A Burguesa

5 V- O que você esta fazendo aí? Parte 1


Notas iniciais
Hey, assuntos nas notas finais... O capítulo ficou divido no meio

CapítuloV

O que você está fazendo aí?

"Não sei direito qual foi o momento em que passei a... odiá-lo"

— Que ótimo para você — Deixei minha máscara cair falando sarcasticamente

— Mas acho que não seja nada bom para você — Ele retrucou com o semblante totalmente sério e olhando no fundo dos meus olhos com um jeito estranho, isso não foi uma sensação muito agradável.

— Acho que talvez para ambos... Derik está muito ansioso para falar com você— Falei quando olhei para trás e o vi saindo pela porta com um sorriso na cara — então com sua licença vou me retirar. — Não queria ficar olhando para cara de Derik e pensar novamente em como toda aquela história do sonho se encaixava, não queria ficar perto daquela pessoa que considero o assassino da minha irmã, mesmo que isso seja uma falta de etiqueta

Pelo canto do olho vi Dave franzir o cenho por causa de meu comportamento.

Peguei o caderno de sua mão e olhei bem para a pintura que ainda estava molhada, gravando todos os detalhes em minha mente, seria uma pena ter que acabar com ela... Ouvi os passos daquele ser horrível se aproximando e num ato rápido borrei toda o desenho que se transformou em um emaranhado de cores escura, por fim rasguei os papel em pedaços e joguei no chão.

— Por que você fez isso? — O moreno perguntou surpreso com minha ação.

Eu apenas fiz um gesto de silêncio, mas não triscando o indicador em meus lábios avisando que não era para falar mais nada e sai dali passando ao lado de Derik, que vinha falar com Dave, sem nem olhar para cara dele.

As tintas e pincéis que estavam espalhados pela escada já me deixava furiosa, como me permiti pintar em momentos como esses, por que aquela vontade de desenhar algo me dominou? Isso só piorou as coisas, eu estava mal, mas agora fiquei terrível, aqueles poucos minutos de uma felicidade por ter feito algo útil e que gosto se foi e deu mais contraste com a profunda tristeza em meu coração. Coloquei a mão sobre o colar em meu pescoço, esse ato estava virando hábito nesses três dias, queria jogar todas aquelas coisas na fogueira, tudo, com direito a tocar fogo naquela maldita casa e matar Derik com minhas próprias mãos!

Trinquei os dentes e cerrei os punhos, todos irão pagar.

Entrei dentro daquela casa, passei pela cozinha onde tinha alguns servos —andando para lá e para qualquer outro lugar— apressados com alguma coisa que vão fazer, não dou a mínima para suas vidas tanto quanto eles não estão nem aí para a minha, uma troca justa e, bem, eles não tinham direito de se intrometer em meus assuntos de qualquer maneira. Vi Miranda me observando com um olhar preocupado e suspirei, tinha alguém que se preocupava comigo pelo menos, será que ela sabe do meu fingimento? Provavelmente sim, mas não queria fingir na frente dela e muito menos faze-la se preocupar desnecessariamente, isso só seria mais um trabalho sem qualquer benefício. Sai de lá dando a parecer que não a tinha percebido. Passei pela sala e aquele quadro tosco em frente ao sofá estava pedindo para que o jogasse fora, mas tinha que me arrumar para mais tarde, o ignorei e atravessei o corredor e fiz o mesmo com aqueles outros quadros ridículos que Anastácia adorava. Enquanto andava pelo corredor encontrei um servo, falei para que preparassem meu banho e entrei no meu quarto me sentando na cama e olhando para o nada, só esperando algo acontecer.

Logo uma pessoa entrou com um balde de água em mãos para despejar o liquido dentro da banheira de madeira que ficava perto da parede ao lado oposto da cama, dentro do meu campo de visão, então comecei a observar o processo sem desviar o olhar, esse ritual de trás balde, despeja água, vai embora, volta com outro balde... se repetiu diversas vezes e acho que estava muito entediada, porque geralmente fico lendo um livro quando isso acontece, mas meu olhar frio pegava todos os detalhes e ações dos servos e acho que eles ficaram um pouco incomodados com isso.

Com tudo pronto fechei a porta do meu quarto e comecei a me despir, tirei o vestido, espartilho e todo o resto. Não me dou o trabalho de ficar lembrando nomes de peças de roupas, do que isso me beneficiaria? Prefiro ocupar esse espaço da memória com coisas inteligentes. Entrei na banheira de madeira e desfrutei daquela água quente e confortante acariciando minha pele. Peguei o sabão e comecei a me lavar tirando qualquer mancha de tinta do meu corpo, não deixando nenhum resquício, descobri que tinha um borrão preto pouco na minha bochecha e lavei minha cara. Optei por não molhar o cabelo, eles não estavam sujos e sim limpos. A água antes límpida agora estava numa cor enegrecida por causa das tintas escuras.

Sai da banheira, deixando um pouco de água escorrer por meu corpo e formar uma pequena poça no chão. Peguei um pano em cima da cama e me sequei, queria tentar dormir, fazia três dias que não tinha uma boa noite de sono, mas mesmo que escolhesse por dormir agora sabia que não ia conseguir. Suspirei e comecei a me vestir, escolhi um leve vestido branco rendado nas alças e na bainha do vestido. Soltei os cabelos, dando uma arrumada neles com os dedos mesmo.

Estava pronta, aparentemente.

Hora de ir ao jantar, o tão odiado jantar, que terei com meu marido e o energúmeno do Derik, ah, seria uma maravilha como sempre, o homem que passei a não gostar não faz nem três dias e o outro desde... muito tempo. Passei pela porta, pronta a enfrentar aquele corredor cheio de quadros e lembranças que tenho quando criança, mas notei um movimento ao lado e virei minha cabeça para ver o que era.

Dave com os cabelos bagunçados e um olhar frio saindo pela porta do quarto ao lado, o quarto da minha amada irmã, o que aquele ser fazia lá?

Esperei até que ele se aproximasse de mim para então perguntar:

— O que você estava fazendo lá? — Minha voz saiu mais sombria do que pretendia.

Notas finais
Oi. Tenho umas informações que talvez não sejam interessante para vocês O espartilho foi inventado no sec XVI e a idade média acaba no sec XV (pois é, e eu quero deixar ele aqui na fic porque acho muito interessante) O batom foi proibido na idade média pela igreja, pois falavam que era coisa do capiroto... (mas acho que talvez eu coloque ele na fic) Enfim. É isso! Quem ler please, diga algo? Qualquer erro... me fale