Notas iniciais
Boa noite👀✨ Mais uma reescrita sendo postada que de forma inesperada se tornou a reescrita de duas fanfics - A Bruxa e a Fera e o Festival das Lanternas - a última sendo bemmmm antiga kkk Ainda não betada Capa/banner feitas pela querida inwaana 💜 Agradeço ao projeto PervertidasdeKonoha pelo apoio 💜 Talvez tenha um extra Boa leitura a todxs

“Eu sou a fera que você tanto queria…

e, ainda assim, o destino trouxe você

para ser a minha cura.”

As cadeiras se tornaram vazias com o passar dos anos.

O banquete permanecia servido por hábito da magia que o acorrenta; o calor que antes preenchia o grande salão havia se dissipado como fumaça antiga presa às tapeçarias. O castelo que um dia presenciou inúmeras festas e risadas, se tornou apenas um espaço vazio e oco — uma lembrança insípida.

Sasuke sentava-se à cadeira principal apenas para lembrar a si mesmo de que ainda existia ali um reino — ainda que esquecido, engolido pela floresta densa que o separava do resto do mundo. Mantinha a etiqueta ao comer, falava com tranquilidade com os fantasmas invisíveis que o rodeavam, soltava provocações ocasionais com um brilho opaco no olhar. Às vezes, o instinto primitivo se fazia presente, arrancando-lhe fragmentos de dignidade. Ainda assim, não abalava sua perseverança em se manter o mais próximo possível de um homem normal — um verdadeiro ser humano.

E nesses instantes de devaneio e conversas sem fim, pensava no amor. Na pessoa que tinha amado uma vez. Não com exagero, não com promessas eternas — mas com a determinação de escolher alguém entre a vasta opção que tinha e permanecer fiel apenas a ela. Exceto que todo seu conhecimento e habilidade não o prepararam para algo que ia além das forças naturais: sentimentos despertos em outra pessoa algo que não era amor, mas obsessão.

E a obsessão, quando encontra a magia, não conhece limites.

Foi assim que se tornou a Fera.

A maldição não o aprisiona só na forma monstruosa, mas no tempo. Obrigando-o a viver tão solitário em um pedaço do mundo que nunca seria encontrado ou visitado por outro ser humano, além dos animais silvestres. Ainda assim, havia uma concessão, embora cruel, era sua âncora para não enlouquecer de vez: uma vez por ano, em uma data não especifica, quando a Lua se escondia e o véu entre o mundano e o mágico se tornava fina, ele podia atravessar a floresta e caminhar entre pessoas comuns com sua aparência verdadeira.

Um único dia.

Um único fôlego de humanidade, mas que tornava sua maldição menos penosa.

Talvez a pessoa que lançou aquela magia esperasse que, em vinte e quatro horas, fosse capaz de convencê-lo a amá-la pela promessa de um retorno à normalidade. Porém, em sua investigação, Sasuke descobriu que a bruxa que realizou o ritual cobrará da jovem ingênua — junto com todos aqueles que viviam no castelo — os anos de vida necessários para lhe conceder uma imortalidade reclusa.

Naturalmente, a garota não compreendeu as entrelinhas do acordo. Sofreu tanto quanto ele, até tornar-se apenas adubo sob as patas que pisavam diariamente naquele solo.

Era irônico e patético.

Uma borboleta vermelha pousou em seu focinho, cortando seus pensamentos.

— Ah… — exclamou, pegando o inseto com o dedo indicador. — A hora se aproxima.

O vento balança os galhos e folhas das imensas roseiras que cobriam a estrutura do ambiente. Ele não sabia que evento interessante ocorreria no mundo humano naquela noite, mas sua expectativa se tornava mais vívida, e seu sorriso, maior — repleto de presas pontiagudas e brilhantes.

— Devo me preparar.

Com um movimento de capa, levantou-se e saltou sobre o corrimão da escada lateral. A mesa desapareceu logo em seguida, e a lareira se apagou por completo. As horas seguiram lentamente e a magia se afastava gradualmente, deixando a sensação formigante de carícias na pele sensível, abaixo do pelo negro. Os anos acostumado com aquele prenúncio, o tornaram ágil em organizar as mudas de roupa que precisaria e seguir até o limiar da floresta.

Lá, onde punhados e punhados de arbustos com espinhos e rosas vermelhas se estendiam sem nunca murchar por um longo tapete de neve imaculado, Sasuke parou e esperou.

— Obrigado pela concessão — murmurou, mesmo que não existisse alguém para realmente ouvir, ainda o fazia.

O primeiro raio de pôr do sol cortou o caminho, a neve se afastou e as roseiras abriram espaço para um caminho limpo e esverdeado. No segundo, Sasuke respirou fundo e atravessou passo a passo, a dor dilacerante de perder os pelos espessos no terceiro seguido da reestruturação óssea para retornar a anatomia humana. Seus grunhidos ecoavam na floresta nevada, as garras dando espaço a unhas rosadas, as presas encolhendo para caberem em uma boca menor e por último os olhos escarlates se tornaram pupilas escuras.

