A Caixa de Merlin
1 A criança misteriosa surge em Hogwarts
Notas iniciais
Era uma noite fria e estrelada na Floresta Proibida. Rúbeo Hagrid estava realizando uma de suas rondas pelo local enquanto acompanhava alguns alunos em detenção. Quando subitamente, Canino correu em direção a uma árvore grossa, curta, excessivamente torta e com pouquíssimas folhas. O que era muito estranho, afinal Hagrid nunca vira o cão correr para dentro da Floresta, na verdade, ele quase sempre fugia de lá quando algo estava estranho. Quanto mais longe, melhor para Canino.
Ele não tardou para ir logo atrás, ou algo estava muito errado ou alguém estava preparando um belo bife na Floresta Proibida. Pediu para os alunos ficarem alertas e se aproximou daquela esdrúxula árvore. Não estava muito preocupado, sabia que se fosse algo realmente perigoso Canino já estaria em casa. Com passos pesados, Hagrid finalmente localizou o cachorro que cheirava e babava num pequeno cesto de vime coberto por uma manta na cor marrom. Ao aproximar o lampião do cesto, foi possível notar um leve movimento por baixo da manta, aparentemente, o que havia lá estava incomodado com o rio que escorria pela boca de Canino.
Com suas grandes mãos do tamanho de latas de lixo, Hagrid puxou a manta com desvelo e descobriu que nela existia uma criança embrulhada. Não parecia ter mais de um ano, e estranhamente estava muito calma para aquela situação. Se pudesse apostar, diria que ela teria sido deixada lá recentemente. Não estava suja, nem machucada, não parecia com fome e muito menos com medo. Ao pegar o cesto no colo, sendo o mais cuidadoso possível, percebeu que havia um livro antigo e grosso, no qual a criança estava deitada. De imediato, dispensou os alunos, que pareciam extremamente curiosos com a situação, e levou a criança o mais rápido possível para Dumbledore. Ele saberia o que fazer.
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Dumbledore observava com ternura a criança, ela era muito quieta, não mostrava muitas reações além de abrir a boca algumas vezes e lançar um olhar curioso para Fawkes. Era de se esperar que o diretor de Hogwarts tivesse todas as respostas possíveis, mas não dessa vez. A única explicação que ele conseguiria achar estava naquele livro, um livro com a marca de Merlin. Selado com uma magia tão poderosa que nem mesmo ele, considerado o maior bruxo de sua época, conseguira abrir. No entanto, Dumbledore tinha suas deduções, mas antes de tudo precisava resolver o problema de quem assumiria a criança misteriosa.
Não foi difícil achar a pessoa que ficaria com a garota, Dumbledore escreveu uma carta para uma ex-aluna da Corvinal, Ágata Hill, uma bruxa extremamente talentosa que trabalhava no Departamento de Mistérios. Ela estava sozinha, seu marido morreu de sarapintose enquanto pesquisava sobre criaturas mágicas na América do Sul. A bruxa mostrou muito interesse sobre o aparecimento repentino da criança, exatamente como o diretor previra. Ágata foi de imediato buscar a menina, deu a ela o nome de Evangeline, uma sugestão do próprio Dumbledore. E também prometeu a ele que faria de tudo para descobrir mais sobre ela, no entanto, não sobrecarregaria a garota. Cuidaria dela como sua própria filha, ou ao menos iria tentar.
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— Certo, já temos tudo aqui, só falta a varinha. — Ágata disse apressada, como se estivesse atrasada para um grande compromisso, mas na verdade era só um traço de sua personalidade, a bruxa se preocupava muito com tudo o que existia.
Evangeline estava logo atrás levando todo o equipamento que possuía e também Nebulosa, uma grande gata cinzenta da raça maine coon deveras preguiçosa, só servia para deixar tudo ainda mais pesado. Seus cabelos curtos e negros estavam completamente emaranhados, e duas bolsas grandes e escuras se formavam abaixo de seus olhos azuis reluzentes. Havia acordado há pouco tempo com uma grande insistência de Ágata que queria chegar três horas mais cedo no Beco Diagonal para evitar confusões desnecessárias. Ambas seguiram em direção a Olivaras, a garota entrou e foi até o balcão, esperando o bruxo descer das escadas. O homem olhou para o relógio de bolso provavelmente estranhando um cliente chegar tão cedo, mas logo tratou de atendê-la devidamente.
