A Caixa de Merlin

3 Os gêmeos, o idiota e a Caixa


Notas iniciais
Tem cinco pessoas acompanhando, nossa, vocês são 10. ♥ Esse capítulo ficou meio grandinho, mas espero que não se importem...

A primeira noite no Salão Comunal da Sonserina foi tranquila, dormir com o barulho das águas do Lago de Hogwarts era estranhamente confortável. Evangeline dividia o quarto com Samantha e outras duas meninas com quem ela realmente não se importava, mas infelizmente uma hora ou outra precisaria socializar.

A primeira aula foi a de poções junto com a Grifinória, o Professor Snape era um pouco assustador e frio demais. Evangeline não tinha certeza se ele era um vampiro ou se só estava morto mesmo, mas com certeza não era humano. Outra certeza que a bruxa possuía é que definitivamente Prof. Snape abominava a Grifinória, todas as perguntas difíceis eram direcionadas aos alunos da casa, além de uma clara marcação com os gêmeos Weasley que chegaram atrasados. Evangeline se saiu muito bem em poções, Snape era um ótimo professor e claramente tinha um vasto conhecimento, apesar de alguns alunos não acharem o mesmo que ela.

Professor Binns era um fantasma que conseguia deixar história da magia surpreendentemente chata. Ágata sempre falava sobre a matéria com empolgação, Evangeline sentiu-se enganada. A única coisa interessante que conseguiu extrair daquela aula foi quando Prof. Binns citou uma coisa ou outra sobre a Távola Redonda, também se lembrou de ter ouvido algo sobre Sir. Cadogan e sua proximidade com Merlin. Evangeline sempre teve curiosidade a respeito do bruxo, afinal possuía um livro antigo a seu respeito, e apesar dela conseguir abrir, não conseguia lê-lo tão bem. Era cheio de escrituras antigas, runas e códigos avançados de aritmância.

O restante das aulas não despertou tanto os interesses de Evangeline, a aula de feitiços foi um tédio de tão fácil, a bruxa possuía um talento natural para a matéria. Quando perguntou ao Prof. Flitwick como os feitiços são criados, ele desviou da pergunta e deu um discurso breve sobre Jarleth Hobart e os vários acidentes que sofreu durante a criação do feitiço Wingardium Leviosa. Evangeline também não tinha nada contra herbologia, exceto as reclamações de Samantha o tempo todo, ela odiava tudo que existia sobre herbologia, a terra, as plantas, os fungos, as porcarias das mandrágoras, e até a coitada da Profa. Sprout que não tinha culpa de nada. Ao menos quando as aulas eram com a Corvinal, Milla conseguia fazer a garota ao menos tocar em algumas folhas.

A Professora Minerva era quase tão assustadora quanto Snape, a não ser pelo fato de por ser um pouco mais aberta, e é claro, tomar sol. Evangeline também a admirava bastante, principalmente por ela ser uma animaga. As aulas de transfiguração eram as mais complexas para ela, e provavelmente para todos os outros alunos. Já a aula de defesa contra as artes das trevas era uma contradição para Evangeline, na visão dela não fazia sentido se defender contra algo que você desconhece. Era muito curiosa em relação às artes das trevas, e discordava do fato de ser visto como uma espécie de tabu, ela estava disposta para saber mais sobre.

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Finalmente chegou o dia da aula de voo com a Professora Rolanda Hooch, Evangeline estava ansiosa, Ágata nunca deixou a bruxa chegar perto da vassoura, o que só aumentava sua expectativa.

Ela não conseguiu comer nada, mesmo com Samantha tentando lhe enfiar tortinhas de abóbora goela abaixo contra sua vontade. Evangeline nem gostava tanto assim de tortinhas. Logo tratou de sair do Salão Principal em direção a um dos pátios com uma desculpa esfarrapada de ir ao banheiro.

— Olha se não é o nosso escudo humano! — Fred Weasley apareceu do nada em seu lado direito.

— Quem diria que você seria a empata-chapéu desse ano. — completou Jorge aparecendo no outro lado.

— O que vocês querem Weasleys? E de onde vocês saíram? — Evangeline perguntou de braços cruzados, levemente incomodada.

— Sabemos que você é boa com feitiços. — Jorge disse animado, ignorando completamente a segunda pergunta.

