PRÓLOGO

O dia amanhecera em Jardim de Cima com uma beleza fora do normal. Claro e radiante como uma manhã de Verão, mas já trazia em si um pouco do frio do Inverno vindouro em uma suave e gélida brisa. Era quase como se toda a natureza proclamasse que, naquela manhã, decisões frias seriam concebidas, e entregues com sorrisos calorosos.



A Rainha dos Espinhos tomava seu desjejum sob o olhar de suas criadas. Leite adoçado com mel, e pão de trigo que comia com as mais diversas e ricas geleias. Um prato de frutas frescas também lhe fora trazido, mas o recusara. As moças a observavam, atentas, como que devorando seu desjejum com os próprios olhos.


Detestava-as, detestava-as especialmente pelo fato de ser seu próprio filho, Lord Mace Tyrell, que fizesse questão de que a mãe estivesse sempre amparada pelas insossas filhas de algum de seus lordes, como uma velha inválida.

Mace tinha preocupações com o “bem-estar” da mãe, era certo, mas Olenna sentia-se profundamente incomodada com a presença das duas jovens. Se bem que, por outro lado, eram estúpidas como pombas. E uma pequena parte de si era convicta de que, entre um sorriso e outro, sussurravam por suas costas. Tinha o cuidado de não falar nada importante na frente delas.

E, além disso, tinha outras coisas com que se preocupar. Os chamados Homens de Ferro, ratos do mar, estavam atacando a Campina, saqueando e devastando cidades ao longo da costa enquanto Mace empurrava a filha para os Lannister, linda e doce Margaery, mais ainda assim, as sobras de Renly. Esperava que lhe tivesse puxado a esperteza, para seu próprio bem.

Não era um terreno bom sob o qual caminhava, Olenna sabia, e deviam todos ter cuidado. Tiveram um bom casamento, uma aliança poderosa entre Margaery e Renly, mas com a morte dele muitos de seus vassalos correram como coelhos assustados para Lord Stannis, procurando abrigo ao lado do tão amável senhor de Pedra do Dragão e autoproclamado “Rei”. Aceitavam até a fé de seu novo deus. A velha senhora obrigou-se a rir, ria dos homens que pensavam que sua nova fé os protegeria mais do que a antiga.

Pensar Mace e Margaery a fez lembrar de seu genro, Paxter Redwyne e na sua filha mais nova. Olenna não pode deixar de sorrir, acentuando as rugas do rosto e mostrando dentes pequenos e amarelados. Desmera era jovem e não se casara. Não tão bonita quanto Margaery, mais ainda assim agradável, e provavelmente mais moldável. Não, Desmera jamais ousaria desafiá-la ou desobedecê-la.

Era irônico que, agora, ela viesse a ganhar um pouco de atenção da avó. Quando criança, esforçava-se para ganhar migalhas de sua atenção, tanto com bordados e costuras ricamente tecidos, como com galhofas e zombarias com os primos. Certa vez, dissera a Margaery que o futuro esposo desta iria, de certo, gostar de garotos, se ela quisesse que ele fosse tão galante e bem apessoado como dizia em suas fantasias.

Era cruel no que dizia, mas chorava com facilidade quando confrontada. Os anos devem ter lhe cortado o ímpeto, mas, sob os mimos de Mina e Paxter, não deve ter endurecido o temperamento. Poderia casá-la com Tommen, e fariam um bom par!

Mas, afinal, era uma rosa. O sangue de Mina escorria em suas veias, e haveria de fazer um casamento valoroso, isso seguramente, agora, talvez não de tantas honras como os de Margaery. Pequena rosa, melindrosa e sem espinhos.

A última rosa do Verão – disse, em voz alta, como que para sentir o gosto das palavras em seus lábios. E eram doces, doces como vinho da Árvore, doce como o poder de ter, novamente, uma peça importante para jogar o jogo dos tronos.

Notas finais
Espero que gostem!

Sugestões, críticas e dúvidas, ficarei muito feliz em responder!!