A Bruxa Ellen
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Bem, quero review's, ok? :DD
Nunca imaginei se quer que algo como isso existia, algo como muitos chamam de “sobrenatural”, você me entende, certo? Eu estava morrendo… MORRENDO! Ninguém me amava naquele momento… Meus pais… Meus “amigos”… Apenas um vazio a qual eu nunca superei. Chorava sempre sozinha na cela que meus pais me deixaram, não se aproximavam pois eu estava “contaminada”, era lá eu, aos meus 7 anos de idade.
–Papai, mamãe…–Lembro-me dizer, os olhando-o inocentemente. – Eu vou morrer?
–Morrer, Ellen? Não…–Sua mãe soluçou. – Não, não irá…
–Agora durma, tudo estará bem amanhã, aqui sua comida. –Meu pai colocou uma pequena porção de comida no meu prato.
Comia como um animal, vivia como um animal, de certo jeito, eu ERA um animal. Eu morria aos poucos, não era justo, porque ninguém me amava? Ninguém me amava como amavam ELA. Ah sim, a garota das tranças douradas, a mais amada do vilarejo e de seu pai, um mero caçador. Eu observava ela sempre da pequena janela que tinha no meu “quarto”. Era tão sorridente, ajudava sempre os outros… Se eu não tivesse uma voz falha, eu berraria por sua ajuda, mas nem a conhecia, só sabia seu nome: V-I-O-L-A. Novamente naquela noite, eu lembro de “morrer” novamente. Ouvi um miado ao meu lado, um pequeno felino negro estava olhando para mim.
–Yo! –Eu o vi ele rastejar pelas minhas pernas, ele falava, eu deveria estar enlouquecendo. –Seu nome é Ellen, certo?
–Sim…–Respondi secando minhas lágrimas sangrentas. –Eu sou Ellen…
–Ah, não chore! –Disse ele pulando no meu colo. –Olhe, Ellen, eu sou um ser que poderá lhe salvar. –Lambia sua pata. –Com um preço, lógico.
Ser salva… Era tudo que eu ansiava! Eu poderia viver como aquela garota das tranças douradas! Eu poderia ser amada, eu poderia ter “amigos”. O que aquele gato dizia era tentador, mas… Era apenas um gato, eu pensava, não tinha como um ser peludo me salvar da possível morte… Claramente não…
–Olhe Ellen, eu sou um demônio. –Demônio? O que era isso? Seria aqueles seres que são “relutante”a o provável “Deus” a qual meus pais diziam? –Não posso ter meu próprio corpo, a não ser de um animal, e eu escolhi um gato. Bem, acho que talvez eu me divirta um pouco. Sabe, quando um Demônio concede um pouco de seu dom para um humano, esse humano vira um bruxo. Porém ele deve ser puro. –Olhava para mim, puro? O que significava pureza naquele momento? –Ou se não, queimará. De qualquer jeito, você deve ser pura. Pois bem, aceita a vida… Ou quer morrer aos poucos, pequena Ellen?
–Eu… EU QUERO VIVER! –Chorava como uma idiota naquele momento, lógico que eu queria estar viva!
Então eu vi o gato cair no chão, e uma névoa pairou sobre mim, logo um garoto de cabelos negros e olhos igualmente da mesma cor olhou para mim, seus lábios se alegraram e logo senti aquela energia se adentrar sobre minha alma. Cai no chão, as dores tinham sumido… O gato balançou a cabeça e se ajeitou na minha visão.
–Nyaah… Eu odeio isso… Me deixa tonto. –Disse enquanto lambia sua pata. –Pois bem, agora não é mais a humana Ellen, você é Ellen, a temida bruxa do vilarejo! Porém, sua doença não está curada, apenas está paralizada, quando completar 13 anos ela voltará para lhe assombrar, até lá, terá que achar um jeito de se curar.
–Mas… Que jeito? Ei! –Eu vi o gato sumindo com uma risada. –Não me deixe! A onde lhe encontrarei?
–A onde mais? Na casa da bruxa… E traga comida.
