você vai pra Tóquio.
- Pare de ficar afirmando as coisas assim! – Eu disse. – Mas vou sim.
- Sabia.
- Seu gelo, senhor. – A aeromoça asiática que conheci no começo do avião nos entregou o gelo.
- Obrigada, senhorita. – Sean agradeceu, e logo a asiática sem nome se foi.
- O que será que houve com a vadia? – Olhei para os lados, a procurando.
- Ela deve estar se divertindo, mas ainda não desistiu de mim. – Sean sorriu.
- Era só o quê me faltava... Uma rapariga veia dando em cima do cara ao meu lado. Os peitos de silicone dela literalmente pulam na minha cara.
- Hahaha! – Sean riu. – Muito boa essa.
O avião começou a descer e descer... E mais sentíamos o frio de Berlim.
- Shhhh... – Eu falei. – Olha aquela porta ali! Ela fica se mexendo...
- Sério?! – Sean pressionou o gelo contra o meu joelho. — É melhor eles saírem daquele banheiro, senão vão cair quando o avião chegar ao chão.
- Ai! – Gemi. – Essa doeu...
- Opa, foi mal... – Ele deu aquele sorriso torto que poderia derreter meu coraçãozinho frágil até na antártica.
- Tudo bem... – Respondi. – Caramba, como eu quero que aquela porta se abra bem quando eles tiverem fazendo... Bem, aquilo.
- Nossa... Espero que as criancinhas não vejam isso!
- É verdade. – Respondi. – Seria horrível. Bem, espero que a porta se abra, mas que as criancinhas estejam dormindo.
- Ah. Agora sim. Desse jeito seria bem legal.
- Ah, por favor! – Cruzei meus dedos pedindo com toda a força que isso acontecesse.
O avião finalmente alcançou o chão em uma pancada brusca. Senti meu corpo indo rapidamente para frente, mas meus dedos ainda estavam cruzados com muita força.
E finalmente, ouvi um baque surdo, e olhei em direção à porta do banheiro.
- Ai meu Deus! – Eu gritei. – Eu não disse, Sean?
Sean começou a rir descontroladamente, e logo o acompanhei.
A vadia estava sentada na pia, quase nua, somente com a saia. Enquanto outra mulher estava com a mão embaixo da saia da vadia. Elas não deviam ter percebido que a porta se abriu, porque ainda gemiam pra caramba.
- HAHA! – Eu comecei a rir mais ainda. – Era uma mulher!
- Caralho... – O queixo de Sean caiu no chão.
- Tu quase ia transando com uma bissexual! – Eu apontei para ele. – Que imbecil!
- Santo pai! – Sean gemeu. – Lhe devo uma noite de prazer, Su!
- Vai pra merda, idiota. – O encarei com raiva. – Tem que ser muito homem pra isso.
Ele deu mais uma gargalhada, e quase falou algo, mas foi interrompido pela voz de alguém.
- Yuki?! – Um homem da 2º classe gritou em japonês. – O quê você está...?
- Querido?! – Yuki respondeu tirando a mão de dentro da saia da vadia. Finalmente vi o anel de casamento bem dourada na sua mão, mas estava totalmente coberto por uma gosma branca.
- YUKI! – O velho gritou.
A vadia colocou o sutiã, enquanto Yuki virou-se para o marido sem a blusa.
- Querido, eu posso explicar... – Ela começou a chorar.
- Nossa. – Sean falou. – Que peitões essas duas tem! Nem acredito que são bis.
Em meio da conversa, o velho desembarcou, sendo seguido por Yuki (que ainda não colocou a blusa). E a vadia estava levando umas broncas do capitão.
- E nunca mais volte para cá! – Ele gritou.
- Não! – A vadia gritou de volta. – Eu preciso do dinheiro...
- Vá embora! – O capitão gritou. Sua voz aumentou uns oitavos.
Sean e eu ainda estávamos morrendo de rir. Uma discussão como aquela não se via todo dia. Principalmente se você está em um avião.
- Ai, que idiota... – Eu limpei meu rosto das lágrimas que temiam em descer por causa do riso.
Olhei em volta, e as poucas crianças que haviam no avião ou estavam dormindo, ou estavam jogando seus joguinhos portáteis.
- As crianças realmente não viram isso... – Suspirei aliviada. – O meu pedido se tornou realidade, Sean!
- Você tem mais 2 pedidos, mestra. – Sean tentou engrossar a voz.
- Vou pensar bem no assunto. – Respondi.
- Você quer minha opinião profissional?
- Não.
- Bem, sabe aquele seu amigo Sean? Aquele gostosão? – Ele deu um sorriso maroto.
- Hãm? – Fiz pouco caso. – Quem é Sean? E por acaso você é gay, gênio?
- Continuando... – Sean revirou os olhos. Já disse que isso me deixa doida? – Você poderia pedir uma noite de prazer com esse Sean.
- Tá... – Encostei meu cotovelo no braço da cadeira. – Vou pensar no caso.
- Sean agradece. – Curvou-se.
- Sabe, Sean... – Tentei chamar sua atenção. – Se você quer tanto passar uma noite de prazer comigo... Por que só não me convida pra sair? Se rolar um clima...