Para evitar o desperdício de roupas, estava nu no instante em que toda sua aparência monstruosa se tornou jovem e bonita. A bolsa, que nunca soltará durante toda a mudança extraordinária, estava firmemente apoiada em seu ombro. Quando o Sol sumiu no horizonte, Sasuke se ergueu ofegante, puxando o ar como se fosse puro e limpo, contemplando a sensação fria tocando sua pele, os sentidos menos aguçados e a vaga ilusão de que era apenas um homem frágil.

— Estou de volta. — Suspirou, abrindo os olhos. — Mais uma vez.

Com a força recuperada, vestiu uma roupa simples, comum demais para um homem que já fora rei, mas que cumpria seu papel de cobri-lo e disfarça-lo na multidão. Caminhou pela estrada que sabia ter ali perto, admirando as mudanças anuais do ambiente assim como ficou curioso pela festividade que se destacava mais para frente.

— Já fazem algumas décadas que não presencio um festival — disse, acelerando o passo.

No percurso encontrou um vendedor ambulante, que também ia em direção a vila Konoha.

— Jovem mestre deseja comprar uma máscara? — perguntou o homem, exibindo seus produtos artesanais com um sorriso gentil.

Sasuke parou e observou as opções com curiosidade sincera.

— São todas bonitas — elogiou, a voz levemente rouca, mas escolheu aquela que mais se sentia familiarizado. — Está — apontou para uma máscara de lobo, em madeira escura, com traços suaves prateados e outros mais grossos em vermelho, quase melancólicos. Não precisava esconder-se, mas gostava da ironia: mesmo humano, ainda carregava a fera no rosto.

O vendedor prontamente entregou a máscara ao Uchiha, recebendo pagamento em pedras de prata, um valor muito acima do preço.

— Obrigado, Jovem Mestre, obrigado! — Sua alegria emocionada ecoava entre os transeuntes que se aproximavam.

Ele, por outro lado, apenas acenou retornando a caminhada até os portões da vila. A passagem foi tranquila, diante de seus olhos via pessoas rindo e apontando para as diversas barracas, recheadas de doçuras, comidas, roupas e acessórios. O mundo pulsava de um jeito que ele quase havia esquecido, e tal qual uma criança atravessou as ruas provando cada comida que achava interessante — o pensamento delicado de que aquela refeição tinha sido feita por outro ser humano. E, mesmo que tivesse os mais raros e inestimáveis acessórios e vestimentas, ainda passou em uma loja de roupas e comprou outra peça.

A nova roupa deixava sua aparência próxima de um artista marcial acompanhado da máscara, criava-se um mistério sobre sua identidade e força. Algumas mulheres flertam com ele, e se fossem bonitas, o resultado eram encontros rápidos em algum beco escuro, antes de voltar a passear entre as ruas para comer e jogar.

Até passar em frente em uma casa de chá grande e luxuosa.

— Venham Senhoras e Senhores!! — gritou alguém à entrada. — Hoje apresentamos a trágica história de amor entre um homem outrora rei, amaldiçoado, e uma ninfa da floresta!

Sasuke quase riu.

— Caro senhor, poderia me contar mais dessa história?

— Claro, claro. — O rapaz sorriu com entusiasmo, entregando-lhe um panfleto. — Foi escrita há muitos anos, mas ganhou fama recente durante os festivais. Conta-se que um homem de um reino distante se apaixonou por uma ninfa da floresta. Viveram juntos por muito tempo, até que ele descobriu que ela era filha do Deus da Floresta. Em um ato covarde, ele a matou e foi amaldiçoado pela eternidade a viver como um monstro.

“O quão ridículo pode ser o destino?” pensou ele, encarando inexpressivo o desenho da fera e a tal ninfa no panfleto. Um sentimento de curiosidade para conhecer essa versão “florida” de sua prisão misturada a amarga realidade de que a fera daquela história talvez tivesse um final, mas não ele.

— Já que é tão famosa, irei assistir — disse, entrando na casa de chá com rapidez, mas com a sensação pesada de ver seu sofrimento servindo de entretenimento para outros.

Entre as cabines disponíveis, ele pagou pela aquela que fosse frontal para o palco, dividido apenas por uma tela de seda. Sentou-se na cadeira e pediu alguns petiscos e bebida, observando o ambiente requintado do estabelecimento, que embora cheio, não era barulhento. Algumas pessoas conversavam nas mesas laterais, outras faziam mais pedidos aos funcionários e alguns eram solitários como ele, apenas esperando por um bom show.

