A Caçada Genética

1 Prólogo "Caçar coisas, o negócio da família"


Notas iniciais
Eu simplesmente não consigo me aguentar e tenho que postar as coisas que estou escrevendo. Surto com a minha escrita e aí dá nisso... Essa aqui é um pouco diferente do que eu 'tô acostumada, mas 'tô amando desenvolver essa trama nessa minha eterna paixão por lobos ♥ Bem, espero que gostem do prólogo. Boa leitura! Ps: Sim, o nome é CyberHowl - A Caçada Genética, mas optei por deixar ali só o subtítulo mesmo por questão de gosto. Mas CyberHowl tem tudo a ver com a história.

Prólogo — Caçar coisas, o negócio da família

A porta de madeira se abriu em um baque surdo, as treliças se desprenderam e o pesado portal foi ao chão sem cerimônias, levantando uma cortina de poeira que serviu de efeito de entrada para os homens uniformizados e armados até os dentes.

O casebre era uma construção rudimentar que jazia no coração da mata, escondida por montanhas e árvores frondosas em uma combinação densa de verde vivo e vermelho queimado. Aos olhos de um leigo, ela passaria despercebida, mas aos olhos de Caçadores treinados, não demorou mais que algumas horas para que a encontrassem e a invadissem.

Os distintivos foram exibidos em um rápido retirar do bolso, apenas para reiterar a autoridade que à posição dava a cada um, como, por exemplo, o direito de invadir uma suposta casa de família a qualquer hora do dia.

Os coturnos enlameados, estalaram contra a madeira velha do assoalho quando o primeiro, o que parecia ser o líder, adentrou o modesto recinto. A luz bruxuleante dos castiçais dançou por uma face jovem e de traços que poderiam pertencer a um dos modelos de alguma famosa franquia de revistas, claro, exceto pela frieza nos olhos pretos e puxados e pelo sorriso cruel que se ergueu nos cantos dos lábios.

Com um aceno da mão enluvada, os homens que ainda se encontravam na soleira da antiga porta, irromperam para dentro, empurrando os donos do casebre e começando a vasculhar o local, jogando tudo o que encontravam ao chão.

“Onde eles estão?” A voz baixa e grave, deixava claro que seu dono não precisaria elevá-la para se fazer entender ou intimidar, ele era insensível, acostumado às tragédias e friezas como se fossem as coisas mais banais. E esse era o maior motivo por ele ser o líder da Tropa. A roupa negra, reluzia em um couro brilhante de material especial, bem moldada ao corpo treinado de musculatura delgada. O peso de uma perna passou para a outra, mostrando o quanto aquele silêncio o impacientava. Os dedos enluvados tocaram o coldre com duas pistolas Racoon 67 de maneira ameaçadora, não esperava precisar repetir a pergunta.

“Não há ninguém além de nós aqui.” Firme e determinada, a voz suave da mulher se fez presente, deixando evidente que não temia nada. Nem os Caçadores ou suas armas de última geração. Fato esse que atiçou o líder do grupo.

As íris pretas feito nanquim, tremularam em desafio sob o fogo laranja e azul. As operações não costumavam ser fáceis e aquilo o agradava mais que sua adorada música clássica ou cigarros de canela. Chopin não se equiparava a excitação de uma boa caçada. Os óculos de infravermelho se ajeitaram no rosto e ele rapidamente vasculhou a sala; uma lareira, cadeiras de madeira, uma pilha de lenha, livros velhos e objetos mais que dispensáveis entulhados em um cômodo pequeno. Nenhum sinal de calor escondido.

“Não tem nada lá dentro, chefe.” Um dos Caçadores voltou, empunhando a arma e com as sobrancelhas negras e grossas franzidas.

O chefe em questão, suspirou e prendeu os dedos nos cabelos escuros, escorregando-os pelos fios lisos. Gostava daquele jogo de gato e rato, ou melhor, humano e lobo.

“Onde eles estão?” Novamente a pergunta, apenas um pouco mais ríspida e pausada. Havia uma exuberante quantia em ouro em jogo e havia se enfiado em um lugar esquecido por Deus, somente para apreender aquelas criaturas. Não aceitaria o fato de voltar de mãos abanando como o primeiro fracasso de uma operação a serviço da Muralha.

“Já disse que–”

“Corta essa, vadia.” O Caçador recém-chegado apertou a mão forte no ombro da mulher, mas foi impedido de concluir o movimento quando o chefe abanou a mão.

“De joelhos, os dois.” A ordem veio séria, contrastando com a calma com a qual acendia um cigarro longo e caro.

“Não é melhor os matarmos logo de uma vez, chefe?” O outro Caçador, um homem robusto e de cabelos raspados se pronunciou, mirando na cabeça do idoso que o encarava sem demonstrar medo.

“Ameaças funcionam melhor com eles.” Deu de ombros, assoprando a fumaça com elegância enquanto o casal cumpria a ordem e se dobrava nos joelhos. “Eles protegem a matilha, defendem os fracos e oprimidos.” Rolou os olhos, mostrando o quanto achava uma verdadeira estupidez toda aquela demonstração de afeto. Se lobos fossem um pouco menos apegados à família, não seriam caças tão fáceis e patéticas.

