O Conflito dos Apóstolos

No esconderijo, o clima era de pura tensão. Simão Zelote andava de um lado para o outro, incapaz de conter a revolta que sentia.

— Eu sabia que os romanos não iam desistir de fazer maldades — explodiu Simão. — Eu estou pensando se realmente eu fiz certo em não ter se juntando aos zelotes no meio daquela confusão. Poderia ter os ajudado!

João aproximou-se, preocupado com o estado do amigo.

— Você enlouqueceu, Simão? Você viu o que aconteceu! Milhões de pessoas morreram por se entregarem ao ódio e à violência.

Tiago Maior interveio com serenidade:

— Era disso que Nosso Senhor falava: aquele que mata pela espada, morre pela espada.

— Sim! — concordou João. — Morte gera morte, é uma guerra sem fim. Essa guerra nunca vai acabar, só Nosso Senhor vai resolver essa situação.

Mas Simão ainda não conseguia entender os desígnios de Deus. Seu coração ainda batia com o fogo de um guerreiro.

— Eu não consigo entender... então devemos ficar indiferentes diante do nosso povo? Nossos irmãos judeus merecem se defender!

— Não é isso, Simão — explicou João. — Sabemos que nosso destino é maior que esse. Não é apenas uma luta temporária, mas uma luta eterna. Satanás está distraindo nossos irmãos com raiva dos homens; eles não entendem que a Promessa é muito maior do que a libertação do nosso povo.

Simão baixou o olhar, o desânimo pesando em seus ombros.

— Eu só queria ajudar.

— Ore — concluiu João com carinho. — Ore para que eles entendam sobre o que Deus quer para a vida deles.

A Queda de Cornélio e a Fuga de Fabiana

Enquanto isso, nos corredores do Palácio de Jerusalém, o centurião Cornélio buscava sua esposa em um estado de urgência máxima.

— Fabiana, meu amor, pegue nossos filhos! Precisamos sair daqui antes que Pilatos descubra que recebi Jesus como meu Salvador!

Fabiana, sentindo o perigo se aproximar, tremeu.

— Eu estou aflita... e se não conseguirmos fugir?

— Não se preocupe, meu amor. Vamos conseguir.

Mas a fuga foi interrompida bruscamente. Um soldado romano surgiu no caminho, bloqueando a saída.

— Cornélio!

— Sim... o que o senhor quer? — respondeu o centurião, tentando manter a calma.

— Você está sendo preso por alta traição ao Império Romano!

Cornélio empurrou Fabiana em direção à saída lateral.

— Fuja, meu amor! Eles me descobriram como seguidor de Jesus!

— Não pode ser! — gritou ela, desesperada.

— FOGE!!!!!

Fabiana saiu correndo, ouvindo os gritos dos soldados atrás dela:

— Corram atrás dela! Ela também é uma traidora!

— Por favor, deixem ela em paz! Eu sou o culpado! — implorou Cornélio enquanto era detido.

O soldado apenas riu, segurando-o com força:

— Acha que não sabemos que toda sua casa recebeu Jesus como seu Salvador? Todos vocês serão presos e julgados! Rararara!

O Embate no Pretório: Pilatos e Cláudia

No Pretório, a tensão entre o governador e sua esposa chegava ao limite. Pilatos encarava Cláudia com um olhar sombrio após ter gritado seu nome com fúria.

— Nunca mais faça isso comigo, você entendeu?

Cláudia, com uma firmeza que Pilatos nunca vira, respondeu ríspida:

— Está bem. Eu farei o que você quer... meu dono.

— Está me provocando por acaso?

— Eu não tenho mais medo de você! — Cláudia perdeu o receio de ser agredida novamente. — Se quiser me matar, pode matar. A mim não interessa mais!

— Perdeu a noção do perigo?!

— Sim!!!! Pode me bater! — Cláudia começou a chorar. — Mostra que você nunca me amou de verdade!

Aquelas lágrimas atingiram Pilatos no fundo da alma. Apesar de sua crueldade, ele ainda via em Cláudia a mulher que amava. Uma lágrima solitária escapou de seus olhos. Ele se ajoelhou diante dela, implorando:

— Por favor, me perdoe... eu te amo. Eu errei, mas farei de tudo para te provar o meu arrependimento.

Mas Cláudia não cedeu.

— Eu nunca vou te perdoar. Eu não acredito em você.

Pilatos pegou em suas mãos, sentindo o peso do seu erro.

— Eu entendo... o que fiz foi horrível. Eu não deveria permitir que aqueles seguidores do Nazareno atrapalhassem a nossa felicidade.