Até que uma mulher sentou-se do outro lado, pedindo apenas um chá e alguns bolos de osmanthus. Sasuke observou sem interesse, sentindo, com a brisa, a fragrância floral da lavanda. A voz dela era mais suave ainda, como se falasse em sussurros, enquanto agradecia ao funcionário.

“Seria alguma jovem rica?” pensou ele, mordendo um harumaki de legumes.

As lanternas ao redor escureceram aos poucos, deixando apenas o palco iluminado. Os atores subiram, reverenciaram o público e tomaram suas posições. O início lento mostrava uma atriz lendo um livro para duas crianças — um reino próspero, um rei apaixonado e vigoroso, uma mulher delicada de cabelos roseos. Sasuke, naquele instante, sentiu como se estivesse voltado a quinhentos anos atrás, onde Sakura o recebia com beijos ternos e sorrisos doces.

| “Não se esforce tanto, a natureza também precisa se recuperar das caçadas.”

A voz dela ainda ecoava igual, nunca apagada pelo tempo, mas quase estranha em sua solidão.

A próxima cena era um baile, onde anunciavam a feliz notícia de um herdeiro. Os atores dançaram no palco enquanto um narrador falava ao fundo. Os vestidos exóticos, a etiqueta, os olhares entre os pares que encenavam. Sua alma estremeceu, lembrando daquele momento, sua filha ainda no ventre, os pequenos chutes na barriga redonda, promessas que nunca cumpriu.

O corpo ficou pesado contra a cadeira, incapaz de acompanhar o tempo da cena. Sasuke respirava, mas o ar parecia não chegar aos pulmões. Suas mãos agarraram o tecido da calça com força, suportando a vontade de gritar e destruir aquela peça. As íris, um breu sem fim. O coração acelerado — retumbando como passos de um exército em seu íntimo.

O som do narrador tornou-se distante, abafado, como se viesse debaixo d’água. As cores do palco se misturaram em um borrão lento, e por um instante, ele não existia mais ali. Os aplausos no castelo retornaram incessantes, os passos em sincronia e Sakura sussurrando planos futuros com uma felicidade que não mais lhe cabia.

| “Quero que o nome dela, se for menina, seja Sarada. Que ela tenha seus olhos e seja tão linda quanto eu.”

A risada dela reverberou em lágrimas que não ousou derramar, o gosto úmido e azedo ao engolir a saliva. “Eu já não sou amaldiçoado o suficiente? Por que me trazer aqui para reviver essa história?” Pensava ele, desviando o rosto do palco.

— Eles pareciam ser felizes — comentou a voz do outro lado da tela.

— Pareciam — respondeu ele, rouco.

— Ser amada tão sinceramente por um homem é quase um artigo de luxo. — Ela riu baixo, meio apática.

— Desculpe, mas só posso defender meu caráter nesse assunto — disse, dando de ombro.

A luz bruxuleante das velas revelavam a sombra dela quando Sasuke virou o rosto para observar-lhe a silhueta. Notando o rosto dela também oculto por uma máscara.

— Também só posso dizer por mim. — Suas palavras carregavam um sorriso curto. — Já conheci homens que não valiam a maquiagem que me esforcei tanto para fazer.

Sasuke riu, a tensão se soltando gradualmente de seu corpo ao provocá-la — E o que faz a senhorita ainda aceitar encontrar pessoas tão volúveis?

— Hmm… — Ela fingiu pensar, antes de responder com um tom alegre. — O dinheiro em seus bolsos.

A tranquilidade em que ela respondeu quase tirou dele uma gargalhada alta demais para o momento, mas que por um minuto, Sasuke abafou os sons com a palma da mão. O corpo robusto tremendo, dessa vez, de uma alegria infantil — afastando o mergulho gelado nas trágicas memórias.

— S-Se for pelo dinheiro — Ele gaguejou, ainda rindo. — Eu posso também fornecer a senhorita um encontro bastante farto.

Ela encarou a tela, rindo da proposta. — O senhor não está me vendo e mesmo assim está me convidando para um encontro. E se eu for feia?

Sasuke parou, analisando a sombra delicada da mulher do outro lado. — A senhorita, assim como eu, escondeu o rosto por trás de uma máscara. Então também posso ser feio, mas nunca saberemos até que elas sejam tiradas.

— Bem dito! — exclamou ela com um sorriso alegre, fazendo um sinal para um funcionário tirar a tela que os separava.

Ele observou sem não impedir, sua necessidade de distração e curiosidade renovada falavam mais alto que os pensamentos racionais. O instinto dormente também lhe dizia que a mulher não era uma ameaça, deixando-o muito mais a vontade em vê-la além da sombra da vela. Porém, quando seu olhar caiu sobre a fisionomia dela, Sasuke teve a impressão incômoda de que nenhuma das belezas com quem estivera antes se comparava àquela.