— Logo, queremos a sua ajuda para, bem... Algumas coisinhas. — continuou Fred.

— E por que raios eu ajudaria vocês?

— Achamos uma coisa que pode te interessar. — eles disseram em coro.

Ao mesmo tempo em que Evangeline achava toda aquela situação muito estranha, também achava curioso como eles conseguiam completar tão naturalmente as frases um do outro.

— Como podem saber que eu vá me interessar? Além disso, nem sequer agradeceram por eu ter salvado a vida de vocês no trem, e vocês também não possuem uma fama lá muito boa...

Os gêmeos se entreolharam com o sorriso travesso, o que só fez com que a confiança de Evangeline caísse ainda mais.

— Obrigado Evangeline Hill! Oh, salvadora dos indefesos! — Fred ajoelhou no chão e começou a glorificá-la. — Dos fracos e dos oprimidos! — completou Jorge que fez a mesma coisa. Enquanto isso alguns alunos passavam e olhavam a cena com estranheza, Evangeline mostrava um sorriso sem graça àqueles que passavam, visivelmente constrangida.

— Tá, tá! Só parem imediatamente com isso! — a bruxa queria se esconder, imagine só, uma aluna da Sonserina sendo glorificada por dois alunos da Grifinória. O quão ridículo é isso? Os gêmeos se levantaram, enquanto riam sem parar.

— Sabemos sobre o seu livro, Hill. — disse Jorge despreocupado ainda rindo um pouco, ao contrário de Evangeline que os olhos só faltavam saltar de sua cara.

— Como sabem disso?! Ele só fica no meu quarto, e eu o escondo muito bem! — ela disse irritada.

— Não tão bem assim... — retrucou Jorge. Evangeline queria matá-los, estava se segurando pra não lançar uma azaração bem no meio daqueles traseiros ruivos.

— E então vai aceitar ou não? Estamos oferecendo algo valioso em troca. — disse Fred antes de dar um longo e belo bocejo.

— Como posso saber se não é tudo uma grande peça de vocês dois?

— O que você quer, um voto perpétuo? — Jorge falou aquilo com um sorriso no rosto, enquanto Fred pareceu se lembrar de algo que o fez rir bastante.

— Claro que não! — Evangeline prontamente negou ao ver a reação dos dois. — Só quero ter certeza que não vou ser, sei lá, expulsa! E ainda não me contaram o que é essa tão grande coisa do meu interesse.

Evangeline sabia que algo vindo dos gêmeos com certeza era contra as regras, principalmente sabendo que eles precisariam do seu talento para feitiços. Ágata a ensinou muito sobre, graças a isso, a bruxa tinha uma grande bagagem de feitiços avançados e úteis.

— Você não vai ser expulsa, vai estar com a gente. — comentou Jorge, enquanto coçava a cabeça com a varinha. — Quer dizer, menos se você for beeem burra, aí você vai sim. — corrigiu.

— Quanto ao seu grande prêmio, digamos que ele tem a ver com o seu precioso livro... — acrescentou Fred já impaciente com a resposta de Evangeline.

— Encontre a gente meia-noite no banheiro abandonado do segundo andar, leve sua gata, e não conte a ninguém. — Jorge falou precisamente, e os gêmeos saíram correndo em seguida.

Evangeline sentou-se num banco do pátio e suspirou longamente. Ela mal conseguiu dizer o que pensava daquilo tudo, e vindo dos Weasley não era nada bom, disso tinha certeza. E por que eles queriam Nebulosa? O que ela iria ganhar com tudo aquilo? Eles estariam mentindo? Ela nunca fez nada para eles, não existia motivo pra ser só uma grande travessura, se bem que eram os Weasley... E ainda tinha a aula de voo mais tarde, definitivamente não sabia o que fazer.

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O clima esfriou um pouco e Evangeline estava logo atrás de Samantha em direção à aula de voo.

— Você está estranha, Evangeline. O que aconteceu no banheiro? — Samantha perguntou curiosa.

Evangeline estava prestes a dar outra desculpa mal pensada, quando aquele mesmo garoto atraente de olhos prateados, Jensen Moore, decidiu se intrometer na conversa.

— Banheiro? É assim que chama os encontros com o Weasley? — o garoto perguntou irônico com um sorriso cínico.