- Quê? – Sean ficou um pouco vermelho. – Bem, eu realmente não sei. Eu gosto de você, Su. Você não pode ser classificada como “gostosa”, mas é muito charmosa.
- Nossa. – Revirei os olhos. – Valeu por dizer que não atraio homens.
Os novos passageiros de Berlim começaram a entrar. E junto deles aquele frio de gelar a espinha.
- Eu não disse isso. – Sean levantou as mãos. – Sinceramente, você pode até ficar com raiva ou algo do tipo, mas...Bem, você realmente me deixa louco.
Se eu estava com frio, as minhas bochechas ficaram tão quentes que me aqueceram.
- Mas você não é uma daquelas vadias que se a gente disser “Abra suas pernas em forma de M” elas obedecem de bom grado. Não, você daria uma surra no cara te dissesse isso.
- Bem... – Comecei a sentir o frio de novo. – Um cara já disse algo parecido no colégio... Mas... Bem... Ah, desisto! O sujeito foi pro hospital! – Botei pra fora. Isso realmente aconteceu. – E eu ainda consegui processá-lo por assedio.
- Tá vendo? – Sean abriu um enorme sorriso. – Você não é um tipo de pessoa que se joga fora só por uma transa!
- Tá bom, Sean... – Respondi um pouco triste. Bem que eu queria passar uma noite de prazer com aquele Deus grego. – Já basta.
Sean relaxou, mas de repente levou as suas mãos gigantes para os braços, os acariciando.
- Caraca, mané! - Ele falou acariciando mais ainda os braços. – Berlim é muito frio!
- É claro, idiota. É inverno. – Respondi pegando um cobertor que coloquei em minha bagagem de mão.
- Argh... – Sean tentava se aquecer mais ainda. – Muito frio...
- Qualé, Sean?! Você é americano, nosso país é frio! – Respondi enquanto me cobria.
- Mas tipo... Não é muito agradável tanto frio quando você nasceu na Califórnia e se mudou para Miami. Sabe, esses lugares são quentes.
- Foi mal se eu sou de Nova Iorque, Califórnia.
- Foi mal se eu sou da Califórnia, Nova Iorque. – Ele tentou imitar meu tom de voz, mas não deu muito certo.
- É só você usar seu cobertor, bocó. – respondi virando para o lado oposto.
Sean se remexeu um pouco do seu lado, parou e voltou a se mexer. De repente, senti uma pequena pressão na minha cintura e um calor a mais.
- SEAN! – Gritei totalmente vermelha. Caraca, as pessoas estavam olhando! – Sean! O quê você está fazendo?
- Por que você está sussurrando, Su? – Sean perguntou debaixo do meu cobertor, segurando a minha cintura.
- O quê diabos você está fazendo, Sean O’den?! – Ignorei a pergunta dele.Eu realmente estava vermelha.
- Bem, é que... – Ele ficou meio encabulado. – Acho que a aeromoça embarcou minha bagagem de mão... E acabou que... Tô sem cobertor...
- Problema seu. – Respondi, tomando o cobertor para mim.
- Mas Su-chan... – Ele me olhou com os mesmos olhos de cachorro sem dono, a razão de toda a história.
- Tudo bem... – Suspirei. – Mas você não precisava agarrar a minha cintura, não é?
- É que assim você pode dizer que já dormiu comigo.
Suspirei e encostei minha cabeça no banco. Sean segurou minha cintura novamente, mas de um jeito mais confortável. Eu juro que se alguma coisa ficar estranha, e vocês sabem quando digo “estranha”, eu dou uns tapas nele.
O piloto informou para colocarmos o cinto novamente, mas nem eu nem Sean o obedecemos. O avião decolou perfeitamente, e a cidade de Berlim foi deixada para trás.
Vir-me-ei um pouco para o lado de Sean. Seus olhos já estavam fechados. Suas pestanas eram quase tão espessas quanto as minhas! E olha que eu passo rímel. Sua respiração roçava na minha orelha, mas pouco me importava, era aconchegante.
Pela janela semi-aberta, pude ver a escuridão lá fora. A noite estava chegando e o céu estava com uma coloração roxa. Algumas pessoas de dentro do avião desligavam as luzes para dormir. As mães abraçavam os filhos e lhe contavam histórias. Enquanto os casais de namorados se abraçavam para dormir.
Outras pessoas acendiam as luzes para ler seus livros do tipo “código da Vinci” ou “Marley e eu”, enquanto as aeromoças passavam pelas cadeiras perguntando se as pessoas queriam algo.
Sean começou a ronronar em minha orelha, e me abraçou mais ainda. Quem nos visse agora poderiam até pensar que éramos namorados. E se eu não parecesse tão nova, alguns até diriam noivos. Mas qualquer que sejam as especulações dos outros, só éramos duas pessoas que tinham acabado de se conhecer, mas era como se nos conhecêssemos há anos.
De qualquer forma, poderíamos dizer que já dormimos juntos.
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Oi, gente... (to falando sozinha)
Nem uma review que seja? Putz, valeu... D:
O próximo só sai com review, mesmo que seja só uma. u.ú
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