Os fios longos, lisos e escuros como uma noite sem nuvens desciam quase todos soltos por suas costas, criando uma linha contínua e fluida. A parte superior era presa de forma descuidada atrás da cabeça — não um coque, nem uma trança definida, mas um amarrado preguiçoso, como se tivesse sido feito sem espelho. Fitas longas em tons de vermelho vinho estavam presas próximas à nuca. Algumas se misturavam aos cabelos, outras caiam livres, criando movimento mesmo quando ela permanecia imóvel.

Só então seus olhos subiram para o rosto parcialmente oculto por uma máscara de leão prateada, marcada por traços roxos que contrastavam com a suavidade da pele exposta. A roupa seguia o mesmo tom profundo, um vermelho que parecia absorver a luz ao redor. O tecido pesado caía em camadas suaves, acompanhando cada gesto. As mangas amplas escorriam pelos braços, revelando um forro dourado discreto, enquanto o decote delicado expunha a clavícula, parte dos ombros e o traço elegante do pescoço até a boca rosada.

— Senhorita — cumprimentou, estupefato.

— Senhor. — Ela ergueu levemente a xícara de chá, devolvendo o cumprimento, seu olhar também admirando a fisionomia dele. — Hum, o senhor estava querendo me enganar ao dizer que é feio? — perguntou rindo. — Pois acho que o rei naquela história não chega aos seus pés.

Apesar do choque inicial, Sasuke inevitavelmente riu da pergunta. — Talvez seja porque o ator não faz jus ao rei na história enquanto a mim… — Com uma piscadela, concluiu. — Bom, ninguém nunca reclamou dos meus atributos.

O par exotico brilhou levemente antes dela voltar para a peça, o sorriso dela curto, mas malicioso. — A conversa já prova que o senhor sabe como cativar uma mulher.

— A senhorita não fica atrás. — Sasuke bebeu o chá, agora com um olhar menos aflito ao encarar a cena que se desenrolava no palco.

Durante alguns minutos, eles assistiram os instantes de paz do casal, assim como a promessa quebrada do rei de não caçar a coçar. Naquele momento, Sasuke soube que a perspectiva do escritor não era dizer que uma mulher obsessiva conseguiu amaldiçoar um homem poderoso, mas fazer com que a própria natureza o castigasse por não conseguir conter seus desejos mundanos e assim perder a amada, o reino e a liberdade.

— Você acha que foi justo? — perguntou ele, quando a ninfa morreu no palco, a voz seca.

— Ela não o culpou pelo erro, afinal ele não sabia — respondeu ela, seu olhar ficando mais profundo. — Mas ele se culparia pelo resto da vida, remoendo esse único instante e pensando em infinitas possibilidades que poderiam ter evitado esse final.

Sasuke tocou o anel escondido por trás da roupa, suspirando baixo. — E mesmo assim, ele seria capaz de amar essa outra mulher?

Ela sorriu curto, olhando o ator com uma máscara de bolo, preenchido por adornos e roupas brilhantes, um singelo sentimento de nostalgia.

— O desespero de ser amado, o faria amá-la — sussurrou. — Mas não é o amor dele que faria ela ficar.

— Não? — Sasuke desviou o olhar para encará-la, como se estivesse ouvindo uma piada absurda demais para ser dita em voz alta.

— Ela só o amaria se visse sinceridade e fidelidade dele. — O par opaco ficou mais prateado no escuro raso da casa de chá, quase brilhante como pérolas. — Riqueza, status, poder. Todas essas coisas juntas são lindas, mas elas não garantem o equilíbrio necessário para um casal. Ele poderia se iludir que a amava, só para ser liberto, mas ela poderia genuinamente se apaixonar pela realidade que ele não escondia dela. Ele era um monstro, a Fera.

Por um segundo, a respiração de Sasuke ficou suspensa. Seus olhos se abriram por de trás da máscara, as mãos ficaram frias e o coração parou de bater. A última frase reverberou em sua mente, apontando o que ele de fato era — a Fera. O homem composto diante da desconhecida era só uma parte dele que foi adaptada para andar sobre a terra, um livro com páginas escritas por diversos “personagens” que ele viveu.

Nenhum deles era o real Uchiha Sasuke — o rei amaldiçoado, o monstro que dilacera a carne tenra e usa os ossos como brinquedos.

Aquele que não poderia ser visto.

Aquele que não poderia existir.

Aquele que não poderia ser livre.

Porque a verdade por trás do conto trágico da Bela e a Fera era que a Fera escolheria viver eternamente em isolamento, a esperar pelo amor forçado de outro que também viveria acorrentado ao silêncio e ao vazio.

Ele voltou-se para a peça, a boca curvada em um sorriso miúdo. — A senhorita está certa, ele nunca escondeu que era um monstro.

— O senhor ainda não disse seu nome — Ela perguntou, mordendo um bolinho em formato de flor.

Sasuke apoiou o rosto nos dedos, sua postura mais apática. — Sasuke, Uchiha Sasuke.

