A Buscadora

7 Capítulo 7- Paquerada


Notas iniciais
Esse cap era para ser menor, mas eu juntei dois para melhorar. Quero que essa fic acabe logo, não quero que passe dos 15 caps... o que vcs acham? Hj tem uma Buscadora especial, e ela foi inspirada na Isa^^

Os dias foram se passando e com eles eu fui aprendendo cada dia mais a arte de Buscar. Sol achava estranho eu ter aprendido tão rápido, mal sabia ele que isso já estava em meu sangue humano. O achar estranho dele não era motivo de desconfiança, isso eu sabia.

Todos os dias eu e ele dividíamos o mesmo turno. Sempre ficávamos juntos para cuidar da “delegacia”. Não tinha muito o que fazer, era apenas cumprir horário. Eu era uma ótima Buscadora, pena que ainda não fui chamada para nada muito complicado.

Outra coisa que aprendi nesse decorrer de dias foi que eu sentia muito amor pelos meus pais... por mais que aquelas almas tinham ocupado o corpo de minha antiga família. Não sei se era apenas minha cabeça que os confundia.

Era engraçado como os dias passaram tão rápidos, hoje me dei conta que já fazia um mês que eu estava dessa maneira. Sobrevivi um mês e ainda por cima arranjei uma família e um amigo... Sol.

Sol era tão estranho as vezes... ele era muito amável, todas as almas eram, mas Sol era diferente... tinha um cuidado excessivo e um toque constante. Poderia até dizer que ele me paquerava as vezes, mas eu sabia que isso era bobagem.

Ele era um moço bonito, novo, deveria ter uns 20 anos no máximo. Tinha lindos olhos verdes e um lindo cabelo cor de mel, um pouco desarrumado, mas que dava um charme extra a ele.

Era bem estranho a forma com que ele me tratava, sempre estava por perto e me ajudava em tudo... se eu fosse pegar alguma coisa, ele vinha e pegava antes, se eu fosse levantar alguma coisa, ele o fazia para que eu não me cansasse...

Isso tudo era uma desconfiança boba minha, ele não tinha cara que paqueraria alguém como eu. Mas teve um dia que algo muito estranho aconteceu...

Era de manhã, fazia pouco tempo que eu tinha chegado ao trabalho. Eu e ele estávamos organizando algumas fichas de lugares com aparições e roubos que poderiam ser de humanos, eu estava bem interessada nisso.

Estava bem concentrada, nem notei quando ele segurou minha mão e me acariciou, de uma forma sentimental. Eu assustei com o toque, mas não retirei minha mão de lá, não queria magoá-lo.

Permaneceu com as mãos ali um bom tempo, até que ele falou comigo.

- Marina... Gostaria de fazer um convite a você... – Disse sumindo a voz.

Eu arregalei os olhos, sabia muito bem que tipo de convite ele faria a mim. Podia até ver um pequeno tom rosa em sua bochecha.

- Faça. – Falei baixinho.

- Você tem algum compromisso hoje à noite?

- Acho que não. – não tinha motivos para mentir.

- Gostaria de ir a um restaurante comigo?

Por mais que eu já soubesse que esse seria o convite, fiquei envergonhada com ele. Era estranho, por mais que ele fosse uma ótima pessoa, e que eu gostasse dele muito... eu não podia sair com uma alma... ele não era da mesma espécie que eu e...

Eu não o amava.

Fiquei o encarando um pouco espantada, sua expressão mudava aos poucos, ele estava ansioso com a minha resposta.

- E Então? – Pressionou.

- Eu não posso sair com você Sol, você é uma ótima pessoa, mas... – Não consegui terminar a frase.

- Ah. – Ele apenas respondeu isso e soltou minha mão. – É outra alma? – Perguntou fitando meu rosto.

Como assim outra alma? Mal sabia ele que eu tinha contato apenas com meus pais e com ele. Mesmo que eu quisesse ter outro alguém, não teria quem ocupasse meu coração.

- Não, não é isso. – Respondi um pouco brava.

- E o que é então? Sou eu?

Responder que era eu ficava muito clichê, apesar de ser a mais pura verdade.

- Tudo bem. – Ele murmurou antes de eu responder qualquer coisa. – É muito cedo, eu sei...

Continuei olhando para ele, ainda não tendo ideia do que fazer. Estava magoando o coração dele, mas não tinha como não magoar, era uma questão de amor.

Continuamos aquele dia tranquilamente com o nosso serviço, sem nos falar.

Mais dias se passaram e com eles veio minha experiência.

Segundo Sol continuava suas investidas, por mais que eu dissesse claramente que não queria nada com ele. Tinha momentos que eu agia até muito humana, mas ele não percebia, estava cego.

Bem que podia haver alguém para ele, alguma alma que o amasse verdadeiramente, com amor de alma, não de humana. Provavelmente se eu gostasse dele, seria apenas uma paixão, não amor... nunca amei ninguém, não seria agora seria?

Todos os dias eu ia para o trabalho um pouco chateada por encontrá-lo lá. Logo eu iria começar a fazer turnos de rondas, esse era o único motivo que ainda me matinha lá.

Ele me explicou que antes não faziam isso por que havia apenas ele de dia, agora comigo, seria um pouco mais fácil. Ele não podia deixar a instalação de Buscar vazia, nunca se sabe quando uma alma precisa de ajuda.

Hoje viria uma outra Buscadora, pelo que entendi, ela era um tipo de chefe, algo assim. Não estava nervosa, por mais que eu tivesse muitos segredos a esconder. Provavelmente era ela que liberaria os nossos turnos.

- Quando ela chega?

- Logo, não sei ao certo. – Respondeu enquanto passava as mãos nos meus cabelos.

- Como ela se chama? – Perguntei enquanto desviava do toque.

- Isabella, ela é como você, gosta do nome do hospedeiro.

- Ah... – Meus olhos brilharam, seria ela como eu?

Claro que não, existia outros, isso era apenas uma idéia.

- Qual era o nome de seu hospedeiro? – Perguntei para puxar papo.

- Era... Paulo, chamavam de Paulão. Feio né?

- Um pouco. – Concordei sem concordar, tinha um amigo comesse nome.

Escutamos um barulho da porta, logo entra por ela uma mulher. Deveria ser essa a famosa Isabella. Seu rosto era bonito, olhos negros e cabelo liso. Magra e bem vestida.

- Olá Buscadora. – Segundo Sol a cumprimentou.

- Olá. – Respondeu seca e me olhou com desconfiança. – Você é a nova Buscadora?

- Sim, eu sou.

- Hum... Você parece ser estranha...

Quem era ela para dizer isso?

- Estranha? – perguntei incrédula.

- Sim, Segundo Sol me disse que você se da bem com armas, virou Buscadora na primeira vida... Isso parece ser estranho...

- Ela nasceu para isso. – Murmurou Sol.

- Sei... Bem, você não tem jeito para Buscar. – Ela me olhou com olhar fulminante.

Era estranho a forma que ela me tratava, nunca vi uma alma assim, grossa!

Acertou as coisas com Sol, sempre me destratando e rebaixando. Isso me magoou muito, eu não gostava que as pessoas me tratassem assim. Logo ela se foi, amanha iríamos começar os turnos.