A Burguesa

3 III- Assassinato


Notas iniciais
Gente, eu mudei um pouco o final do capítulo anterior... okay?

Capítulo III

Assassinato

Me sinto péssima, não fiquei nesse estado nem quando Gustav morreu.

Foram os primeiros pensamentos que tive quando acordei, mas ainda com olhos fechados, não queria voltar a realidade tão rápido, pretendia fingir que o acontecimento de ontem era somente mais um pesadelo, um daqueles que mesmo querendo eu não consigo me livrar.

Por que estou tão acabada? Eu não era forte?

Na verdade, não. Quando se trata de Elizabeth sou só uma garotinha cheia de medos e traumas, ela era meu porto seguro.

Não sei direito em que momento da madrugada adormeci, mas não parece que foi por muito tempo e sim por uns míseros minutos, me sentia cansada, tão cansada emocionalmente que meu corpo estava fadigado. Abri meus olhos e encarei o teto, tentando não pensar em várias coisas. Não tinha nenhum ânimo de sair daqui.

Ainda estava no quarto de Elizabeth, estava um pouco escuro, pois as cortinas não permitiam que qualquer luz adentrasse o aposento.

Suspirei, tinha que sair daqui antes que lembranças venham e me deixe mais ...

Meus olhos ardiam por ter chorado quase a noite toda. Sentei com um pouco de dificuldade, por causa duma falta de vontade. Ia amarrar os cabelos como sempre faço, mas minhas mãos pararam no pingente dourado que estava preso em meu colar e então me lembrei de como ganhei ele.

No meu aniversário de treze anos, ela me deu de presente, tirando do próprio pescoço com as seguintes palavras “Se eu não estiver por perto, uma parte de mim vai estar”. E realmente era, ela sempre usava esse colar em qualquer ocasião que ficou totalmente estranho vê-la sem ele.

Isso foi tão repentino que fiquei surpresa, estava tão acostumada com aquele acessório em meu pescoço que as vezes me esquecia que antes era da minha irmã.

Me levantei da cama e fiz o curto trajeto até meu quarto. Chegando lá me joguei na cama, exausta.

Os sintomas de uma noite mal dormida davam as caras. Com muito sono fechei meus olhos e dormi em um minuto.

Me vi em um local totalmente diferente, um que eu jamais visitei, mas de um jeito estranho era familiar. Olhei ao redor, estava escuro, era noite, mas podia identificar árvores ao redor e uma estrada enlameada, sentia a chuva forte pinicar minha pele e o frio surreal que esse lugar transmitia.

Cruzei os braços sobre o peito num gesto de tentar me esquentar e então percebo uma movimentação a minha frente, uma carruagem com cavalos descontrolados, o homem que a controlava decidiu libertar os cavalos do que levar todos a morte, o meio de transporte ficou parado fincado no lugar depois disso. Tentei me aproximar, mas a lama era densa e foi com muita dificuldade que dei quatro passos para chegar mais perto, até que tropecei e cai com tudo na lama, sujando meu vestido e braços.

Mas de algum jeito não tirei os olhos da carruagem, algo estava errado. O homem vestido de roupas escuras desce do local em que estava, pisa no chão e ele segurava algo nas mãos. Abre a porta com brutalidade e entra a fechando. Não sei o que isso significava, só que eu tinha que o impedir, tinha que entrar ali e não permitir que algo aconteça, me levantei e comecei a correr pela estrada enlameada sentindo meus músculos protestarem, mas parece que uma força invisível não me deixava chegar perto por mais que eu tentasse.

Quando aquele homem saiu de dentro estava coberto de sangue, jogou o objeto que segurava para longe e andou para a direção oposta que ele guiava a carruagem. Então como um passe de mágica ficou muito fácil de andar na lama, me aproximei daquele meio de transporte acabado e abri a porta me arrependendo totalmente em seguida.

Deus, o que era aquilo? Elizabeth e seu marido brutalmente assassinados por uma espécie de faca, vários buracos de facadas pelo corpo, o sangue encharcava todo o acolchoado do assento, meu estomago se embrulhou e senti que iria vomitar a qualquer momento.

Ouvi uma risada maléfica atrás de mim que me causou arrepios, será que o homem voltara para verificar se esqueceu de algo? Virei para ver quem era e um relâmpago revelou a face de Derik que me encarava com ódio e um sorriso sombrio nos lábios e sangue nas vestes.

— Não se preocupe, você será a próxima! — Gritou em meio ao barulho da tempestade que se seguia.

Acordei com alguém me sacudindo gentilmente, estava suando frio e tremendo, era tão real, que por um segundo acreditei veemente que Derik tinha matado Elizabeth.

— Miriam, você está pálida, tudo bem? — Miranda me perguntou visivelmente preocupada.

Apenas assenti, confirmando que estava tudo bem, mesmo que seja uma mentira.

Seus cabelos estavam presos em um coque desleixado, tinha idade para ser minha mãe, ela usava um avental branco com um pouco de farinha, o olhar terno dela me acalmou um pouco. Suspirei, era só um pesadelo.

— Menina, estou preocupada com você, depois, você sabe, daquela horrível notícia... — Sussurrou meio desconfortável. — Elizabeth, pobre garota, não merecia ter um fim desses — Lamentou-se.

A encarei de um jeito que não pretendia, o que ela queria afinal?

— Sinto muito, mas assassinato não é uma morte aceitável, não? — Miranda disse com pesar.

Assassinato?

Me levantei da cama em um pulo e peguei a carta que ainda estava no chão perto da cama— no mesmo lugar que tinha deixado ontem— e decidi ler o resto dela.

“Fora um assassinato brutal quase não identificamos de que família pertencia, mas com as iniciais na carruagem descobrimos(...)”

Não, não. Não pode ser... Aquele pesadelo foi só uma coincidência, uma tremenda coincidência. Senti uma súbita fraqueza se apossar de mim e cai em cima da cama.

— Miriam?! Menina é melhor você comer alguma coisa, não me parece muito bem. — Miranda falou apontando para a bandeja prateada cheia de coisas, que não me dei o trabalho de ver — vim aqui porque estava preocupada contigo.

— Não, não precisa. Estou sem apetite — Sussurrei, pois não queria mais falar com ninguém, por mais que eu não odeie Miranda.

Ela me deu um olhar repreensivo e falou:

— É bom você não ficar o dia todo sem comer, já é tarde. Se cuida, tenho de fazer o jantar. — e se retirou.

Fiquei pensando em como tudo se encaixava, Derik poderia não ter os matado com as próprias mãos, mas mandado alguém fazer isso por ele. Afinal ele só iria ganhar com a morte de John, marido da minha irmã.

Notas finais
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