— Chega, Pilatos! — gritou Cláudia. — Pare de colocar a culpa nos outros e assuma os seus erros!

A Chegada de Caifás e a Morte de Leah

De repente, a porta se abriu com estrondo. Caifás entrou esbravejando ódio.

— Pilatos!

O governador e Cláudia enxugaram as lágrimas às pressas para disfarçar a humilhação.

— Caifás! O que você está fazendo aqui sem a minha autorização?

— Que se dane as suas ordens! — gritou o sacerdote. — Para mim, o que você falar ou não falar é bosta e merda, é tudo igual!

Pilatos o agarrou pelas vestes.

— Mas respeito com o governador, desgraçado!

— Calma, Pilatos! Solta ele — interveio Cláudia.

Caifás encarou Pilatos, agora sem medo:

— Pode me matar se quiser! Não pode me tirar mais do que me tiraram.

— Então eu vou realizar o seu desejo! — ameaçou Pilatos.

— Não! — gritou Cláudia. — Já não basta o massacre que os romanos fizeram hoje cedo? Chega de mortes! Uma hora esse banho de sangue tem que acabar!

— Esse banho de sangue nunca vai acabar enquanto não destruirmos os romanos! — rebateu Caifás.

— Chega! — berrou Pilatos.

— Chega digo eu, seu traidor! — gritou Caifás, a voz falhando pelo choro. — Você me abandonou e agora ela está morta!

Cláudia paralisou: — De quem você está falando, Caifás? Eu não estou entendendo.

— Leah... a mataram.

O choque dominou a sala. Cláudia e Pilatos ficaram surpresos.

— Mas como isso aconteceu? Quem foi que fez isso? — perguntou Pilatos.

— Ela por acaso morreu no massacre? — indagou Cláudia.

— Não! Ela estava em casa. Eu havia brigado com ela porque ela tinha agido pelas minhas costas... — Caifás chorava amargamente. — Eu nunca mais poderei pedir perdão! Meu Deus, por que ela teve que morrer? Será que estou sendo castigado? É porque matei o Nazareno?

— Pare de bobagens, Caifás — disse Pilatos, tentando manter a frieza. — O seu Deus judeu não está te punindo. Isso são as coincidências trágicas da vida.

— Pra você não importa, né! — retrucou Caifás com desprezo. — Não importa a morte da minha esposa, nem a de nenhum dos meus irmãos judeus. Pra você não significamos nada. Mas eu me importo, grandíssimo governador!

Cláudia tentou parar a briga: — Chega de brigarmos! Precisamos agora nos concentrar em descobrir quem a matou!

Caifás olhou com puro ódio: — Eu tenho uma suspeita...

— E quem seria que teria interesse de matar sua esposa, Caifás? — Pilatos ficou curioso.

Caifás continuou olhando com ódio: — Anas e Eliézer.

Tiago Justo e Fabiana

Enquanto o palácio fervia, Tiago Justo estava sozinho, lendo as Escrituras sobre seu irmão Jesus: — "Um filho Nasceu, Um Filho Sim Nós Deu E Ele Será Chamado..."

Ele sorriu para si mesmo: — Quem diria que o meu irmão era Deus. Às vezes eu rio disso. Que privilégio eu tive de ter Deus como meu irmão. Apesar de não ser necessariamente irmão de Deus... mas Ele é Deus.

Batidas desesperadas interromperam sua paz. Era Fabiana.

— Por favor, me ajude, senhor! — gritou ela, desesperada.

— O que aconteceu? Quem é você? — perguntou Tiago.

— Desculpa senhor eu ter vindo aqui, mas eu não tinha para onde ir.

Tiago percebeu que ela era uma seguidora do Caminho.

— Não tenha medo, eu também sou seguidor de Jesus.

— Mas você é Rabino! Como pode ser um seguidor de Jesus?

— Existem muitos Rabinos que O reconheceram como o Messias. E não me chame de senhor, Fabiana. Você só tem um Senhor: o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Eu sou seu irmão em Cristo, unidos pelo mesmo Sangue.

Fabiana contou sobre a prisão de seu marido, Cornélio, e como Pedro pregou para eles. Tiago se alegrou:

— Parece que Deus está dobrando nosso irmão Pedro. Quando o Espírito Santo habita no coração, tudo muda.

— É o que senti — disse Fabiana. — Jesus me preencheu e essa certeza não sai mais de mim.

— Nunca deixe o Espírito Santo sair de você, Fabiana. Ele te dá paz e força para vencer qualquer desafio.

Tiago a abraçou.

Pedro diante de Herodes Agripa

Enquanto isso, Pedro foi levado à sala de Herodes Agripa. Um soldado o derrubou rudemente no chão.

