A Boy With No Heart
1 Piloto
Damon Salvatore
O amor é tão sem sentido. Doi, machuca e é não tem ponto algum. A maioria torce para não sofrer com isso, mas eventualmente acaba acontecendo. Nenhum humano tem tanto controle sobre sua humanidade, ela apenas existe e te controla. Mas eu não sou humano e agradeço por não ser.
Durante os últimos anos da minha vida miserável, eu venho me enganando sobre o amor. Achei que se eu passasse a vida toda amando alguém, algum dia esse alguém me notaria. Impressionante como até vampiros podem se enganar. O amor é escuro e tão afiado como a ponta de uma navalha, ou uma estaca de madeira. Fique longe, é o que eu digo. Desligue a porcaria da humanidade e se divirta o máximo que puder.
- Damon! – ouço a voz irritante do meu companheiro de festas. Ele sempre cnsegue as estragar no final das contas. – Hora de irmos.
- Vai procurar alguém para decepar e me deixa em paz. – digo voltando ao pescoço e bebendo cada vez mais sangue.
- Se não parar, vai matá-la.
Eu fico impaciente e jogo o corpo para o lado, já estava mesmo quase sem vida. Como se eu me importasse. Eu limpo a boca com meus pulsos e respiro fundo.
- Brant, sabe o quanto eu odeio você quando quer bancar uma de babá. Vamos, escolha um lanche e aprecie. E não se meta com os meus! – eu faço uma cara irritada e Brant pareceu entender.
Volto a devorar outras garotas, de uma lado a outro do bar, com todos hipnotizados, ninguém iria se opor. Brant tinha bebido de duas garotas, e eu já deveria estar na quinta. Nas duas primeiras não pude me controlar, estavam mortas junto a uma pilha de outros que trouxemos da rua. Eu odiava limpar aquela sujeira, por isso estava sempre com Brant. Ele era cuidadoso e um tanto chato, como o meu irmão mais novo Stefan, que também agradeço por estar longe.
A noite se arrastava quando vejo outra garota dign da minha atenção. Penso em deixá-la por ultimo, já que meus interesses com ela são outros. Brant a hipnotiza enquanto eu mato mais duas garotas, assim como grande parte da minha cede, antes de me aproximar dela. Ela tem olhos azuis, muito claros e bonitos. Troco poucas palavras com ela antes de pensar no que fazer.
- Me ajude a levar os corpos po fundo, ou vão apodrecer aqui mesmo. – Brant diz com duas garotas em seus ombros. Mortas, obviamente.
- Deixe-as. Apenas jogue um fósforo que queimarão.
- Vai queimar o bar todo, Damon! Lembra que todos aqui estão hipnotizados para não correr?
- E isso me importa? – eu sorri irônico. – Pegue as garotas que quiser e saia. Eu mesmo faço.
Eu puxo um isqueiro do bolso e Brant tenta hipnotizar quase todos para sair e esquecer o que viram. Seu lado bondoso, tentando salvar todas aquelas almas bebadas, enquanto eu apenas deixei o isqueiro cair sobre a roupa da primeira menina. O chão feito de madeira longo começou a pegar fogo também, assim como tudo. Peguei a minha garota e deixei o resto para Brant.
Corri com ela nos meus braços na rua, até meu carro. A hipnotizei para que não fizesse nada que eu não mandasse e ela ficou quieta. Dirigi calmamente para longe do centro de Manhattan e fui em direção a minha casa alugada, apenas para o periodo nômade, meu e de Brant. Lá eu curti e me aproveitei da garota até cansar, hipnotizando ela para suportar qualquer dor e esquecer que bebi de seu sangue. Eu passei a madrugada brincando, até que me dei por vencido e deixei Brant a levar para casa. Sexo, bebida e sangue... Tudo que um vampiro pode querer.
- Sabe que aquilo é errado não é? – Brant diz em voz alta para que eu acorde. Nem estava dormindo.
Apenas me ajeito na cama com um largo e irônico sorriso no rosto.
- O que é errado?
- Damon, a sua humanidade não tem nada a ver com o seu cerébro. Estamos deixando uma pilha de corpos por toda a costa! Quanto tempo até sermos notados?
- Relaxe, Woods... Se formos notados temos um milhão de cidades para fugir e nos alimentar. Eu não te trouxe comigo para ser um segundo Stefan! Se quer ser como o Stefan, a porta é bem ali! – eu apontei e depois dei outro sorriso irônico. – Fique a vontade.