E então, ele sumiu completamente… Não via mais nada a não ser a escuridão, magia… Eu era uma bruxa naquele momento, eu podia TUDO. Eu podia me vingar de todos… De meus pais… Sim, todos! Hoho… Eu me senti superior naquele momento. Só de olhar para as barras da cela elas explodiram, sai e olhei ao redor, subi as escadas. O relógio tocava meia-noite, meus pais deveriam estar dormindo, deduzi. Andei e pisei num urso. Joguei ele para o lado na raiva e voltei a andar. Eu ia acabar com eles por mentirem para mim. Peguei uma tesoura que estava em cima da mesa da sala de estar. Meus passos eram como de um verdadeiro fantasma. Cheguei no quarto deles.
–Papai, mamãe? –Disse os acordando, eles saltaram para trás.
–E-Ellen?! Como você veio parar aqui? –Meus pais tremiam de um modo que me divertiu.
–Vocês me amam? –Disse ajeitando o cabelo e me aproximando deles.
–Claro que sim, querida! –Disse minha mãe.
–Resposta… ERRADA! –Pulei no pescoço dela como um animal e a esfaqueei com aquela tesoura, parei só depois de estar caída.
–ELLEN! Que tipo de monstro você é? –Se afastava de mim pegando uma espingarda na prateleira desajeitadamente.
–Eu? Bom... –Parecia que a cada palavra a mansão começava a entrar em puras chamas, eu controlava elas, aquelas eram as MINHAS chamas. –Eu sou uma… BRUXA.
Logo vi meu pai simplesmente explodir aos meus olhos, o sangue fresco daquele homem escorregava pela minha face, eu sabia o que tinha que fazer. Peguei aquela tesoura e esfaqueei ele até aquele tesoura estar banhada de sangue. Sai então, via várias pessoas do vilarejo gritarem e apontarem para a mansão, ri daqueles patéticos seres, e sumi.
A mansão, ou “A casa da bruxa”, era bem grande. Eu ia tocar na maçaneta e logo ela se abriu sozinha. Olhei ao redor, era vazia… Abri uma porta que apenas estava escrito: “Bem vinda, Ellen.” E então, tudo mudou para um cenário mais bonito. Tinha sentindo algo roçar em minhas pernas, o gato.
–Olá Ellen, trouxe comida? –Peguei a tesoura e coloquei no chão, o gato lambia o sangue que tinha nela, seus pelos tornaram-se mais brilhantes naquele momento. –Obrigado. Bem, pequena bruxa, tem algumas regras que terá que seguir…
Primeira: Um humano nunca pode saber da existência de uma bruxa, NUNCA. Caso um humano descubra, deverá eliminá-lo.
Segunda: Uma bruxa tem que ser fiel ao demônio que a concedeu os seus poderes, caso ao contrário, uma maldição irá segui-la até os cofins do inferno.
Terceira: Terá que alimentar o demônio que lhe concedeu o dom, dando-lhe o sangue de um humano, principalmente de coração puro. Crianças, idosos e pessoas caridosas tem os melhores sangues.
Quarta: A mais importante: Caso troque de corpo com um humano, o poder concedido estará no seu corpo, não do humano. Ou seja, se trocar de corpo com um humano perderá seus poderes.
Observava ele explicando tais regras, apesar da minha pouca idade sabia que tinha que levar isso á sério. Acariciei sua orelha e subi para o meu quarto, da janela de lá dava para ver chamas enormes devorando a mansão de meus pais. Deitei-me, vi um livro em cima da cama: “Escreva aqui. Ass: Seu gato.” Um diário. Não, “O diário da Bruxa”, peguei uma pena e tinta e me encostei na cama, escrevi: “Minha mãe e meu pai não me amavam”. Suspirei e molhei a tinta de novo. “Eles não me amavam, então, eu X eles.”
Não conhecia muitas palavras naquela época… Minha letra era mal-feita, como de um criança pequena. Mas não era atoa, eu nunca tinha ido para o colégio, apenas escrevi o que eu sabia. Coloquei o diário debaixo da cama e dormi, era o melhor que eu tinha para fazer naquele momento.
Mas, ainda estava sozinha.
A minha primeira morte, foi tão bela… Uma criança de cabelos ruivos curtos, era magrelo e parecia ter uns 4 anos. Tinha sardas que estampavam sua face. Ela andava pela floresta, eu colhia flores, eram realmente belas. O garotinho me viu com um sorriso inocente demonstrando seu sorriso com um dente de leite faltando.
–Olá garoto, perdido? –Sorri inocentemente de volta.
–Sim… Eu me perdi dos meus pais, me ajuda? –Disse ele choroso.
