A Bruxa

2 II – Secundi


Notas iniciais
Oi xentêeeeeeeeeee! Em tempo, mais um capítulo de A Bruxa pra vocês! Adorei a recepção que a fic teve e fiquei MUITO feliz, de verdade! Uma nota sobre o capitulo: A palavra "A Bruxa" entre os textos, simboliza a passagem de tempo. Tanto para o futuro, quanto para o passado. Acho que ficou claro, mas vale a pena reforçar hahahahah Espero que gostem, Boa leitura!

II – Secundi

Sakura e Hinata assistiam ao comício em silêncio, afastadas da multidão que bradava pela execução de uma alma inocente. A maioria deles fazia parte de um ciclo de caçadores que crescia com o passar das semanas e que perpetuavam a ideia de que toda e qualquer bruxa deveria ser morta.

De acordo com os acusadores, a mulher era especialista em remédios e chás feitos com ervas encontradas na floresta, era uma curandeira milagrosa e nenhuma das suas ações podiam ser justificadas para aqueles que a incriminavam.

A garota era humana.

Para Sakura, não bastava de uma curiosa infeliz e silenciosamente, ela pediu para que os deuses protegessem a pobre alma que pagava por um pecado que não existia. A Haruno também agradeceu por não ser uma de suas irmãs a queimar em meio as brasas.

— Sinto muito por sua perda. – Hinata havia dito para uma mulher que chorava inconsolável. – Nada do que eu diga trará sua filha de volta, mas espero que seu coração seja confortado. – Ela acrescentou em um murmúrio.

Hinata entendia a dor da mulher, por ter presenciado algo do tipo. A irmã mais nova, Hanabi, havia sido uma das primeiras bruxas a perecer em meio ao fogo causado pelos humanos. A amiga havia ficado devastada, mas em momento algum pregara retaliação.

Sakura, por sua vez, analisava a situação com o máximo de neutralidade que conseguia, embora uma parte sua quisesse ceder e eliminar cada um daqueles que incentivavam aqueles atos de pura brutalidade. Não era justo que as vidas deles seguissem imaculadas, enquanto eram os responsáveis por tanto sofrimento.

Apesar da raiva, ela entendia as razões pelas quais Tsunade não declarava guerra. Apesar da existência de Covens ao redor do mundo e do poder surpreendente, existiam poucas bruxas se comparadas aos exércitos dos homens.

Elas certamente ganhariam, mas as baixas que uma guerra proporcionaria seriam dolorosas e por isso, precisavam encontrar uma alternativa para a proteção dos seus sem que precisassem realizar um ataque direto.

Um dilema difícil, para uma situação complicada.

— Uma bebida por seus pensamentos.

A voz masculina havia despertado Sakura de seus devaneios, fazendo com que ela erguesse o olhar. Os orbes negros a fitavam com curiosidade e o sorriso do taberneiro a desconcentrou por um momento.

Ela o analisou com displicência, desde os cabelos negros e volumosos que sempre estavam despenteados, aos ombros largos que acomodavam um pano branco, os braços fortes que carregavam a bandeja com a bebida que ele oferecia aos pés calçados com botas negras.

— Está particularmente curioso hoje, senhor. – A língua afiada fizera com que ele soltasse um breve riso. – Achei que não gostasse de conversar.

— E a senhorita está silenciosa demais, se me permite dizer. – Ele respondeu enquanto depositava a taça em frente a ela, depositando uma dose generosa de vinho. – Gosto de conversar apenas com a senhorita, os demais clientes não passam de bêbados barulhentos. – Acrescentou pouco antes de virar o rosto para analisar a pequena confusão que começava em outro canto do local. – Volto em um instante. – Garantiu sem esperar que ela lhe respondesse.

