A Bruxa da Noite
11 Especial I - Uma flor no deserto
Notas iniciais
Uma flor no deserto
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Ino se divertiu como nunca naquela noite. Embora ainda não ousasse dançar como aquelas mulheres, vê-las foi o suficiente para deixar seus olhos brilhando e sua boca aberta.
Quando a musica acabou ela rumou solitária para o quarto que dividia com a bruxa. Suspirou ao sentar na cama confortável, pela fresta que havia no couro da tenda ela observou o céu um pouco nublado. Até aquele dia ela nunca reparara muito no céu, nunca fora amante das estrelas ou das nuvens nos dias de sol, porém, naquela tarde ouvira o ruivo que vivia junto do rei sussurrar que o tempo estava mudando, que aquilo era previsão de guerra.
Ela sentiu a espinha gelar. Nunca vira uma guerra, mas ouvira muitas histórias contadas pelas velhas senhoras da vila. Historias de muito sangue e sofrimento, quando os bruxos de outrora reinavam pelo mundo.
Olhou para a cama da bruxa, arrumada como sempre. Sakura era uma mulher de fibra, porém ela sabia que no fundo era só uma criança que queria ser cuidada. Não era fácil conviver com ela, principalmente à noite quando os sussurros ficavam altos e por diversas vezes a vira vagando pelo quarto em pleno sono. Aquilo a enchia de medo.
Decidiu tomar um cálice da bebida refrescante que serviam a vontade ali antes de dormir, foi quando a viu completamente perturbada.
Ela quis correr e impedir a mulher, mas um braço forte a segurou. Era ele. O braço direito do Rei de Suna.
– Olhe para os pés dela – ele sussurrou em seu ouvido.
A mulher baixou os olhos e viu a areia do deserto subindo a cada passo que a bruxa dava. Assustada ela acompanhou com o olhar o caminho que a outra estava percorrendo.
– Sasuke... – resmungou aflita – precisamos fazer alguma coisa!
– Você vem comigo, as coisas não ficarão bonitas por aqui.
E a contra gosto o homem chamado Gaara carregou a loira para o mais longe dali. Foram para a periferia da vila de areia, havia um silencio perturbador e ela achou que poderia enlouquecer se não ouvisse um barulho sequer.
– O que diabos está acontecendo! – bradou puxando o braço e se soltando do homem.
– Fique calma, existem coisas que nós não pudemos mudar, ou ajudar. Melhor ficar longe.
– Do que está falando? – perguntou curiosa quando ele continuou andando duna acima.
– Já viu uma briga entre eles? Melhor ficar longe... não se preocupe, Sasori não vai deixar a Sakura matar o Uchiha, isso seria o mesmo que declarar guerra com toda a terra média.
Ela o seguiu correndo desajeitadamente pela areia. Seus olhos brilharam pela segunda vez naquela noite quando viu o pequeno oásis que havia logo abaixo da duna.
– Isso é lindo! – disse maravilhada com a beleza em meio ao deserto seco e quente. Ali
havia arvores, flores que só abriam a noite para evitar a perda de água e um poço, bem maior do que os outros que haviam pela vila.
Dois homens se aproximaram assim que notaram a presença do casal, Gaara trocou algumas palavras em uma língua que ela não entendeu e os dois se afastaram.
– Guardas do poço. – explicou ele quando a viu com um olhar confuso.
Ele foi até o mesmo e puxou com facilidade um balde de madeira cheio do liquido gelado pelo interior da terra, ofereceu a jovem com um copo de estanho que ficava ali perto.
Ela bebeu com vontade.
– O deserto tem suas belezas. – disse o ruivo a fitando.
Ino sentiu as bochechas ficarem vermelhas e entregou o copo de volta a ele.
– Você disse que Sasori não deixaria Sakura machucar o Sasuke. Então porque ele contou aquilo a ela? Você acha que é verdade?
Gaara foi até uma árvore de galhos secos e sentou, escorando as costas no tronco rugoso.
– Sasori ama aquela mulher, mas a respeita acima de tudo. Só não queria que ela seguisse uma guerra sem saber a verdade.