— Aí está o ex-pescador da Galileia. Pedro, o líder dos apóstolos.

— Eu não sou o líder dos apóstolos — disse Pedro, sentindo a dor.

Herodes riu: — Como não? Vocês são patéticos! Só se juntam com pessoas iguais a vocês! Rararara! Pra que isso, Pedro? Para se iludirem com um céu ou morrer por um Nazareno fantasma?

— Ele está vivo e um dia voltará — declarou Pedro com calma.

Herodes, irritado, desferiu-lhe um soco.

— Se não parar, todos que você ama vão morrer! Sua filha, seus amigos! Eu não hesitarei!

— Eu não tenho medo. O Senhor disse que isso ia acontecer.

Herodes gritou: — Saia daqui!

— Eu te perdoo, Herodes. Que Deus possa te mostrar quem Ele é.

Pedro saiu alegre, fortalecido por Deus.

Vingança e Missão: Levi e Saulo

Em seu esconderijo, o zelote Levi cuidava das feridas, remoendo o ódio.

— Perdemos a batalha, mas não a guerra! — disse outro zelote.

— Enquanto eu não vir os romanos mortos, não descansarei — rosnou Levi. — Mas o que mais me deixa com ódio é Simão ter nos traído. Ele preferiu ficar orando ao Messias morto dele. Eu vou acabar com ele, eu juro! Essa traição vai ter que pagar!

Enquanto isso, na estrada para a Síria, Saulo aproximou-se do Eunuco Levi, que orava pedindo ajuda.

— Posso orar com você? — perguntou Saulo.

— É também um seguidor de Jesus?

— Sim. Sou seu Apóstolo. Meu nome é Saulo.

— Prazer, Saulo. Eu sou Levi.

— Que bom conhecê-lo.

Pedro e o Oficial Juliano

Pedro era levado para fora do palácio. Ele caminha pelas ruas de Jerusalém para encontrar os apóstolos e contar que ele foi solto e que Deus o livrou. Enquanto ele estava ali, um oficial do rei Herodes aparece, nome dele é Juliano.

Juliano: — Olá senhor, você se chama Pedro?

Pedro: — Sim, me chamo Pedro. Simão Pedro.

Juliano: — Meu nome é Juliano. Sou um oficial do rei Herodes Agripa.

A Discussão Final

No esconderijo, Simão Zelote queria sair a todo custo. João o segurava.

— Não é uma boa ideia sair daqui! Os romanos podem estar nos caçando.

— Então vamos ficar aqui como covardes? — gritou Simão. — Cadê a Ousadia do Espírito Santo?

— Você não está agindo na Ousadia, está agindo na carne! — rebateu João.

Tiago Maior gritou: — CHEGA! Somos irmãos! Não podemos ficar discutindo como um bando de contenciosos.

João reconheceu o erro: — Tem razão. Me perdoe ter brigado com você, Simão.

Simão também se arrependeu: — Você falou a verdade na minha cara. Eu é que tenho que pedir perdão! Eu ainda estou cometendo os mesmos erros.

Bartolomeu: — É normal, amigo. Temos força para resistir.

João: — A Salvação está em Cristo e no que Ele fez.

A Vingança de Caifás e a Profecia

No Pretório, Pilatos duvidava da culpa de Anas e Eliézer.

Caifás: — Se você não vai fazer nada, eu farei! Eu vou vingar a minha esposa!

Ele saiu furioso, ignorando Pilatos. Cláudia avisou: — Se ele fizer alguma besteira, isso recairá nas suas costas.

Herodes apareceu rindo: — O governador da Judeia... os seus problemas apenas começaram! Rararara!

Na casa de Tiago Justo, ele dava água a Fabiana.

— A minha preocupação é com os meus filhos — disse ela.

João chegou de repente: — Tiago! Pedro... o levaram à prisão!

— Sob que acusação?

— Não disseram. Parecia um oficial romano.

Fabiana: — Agora até o apóstolo Pedro foi preso!

João surpreso: — A senhora conhece Pedro?

Tiago Justo: — Ela é uma Romana.

João: — Assim como Nosso Senhor pregava aos gentios...

Tiago Justo: — Está se cumprindo a profecia: "Eu me manifestarei a quem não era amada".

João se lembrou de Jesus dizendo: "Ser-me-eis testemunhas em Jerusalém, Judeia, Sama

ria e até os confins da terra".

João: — Então é isso... vai começar.

Tiago Justo: — Não, João. Já está começando.


Continua no próximo capítulo


Notas finais
Obrigado por ler