–Hum, claro! –Levantei-me. –Meu nome é Ellen. Prazer.
–O meu é Jimmy! –Sorriu de volta.
–Certo, Jimmy…–Peguei uma adaga nas minhas costas. –Venha até mim...
Meus olhos de amarelo se tornaram completamente brancos, o menino pareceu um zumbi andando na minha direção, não sabia como começar aquilo, ele chegou até mim e eu o abracei, disse em seus ouvidos que tudo estaria bem, eu menti para o pequeno Jimmy. Peguei a adaga e penetrei ela em suas costas, o menino voltou a si no último momento, vendo um sorriso brotar em meu rosto, roubei dois palitinhos que tinha em seu bolso , e assim, entrei para alimentar “meu mestre”. E desse modo, passou-se por vários e vários dias, e numa noite escrevi de novo no diário. “Pessoas viam na minha casa, e eu X todas elas.”
O gato me ensinou com o tempo a controlar minha magia, eu conseguia mover coisas, conseguia criar servos invisíveis, criar monstros com simples brinquedos… Eu sabia fazer todo tipo de magia, inclusive influenciar facilmente uma pessoa. Enganando ela tão facilmente que eu chegava a me divertir com isso… Porém, com o tempo a maldição de ser uma bruxa estava acabando, e aos poucos eu estava morrendo. Novamente.
–Gato, não me ensinou a me curar ainda! –Disse num momento de raiva.
–Ops… Eu não disse? –Lambeu sua pequena pata enquanto enroscava na minha perna. –Não existe um poder que possa lhe dar esse milagre.
–VOCÊ ME ENGANOU! –Chorava lágrimas vermelhas, sangue. –Como pode ter me enganado seu… SEU DEMÔNIO! –Quebrei várias garrafas de vinho.
–Nyaa~… Ellen, eu não lhe enganei totalmente, eu disse que podia se curar. –Pulou na janela. –Só não disse como. Existe um meio.
–Meio? –Bufei encostando-me na mesa, levantei o rosto olhando para o teto com a mão na testa.
–Sim, o único modo é… Trocando de corpo com um mortal. –Olhou para a janela.
Logo segui seus olhos, uma jovem de tranças douradas colhia rosas. Era Viola, ora, AQUELA Viola… Hoho, isso será divertido.
Desci as escadas, a menina estava do lado de um pequeno sapinho. Eu sentei-me ao seu lado. Logo ela olhou curiosamente para mim. Seus olhos esverdeados invadiram os meus, eram tão grandes e brilhantes que me deixaram paralisada por alguns segundos.
–Olá! –Me retomei. –Prazer.
–Huh? Oi! –Ela se espantou com meu jeito. –Tudo bem?
–Sim, eu estava em casa a pouco tempo, e vi você aqui, não sabe que é perigoso? –Disse pegando o sapo no colo. –Soube que existe uma bruxa aqui perto.
–Sim, meu pai vive me dizendo sobre ela, mas eu acho que ela é só uma pessoa sozinha…–De um certo jeito, não estava errada.
–Ah, sim…– Olhei para baixo. – Ei, qual seu nome?
–Viola, o meu nome é Viola. –Sorria gentilmente.
–O meu é Ellen. Eu moro aqui perto. –Comentei. –Ei, Viola, quer ser minha amiga?
–Amiga?
A loira pareceu pensativa com a palavra “amiga”, será que ela cairia tão tolamente em minhas palavras? Pobre Viola, pobre Ellen…
–Sim, amigas, eu nunca tive uma…–Disse triste.
–Claro! –Pegou as minhas duas mãos num tom animado. –Ellen, a partir de agora, você é minha melhor amiga!
–Viola…–Meu rosto demonstrou rubro e espantado, depois soltei um sorriso. –Você também, Viola.
Ela me visitou dias após dias, até que ela era legal, era gentil, amável, e tinha o poder de encantar qualquer um com seu sorriso inocênte. “Uma garota veio me visitar, ela tinha cabelos dourados e encantadores, não X ela.” Escrevi enquanto guardava ele embaixo da minha cama.
