A Bordo Do Titanic

10 Capítulo 9 - Cherbourg ao Anoitecer...


Notas iniciais
Oláááá :D
Mais um capítulo fresquinho para vocês :3
Quero dar as boas vindas ás novas leitoras que seguem a minha fic ^^
um especial obrigado á Senni e a Edwina_Billo por comentarem em todos os capítulos.
Todas vocês são umas queridas! ♥♥♥♥
Bem, não vamos perder mais tempo xD
Boa leitura e espero que gostem :3
Não se esqueçam, deixem os vossos reviews *.*

Edward

Deixei escapar um suspiro audível de impaciência, levantei-me da poltrona com a raiva a ferver-me nas veias. A minha vontade de apertar o pescoço de Emmett era quase totalmente irresistível. Mas para a sua sorte não foi o suficiente, antes optei por sair dali o mais depressa que me foi permitido... Numa situação como aquela a minha consciência conseguiu ser mais sensata. Sem pensar no que estava realmente a fazer abri a porta de madeira envernizada que dava para o alpendre daquele compartimento da suite contígua. Se demorasse mais dois segundos no mesmo ambiente que o Emmett a explosão seria deveras inevitável.

Por segundos a minha raiva crescente conseguiu ser aplacada durante uns segundos pelo ambiente bem iluminado pela luz natural do sol que invadia aquele alpendre.

Plantas a decorar toda a extensão do mesmo, de um verde rico e bruxuleante com vasos em madeira lacada, havia uma mesa em verga robusta ao centro, rodeada apenas por duas cadeiras enormes do mesmo material. Achei que apenas se conseguiam igualar ao aspecto e tamanho das grandes poltronas que jaziam na sala de estar do compartimento da sua suite, as mesmas linhas elegantes e austeras… As janelas não muito largas do navio deixavam através do seu vidro trespassar a luz que já se aproximava da tarde. Aproximei-me de uma delas com a única intensão de apanhar um pouco de ar fresco, talvez isso fosse uma forma sensata de conseguir que aquela raiva, que se tinha apoderado de mim com a breve discussão com Emmett, se decepasse. Mas a afirmação de Jasper fez-me deter ainda por uns segundos e escutar com atenção.

- Caramba Emmet…

- Que culpa tenho eu? É mais forte que eu Jasper… Irritar o Edward é, como tu sabes, uma das minhas fraquezas. É adorável vê-lo a deitar fumo pelas orelhas. Quase que poderia servir de locomotiva a carvão…

A incredulidade não demorou muito a surgir, ele achava-se muito engraçado não era?! Que sabia ironizar e dizer piadas como ninguém?!! Aproveitando-se do facto de eu ferver em pouca água e dizer-me tudo o que lhe apetecesse?! Ele ia ver! Um dia as coisas não seria como ele pensaria!!

Foi impossível não sentir novamente uma nova onda de raiva a assolar-me e antes que perdesse de todo o meu autocontrolo e entrasse novamente pela suite, expulsando o palhaço gigante do Emmett de uma vez dos meus prévios aposentos ao pontapé, abri de uma só vez com um som abrupto uma das janelas. A maresia marítima atingiu-me o rosto de uma forma certeira, o vento a dançar sobre os meus cabelos… fez-me transportar as minhas atenções da conversa entre Jasper e Emmett para algo bem mais merecedor da minha atenção. Mas depressa o efeito passou quando o vento que invadia o alpendre fechado e o odor do sal do mar tornaram-se meramente familiares. A raiva voltou em força… Busquei por uma nova solução, obtendo finalmente a melhor de todas… a de ignorar.

Seria a solução perfeita, se fosse fácil de executar, claro.