— Ora, ora, a última bruxa que chegou aqui tão cedo foi Ágata Hill. — disse Sr. Olivaras olhando para os lados tentando localizar a bruxa, esta que esperava impacientemente do lado de fora da loja. — Lembro-me como se fosse ontem. Nogueira, vinte e um centímetros. Era muito delicada, ótima para feitiços... Você deve ser Evangeline. — Acrescentou curioso, enquanto tirava a fita métrica do bolso.
A bruxa se perguntava como ele sabia seu nome, na verdade, era esquisito como alguns desconhecidos sabiam seu nome por aí, mas isso não a incomodava tanto assim. Ao ver a fita, Evangeline prontamente esticou o braço direito, afinal, Ágata a mandara estudar sobre modos antes de vir para o Beco Diagonal. Sr. Olivaras soltou uma risada abafada.
— Deve ser difícil conviver com ela, não é mesmo? — comentou ele enquanto fazia as medidas da bruxa.
— É um pouco... mas não diga a ela que eu disse isso! — respondeu Evangeline quase que de imediato e com um certo receio, o que acabou arrancando mais risadas do velho que neste momento andava para o fundo da loja.
Após vários minutos decorridos que ocasionaram em olhares levemente enfurecidos de Ágata por fora das vitrines, Sr. Olivaras voltou com com uma caixa empoeirada e antiga. Parecia curioso, mas ao mesmo tempo alegre.
— Devo dizer Srta. Hill, esta varinha está aqui há mais tempo que eu... Carvalho inglês e corda de coração de dragão. Trinta e dois centímetros, estranhamente elástica. Uma combinação bem peculiar diga-se de passagem. Vamos experimente.
Evangeline pegou a varinha enquanto Sr. Olivaras esperava ansioso, ela não estava muito a vontade com a situação. Além da varinha parecer uma antiguidade, o olhar do bruxo a deixava cada vez mais receosa. No entanto, não demorou para o calor se apossar de seus dedos, e com um suave movimento que dera, faíscas douradas e prateadas saíram da ponta e perambularam pelo estabelecimento. O Sr. Olivaras abriu um enorme sorriso, Evangeline nem se lembrava da última vez que viu um sorriso daquele, talvez num filme de terror trouxa, aquilo era de fato muito estranho. E então o velho exclamou:
— Fantástico! Inimaginável, eu diria! Muito curioso no entanto... muito curioso...
Evangeline o encarava sem entender, e logo teve a varinha retirada de sua mão e reposta na caixa empoeirada que o velho rapidamente fez um feitiço para limpá-la, deixando-a praticamente nova. Normalmente não fazia isso, mas naquele caso realmente era preciso.
— Você não entende, não é mesmo Senhorita Hill? Essa varinha foi feita por meus ancestrais, e nunca fora vendida. O dragão deste núcleo provavelmente já foi extinto. — Sr. Olivaras abriu a boca e a olhou como se quisesse dizer mais, mas logo a fechou mudando de ideia sobre algo.
Tudo isso só contribuiu para que Evangeline ficasse ainda mais confusa, pagou os sete galeões e agradeceu ao Sr. Olivaras que se despediu dela curvando-se. Saindo da loja, já estava esperando uma bronca de Ágata, no entanto, ela só deu um longo suspiro.
— Vamos logo, você precisa chegar cedo para pegar o lugar que quiser no trem.
— Você quer dizer o lugar mais confortável pra dormir? — retrucou Evangeline que estava tão animada que parecia ter sido atacada por um Dementador.
— Não seja dramática, mocinha! Só acordou cedo hoje, não é como se não dormisse por três dias. Além disso, é sempre bom se prevenir. — disse Ágata enquanto arrumava o cabelo da garota.
— Não fui eu que quis deixar tudo pra última hora. — Evangeline cruzou os braços e deu um longo bocejo desviando o olhar, não queria encarar Ágata nos olhos depois dessa resposta, vai que virava pedra.
E lá se foram as duas às 7:00 horas em ponto para King's Cross.
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