— Primeiro, eles estavam me devendo uma. Segundo, ninguém te chamou na conversa, Moore. — Evangeline respondeu curta e grossa e continuou o caminho, não tinha paciência pra gente intrometida.

— Que ácida, sua mãe não te ensinou boas maneiras? Ah, é verdade, você não tem uma mãe. — ele continuou, sorrindo, como se estivesse se achando o tal.

Alguns sonserinos e Samantha voltaram à atenção para a discussão, uns com uma feição curiosa, outros animados esperando por uma briga.

— A sua não te ensinou a calar a boca? Ah, é verdade, não é como se você fosse capaz disso. — a garota respondeu imitando o sorriso do bruxo que rapidamente se esvaeceu.

— Você deveria tomar cuidado com o que diz, Evangeline Hill. Não sabe o que pode acontecer com você, é bom não me querer como um inimigo. — disse ele num tom de ameaça.

— E você deveria guardar essa sua língua e parar de se intrometer onde não é chamado. Vai que algum dia acorda sem ela.

— Aii! Depois dessa eu voltava pra cama e chorava. — comentou Samantha, enquanto o menino olhava com raiva para Evangeline e saía em frente empurrando a todos.

Os alunos que acompanhavam a discussão em volta riram do garoto e seguiram para o campo, não demorou e todos já haviam chegado. Os alunos da Grifinória já estavam lá com algumas vassouras no chão, estava ventando muito. Madame Hooch chegou algum tempo depois e pediu para todos ficarem ao lado de uma vassoura. Evangeline estava quase explodindo de ansiedade, queria logo tocar na vassoura, sentia uma mistura de animação e nervosismo.

A primeira lição foi fácil, a vassoura subiu para sua mão na segunda tentativa, não estava tão firme. Os Weasley pareciam muito confiantes, Evangeline tinha certeza que eles já sabiam exatamente como voar. Logo depois, a professora pediu para que todos montassem numa vassoura, e seguiu corrigindo cada um. Depois falou para que todos saíssem alguns centímetros do chão, os Weasley não só o fizeram como também deitaram na vassoura e fizeram brincadeiras. Levaram um grande sermão de Madame Hooch, mas isso não os impediu de continuar com as palhaçadas.

Passado um tempo, todos estavam voando por aí com a vassoura, mas Samantha não parecia muito confiante. Evangeline tentou motivá-la, mas a garota odiava se arriscar, sabia que poderia cair e quebrar uma costela ou duas. Madame Hooch foi prontamente à direção delas e pediu para Evangeline voar por aí enquanto dava lições a Samantha.

Evangeline estava tentando algumas manobras que viu uma vez numa partida de quadribol, junto com alguns sonserinos. Quando Jensen Moore passou de raspão ao lado dela, fazendo-a quase cair da vassoura.

— O que você quer, Moore?! — a garota exclamou já sem paciência.

— Só estou dando o que merece. — ele disse enquanto seus dois capanguinhas davam risadas forçadas.

— Caramba como você é chato... — Evangeline comentou enquanto se distanciava.

Quando ele estava prestes a dar outro rasante na bruxa, ela desviou desequilibrada e ele quase acertou a parede do castelo. Depois de uma sessão de risos de alguns alunos tanto da Grifinória quanto da Sonserina, ela decidiu pousar, não estava mais tão confiante assim. Apesar de ter se divertido com a desgraça de Jensen.

A aula terminou rápido, e Evangeline acabou ganhando o respeito de alguns alunos. Quem diria que Jensen Moore daria tanta fama a ela tentando fazer justamente o contrário?

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As últimas matérias passaram rápido e a noite logo chegou. Evangeline pegou Nebulosa e saiu escondida das masmorras indo em direção ao local que Fred e Jorge falaram. Tomava o máximo de cuidado para que a luz da varinha não fosse tão forte, não queria acordar os quadros, muito menos chamar atenção. Chegou logo ao banheiro, que era velho, empoeirado e algumas coisas estavam quebradas, como privadas e portas. Os gêmeos estavam no exato local que indicaram, conversando, ou melhor, tentando conversar, com uma fantasma de maria-chiquinhas que parecia um pouco nervosa.

— Mais pessoas? Ah, vocês vão se meter em grandes problemas, vão sim! — a fantasma falou nervosa quando viu a bruxa, depois tratou de se esconder.

