Notas iniciais
Desculpem ter ficado tanto tempo sem postar, me desculpem mesmomesmo! Eu vou me esforçar para tentar postar um capítulo a cada três dias ou até mesmo antes.

A muito tempo atrás existiu um menino chamado Ouji, eu não gosto muito de contar histórias sobre japoneses, mas esse vai ser o primeiro e talvez o último. Ouji não era realmente seu nome, mas não vamos entrar nesse assunto. Ouji era um menino rico, tinha muitas coisas até mesmo um nome estranho, mas não sabia fazer exatamente nada, a não ser contar histórias. Eu não sei se essa profissão existe, mas Ouji poderia ter sido uma contador de histórias profissional, mas, nem isso ele fazia direito. Ouji era um menino de uma história só.

A única história que ele conhecia, que ele sabia contar, imaginada por si mesmo, era a da mulher dos desejos. Ele a contava tantas, e tantas vezes que se perdia em suas próprias mentiras fantasiosas. "Ela existe" ele dizia, e tanto dizia que um dia se fez.

Ouji o pobre e rico menino, mais antigo que o início do mundo e mais novo do que você possa lembrar. Ele não envelhecia era um menino para sempre, isso era um dos mais fortes tipos de mágica da época. Do universo inexistente. Mas nessa época mágica era algo normal e não consubstancial, não haviam mistérios, não haviam medos e nem certezas, apenas acontecia por acontecer e acabou. Não existem definições certas para magia até mesmo hoje. Como saber se a ciência não é um tipo de mágica?

Pois bem, certo dia, um dia comum, Ouji estava passeando com seus pais Nobuko e Ayano entre a vila vizinha e a estrada de sua casa, pode não parecer, mas aquele era um ótimo lugar para dormir. Eles estavam deitados sobre a grama, falavam sobre coisas triviais e aleatórias, não havia necessidade de um diálogo de verdade entre eles.

– Pai eu quero ouvir uma história. — O menino disse com os olhos sonolentos. O pai riu de tal pedido.

– Eu não sei contar histórias Ouji.

– Mãe, eu quero ouvir uma história. — Pediu o menino.

– Ouji, eu não sei contar histórias... — Desculpou-se com o olhar e o menino suspirou.

– Mãe, alguém sabe contar histórias? — Estava curioso mas ainda com sono. Seu pai riu rouco e a mãe o olhou cansada mas com o olhar atento.

– Não existe ninguém que saiba contar histórias filho. — Respondeu acariciando os cabelos da criança.

– Eu sei contar histórias mãe, eu sou um ninguém?

– Não filho, você é muito especial. — Os pais responderam em uníssono, parecia algo gravado para não magoar os sentimentos da criança, mas Ouji era um menino inteligente, apenas não sabia disso. Ele acabou dormindo nos braços da mãe e acordou em seu futon sentindo uma mão quente acariciar seu cabelo, sua mãe sempre fazia isso até que ele adormecesse por completo.

– Mãe? — Ele falou baixinho. Não ouve resposta, e a mão continuou acariciando sua cabeça. — Mãe, eu quero ouvir uma história agora. Você já sabe contar uma? — Ele perguntou devagar. A mão parou e se afastou, Ouji virou-se na cama confuso e viu a porta se fechar levemente. Antes de dormir ele contou uma história para si mesmo, a história da mulher dos desejos, a mesma que ele ouvia todas as noites de sua própria voz, era a mesma história apenas com pessoas diferentes, era a sua única e a sua favorita.

Ele acordou de manhã sozinho sem mãe ou pai, como sempre. Ele não estava com fome só entediado, andou pela casa deserta até achar a mãe deitada em seu futon do lado de fora no jardim, absorvendo o sol contra a pele. Ela o viu e sorriu.

– Venha aqui.

– Mãe, está calor. A senhora está doente? — O menino se aproximou preocupado. — Onde está o papai?

