A Buscadora

3 Capítulo 3- Refletida


Notas iniciais
Oiie Pessoal! Estou muito feliz com os reviews, não atingiu os 10, mas mesmo assim estão lindos! Muito obrigada! Espero que gostem desse...

Bem, teoricamente, depois de ter observado muitas almas durante minha vida, eu sabia bem o que iria acontecer quando a luz batesse em mim. Meus olhos iriam continuar como são, verdes como sempre.

Mas não foi bem isso que aconteceu. No exato momento que a luz da lanterna veio em meus olhos, algo aconteceu.

Primeiramente meus instintos de sobrevivência fizeram com que minhas pálpebras se fechassem automaticamente. Porém, a Curandeira os forçou para que eu os deixassem abertos.

Uma dança prateada atingiu o rosto da Curandeira, essa dança por incrível e impossível que pareça, vinha de meus olhos. Era estranho, mas eu até poderia dizer que sentia isso.

Como isso era possível? Eu não entendia mais nada. Eu não tinha esses olhos antes!

Seres humanos não tinham esses olhos prateados em contato com a luz... Somente as almas tinham o brilho, mas por que...

- Estão perfeitos... Isso é muito bom. – Jogou a luz em meu olho direito e depois no esquerdo.

- Na... – Interrompi meus lábios quando pensei em negar tudo, dizer um não.

- Pode dizer querida. – Notou que eu estava com as línguas presas.

- Bem, a senhora tem certeza que está tudo bem? – Perguntei, ainda tentando alertá-la.

- Claro querida, só se você ouve alguém ai com você... – Ela deu uma arquejada nas sobrancelhas, como se estivesse preocupada. – Esse sim é um problema.

Eu não ouvia ninguém aqui, será que a alma me ouviria? Eu ficaria viva, por mais que eles colocassem a alma em mim?

- Se isso acontecer, me avise por favor! – Continuou.

Agora tudo estava se esclarecendo, não completamente, mas estava. Eu não sabia por que, mas eles tinham sim colocado uma alma em mim, mas eu não entendia, ela tinha desaparecido... como se nunca tivesse existido.

- Tudo bem! – Eu precisava esclarecer minha discussão interna. – Ah... – Eu tinha que ser esperta. – Se por acaso eu escutar alguém, tem como a... humana me dominar?

- Fique calma querida, não é tão fácil assim. Já teve alguns casos, mas muitas vezes conseguimos salvar a alma...

- J-já teve? – Gaguejei mais de esperança do que de medo.

- Sim, colocaram a alma lá e o hospedeiro resistiu... a alma ouvia o hospedeiro, e logo ele a dominou. São mais freqüentes que imaginamos.

- Ah. – Falei na dúvida.

Ela veio perto de mim e me abraçou.

- Você vai gostar daqui, eu garanto querida!

- Acho que sim... – Eu já conhecia aqui. Eu morei durante minha vida toda aqui...

- Sua primeira vida será cheia de descobertas, você verá!

Assim espero! Assim espero!

Vou ter que sobreviver assim de agora em diante, com essa alma presa dentro de mim... isso é estranho, mas eu não tenho escolha, é ela ou eu...

Pelo menos agora eu não tenho motivos para fugir.

- Você lembra das coisas que aconteceram com a sua hospedeira? – Perguntou depois de um tempo.

- Um pouco... – Falei temerosa de soltar alguma coisa que não pudesse, que me entregasse.

- O que exatamente você lembra? Não quero que sofra, tudo bem para você falar?

- Acho que não lembro de muitas coisas... – Torci a cara.

- Fique tranqüila, você vai lembrar com o tempo.

- Ah sim... – Tentei encerrar o assunto, mas ela fez um sinal para que eu continuasse. – Eu lembro que fugia desesperada dos Buscadores, apenas isso.

- Eles foram cruéis com você? Quer dizer, com ela?

Tá, eu tinha que admitir, eles não foram.

- Não, foram gentis.

- E você não lembra da família dela? – Perguntou um pouco aturdida.

Claro que eu lembrava da minha família, eles foram pegos antes que eu, eles que ajudaram minha fuga e tudo mais. Lembro de minha mãe me jogando pela janela, e meu pai gritando para que eu fugisse...

- Sim, agora me lembro deles... – Falei tentando não mostrar a emoção de tristeza.

- E gostaria de viver com eles?

Viver com a minha família...

- S-sim. – Eu não sabia ao certo o que responder.

- Parece que esses hospedeiros são mesmos ligados a família...

- É? – Perguntei, tentando parecer desinformada.

- É! Mas isso é bom, eles te esperam ali fora! Sentem saudades de você!

- Sentem? – Arregalei os olhos.

- Sim minha querida, você não sente?

- Sinto sim...

- Fique calma, isso também é normal! Agora tenho que perguntar algo doloroso para você... – Falou olhando para mim, como se pedisse permissão.

- Diga.

- Você sente muita dor de sua mãe?

Não respondi, não fazia a mínima idéia do que responder. Tive sorte que ela meio que entendeu aquilo como tristeza e dor, não como ignorância e falta de conhecimento.

- Eu sei como é querida, não vamos falar mais sobre isso...

- Tudo bem.

- Quer ver sua família?

- Quero.

Notas finais
Lembrando que só postamos com reviews!