Sakura agarrou a taça de vinho e olhou para onde a confusão começava a se instaurar. Os homens eram altos e haviam começado a brigar por algum motivo que não era de seu interesse, aquelas brigas rotineiras eram algo que em dias comuns atraiam sua atenção, mas não hoje. Hoje ela estava mais interessada em observar a decoração rústica do local, as mesas de madeira que estavam espalhadas por todos os cantos, os bancos altos para aqueles que preferiam permanecer nos balcões e nas garrafas repletas de cerveja e rum, que adornavam as paredes em uma belíssima coleção.

A iluminação não era das melhores, muito menos a comida oferecida, mas o local era um dos preferidos de todas as pessoas que existiam no vilarejo. Os homens gostavam da cerveja barata e de boa qualidade, enquanto as mulheres insistiam em chamar a atenção do dono do local a qualquer custo.

— Patéticas. – Murmurou a bruxa desgostosa ao ver três garotas chamarem o homem. Um vinco surgiu entre suas sobrancelhas no instante em que uma delas tocou no braço do taberneiro com mais intimidade. Ela não precisava vê-lo para saber que ele era indiferente ao toque, mas não havia gostado.

Os olhos verdes vagaram pelo salão em busca de Hinata, mas ela havia desaparecido assim que entraram na taberna, sendo acompanhada pelo loiro que ela insistia em dizer que era seu amigo.

Amigo... Sakura não queria imaginar as atrocidades que os dois deviam fazer no armazém que existia aos fundos do estabelecimento. Era assim todas as vezes, Naruto voltava com os cabelos bagunçados e Hinata corada como uma maldita pimenta.

Ela acompanhou cada uma das pessoas enquanto sua companhia não retornava. Era uma noite agitada, ele corria de um lado para o outro atendendo a todos o mais rápido que podia, equilibrando as canecas de cerveja em ambas as mãos, enquanto contornava todos os flertes que recebia.

A Haruno pensou em ajuda-lo, mas levantar-se para servir era uma das últimas coisas que ela faria com vida. Ajudá-lo a levar as canecas até as mesas através de magia estava fora de cogitação, bem como afugentar os clientes para que ele tivesse um pouco de descanso.

Então ela aguardou pacientemente, apreciando todas as taças de vinho que ele lhe oferecia até o momento em que a taberna se esvaziou e só restaram os dois.

— Vou mandar Naruto embora por conta da sua amiga. – Ele avisou pouco antes de abrir uma nova garrafa, sentando-se de frente para ela. – Este lugar parecia um inferno hoje, apartei três brigas e expulsei mais três homens sozinho, as vezes tenho vontade de fechar de uma vez por todas e viver da criação de ovelhas como meu irmão. – Confessou enquanto passava a mão pelo cabelo negro para tirá-lo de cima dos olhos.

— Não pode dispensar o seu sócio. – Sakura alfinetou aceitando de bom grado a bebida que ele oferecia. – E criar ovelhas é muito entediante para você, Sasuke. – Apesar da expressão irritada, Sasuke sorrira de canto ao ouvi-la pronunciar seu nome.

Havia algo na Haruno que o atraia desde o momento em que eles se conheceram, logo quando Naruto e Hinata passaram a se encontrar as escondidas nos fundos do estabelecimento. Sakura tinha a língua afiada e uma resistência a álcool que ele havia visto em pouquíssimas pessoas, mas também era uma das únicas pessoas que havia demonstrado curiosidade genuína em conhece-lo.

Havia interesse nos olhos esmeraldinos e surpresa ao descobrir que ele havia aberto mão de todos os seus direitos como herdeiro das terras do pai, para abrir seu próprio negócio, fugindo de todas as responsabilidades que o nome Uchiha trazia consigo.

Ela realmente não conhecia a grandiosidade de seu sobrenome e ele, não fizera questão de enfatizar isso para a mulher.

A aparência dela também lhe atraia, desde a coloração rosada de seu cabelo que caia como cascatas sinuosas por suas costas, aos lábios carnudos que sempre o surpreendiam com sorrisos lascivos, aos olhos esverdeados que variavam entre interesse e tédio. As roupas que ela usava não revelavam muito de seu corpo, mas ele já havia tido a sorte de vislumbrar o decote generoso que ela utilizara em algumas ocasiões em que havia visitado a taberna...Outras vezes em sua própria casa.