Ela parou por um micro instante antes de voltar a comer. — Hinata, Hyuuga Hinata.

— Combina com a senhorita — elogiou, encarando-a pelo canto do olho. — Lugar ensolarado.

Hinata bebeu o último gole de chá enquanto seguia a cena de Bela carregando a Fera até um lago mágico para curá-lo. Os galhos performando uma perseguição no palco redondo, as lutas com espadas falsas e então todos encurralados no canto esquerdo. A Fera deitada no chão brilhante que imitava água e eles se encarando em um momento tenso.

— O seu também, aquele que ajuda.

Antes que Sasuke pudesse responder, a voz do ator ecoou mais alta, interrompendo seus pensamentos.

| — Bela, você acha que… com paciência ou força de hábito, você conseguiria… me amar?

O silêncio que aquela pergunta deixou, gerou um clima de expectativa quase palpável. A atriz, vestida de vermelho com rosas no cabelo, se abaixou ligeiramente até o rosto mascarado, sussurrou uma resposta trêmula, mas cheia de emoção.

| — Eu já te amo.

Uma gota de lágrima caiu, o chão ao redor reluziu com fogos de artifícios e um beijo foi visto em meio a fumaça.

Sasuke desviou o olhar, sussurrando enquanto palmas retumbavam pelo ambiente. — O anunciante vendeu uma peça trágica, mas não disse que teria um final feliz. Me sinto enganado.

O humor amargo no fundo daquelas palavras não passaram despercebidos, Hinata porém apenas limpou as mãos do último doce que comeu, apática ao final da peça.

— Se fosse para vender um final alegre, o público não se sentiria tão curioso em saber como aconteceria — respondeu ela. — É mais fácil vender a tragédia do que a felicidade.

— As pessoas têm corações negros — resmungou, observando os atores agradecerem a todos e darem espaço ao apresentador da casa. — Como podem se sentirem tão bem com a infelicidade do outro?

O sorriso dela se mantinha, mas sua voz carregava uma indiferença quase mordaz. — Aqueles que vivem na miséria ou foram privados das vantagens de uma boa família costumam se sentir superiores quando os mais abençoados caem ao relento. — Seu olhar voltou-se para ele, o tom se tornando mais malicioso e casual. — Sasuke-san, que desfruta de uma boa aparência e fortuna, naturalmente causará inveja aquele que é mais rude e de poucas posses.

Sasuke bufou, levantando da cadeira e deixando um pagamento farto ao atendente no canto.

— Que tal levarmos essa conversa para fora, Hinata-san? — sugeriu ele.

Hinata acenou divertida, logo levantando e pronta para deixar seu pagamento também.

— Já paguei o seu. — Interrompeu Sasuke, segurando a mão delicada da Hyuuga. — Só me acompanhe, senhorita — completou com uma piscadela.

— Que cortesia sua — provocou de volta, puxando a mão lentamente enquanto encarava ele. — Mostre o caminho, Sasuke-san.

— Primeiro as damas — disse, sorrindo mais profundamente, abrindo espaço para Hinata ir na frente.

Ela arqueou a sobrancelha antes de rir, não deixando sua elegância rachar ao sair com passos leves e um sorriso malicioso no rosto. A bolsa de dinheiro guardada na manga seguindo o balançar suave das mechas longas azuladas. Atrás Sasuke observava a beleza, guardando cada ângulo como uma inspiração para os próximos meses em que ficaria encarcerado em seu pequeno mundo.

“Talvez no próximo evento eu possa vender esses quadros para algum admirador”, pensou ele assim que chegaram na entrada da casa de chá.

— Agora, para onde pretende me levar? — perguntou ela, com um falso ar de inocência.

— Não quero ver mais peças — resmungou com falsa mágoa pelo que assistiu. — O festival tem várias atrações que podem ser mais divertidas, deixe-me mostrá-las a você.

Ele caminha até ficar frente a frente com ela, sua mão erguida no espaço entre eles.

O par opaco admirou as luas negras que apareciam por trás da máscara de lobo, sua mão, pálida como a dele, foi posta sem hesitação. O sorriso não sumiu e ela disse, quase ronronando: — Hmm tão dominante. — Um toque de ironia em sua voz. — Já que não preciso decidir nada, mostre-me tudo, Sasuke.

Sasuke se abaixou levemente até ficar na altura da orelha dela e sussurrou: — Posso mostrar muito mais, quando as máscaras forem tiradas.

— Dependerá do quanto poderá me entreter — respondeu Hinata, com delicado ar de indiferença e desafio.

Ele não respondeu, apenas se afastou e a levou para a rua movimentada de Konoha, com as mãos unidas e firmemente seguras. Andaram pelo festival como um jovem casal, provocando um ao outro em comentários leves e toques cuidadosos. Compraram doces nas barracas onde os vendedores os recebiam com sorrisos sinceros, riam de sabores estranhos quando encontravam algo novo, deixavam enigmas em lanternas para outros resolverem.