- Damon, sobre o Stefan...
- O que foi? Enfiaram uma estaca no coração dele ou voltou a ser o ripper amigão de que tanto sinto falta?
Com a humanidade desligada, eu conseguia ser bem cruel. Mas as crueldades que saiam sem pensar, não eram acompanhadas de nenhum remorso. Sentia falta do Stefan estripador, que saia comigo para beber de milhões de veias até ficar cheio. Mas a culpa o consumia depois, ele se afogava em uma sede inacabável, até que algo o fazia voltar a sua dieta de animal. Mas se para nada mais o Stefan servisse, ou se apenas servisse para me fazer tentar ser humano de novo, que moresse. Eu não ligaria. Os Salvatores sempre foram lobos solitários. Ou melhor, vampiros solitários.
- Está com a Katherine de novo. Eu... – não deixei que Brant terminasse a frase. Parti para cima dele e o joguei contra a parede com os caninos a mostra.
- Como assim o Stefan está com Katherine?! – eu grito.
- Sai de cima, Damon! – ele me empurrou e respirou de novo, tranquilarmente. – Toma aqui! – ele tirou o celular do bolso, abriu em uma foto e me jogou o telefone.
Era o Stefan com a Katherine em seus braços, os dois se entreolhavam. Eu nunca tinha visto um olhar tão inocente e passivo em Katherine, era como um anjo ainda intocado, não era a Katherine que eu havia visto ser levada para uma tumba. Eu passei minhas décadas achando que ela tinha ficado presa, que eu jamais a veria. Me remoi com a dor de nunca mais poder tocar a sua pele e dizer que a amava, por mais que aquela víbora manipuladora já soubesse e fizesse pouco.

- Arrume tudo Brant. – eu o olho pertubado. – Vamos para Mystic Falls.
Stefan Salvatore
Acordo naquela velha casa, que tem cheiro de mofo e cigarro. A antiga morada dos Salvatore, na verdade está só caindo aos pedaços. Eu pulo, tomo um banho e saio cedo para caçar algum cervo, antes mesmo do sol aparecer sobre Mystic Falls.
Quando sinto o gosto do sangue fervilhando na minha boca, um frison, extâse esse que se compara ao de rolar na cama com alguma outra Katherine. Mas Katherine era um grande passado diante de mim, eu estava a cada dia aprendendo a seguir em frente. Mas a cada passo que eu dava para frente, dava para trás também. Eu estava saindo com uma garota que era a copia fiel da Katherine, exatamente como ela, mas totalmente diferente. Isso mesmo, igual e diferente ao mesmo tempo. De longe pode-se notar a semelhança, mas um segundo com ela, se nota toda a diferença.
Eu me visto uma nova roupa e saio em direção ao colégio, com um sorriso, alegre. O dia havia começado bem, e estava prestes a melhorar, quando ponho meus olhos em Elena Gilbert, a duplicata idêntica de Katherine.
- Ei... – ela me deu um beijo rápido e sorriu mais radiante. – Gostei da camisa.

- E eu gostei de você inteirinha! – ela pula nos meus braços e eu a abraço forte. – Você é linda.
Elena me beija. Estavamos juntos há poucos dias... Desde a primeira festa, quando cheguei a Mystic Falls. Ela pôs os olhos em mim e eu imediatamente lembrei-me do dia em que a salvei da ponte. Eu sabia quem ela era, e obvio que sua semelhança com Katherine era absurda. Mas às vezes me sentia culpado, por saber tanto sobre ela e ela não saber nada sobre mim.
- Vamos entrar?
Eu estava prestes a assentir, quando vi de longe a imagem do meu irmão mais velho, ladeado pelo seu fiel companheiro, Brant Woods. Eu me virei para encarar Elena e quando pus o olho de novo neles, só via um corvo. Eu fiquei apreensivo e temi pela presença de Elena, ela era muito vunerável diante de Damon. Eu também.
- Pode ir na frente, Caroline e Bonnie devem estar procurando por você. Eu preciso resolver umas... Coisas.
- Coisas? – ela fez uma cara impaciente.
- Nada qu você tenha que se preocupar. – eu a beijei de novo e tentei sorrir. – Eu já volto.
Eu me desvencilho dos braços dela e corro em direção ao meio da mata, na direção do corvo. Eu estava distraido quando esbarrei em Tyler Lockwood, um garoto extremamente atrevido e arrogante, para o qual eu não tinha paciência.
- Tá cego, Salvatore? – ele diz me empurrando.