A audácia de Sakura não estava apenas em seus olhos.

— Vejo que está usando o colar que eu te dei. – Ela murmurou descendo os olhos pelo pescoço dele, era possível ver apenas a corrente prateada que perdia-se por dentro da camisa.

— Você me disse que era um amuleto da sorte. – Sasuke murmurou puxando o colar até que a pedra vermelha estivesse exposta. – Espero que esteja certa, Sakura. Já tentaram rouba-lo duas vezes. – Havia acusação em seu tom de voz, mas não havia nada além de provocação em seus olhos.

Sakura riu com gosto, agarrando a taça de vidro e erguendo-se da cadeira em um ato barulhento. Por um momento, o taberneiro acreditou que ela iria embora sem dizer nada, como ela havia feito algumas vezes, mas desta vez ela apenas acomodou-se em seu colo, cruzando as pernas antes de ingerir mais um pouco de vinho.

— Você acredita nestas coisas? – Ela perguntou após um tempo, sentindo que as mãos de Sasuke apoiavam-lhe pela base das costas. – Em magia, quero dizer.

— Não. – Sasuke respondeu com prontidão. – Não acredito em nada do que dizem.

Não havia sinal de hesitação nas palavras do moreno e por isso, Sakura virou o rosto para observá-lo de perto. Como sempre, ele esperava que ela desse o próximo passo.

— E em bruxas? – A rosada passara a língua nos lábios antes de proferir a pergunta e tinha ficado satisfeita em vê-lo acompanhar seus movimentos.

— Não acredito. – Havia descrença nas palavras dele e Sakura notou sobre o quanto eles eram semelhantes quando algo não atraia sua atenção. – Para mim, aqueles homens não passam de caçadores de um monte de nada. Lendas. Bruxas não existem. – Acrescentou prevendo que ela tornaria a insistir no assunto.

— E se eu fosse uma bruxa? – A pergunta de Sakura tinha sido rápida, mas a expressão no rosto dele não mudara. – O que você faria, Sasuke? – Havia muito mais importância em suas palavras do que ela gostaria de demonstrar. Uma parte pequena, que preocupava-se com o que ele podia pensar dela caso soubesse de seu pequeno segredinho.

— Você não é uma bruxa, Sakura. – O Uchiha falou acariciando-a pela coluna até que seus dedos estivessem enlaçados em meio aos fios rosados. – É apenas uma mulher com uma língua atrevida. – Murmurou antes de puxá-la para um beijo.

A Bruxa

Desde que ela havia aberto a porta, conseguia sentir o peso dos olhos dele sobre si, avaliando-a em busca do momento certo para começar a falar.

A mulher de cabelos róseos apoiou-se por um breve momento contra a madeira, cruzando os braços enquanto devolvia o olhar que ele lhe devolvia, mas com uma dose de petulância que somente enfatizava para o homem o quanto que ele era apaixonado pela figura em sua frente, mesmo que ela sempre soubesse irritá-lo como ninguém nunca soube.

Ele era alto, possuía os ombros largos e o cabelo negro que o deixava com ar rebelde, pois os fios nunca ajeitavam-se mesmo que ele insistisse. Os olhos escuros eram seu charme, intensos, avaliadores e capazes de despir qualquer um, principalmente ela. Nada passava despercebido por Sasuke e essa, era uma das características que ele havia mantido com o passar dos anos.

— Por que demorou tanto para abrir a porta? – Ele arqueou as sobrancelhas, enquanto tirava a jaqueta de couro e a colocava sobre uma das cadeiras com estofado vermelho.

— Já te disse, estava no banheiro. – A mulher respondeu passando por ele enquanto mexia nos próprios cabelos em um gesto de descaso. – Por que a pressa?

Ela sentou sobre o sofá, cruzando as pernas enquanto o analisava. Os olhos de Sasuke pesavam sobre si, enquanto ele escolhia as palavras certas.