Entre uma barraquinha e outra, paravam para comer pratos variados e fartos. O lámen foi o escolhido da vez. A tigela cheia de caldo fumegante repousava entre as mãos de Sasuke, o vermelho profundo do tomate refletindo a luz quente das lanternas acima. O vapor subia lento, trazendo um aroma denso, levemente ácido, que se misturava ao frio da noite. Quando ele levou o caldo aos lábios, o sabor encorpado se espalhou pela boca, quente o suficiente para fazê-lo fechar os olhos por um breve instante.

— Senti falta disso… — sussurrou ele, um pouco infantil.

Hinata observou de canto, antes de voltar-se para a própria tigela. O caldo claro envolvia os vegetais como um véu delicado — folhas verdes macias, cenouras suaves, cogumelos que liberavam um perfume terroso. Ao soprar levemente antes de beber, sentiu o calor tocar o rosto, aquecendo sua barriga e trazendo pequenas lágrimas de felicidade.

— Tão bom. — Ela engoliu o macarrão, rindo baixinho. — Sasuke-san sabe onde encontrar um bom lanche.

Sasuke mastigou um tomate antes de responder. — Venho aqui sempre que posso. — “Antes… eu tinha um amigo que amava lámen”, pensou silenciosamente.

Hinata acenou, não respondendo, porém em seu coração guardava o momento agridoce como uma preciosa memória. “Já fazem anos que não tenho um momento tão… normal”, pensava ela pegando um brócolis e comendo junto ao macarrão. “Desde que meu corpo se tornou tão fragilizado por aquela magia, fazer algo tão simples como andar entre os mortais se tornou tão sacrificial quanto respirar.”

Há quinhentos anos uma jovem pagou por um ritual proibido, uma que transformaria um rei de uma nação próspera em monstro até que fosse libertado pelo amor. Ainda que não soubesse quem era o dito rei, a moça deixou com ela uma mecha de cabelo negro junto ao pagamento para executar o ritual. Na época, não estava interessada em quem sofreria, fazendo seu papel de explicar as possíveis consequências, mas que foram completamente ignoradas pela pessoa, pois a magia sempre pede algo em troca — não só de quem pede, mas também do magista que a faz. Assim, para torná-lo a Fera, não só o povo sofreu, como ela mesma ficou cem anos incapaz de fazer qualquer feitiço.

Durante esse tempo, encontrou outras bruxas, que lhes deram a alternativa de deixar pequenas “bênçãos” para as pessoas sem cobrar nada e assim pagando a dívida de sangue com bem. Nos anos que sucederam, tornou-se uma bruxa curandeira andarilha, ajudando quem precisava dentro das limitações que sofria do ritual. Voltando ao presente, onde sua tigela já estava pela metade, encarou o homem ao lado e sorriu doce, pequeno.

“Deixarei com você… uma benção”, pensou Hinata, feliz.

Sasuke e Hinata não sabiam que o destino poderia ser mais irônico e zombeteiro. Mas enquanto permaneciam alheios, continuavam próximos. Os cotovelos quase se tocando, o som baixo do caldo sendo sorvido preenchendo os silêncios que nenhum dos dois parecia disposto a quebrar. De vez em quando, Sasuke percebia o movimento sutil dos lábios dela, o brilho úmido deixado pelo vapor, e desviava o olhar para esconder a cor tímida nas bochechas, como se aquele rubor singelo fosse um segredo que não podia permitir que ela visse.

Quando deixaram a barraquinha, caminharam lado a lado. O silêncio quebrado só pelas pessoas em volta. Logo Sasuke parou em outra com várias lanternas penduradas, em formatos variados que atraiam os olhos.

— Você quer uma? — perguntou ele, tocando em uma com desenho de lobo.

Hinata percebeu um brilho melancólico nas íris negras, o que fortalecia sua decisão. — Será uma boa recordação depois que acaba — respondeu, procurando uma para tirar aquela melancolia de Sasuke.

Entre as opções, ela encontrou uma lanterna empilhada em dois corpos simétricos, exibindo uma luz suave e quente, revelando delicadas pinturas de galhos escuros entrelaçados por flores vermelhas, onde em uma estava lobo admirando a lua vermelha e na outra um leão estava sentado em uma pedra abaixo das flores.

— Eu quero esta — disse ela, pegando e pagando rapidamente o vendedor. — Obrigada.

Sasuke arqueou a sobrancelha, ofendido.

— Eu ia pagar — reclamou, bufando e pegando outra.

Esta era estruturada com metal curvado, sustentando uma lanterna em papel vermelha e um ornamento delicado em forma de lírio aranha, cujos fios finos se abrem como pétalas suspensas no ar. A luz quente e o vermelho intenso criam um contraste elegante com a outra. Com rapidez também, deixou um pagamento farto ao vendedor e trocou as lanternas com um olhar firme.