Se passou 1 ano, eu estava piorando, não conseguia levantar mais da cama, sangrava pelos olhos, boca… Eu não aguentava mais isso! NÃO! Eu tinha que ter o corpo dela! Não queria isso, mas não tinha escolha… Mas, talvez não seja tão mal, pois, além de tudo, Viola era minha “amiga”. Me rastejei até a escrivaninha e peguei uma enorme faca, decepei minhas próprias pernas, já que ela iria ficar com meu corpo, ela não poderia fugir assim, logo esfaqueei meus próprios olhos, ela não poderia me ver assim…
A chamei pela minha mente, e ela veio…
Subia as escadas desesperadamente, minha cabeça estava tampada, o meu corpo todo, isso manchava meu lençol. Logo senti a aura dela ali, não conseguia ver ela, não podia andar até ela… Mas sabia que ela estava ali, ao meu lado, coloquei minha mão para fora, logo ela pegou elas.
–Ellen, você parece mal…–Disse ela ajoelhando-se. –Eu pensei ouví-la pedir socorro, o que ouve com você?
–Vi-Viola, eu não lhe disse mas... –Toci uma grande camada de sangue. –Eu tenho um corpo doente, que morre aos poucos… Estou morrendo, não vou viver por muito tempo…
–Ellen! Não diga isso! –Apertou minhas mãos. –Tem algo que posso lhe ajudar?
–Bem, antes de eu morrer, eu tenho sim algo a lhe pedir. –Minha voz estava cada vez mais rouca. –Sabe, Viola, EU sou a bruxa dessas florestas.
As minhas palavras gelaram sua espinha, eu sentia isso, porém ela não recuou. Pareceu ainda mais atenta.
–Vou morrer de qualquer jeito. –Continuei. –Conheço uma magia que pode trocar de corpo. Se eu pudesse ter uma vida real por um dia…
–T-trocar de corpo? –Sua voz falhou. –Ellen, tem certeza? Se você é uma bruxa, isso séria perigoso não?
–Tudo bem…–Virei-me pro lado. –Pode ir embora então, pensei que era minha “amiga”.
–Mas eu sou! –Estava em silêncio. –Certo… Eu troco de corpo com você…
–Sério? –Choquei-me por alguns segundos. –Certo, apenas repita: “Dou-lhe esse corpo para seus próprios bens” junto comigo.
Assim o fez, o quarto estava totalmente escuro agora, até um clarão despertar em mim, eu podia ver, eu podia andar, eu… ESTAVA “VIVA” NOVAMENTE! Olhei para meus cabelos agora loiros, para meu vestido branco agora sem manchas de sangue, e para “Viola” no espelho. EU era Viola.
–E-Ellen…–Uma voz tremida soou pelo local, a garota deitada na cama rolou pro lado. –Me-me ajude… Eu não vejo! Eu não vejo!–Rastejava até mim.
Gemia como uma desgraçada, era repugnante. Sorri e peguei no alto da estante um “remédio”. Abri e me ajoelhei, seus olhos sangrentos me encaravam. Sorri levemente pro lado.
–Beba isso, se sentirá melhor. –E então, eu menti novamente.
–GAAAH…Ell…El…guuuh…ackk…ma…maldi…mal...di…gyuuu…aaah…dita! Guuuh.... –Aquele remédio que dei para ela, era algo que meio que… Desativava a sua voz.
Não me aguentei, eu ri, ri da desgraça de Viola, ri de como sofria como eu, não era mais amada. Era apenas, “Ellen, a bruxa”. Me aproximei de seu rosto.
–Alias, Viola…–Abracei ela por alguns segundos. –Eu menti.
Levantei-me e fui-me embora, enquanto escrevia no meu diário: “Eu estava morrendo, então pedi para trocar de corpo com ela, afinal, você é minha amiga, não é… Viola?” Joguei meu diários nas suas mãos e sai rindo.
O sol era belo lá no céu. Estava livre, do demônio, de Viola, de meus pais… Reparei numa carta no meu bolso: “Desculpa por discutir com você antes de chegar em casa. Só queria que tomasse cuidado, o caminho da casa de sua amiga Ellen é o mesmo da “casa da bruxa”, bem, cuidado. Assinado: Seu pai”.
As memórias dela tinham ficado em seu corpo, ele tinha discutido com Viola por ela ter ido para minha casa escondida. Amacei e guardei de volta, pronta para a liberdade, porém um ramo de rosas bloqueavam a entrada. Ouvi uma voz: "Não se livrará tão facilmente, Ellen".
–Ora, então é assim, Viola? Ok, que os jogos comecem.
Notas finais
Review's! Please! u-u
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