O gênio de Sakura era tão forte quanto o seu.

— Achei que estivesse me ignorando. – Ele respondeu em um resmungo. – Por causa da briga de ontem.

— Ah, sim. – Ela entreabriu os lábios recordando-se da discussão. – Você realmente não foi muito agradável.

Sasuke estreitou os olhos, mas manteve-se em silencio, apenas admirando o pouco esforço que Sakura fazia para ser sensual. Ele também cogitava a ideia de estar maluco, maluco a ponto de achar qualquer movimento que ela realizava (desde um bico nos lábios ao cruzar das belas pernas) extremamente atraentes.

— Não vai se sentar? – Perguntou ela dando leves batidinhas no espaço vago ao seu lado. – Ou ainda está com raiva por ontem?

— Por que não me contou que ia aquela festa? – Sasuke questionou em um tom de voz brando, aproximando-se dela em passos lentos. – Sabe que não me importo.

— Eu não queria que você soubesse. – A resposta foi dada com simplicidade, em um tom de voz neutro, enquanto ela acomodava seus pés sobre o colo dele. – Eu aprecio quando você faz isso. – Ela murmurou observando as mãos dele massagearem seus pés com habilidade.

— Por que eu não deveria saber? – Sasuke questionou com seriedade, havia uma fagulha de irritação em seus olhos, mas Sakura ignorou.

— Porque você não gosta de Gaara. – Ela afirmou, ainda sem alterar a doçura em sua voz. – E não havia convite pra você. – A ênfase na frase havia incomodado o Uchiha.

— Para mim?

Sakura revirou os olhos e puxou os pés do colo de Sasuke. Ela esticou os braços para alongar o corpo em silencio, tendo ciência de que ele a observava com precisão, focando em especifico na barra de seu vestido que subia com o gesto.

Os olhos dela brilharam com malicia quando ela passou as pernas pelo corpo de Sasuke e acomodou-se em seu colo, o nariz arrebitado estava gelado e fez com que a pele dele se arrepiasse quando ela inspirou seu perfume delicadamente. As mãos do Uchiha acomodaram-se sobre as coxas expostas, apertando a pele dela com força.

— Não há convite para quem odeia o aniversariante. – Ela murmurou risonha, mas a provocação estava presente em sua voz.

— Eu sou seu namorado.

— Mas não é o namorado de Gaara. – Ela refutou, mordiscando o pescoço dele por um momento. – Aceite que não foi convidado, querido. Não há porque prolongar o assunto.

A mulher de cabelos róseos não ergueu o rosto para ver a expressão desgostosa de Sasuke, mas ela conseguia imaginar com perfeição as sobrancelhas unidas, o maxilar trincado e os lábios que formavam uma linha fixa.

Quando ela subiu o rastro de beijos por sua bochecha, parando no canto próximo de seus lábios, conseguiu ver que Sasuke não havia aceitado suas desculpas como ela havia achado.

Ela se afastou, observando-o com um olhar inquisitivo, aguardando até o momento em que ele resolvesse falar.

— Não gosto disso.

— Eu sei que não gosta.

— Então por que continua fazendo, Sakura? – O tom de voz de Sasuke era cansado e isso estendia-se até seu olhar. – Não confia em mim?

— Sempre confiei em você, Sasuke. – Ela respondeu com seriedade, puxando alguns fios do rosto dele com delicadeza. O Uchiha não deixou de reparar os lábios vermelhos dela que permaneciam entreabertos e de como a ponta de seus dedos estava fria. – Nunca duvide disso.

— Eu não duvido. – Sasuke murmurou aproximando seu rosto do dela. – Nunca mais faça isso, por favor. – Ele pediu, mas o sorriso de Sakura enquanto ela aproximava seu rosto do dele dizia exatamente o contrário.

Ela faria de novo.

Notas finais
Continua... Mereço reviews? Não deixem uma autora morrer de curiosidade e surtem comigooooo hhahahaha Um beijão e até a próxima! ♥