— Essa é sua — disse, com um ar superior.

Hinata gargalhou por trás da manga, aceitando a distinta lanterna. — Sasuke-san tem muitas faces.

— Humpf! — resmungou, caminhando na frente, mas seu olhar carregava uma emoção distinta, quase doce. Parando de andar poucos passos depois para esperá-la.

Naquela breve espera, seus olhares estavam fixos um no outro. A movimentação ao redor não interrompia, pois eram como vultos passando, invisíveis à atenção alheia. Os passos dela não eram rápidos, dando tempo a ele para admirá-la mais uma vez. A roupa vermelha e dourada contrastando com a lanterna, a máscara guardando o mistério do rosto bonito e olhos como a Lua cheio de uma emoção alegre, mas guardando no fundo uma gratidão inocente. Ele não sabia dizer porque pensou nisso, mas também se sentia grato pela companhia de Hinata.

Quando ela chegou até ele, estava sorrindo suave e apenas uma palavra deixou seus lábios.

— Obrigada.

Sasuke sentiu seu coração falhar, um espasmo fraco nos dedos que seguravam a lanterna e um único pensamento: Fazia quanto tempo que não ouvia aquela palavra dirigida a ele? Se não fosse seu autocontrole, talvez, só talvez… ele tivesse chorado algumas lágrimas. Porém, apenas abaixou o olhar e sorriu fraco.

— Hinata-hime — chamou, baixo. A mão erguida para ela.

Hinata não sabia o que dizer, apenas pensou que seu nome parecia certo ao ser dito por ele e com um rubor delicado no rosto aceitou a mão novamente, deixando Sasuke guiá-la para outros lugares. Cada parada deixava um gosto agridoce de algo, olhares trocados com timidez, toques esbarrados e palavras ditas em provocação com um fundo real. Cada um vivendo o momento como se fosse o último — porque era, eles nunca mais se encontrariam.

Quando a noite se tornou mais tranquila, eles chegaram até o rio onde as famílias se reuniam para deixar seus desejos. Várias lanternas de lótus navegavam na água escura, a luz tênue das chamas delicadas iluminando o caminho. Sasuke sorriu miúdo, pagando pelas delicadas lotus e entregando uma a Hinata.

— Acredita? — ela perguntou, pincelando algumas palavras no papel pequeno e colocando entre as pétalas rosadas.

Sasuke não escreveu nada, apenas se abaixou e colocou a flor para flutuar, observando a dela acompanhar a dele em seguida.

— Algumas coisas não se pedem — respondeu.

Hinata encarou as duas lotus navegando juntas, lado a lado, assim como eles. Talvez fosse sua intuição ou só talvez o calor familiar do festival que parecia unir mais as pessoas. Pois naquelas horas que passaram juntos, a afinidade entre eles cresceu rápido demais para o comum e ainda que fosse apenas um instante, as coisas pareciam certas… quase destinadas.

Ela então ergueu o olhar para o céu noturno, a Lua iluminava o rio por uma longa extensão, as estrelas se espalharam como suas luzes discretas entre as nuvens macias. Lanternas de inúmeras formas se espalharam devagar pelo ambiente, marcando o fim das celebrações. A brisa soprou, beijando suas peles — um aviso, uma permissão. Hinata não sabia, mas sentia em seu coração que precisava ir.

— Sasuke-san — chamou, baixinho.

Ele se virou, os batimentos em seu peito eram furiosos, os instintos pressentindo algo.

— A senhorita já quer ir embora? — provocou, afastando uma mecha do rosto mascarado dela.

Hinata riu baixo, aproximando-se mais um passo. — Sim — respondeu, franca. Seu olhar, porém, possuía uma intensidade muito mais ofuscante do que a Lua acima. — Quero lhe dar um último presente. Posso?

A resposta dele veio muito mais rápido do que os pensamentos.

— Sim.

Lentamente ela ergueu a mão e sussurrou — Feche os olhos, Sasuke.

O receio passou entre as íris negras, mas tão rapidamente passou quando ele acatou o pedido, fechando-os. Hinata suspirou baixo, sorrindo docemente enquanto afastava a máscara dele para o lado — e fazendo o mesmo com a sua. Sasuke estremeceu levemente quando sentiu a brisa fria tocar seu rosto parcialmente, mantendo os olhos fechados enquanto as mãos se fecharam em punhos firmes — seja para autodefesa quanto para suportar a necessidade de ver o rosto dela também. No outro instante, lábios quentes e macios tocaram os seus.

