A CAÇA Adaptada
4 Capítulo 04
Quando viu Sara, Grissom parou em seco. Sentiu que lhe faltava o fôlego e deu um passo ao lado para ocultar-se atrás de um denso grupo de árvores.
Tinham passado dez anos da última vez que a viu, mas o impacto era o mesmo. Primeiro, uma mescla de assombro e respeito. Ainda não tinha conhecido nenhuma mulher que fosse mais ousada e decidida que Sara. Também experimentava um sentimento de amor e orgulho, seguido rapidamente de raiva e frustração, fenômenos muito entrelaçados. Não podia fechar o fluxo de suas emoções como se dirigisse um grifo. Como tinha podido Sara desprender-se dele tão facilmente? Como tinha abandonado a relação com ele sem sequer lhe dar uma oportunidade de explicar-se?
Grissom ainda albergava a esperança de que ela deixaria de lado sua cega obsessão pelo Açougueiro e que voltaria. Entretanto, essa esperança ia minguando com o passar do tempo. Agora temia que Sara acabasse matando-se por não haver-se ocupado de suas próprias necessidades.
Sara estava de costas a Nick. Só Grissom via a dor refletida em suas feições.
Enquanto a olhava, ela fechou os olhos e sacudiu a cabeça, como querendo afastar um pesadelo. Ou uma lembrança. Levantou-se, secou os olhos com o antebraço e se aproximou dos pés da garota morta. ficou olhando o corpo coberto de Rebecca um comprido momento antes de agachar-se e levantar o borda da lona.
Não precisava que Grissom estivesse ao seu lado para saber o que olhava. Os pés e as pernas da Rebecca salpicada de barro por causa da corrida. A perna quebrada. Os sinais de sua fuga.
—Quanto tempo?
Inclusive de seu ponto de observação a quinze metros, grissom percebeu a raiva e a dor em sua voz. Sara se virou e olhou Nick com raiva. Acentuou-lhe a rigidez da mandíbula enquanto fazia o possível por controlar sua dor.
Como sempre, tinha que controlar-se. Era um milagre que não tivesse sofrido um ataque de nervos, tal era o peso que levava sobre os ombros.
—Umas oito ou dez horas? — Grissom não ouviu a resposta de Nick, mas o cálculo de sara lhe pareceu correto.
—Porra, Nick! Teve-a oito dias em seu poder. Quase conseguiu escapar. Estamos a uns poucos quilômetros da estrada. A seis quilômetros, e rompeu a perna. E ele, ele... —balbuciou, e voltou a virar-se. Vendo o esforço que fazia por controlar-se, Grissom se sentiu incômodo, como um olheiro. Ansiava aproximar-se dela, agarrá-la em seus braços como tinha feito no passado, só estreitá-la. Não lhe havia dito que tudo iria bem. Nunca lhe disse que a dor seria suportável. Grissom simplesmente esteve a seu lado. E, durante dois anos, só o fato de estar a seu lado ajudou sara a recuperar sua vitalidade e sua força. Ele sabia como uma certeza.
Mas não tinha sido suficiente.
—O doutor Al está a caminho —disse Nick—. Ele poderá nos dizer algo mais.
—Tinha me prometido isso, Nick. — Sara tirou as luvas de látex e as meteu em um bolso. Apertou a ponta do nariz e se aproximou do xerife.
Grissom não podia deixar de saudar sara , mas o encontro lhe provocava certo desassossego.
—Não tente me proteger, Nick —disse sara, enquanto Grissom se aproximava por trás.
—Não culpe Nick, Sara. Fui eu quem disse que não a chamasse.
Sara ouviu aquela voz familiar: grave, cálida e suave como a manteiga derretida.
O ritmo do coração se acelerou o dobro, e o triplo. Por um momento, um momento que foi muito comprido, foi incapaz de dizer uma palavra. Tinha sonhado com essa voz e com seu dono. Virou-se bruscamente.
Gilbert Arthur Grissom.
Por um instante, apenas um segundo, sara esqueceu tudo o que tinha acontecido entre eles dez anos antes, e sentiu seus braços que a estreitavam, as palavras serenas que lhe sussurrava ao ouvido.
A única vez que havia se sentido verdadeiramente segura do pesadelo da perseguição foi em seus braços.
Grissom tinha mudado e, ainda assim, seguia sendo o mesmo. Algumas mechas cinza apareciam em seu cabelo . Caía-lhe um pouco muito comprido na frente, o justo para cobrir um curativo que levava por cima do olho. Seus olhos Claros seguiam vendo tudo, mas agora de seus cantos nasciam umas rugas finas. Fisicamente ainda estava em forma, embora ia vestido com um traje muito elegante para os bosques de Montana. Sara ainda recordava o sabor de seus lábios, embora tivessem passado dez anos da última vez.
Não suportava todas essas lembranças que lhe vieram em cima e, ainda detestava mais que Gil Grissom lhe recordasse suas piores fraquezas, justo quando mais necessitava sua força e sua coragem.
— Como se atreveu! —exclamou, irritada consigo mesma pelo tremor em sua voz.
—Já sei que se diverte torturando a si mesma, Sara, mas não queria que o visse. — Grissom se aproximou uns poucos centímetros. Ela resistiu ao impulso de retroceder. Esta vez não se tornaria atrás.
Um nervo na mandíbula de Grissom tremeu. Sara recordava bem esse sinal de sua irritação. Ou preocupação.
—O que faz você aqui? —Agora sua voz era mais forte, mas não confiava em si mesmo para seguir.
—Eu o chamei — disse Nick.
Ela se virou para olhar a seu melhor amigo.
—Você? — Nick se endireitou para mostrar seu desconforto.— — Mantive grissom informado desde que fui nomeado xerife —disse Nick—. Necessito dele e de seus recursos.
—_Trabalhou com ele durante...? —Anahi pensou no tempo que tinha passado desde que Nick fora eleito xerife e lançou as mãos ao ar—. Três anos! E nunca me disse nada? Como pôde? Acreditava que se alguém me entendia, era você.
— sara, eu quero encontrar esse maldito tanto quanto você. Grissom os interrompeu.— Vim procurar um assassino. Não tenho por que dizer que o FBI conta com mais recursos que o departamento de Nick. E se tiver algum problema com isso, pode partir.
Aquele olhar azuis e intenso de grissom abriu uma brecha em suas defesas com a precisão de um laser. Ela se sentiu incômoda, esquadrinhada. Como se fizessem inventário de seu medo, de suas inseguranças. Esperando que se derrubasse, que viesse abaixo. Mas ela não o deixaria ver seus pontos débeis. Nem que a visse como se derrubava. Tinha ido a ele muitas vezes no passado, procurando forças e apoio. Tinha chorado em seus braços e lhe tinha contado tudo o que pensava, sentia e acreditava.
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