A Caminho das Estrelas
2 Capítulo 1
3 Anos depois
Eu estava tão cansada. Fazia três horas que tentava achar algum animal para virar alimento. Naquele momento qualquer coisa servia, tudo para não voltar com as mãos vazia. A parte da floresta que eu explorava era densa e úmida, as copas das árvores fazia com que a luz do sol não se infiltrasse direito deixando o ambiente um pouco escuro, com apenas alguns raios de luz iluminando-o. Era costume que muito animais passassem por ali, animais de porte grande, normalmente cervos e gazelas, porém naquele dia nenhum estava à vista. Nem pequenos animais. Eu mal tinha escutado os pássaros.
Algo no meu interior me dizia que toda aquela situação era estranha. O inverno tinha acabado fazia semanas apesar de ainda apresentar resquícios de neve e o clima já estava quente o suficiente para que os animais retornassem. Se continuasse assim poderíamos morrer de fome.
Desde quando tudo começou pouca coisa sobrou para nós. No começo tudo parecia que voltaria ao normal, com fé que as forças armadas resolveria a situação em dias. Então semanas passaram, depois meses e quando a gente percebeu já tinha se passado anos e assim a esperança foi embora junto com as pessoas que a gente amava. Hoje tudo o que a gente pode esperar é poder sobreviver até o dia seguinte. Isso é lucro nos dias atuais: sobreviver e não morrer de fome.
Soltei um riso pelo nariz.
É engraçado. Passei a vida inteira assistindo filmes pós apocalípticos, neles as pessoas viravam animais, matando umas às outras por comida. Eu achava isso tão bobo, achava que éramos mais humanos que isso, porém logo depois do primeiro ataque todo mundo se virou uns contra os outros, parentes se matavam, vizinhos, amigos, família.
Foi tão horrível, viramos selvagens.
Se a gente quisesse sobreviver tínhamos que aprender a matar, a roubar e a saber quem confiar. Nunca matei um dos meus, humanos, e temo o dia que isso vá acontecer e quando acontecer não sei se estarei preparada. Não sei se conseguirei olha nos olhos de alguém e matá-lo. Por bobagem. Por alimento. Por necessidade.
Isso embrulha meu estômago.
Pobre Ginger. A garota altruísta e pró de causas sociais hoje mata. Pobre Ginger. Vendeu sua alma tão cedo. Pobre garotinha loira com os olhos de corça com diversos sonhos transformados em pesadelos. Pobrezinha.
Após longas caminhadas pela floresta em busca de alimento finalmente cedi ao fracasso e decidi voltar para o acampamento. A derrota amargava minha boca, não existia nada pior do que voltar sem nada.
Mal passei pelo portão quando fui surpreendida com uma risada baixa. Próximo ao portão uma figura masculina estava encostada no muro. Os braços cruzados em frente ao corpo ressalta os músculos pressionados em uma camisa completamente preta de gola V. Seus cabelos loiro dourado estavam escondidos por um boné azul marinho surrado. A boca imperfeita, por causa de uma cicatriz que cruzava os lábios, esbanjava um sorriso de lado sem mostrar os dentes. Não conseguia ver seus olhos mas sabia que estavam focados em mim.
Jonas.
— Sem sucesso hoje? — desencostou do muro e me segundo quando passei por ele.
—Nadinha — estalei a língua — Algo está errado — lancei um rápido olhar em sua direção antes de voltar para frente — Não tem nada nas florestas. — Apertei as mão em punhos para amenizar a decepção.
— Talvez esse seja o próximo plano — riu balançando a cabeça — Nos matar de fome. — brincou passando os braços pelo meu ombro e pregou um beijo em minha bochecha. — que bom que voltou em segurança, maninha.
***
O complexo em qual morávamos era organizado por rebeldes, jovens sobreviventes que lutam para retomar o controle de tudo ou apenas matar o máximo que pode das coisas. Se a gente conseguisse matar um então nossa vida já valeu a pena. Vendíamos nossas almas em troca de um pequeno gostinho de vitória.
O que a Ginger do colegial pensaria da Ginger vingativa?.
Vingança.
Essa palavra nem fazia parte do meu vocabulário até um tempo atrás.
Jovens visionários em busca de sangue. Que piada. Nada bom sairia disso, apenas mais morte. Mas tudo bem, se estamos no inferno temos que nos acostumar a se queimar.
Nossa vida após nos separar do nossa pai não foi fácil, era difícil encontrar comida, abrigo, se esconder das coisa e era mais difícil ainda se esconder dos saqueadores. Pobre roubando pobre. Não tínhamos nada de valor, porém nesse tempo um pedaço de pão era ouro.