– Sente aqui, eu vou te contar uma história. — Ela falou roubando a atenção do menino. Ele sentou-se na grama obediente e esperou calmo ela começar. O som da voz melodiosa de sua mãe era agradável, ela falava sobre coisas que o menino nunca imaginou, guerras, heróis, tragédias, e princesas. Ele se viu prestes a chorar em algumas partes, mas por fim a história terminou bem. Ele não havia notado o quanto a história havia demorado até que ouviu a voz de seu pai atrás de si.

– Ayano o que está fazendo com Ouji? Você está doente deveria estar do lado de dentro. — O pai tirou delicadamente a mulher do lado de fora, o rosto vermelho e áureo dela demonstrava sono. — Está com fome Ouji? — Perguntou com a mulher no colo.

– Não, as histórias da mamãe não me deixam ter fome. — O pai riu da criança.

– Histórias não alimentam ninguém Ouji. — Disse saindo.

O menino realmente não estava com fome, então foi apenas dormir. Ele se deitou ainda muito desperto, mas assim que deitou sentiu as pálpebras pesarem, logo a mão quente estava em sua cabeça novamente.

– Obrigado pela história mamãe, você vai me contar outra? — Falou sussurrando, para não perder o sono. — A mãe não respondeu, mas ele sentiu os lábios frios tocarem de leve sua cabeça. Assim como antes a mãe saiu devagar sem fazer nenhum barulho. Ouji havia gostado da história da mãe, mas sua preferida ainda era sobre desejos, ninguém morreria ali, apenas teria seu desejo alcançado e uma vida feliz. Ele contou para si mesmo a mesma história antes de dormir, ele gostava de falar em voz alta para não perder a sensação do real.

– O que você quer? A mulher perguntou. — Ele dizia cada palavra com cuidado, até se perder na história por culpa do sono.

Naquela semana a mãe de Ouji contava-lhe uma história diferente a cada dia, mas nunca uma antes de dormir, ele nunca reclamava por que sua mãe adoecia cada vez mais.

– Mamãe, eu vou te contar uma história. — Ele disse sentando-se ao seu lado, enquanto a ajudava deitar-se no Futon. O barulho das cigarras ecoava pelo jardim noite a dentro. Ela o olhou curiosa e encantada, mas não o interrompeu.

– E sobre uma mulher que realiza desejos, e ela é tão bonita quanto você. — Falou envergonhando-se, a mãe sorriu e acariciou seu cabelo. — Ela mora em uma floresta, bem perto de nós. — Disse apontando para fora do muro. — Ela tem cabelos negros e olhos da mesma cor, a pele e branca como a lua e sua voz e macia como seda. Ela e gentil com os animais e ama receber visitas, ela sorri como você para mim quando recebe visitas mamãe. — Ele sorriu junto a mãe. — Sempre que alguém vai até ela, ela pergunta " O que você quer?" e por que ele está naquele lugar. Eu queria que ela realizasse meu desejo mãe.

– E qual é o seu desejo? — Perguntou curiosa.

– Eu queria mais pessoas para contar histórias para mim, e alguém para que eu contasse histórias. Mas eu acho que ela me atendeu, por que agora você também conta histórias. — Falou rindo, a mãe não o acompanhou apenas sorriu e gentilmente beijou-lhe a testa.

Ouji estava feliz, e talvez até demais, sempre é assim. A vida sempre deixa tudo em equilíbrio, a balança não pode pesar mais de um lado. E foi exatamente isso que aconteceu, a mãe de Ouji morreu, ela não era uma das pessoas com o organismo mais forte. O enterro foi rápido, com muito choro e pessoas desconhecidas para Ouji. Ele não sabia como reagir, era muito novo para entender direito a situação, mas ao mesmo tempo velho o suficiente para saber que ela não iria voltar sem que lhe dessem desculpas bobas. Quando chegou em casa, seu pai pendurou um velho quimono azul, o favorito de sua mãe. E Ouji contou a mesma história para ele, o quimono.

Notas finais
Se você leu até aqui, você é incrível. Obrigada por ter paciência comigo (≧∇≦)/ Ah eu vou postar mais capítulos como esse daqui pra frente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.