- Desculpe. – eu tento amenizar a situação, mas ele me provoca me empurrando mais uma vez.
- Vê se olha por onde anda! E escuta, só porque é o novato, e tá saindo com a Elena, não quer dizer que tenha moral aqui. Cuidado Salvatore. – ele aponta o dedo no meu rosto.
Eu pulo sobre ele e o imobilizo, assim como os outros rapazes que partiram para cima de mim em seguida. Quando todos estavam acabados, eu passei por cima de cada um, e segui em direção ao corvo. Tomei cuidado para não derramar uma gota de sangue, porque sabia que eu não seria capaz de resistir. Dei uma olhada neles, todos se contorcendo no chão e eu dei até uma risada.
Quando me vi diante do corvo, comecei a procurar Damon no topo de arvores, esperando para me nocautear. Aquilo me dava arrepios, um encontro com o Damon... O nosso último havia sido desastroso. Quando menos esperava, Brant pulou sobre meus ombros enquanto Damon desferia socos sobre mim, até que eu estivesse completamente impune. Ele arracou um galho e cravou no meu peito, perto do meu coração. Ele girava o graveto e eu arfava cada vez mais de dor quase sem conseguir respirar. Damon sorria vitorioso enquanto Brant só me segurava, sem esboçar expressão.
- Olá irmãozinho. – suas palavras sairam secas.
Damon Salvatore
- Parece que a Katherine te deixou aqui para apodrecer na minha mão... E foi fugir para qualquer outra toca como ela faz. – eu disse enquanto olhava meu irmão se contorcer de dor.
- Damon... – ele murmurava com dificuldade. – Ela... Não é... A Katherine.
- Claro que não! Aquela víbora só é identica a ela, fala como ela, anda como ela, transa com você como ela, mas não... Não é Katherine.
- Damon, – Brant se pronunciou me deixando estremamente irritado. – Deixe que o Stefan fale.
Brant o largou, o tirando da mira da minha estaca. Eu atirei o galho em direção a ele, mas ele o agarrou em um reflexo. Então eu corri até ele e quebrei o seu pescoço e joguei seu corpo na frente de Stefan, para que ele pudesse sentir culpa por aquilo. Ele é tão humano que sentiria pena de mim se eu o matasse, mas não raiva. Stefan parecia ser incapaz de se afastar de sua boa humanidade. Tão irritante... Ele me enchia de odio. Mas tudo isso, vinha pelo fato da Katherine estar sempre escolhando ele, aquele bom samaritano falso.
- Então Stefan... Acho que o Brant gostaria de ouví-lo.
- Damon... Me escuta, antes que fazer uma bobagem. – ele tentava se recuperar, tirando as farpas de madeira do seu ferimento.
- Se você está com a Katherine eu quero logo saber. Quero falar com ela! Você e aquela cobra num colegial, – ele sorriu frio. – boca livre, imagino que tenha sido ideia dela!
- Ela não é a Katherine, Damon! – Stefan arfou mais um pouco e depois continuou. – O nome dela é Elena, uma Gilbert. Não sei que ligação ela tem com a família Petrova, mas com certeza tem alguma. Não me importa o que queira saber... – ele tentou se levantar. – Fique longe dela!
- Você não me dá ordens! – eu dou um soco no seu rosto.
Quando ele cai de lado, vejo dois papéis cairem do seu bolso. Quando ele tenta recriar as forças para levantar, eu pego os papéis do chão e leio. Dois convites para o baile do dia do fundador, uma data em que os Salvatore sempre fizeram questão de ser presentes. Eu sorrio comigo mesmo, o Stefan pretendia convidar a Katherine, ou Elena, eu sei lá.
- Bem interessante... – eu jogo os convites por cima do sangue de Stefan. – Acho que a sua querida duplicata vai arrumar um novo par enquanto o dela está morto.
- Do que está falando Damon?
Eu levanto Stefan pelas orelhas e o coloco em meu nível, depois quebro seu pescoço. Com certeza, eu estava interessado em conhecer essa Elena, e ela também iria querer me conhecer.
Como é bom estar em Mystic Falls de novo... eu penso. Me arrumo e sigo em direção a escola, porque esse definitivamente era meu primeiro dia de aula.

Notas finais
Stefan se preocupa com a presença de Damon e Brant na cidade, e continua a alertar Elena de que o irmão é perigoso. Damon se aproxima de Vicky Donovan e arruma problemas com Tyler, Jeremy e Matt.
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