Nossas roupas eram fragalhos, nos dias de frio os dentes mal paravam de bate. As queimaduras de gelo eram muito ocasionais pelo nosso corpo. Era mais difícil para Jonas, ele achava que tinha algum tipo dever de cuidar de mim por ser mais velho. Ele nunca soube mas toda noite quando ele achava que ninguém estava escutando eu o ouvia chorar e rezar a Deus para que no dia seguinte algo bom acontecesse.
E um dia esse desejo foi realizado.
Após um ano vivendo pelos becos e cantos que a gente achava. Comendo migalhas. Senhor K nos achou. Éramos moribundo, estávamos tão magros que era possível traçar cada osso dos nossos corpos. Naquele momento achei que a morte seria mais bem vinda do que viver naquele mundo devastado, onde só existia morte e fome. Então Senhor K, que naquela época não tinha mais de 24 anos, nos alimentou, nos deu um lar e um propósito. Trabalhamos para ele desde então.
Senhor K, como todo mundo o chama, é um jovem muito respeitado por todos do acampamento. Nosso líder. Ele é um homem alto, com aproximadamente 1 metro e 90 centímetros de altura. Robusto mas com uma musculatura magra. Esbanja uma pele morena, cabelos curto estilo militar, olhos castanho esverdeado e uma barba rala que sempre aparenta estar precisando ser aparada. Tem um rosto oval e lábios desiguais. Ex — militar, sabe manejar uma arma e possui habilidades essenciais em campos de batalha. Um grande líder que sabe como comandar um grupo de jovens desajeitados.
Fomos recrutados e levados ao um acampamento com no máximo umas 100 pessoas. Naquela época havia apenas algumas barracas espalhados por uma clareira. Era situado o mais distante possível da cidade, próximo a um riacho e cercada por uma vegetação densa. Longe da civilização.
A maioria que ali viviam estavam na faixa etária de 9 á 22 anos, nenhum adulto além do Senhor K. Eram penas órfãos em busca de um propósito além de uma corda amarrada no galho de uma árvore.
Senhor K foi esperto em pegar crianças que perderam tudo. Ali havia muita sede de vingança além de serem jovens o suficiente para ter facilidade em aprender as habilidades necessárias para sobreviver, para se encaixar em sua pequena sociedade.
Atualmente já não existem mais barracas. Com a ajuda de todos conseguimos erguer um muro improvisado de madeira e alguns tijolos que encontramos. Haviam algumas casinhas que serviam de dormitórios e uma casa maior feita para ser o refeitório. Os banheiros são medievais, utilizamos fossas. Os banhos são controlados e temos que coletar água e esquenta las, nos dias de muito calor os banhos são tomados direto rio.
Aos poucos expandimos nosso lar.
Hoje somos mais de 200 jovens tentando mudar o mundo, esse número cresce cada vez mais nos decorrer dos meses, porém isso acaba se tornando um problema, com mais pessoas mais bocas para alimentar, dessa forma chegamos ao limite de nossa capacidade.
Dentro do acampamento cada um tem uma tarefa. Tem aqueles que cuidam das hortas, tem os cozinheiro, os faxineiros, os caçadores, os soldados, os catadores que saem em busca de qualquer coisa útil, enfim cada um tem uma tarefa vital que ajude a nossa sobrevivência. Senhor K escolhe a posição de cada um de acordo com as habilidade que ele observa. Todo mundo passa por um tipo de entrevista. Eu fui designada para caçadora, tenho facilidade no manuseio de arco e flecha e sou muito boa em rastrear. Jonas é um soldado, pessoas que saem durante semanas em busca das coisas. Eles matam e tentam reunir informações úteis para os planos de retomar o controle do senhor K. Muitas de suas missões são secretas, poucas pessoas sabem realmente o que acontece. Eu não sou uma dessas pessoas, sou mantida no escuro como a maioria do acampamento.
Eu quero ser um soldado, quero matar as coisas que mataram meus pais. Quero vingança. Quero ajudar. Porém, senhor K e Jonas não acham que estou pronta, mas eu sei que estou. Eu pratico luta e manuseio de armas todo santo dia nas horas que não estou caçando. Minha estatura pode se tornar uma vantagem durante as buscas. Sou mais leve e faço menos barulho.
Eu quero ser soldado porque eu sei que vou matar cada coisa que aparecer na minha frente, fazer — lós implorar e pagar por cada pessoa importante que me foi tirada.
Nada me faria mais feliz.
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