A CAÇA Adaptada
8 Capítulo 08
Tinha que voltar ao monte, mas havia um problema: Grissom estava aí.
Doze anos antes, Grissom tinha sido sua rocha, seu ponto de apoio. De algum jeito, tinha-a salvado, algo que recordava só quando permitia, quando estava sozinha na cama, com suas lágrimas como única companhia.
Nunca esqueceria o dia em que o conheceu no hospital. Foi o dia depois de acompanhar à unidade de busca do xerife até o lugar onde Sharon tinha sido assassinada.
Embora ele a levou ao longo de cinco quilômetros no dia antes, ela estava muito perturbada para fixar-se em apresentações formais. Nem sequer sabia como se chamava. E lhe agradeceu que não mencionasse seu ataque de nervos quando falou com ela, que seguia prostrada na cama do hospital.
Não a mimava como as enfermeiras. Não chorava como seu pai. Não arrastava os pés, presa dos nervos, como o xerife Donaldson, que a tinha interrogado no dia anterior.
Gil Grissom era de granito, um tipo alto, forte e firme. Nunca fraquejava, nunca mostrava compaixão em seu olhar.
Doía-lhe todo o corpo. As feridas dos pés lhe ardiam apesar dos antibióticos e calmantes. Tiveram que lhe costurar muitas feridas e cortes, e levaria essas cicatrizes até o final de seus dias. Os médicos lhe tinham salvado os seios, embora os cortes fossem muito profundos.
Ela estava viva. Sharon estava morta. As cicatrizes de sua pele não eram nada comparadas com a dor incisiva da culpa lhe destroçando o coração.
—Não tem que fazê-lo disse o Agente Especial Grissom quando sara insistiu em acompanhá-lo ao lugar onde tinham sido presas ela e Sharon.
—Sim, tenho que fazê-lo, agente Grissom —disse ela quando saíram do hospital—. Tenho que acompanhá-lo.
Não podia pensar em sua dor. Agora, não. Era capaz de qualquer coisa para encontrar o homem que tinha assassinado Sharon, porque sua melhor amiga estava morta e ela estava viva.
Se isso significava voltar para o chiqueiro asqueroso, úmido e infestado de ratos onde tinha permanecido acorrentada sete dias infernais, faria-o.
— Entendo —disse ele, e lhe acreditou. Todos os que falavam com ela davam a impressão de querer serená-la, mas aquele homem não tinha essas intenções—. Acha que poderia me chamar de Gil? Agente Grissom soa muito formal.
—De acordo.
Ela assinalou a área no mapa e entraram de carro até onde puderam, para logo seguir a pé, embora ficavam quase cinco quilômetros.
Oxalá tivesse deslocado na outra direção! Teriam chegado a um caminho. Era só um atalho, mas o era. Isso acaso teria trocado seu destino? Sharon estaria viva ainda?
—Disse-lhe que tínhamos que nos separar —murmurou sara quando ficou a sós com o agente Grissom... Gil.
—Foi uma boa idéia.
—Sharon se negou. Estávamos tão assustadas que não o discutimos. e... —disse, e guardou silêncio.
—Segue.
—Não entendíamos por que nos soltava. Até que vimos a arma. Então entendemos com toda claridade que queria nos caçar como animais. Acredito que nem sequer pensamos nisso e, certamente, não falamos disso. Não tínhamos tempo. Disse-nos que nos puséssemos a correr.
—Corram, corram!
—E as duas sabiam perfeitamente o que pretendia fazer. Fomos presas feridas gravemente — disse, rindo com uma careta amarga.
Durante o trajeto, Grissom permaneceu a seu lado. Fez-lhe perguntas discretas e certeiras. Nunca disse que sentia. Nunca tentou serená-la. Nunca disse que deveria ter feito algo diferente, como tinha feito ela milhões de vezes, interrogando-se sem parar durante as setenta e duas horas transcorridas desde que a encontraram na margem do rio Gallatin.
Sara os conduziu diretamente ao barraco desmantelado perdido no meio do bosque, em Montana, dez quilômetros para o oeste do rio onde ela tinha saltado para escapar. Ficou olhando as pranchas podres que pareciam muito fracas para agüentar o teto de alumínio corrugado. Sara se tinha fixado no exterior do barraco só um momento breve, antes que ela e Sharon pusessem-se a correr. Entretanto, o interior tinha ficado gravado em sua memória.
Sara não pôde entrar. Ficou sentada no chão, chorando. Grissom entrou. A gente do xerife recolheu as provas que ele assinalava. O xerife Donaldson estava a ponto de aposentar-se, e queria agarrar o assassino de Sharon; que sua detenção fosse o broche de ouro de sua carreira, assim escutou os conselhos do agente do FBI chegado um dia antes.
Depois, Grissom se sentou no chão junto a ela.
— Vai sujar essa bonita calça —foi quão único atinou a dizer. Certamente, Grissom não ia vestido para sair à montanha, mas não parecia importar que seus elegantes sapatos ficassem raiados e sujos.
—Encontrarei a esse maldito. Prometo-te que pagará pelo que fez, a você e a Sharon.
Ela o olhou, procurando a pena em seus olhos, ou o asco, ou o desagrado. Quão único viu foi força, compaixão e raiva.
—Farei tudo o que possa para ajudar.
Ao final, apesar da angústia que sara sentiusentiu ao voltar para a choça, apesar da busca no bosque, depois de encontrar os restos que, segundo todas as suspeitas, era a primeira vítima do Açougueiro, não conseguiram encontrar o assassino. Não tinham pistas que os orientassem. Escassas provas, e nem um só rastro. Nenhum suspeito.
Dois meses depois, chamaram Grissom de volta ao escritório de Seattle. Ela pensou que não voltaria a vê-lo, e isso lhe doeu, porque o apreciava muito.
Equivocava-se. Grissom voltou um mês mais tarde, só para vê-la.
Foi então quando começou a sanar de ver
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