— Ah, Evangeline, você veio! — disseram os gêmeos.

— Aquele garoto nojento teve o que merecia. — comentou Jorge.

— Jensen Moore? Ele pediu por isso. — a garota respondeu num tom desanimado, enquanto procurava a fantasma. — Vocês não fazem ideia do que eu tenho que aguentar.

— Não precisa se preocupar com a Murta, ela não vai dizer nada. — Fred comentou sem um pingo de preocupação.

— E então o que vamos fazer? — Evangeline perguntou impaciente, estava receosa, mas empolgada ao mesmo tempo.

Os gêmeos explicaram o plano: precisavam de Nebulosa para distrair Madame Nora, enquanto Jorge distraia Filch, para que Fred e Evangeline pudessem entrar no escritório dele. Os gêmeos queriam roubar algo em seu armário, mas precisavam de uma pessoa realmente boa em feitiços para não deixarem nenhuma suspeita.

— O que tem no armário do Filch? — perguntou curiosa.

— É um mapa muito importante, muito mesmo... — falou Jorge.

— E é com ele que acharemos o seu valioso prêmio. — completou Fred.

Evangeline tinha algumas suspeitas do que poderia ser aquele “mapa”, mas decidiu aceitar aquilo e começar com o plano.

A primeira parte saiu perfeita, quando Fred e Jorge localizaram Madame Nora, Evangeline colocou Nebulosa no chão que logo foi em direção à outra gata. As duas eram da mesma raça, então pareceram se dar bem. A gata do Filch logo de distraiu, o que era muito bom porque aquilo era um demônio em forma de gato, sempre corria para alertar Filch quando qualquer aluno estava fora da cama. Jorge saiu para a segunda parte do plano.

O gêmeo correu pelos corredores fazendo barulho suficiente para Filch seguí-lo, ele foi até as escadas e fez uma confusão com elas, fazendo o zelador perder um bom tempo. Nesse exato momento Fred e Evangeline se prepararam para invadir o escritório.

Um Alohomora simples foi capaz de abrir a porta, e antes de deixar Fred fazer qualquer coisa, Evangeline lançou um Abaffiato na sala. Alguns minutos se passaram e Fred não achara o mapa.

— Estranho, Carlinhos disse que estaria aqui. — Fred sussurrou confuso.

— Não está invisível? — Evangeline perguntou preocupada.

— Filch não pode usar magia.

— Ele pode ter pedido a alguém, afinal, é importante não é? Aparecium! — o feitiço fez um armário aparecer bem em frente a Fred.

— Boa, Evageline! — Fred procurou o mapa e logo o achou e guardou, a bruxa proferiu o feitiço Geminio para criar outro e não levantar suspeitas, também tornou a armário invisível de novo e trancou a porta ao sair.

Ambos saíram de volta para o banheiro e ficaram a espera de Jorge, ele chegou após um tempo, tinha conseguido despistar Filch.

— Acharam? — Jorge perguntou muito animado.

— Contemple o Mapa do Maroto! — Fred mostrou o mapa e Jorge prontamente o pegou.

Evangeline olhava tudo muito confusa. Jorge tocou de leve com a varinha no pergaminho e disse:

— Eu juro solenemente não fazer nada de bom.

Um mapa foi se formando, mostrando todos os locais de Hogwarts, também possuía algumas pegadas que Evangeline deduziu que fossem pessoas.

— Wow, isso é tão proibido... — Evangeline disse boquiaberta, não sabia que poderia existir um objeto daquela magnitude.

— A gente sabe! — os gêmeos sorriram e disseram em coro enquanto olhavam entusiasmados para o mapa. — Precisamos que espere aqui.

Evangeline assentiu, não sabia por que concordava tão facilmente com tudo que eles falavam, mas se sentou no chão do banheiro, os gêmeos saíram por uma passagem secreta e ela esperou. Já devia ser cerca de 1:30 da madrugada quando eles voltaram, Evangeline aguardava enquanto observava a marca de serpente numa das torneiras do banheiro.

— Aqui está o seu presente, Hill! — os gêmeos voltaram e traziam uma caixa negra reluzente com uma fechadura de prata, marcada com o que parecia ser a marca de Merlin.

Notas finais
Então o que acharam? Espero que não tenha ficado muito confuso e corrido.