Ino andou até ele e se agachou na areia fofa.
– Guerra... essa palavra me assusta.
Ele ergueu o olhar e fitou a mulher a sua frente. Como era bonita, bonita como a mais linda flor encontrada no deserto, pensou com admiração.
– Você nunca viu uma guerra. – ele afirmou.
– Não, e não sei se estou preparada para uma. Queria que tudo voltasse ao normal, mas saber que não vai e que estou indo em direção a um campo de batalha é ainda pior.
– A guerra é inevitável. Há tempos percebemos a mudança, o clima está diferente... as pessoas sentem o cheiro do medo.
– Você.. é como ela e o Sasori? – perguntou um pouco tímida.
Ele riu pelo nariz.
– Um bruxo? Não. Não existem mais bruxos nessas terras, somente o Rei.
– O que aconteceu com os outros.
– Foram mortos – disse dando de ombros – os homens dizem que gostam dos bruxos, mas no fim tem medo. Se houver uma chance de joga-los na fogueira, eles farão.
– Acha que fariam isso com a Sakura?
Ele olhou para o céu.
– Fariam.
– Mas todos precisam dela...
– O outro lado também tem meios de agradar aos homens – ele abaixou os olhos para fita-la – e os homens são facilmente corrompidos.
Ela sentiu um frio tomar conta do seu coração ao ouvir aquelas palavras. O que poderia esperar dos dias que viriam?
– Mas ela é poderosa...
– É poderosa e tem casas fortes ao seu lado. – concluiu ele.
– Você também vai para a guerra?
– Vou. Amanha marcharemos para a fronteira com as terras dos orcs, ninguém passará pelo deserto.
Ela soltou o ar dos pulmões.
– Espero que um dia isso acabe.
– Acabará. Só resta torcer para que o nosso lado vença.
Ela assentiu.
– Está tudo silencioso, acho que não aconteceu nada.
Ele ficou quieto para escutar. Silencio.
– Quer voltar?
Ela sentiu uma pontadinha no peito. Não queria sair de perto dele tão rápido, era estranho como aquele homem passava uma sensação de segurança, e ela precisava daquilo.
– Não.
Gaara sorriu de leve e esticou o braço para pegar a mão branca e áspera da moça. Acariciou com o polegar.
– Uma moça não deveria ter mãos tão ásperas... – disse ela se desculpando.
– Uma moça deveria ter as mãos de uma mulher forte, como as suas.
Ela arregalou os olhos.
– Os homens do meu vilarejo não pensam assim...
– Então eles não sabem de muita coisa não é?
A jovem soltou uma risada leve e abaixou a cabeça, o toque dele era quente e macio.
– Acho que não... quer dizer, eu não sei mais o que eles pensam.
– Mas sabe o que eu penso.
Ela levantou o rosto e o fitou. O homem estava tão perto que ela podia sentir o cheiro doce e seco que emanava de seu manto branco.
– Sei...
– Não tiro os olhos de você desde o dia no vaú. É a mulher mais linda que eu já vi... Ino.
– Oh... – o coração acelerou ao ouvir tais palavras. Ela nunca pensou que um homem tão lindo e ameaçadoramente bárbaro pudesse gostar de sua aparência, tão diferente das mulheres do deserto.
– Deixe-me conhecer você.
– Podemos não viver tempo suficiente para isso. – respondeu nervosa.
– Então devo aproveitar o tempo que me resta.
Ela ficou confusa e nervosa quando ele diminuiu o espaço entre os corpos, quando percebeu o que aconteceria postou a mão no peito do homem.
– Desculpe-me, não estou preparada para isso.
– Tudo bem, não tem do que se desculpar.
– Já é tão tarde, não deveria dormir para poder seguir amanha?
Ele assentiu.
– Deveria, mas não quero sair daqui tão rápido.
Ela sorriu feliz, ele era um bom homem.
– Conte-me uma historia, uma historia do seu povo. Deixe-me conhecer você.
Ele devolveu o sorriso, e assim começou a falar.
Nenhum dos dois notou a névoa gelada e nem as nuvens, naquela noite só notaram um ao outro.
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