A Bruxa de Neiphrite
7 Haydan
Notas iniciais
As árvores eram todas cinzas só algumas específicas possuíam cores, as árvores dos vivos. Haydan estava escondido abaixo da copa de uma árvore azul. A árvore dele. Ela era grande é suas folhas enormes o escondiam do resto da floresta, ele estava distraído e tentava entender por que sua árvore era azul. Era um pensamento simples, ele nunca havia parado para pensar nisso antes, apenas pensava em obedecer Neiphrite e ter suas lembranças de volta.
Haydan não conseguia lembrar de nada sobre sua vida, ou sua espécie, Neiphrite nunca o havia contado, e ele temia que a mesma não soubesse. Com o passar do tempo Haydan ficou mais forte, mas com a ascensão da bruxa. Eles pareciam ligados, ela apenas compartilhava seu poder com ele, e a cada alma absorvida, cada novo poder, ele podia sentir e ver todas as camadas que foram montadas em sua mente sobre seu falso passado, ele não sentia mais nada por aquelas memórias, rostos nunca existentes e sensações nunca antes sentidas. Ele não tinha feridas de seus machucados adquiridos de acordo com sua memória. No início ele pensou ter sido curado pela bruxa e realmente pareceu fazer sentido, ela não o havia oferecido nada, muito menos o dado opção. Era apenas servir ou morrer. Mas agora ele tinha liberdade e um pouco mais que isso.
"Não me deixe Haydan. Não de novo." . As palavras sussurradas em seu ouvido pela bruxa eram tristes, chorosas. Ele havia dito essas palavras para uma de suas vítimas, e todas as outras, todas palavras vazias que ecoavam por sua mente sussurradas pela boca que ele tanto desejava e temia. Assim como suas vítimas ele era facilmente atraído por canções e palavras jogadas. Haydan nunca sabia dizer quando ela estava brincando ou sendo sincera, ele era o rato naquela brincadeira, mas também muitas vezes o gato. Era um labirinto sem fim que confundia sua mente e aumentava seu desejo. Ele queria tocá-la por alguma razão, mas também queria afastá-la de si o máximo que pudesse. Era conflitante assim como o pecado e a fé. Você não pode acreditar que Deus vai te perdoar se afirmar arrepender-se, mas continuar pecando.
Haydan queria realmente não sentir algo por aquela bruxa, ele realmente estava tentando, todas as suas vítimas eram atraentes, poderiam ser o tipo perfeito para ele e ele poderia salvá-las e talvez se apaixonar. Esse não era seu maior desejo, e por Deus, ele jurava que não queria pensar em Neiphrite como seu maior desejo. "Eu não vou te deixar ir, não mais.". Haydan não queria pensar ter nenhuma ligação com ela, ele queria acreditar que seu passado não havia nenhuma ligação com ela.
"Me deixe morrer primeiro, pelo menos assim você terá ficado ao meu lado para sempre.". Ela falava coisas sem sentido, bruxas não morrem. Ele nunca iria acompanhar seus pensamentos. Muito menos a razão de talvez estar sendo substituído por um simples humano. Eles haviam discutido, e agora Haydan se escondia no profundo da floresta, abaixo de sua alma, sua árvore. Durante muito tempo ela havia sido o local para onde as vítimas eram levadas, mas agora Neiphrite os levava para onde eles queriam ir, assim eles se tornavam mais fracos, distraídos e suscetíveis a perderem qualquer coisa, ou oferecerem qualquer coisa. Apenas a imagem do mais simples desejo era algo satisfatório na mente humana. Haydan ao menos sabia se um dia já fora humano, divagava tão rápido quanto um, mas era muito mais ágil que um. Ele tinha inveja do novo mortal que partilhava a atenção de Neiphrite. Ele nunca séria tão frio, tão calculista e talvez tão possessivo quanto Haydan.
– Haydan. — Como uma invocação ele ouviu. A voz inumana do falcão planando sobre a copa da árvore lembrava a de Haydan no inicio daquele jogo. — Neiphrite quer vê-lo. — Ele ainda não se acostumara a falar, muito menos se lembrava de quem era. Seu nome ainda era o mesmo, mas ele não sabia, como Haydan ele não sabia nem mesmo sua verdadeira aparência.
– Se é o que Neiphrite quer. — Respondeu frio. Ele sabia exatamente o por que ela queria sua companhia, ele se sentia levemente mais calmo. Estava contente por Sofia a ter recusado, estava contente por não ter precisado matá-la, estava contente por Neiphrite estar triste e sentia-se sujo por isso. Estava radiante por poder ser o gato novamente naquele jogo tão confuso. Mas talvez ele ainda fosse o rato mesmo inconscientemente, esse era seu maior temor, Haydan a seguiria sem questionar até o fim de sua razão ou até o fim de sua vida.
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