“Já dissemos que não há ninguém além de nós dois aqui.” O idoso, um homem que aparentava ter pouco mais de sessenta anos, apertou firme a mão da esposa.

O chefe da Tropa de Caça aos Lobos, o olhou com desinteresse. Haviam recebido uma mensagem anônima sobre os moradores daquele casebre. Um casal de velhos aparentemente normal. O homem era agricultor, vivia do que a terra lhe dava, e a mulher era apenas uma dona de casa. O ponto é; o casal tinha dois filhos, bem, ao menos, os filhos aparentavam ser humanos…

“Criar aquelas coisas como um semelhante, é uma infração gravíssima senhores.” O chefe voltou a falar. Estava escorado em uma mesinha redonda e com um vaso azul, degustando do cigarro e testando até onde aqueles dois estavam dispostos a ir para despistar o paradeiro de duas importantes caças. “Lobos vivendo com humanos… É algo inconcebível.” Desdenhou, realmente desacreditado daquela situação surreal. “Estão cientes do crime que cometeram?” Perguntou, mas era uma pergunta que não precisava de respostas. Todos sabiam das leis e das punições sobre desobedecê-las. E ele as levava como tatuagens marcadas na pele, afinal, caçar aquelas coisas, era o negócio da família.

Os dois lobos, dois machos ainda adolescentes, não possuíam coleira de rastreamento ou chip, eram animais que não haviam entrado em contato com outros humanos além daquele casal. Eram presas novas e preciosas, talvez únicas. Um prato cheio para Caçadores.

“Quebre o braço dele, 0013.” Ordenou, lívido de qualquer expressão que denunciasse algum receio.

0013, uma inscrição que identificava cada um dos Caçadores que serviam à Muralha, a instituição de maior poder no Novo Mundo. Eram homens treinados para matar e para qualquer circunstância de extremo perigo.

“Meu marido-” A mulher tentou interferir quando o Caçador se prostrou frente ao esposo, mas foi calada ao ter o cano frio da arma encaixado na nuca.

“Só estamos aquecendo.” O 0013 exibiu um sorriso torto no rosto de maxilar quadrado ao segurar o braço do idoso e fraturar os ossos em vários lugares.

Um grito dolorido preencheu o ambiente e depois veio o silêncio. O idoso mordia o lábio inferior e tentava não presentear os Caçadores com suas lamúrias. Os miseráveis não mereciam sua dor.

“E então, velho John?” O líder ironizou o nome do outro após acessar a ficha de cadastro do casal na pulseira laranja neon que qualquer autoridade carregava no pulso. “Nós podemos quebrar cada mínimo osso desse teu corpo enrugado, isso é claro, se continuar recusando a dar informações para as autoridades. Onde estão aquelas coisas? Aquelas coisas as quais vocês chamam de filhos? Eu adoraria conhecê-los.” O sorriso aumentou, deixando a fileira de dentes brancos bem à mostra. Um gesto que poderia ser bonito, era assustador naquele rosto.

O silêncio permeou a sala uma segunda vez, denso, palpável e mortífero. Os idosos já esperavam a sentença, torturas ou uma bala na cabeça de ambos. Caçadores não eram as pessoas mais pacientes ou amigáveis das quais se tinha notícia.

Porém, naquele momento onde promessas mudas e despedidas foram feitas através de olhares, um barulho despertou a atenção de todos.

Um rosnado.

Alto e ameaçador.

O líder sorriu, ansioso com a expectativa do que estava por vir. Já havia capturado muitas daquelas criaturas, adolescentes não representariam perigo algum para sua agilidade e destreza.

Um ledo e mortal engano.

Eram sim dois lobos, mas um deles, era algo assustador; enorme, de caninos afiados e olhos de um intenso e flamejante dourado.

Era com esse que deveriam se preocupar.

Os animais surgiram como em um passe de mágica, assustando os dois Caçadores que apontavam as pistolas carregadas para as cabeças dos proprietários da casa.

O lobo maior fez um sinal com a cabeça para que o outro não interferisse. A bocarra bem aberta e o focinho enrugado, assumindo uma postura de ataque.

“Não eram filhotes?” O outro caçador, denominado 0011 perguntou, não contendo o tremor violento que subiu pelo corpo. Ninguém seria corajoso o suficiente a ponto de não admitir medo diante de um monstro daqueles.

“Jovens.” O líder retornou. Quase tão jovens quanto os dois filhos que já treinava para substitui-lo. “Peguem os dois. Com vida.” Se estivessem mortos, de nada lhes adiantaria.

Os dois Caçadores, posicionaram-se também; armas em punho e posição de ataque. Os rosnados do lobo maior, causavam um desconforto colossal por suas espinhas, mas não demonstrariam covardia, não para aquelas aberrações que se julgavam bons o suficiente para conviverem entre humanos.

Quando o lobo maior avançou, defendendo os pais que ainda se encontravam no chão, o som de garras e dentes rasgando carne e perfurando ossos, foi o que preencheu aquela humilde cabana.

Notas finais
Gostaram da narrativa? Espero muito que sim ♥ Sei que está no começo e não dá pra entender nada, mas ainda sim, quero saber as opiniões de vocês. Por favor, comentem o que acharam e o que esperam dessa história. Bjuss e até o próximo!