A surpresa foi como um choque elétrico. Ele sentia a mão pequena se apoiando em seu ombro e tinha certeza de que Hinata estava na ponta dos pés para alcançá-lo. “Uma despedida”, pensou Sasuke, feliz e, ao mesmo tempo, triste. Gentilmente rodeou a cintura fina, dando a Hinata sustentação enquanto deixava ela guiá-lo dessa vez. O beijo era casto, mas intenso, os lábios se moviam com cuidado, deixando o outro sentir e acompanhar. As línguas se tocavam com suavidade, entrelaçando-se em uma dança lenta.

Não havia promessa, nem pedido.

Apenas a sensação de que o mundo havia decidido, por um instante, ser gentil.

Quando se afastaram, ela sussurrou em seu ouvido — Nós nos veremos outra vez.

Antes que Sasuke pudesse reagir, ela foi embora, protegida pela multidão. A máscara de leão deixada aos pés do Uchiha que abriu os olhos quase desesperado, mas seu corpo não se moveu para sair dali, imerso no gosto deixado em sua boca — um gosto suave de magia. Seu consciente por outro lado estava convencido de que tudo aquilo era apenas imaginação pelo toque íntimo trocado.

As palavras dela ressoavam em sua mente, e se fosse em circunstâncias normais, poderia ser possível encontrá-la de novo. Exceto que ele só estaria entre os mortais novamente daqui um ano…

— Hinata-hime — sussurrou. — Se me fosse permitido, eu tomaria sua mão em casamento… Mas… nunca poderei realizar seu pedido. — Uma lágrima deslizou pelo canto do rosto.

Com cuidado, guardou a máscara de leão em sua bolsa e caminhou pelas ruas cada vez mais vazias de Konoha. Admirando o silêncio noturno, revivendo cada instante daquela noite como um filme em sua mente. Ao amanhecer, comprou alguns itens de pintura, o suficiente para durarem até sua próxima visita. A lanterna apagada, mas pendurada firmemente em sua bolsa, comidas provadas e bugigangas compradas para aliviar o tédio futuro. Depois de Hinata, nenhuma outra mulher lhe atraiu o olhar, recusando todas as propostas até o último instante antes de sair da vila.

— Até daqui um ano — se despediu, a máscara de lobo guardada, passos firmes em direção a sua prisão.

Naquele momento, a jornada não se diferenciava muito do começo, exceto pelo céu que já mudava de cor gradualmente. O vento vinha para recebê-lo, as nuvens brancas se tornavam coloridas, com tons de rosa, roxo e laranja. A bagagem estava mais cheia e pesava levemente em seu ombro. A civilização mudando com a distância, tornando-se mais verde e vazia de pessoas.

No entanto, havia uma sensação diferente daquela vez que Sasuke não conseguia identificar. Arrepios que subiram da base da espinha para o restante dos nervos, uma formigação na ponta dos dedos. Os pelos eriçados e uma agitação no fundo de sua mente, como se algo estivesse prestes a acontecer — mesmo que voltar ao estado de Fera sempre fosse atormentador, o que sentia não era o mesmo prelúdio.

— Não é nada — disse, consolando a si. Embora no fundo não acreditasse nisso.

Por mais alguns minutos caminhou até chegar no mar de rosas. Despiu-se dos trajes novos com pressa, a formigação parecia subir da planta do pé até o joelho subindo de seus dedos aos cotovelos. No céu multicolorido, o azul já se aproximava e o alaranjado se despedia primorosamente como uma pintura antiga. Sasuke encarou os raios luminosos tocando sua pele até o último chegar em seu rosto, nessa pausa, fechou os olhos e respirou fundo, esperando a transformação.

Ela não veio.

— Mas o que est-

Não houve tempo para terminar, pois no lugar das palavras ressoou um grunhido de surpresa. Suas pernas fraquejaram e Sasuke caiu de joelhos na terra fria, uma dor dilacerante atravessou seu corpo como se mil agulhas perfurassem todos seus órgãos. O coração batia tão rápido e dolorosamente forte que poderia saltar para fora do peito. Ele se encolheu tentando suportar a turbulência agressiva da mudança, mas era inútil. Seus ossos começaram a estalar, um gosto metálico invadiu sua boca, seus olhos mudaram do vermelho para o preto e ele se movia em ângulos estranhos.

No outro segundo, uma fumaça roxa começou a deixá-lo, uma mancha sangrenta foi derramada de sua boca. Seus olhos se abriram em súbito e a maldição se rompeu em um rugido profundo, como algo arrancado à força. A sombra da Fera se formou na fumaça, lutando contra a mordida fatal de um leão lilás, levando ao fim da Fera brutalmente enquanto Sasuke encarava aquilo em agonia, a dor levou sua consciência no momento que a imagem se desfez e ele caiu inconsciente na terra úmida.

Humano e livre da maldição.

No vento, uma voz delicada sussurrou: “Pela gentileza da companhia… entrego a você esta benção… nenhum mal poderá atingi-lo, prospere e viva bem até que no futuro possamos nos encontrar de novo.”

Fim…

Notas finais
Obrigado por ler 💜
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!