Os pensamentos de Jasper e Emmett inundavam o interior da suite, tão audíveis dentro da minha cabeça, tão incómodos quanto uma festa nos jardins às 3 da manhã na Mansão dos nossos antigos vizinhos, a família Forster. Mas eu ignoraria, sim… ignorá-los-ia deliberadamente e permaneceria naquele alpendre exterior até que ambos se resolvessem a retirarem-se, cada um para o seu aposento deixando-me finalmente em paz e sossego. Decididamente não seria capaz de voltar para o interior, como se parecesse ter sofrido uma amnésia repentina e fingir desconhecer que momentos atrás eu tinha discutido com o Emmett. Não, o meu caracter não me permitiria usufruir de um luxo assim tão pleno de vantagens… Facilmente perderia as estribeiras se cometesse esse erro e aí talvez a sorte de Emmett já não o acompanhasse como fora momentos atrás… Sim, eu considerava que o meu “irmão” mais velho tinha sido agraciado com uma sorte bastante grande. O que Emmett tinha feito, ao desacreditar o meu ponto de vista com tanto humor e ironia tinha-me deixado á beira de uma raiva potente. Era melhor que ele não brincasse comigo daquela forma, repetindo com a gracinha. Eu não teria as mesmas forças para engolir tão deliberadamente as suas provocações infantis…

Os pensamentos de Emmett continuavam mais audíveis que nunca e eu para que não perdesse o meu autodomínio tratei de encontrar uma forma de me abstrair o mais depressa que me era permitido, ao deixar que as minhas inteiras atenções se despojassem sobre a fresca maresia que vinha de encontro a mim, o odor inconfundível do iodo do mar.

Fechei os olhos lentamente e inspirei profundamente, como se necessitasse realmente de respirar, inalando com vontade aquela brisa fresca e agitada. Subitamente, os pensamentos característicos de Jasper, abundantes em sentimentos de calma e ponderação foram-se enfraquecendo, afastando-se aos poucos daquele local onde agora apenas resistiam os pensamentos de Emmett. O som distante de uma porta a abrir e depois fechar suavemente fez-me constatar que Jasper tinha acabado por sair da suite, retirando-se de uma forma sensata e singela. Só Emmett foi mais persistente e deixou-se estar no interior perdido nas suas próprias reflexões e perguntas que oscilavam entre as lógicas e as que eram deliberadamente absurdas. Na sua cabeça surgiam questões atrás de questões: quando é que eu resolveria sair do alpendre (a minha resposta: obviamente que até que ele estivesse na minha suite eu nunca sairia do alpendre.), se ele deveria pedir desculpas pelo que tinha dito (a minha resposta: uma escolha sensata… caso ele se desse mesmo ao trabalho disso.), o que automaticamente achou dispensável… (a minha conclusão: uma escolha de todo errada.) ainda se questionou se Carlisle resolveria comparecer ao 1º jantar a bordo do Titanic (a minha resposta final: uma pergunta sem dúvida absurda.)

Era óbvio que a nossa família teria de comparecer ao 1º jantar a bordo do Titanic! Por vezes os raciocínios de Emmett faziam-me ficar espantado… Ele saberia quais seriam as consequências?

A resposta era simples e clara: A nossa ausência naquele jantar, por mais que fosse essa a minha vontade, chamaria contudo demasiado a atenção de todos os passageiros sobre a família Cullen… Nós não eramos propriamente desconhecidos nos circuitos de prestigio da 1ª classe, muito pelo contrário, a família Cullen era bastante afamada á mais de 3 décadas. Todas as famílias importantes do topo da sociedade desejavam a nossa presença, todos queriam a nossa companhia, a nossa inteira atenção, compartilhar conversas, opiniões em qualquer assunto badalado do momento… Quer fosse em jantares requintados, reuniões nos jardins, saraus em salões imponentes e elegantes... Poderia dizer que a nossa família era extremamente requisitada em Londres, a situação não fugiria de todo á regra no navio mais famoso de 1912… Esperava impacientemente que Emmett abandonasse por fim a suite, desejava isso ardentemente.

Emmett não possuía o dom de ler os pensamentos como eu… aliás, ele nunca alcançaria tal habilidade, mas naquele momento seguinte foi como se o possuísse… Mais um dos seus pensamentos demasiado audíveis veio até mim com a informação mais preciosa, a que eu, de todo necessitava.

Ouvi os seus passos pesados sobre o soalho de madeira polida ressoarem até em direcção á mesma porta por onde Jasper saíra. Sorri perante a expectativa futura de dali em diante, pelo menos naquele dia, de ver o meu querido “irmão” mais velho pelas costas, deixando-me finalmente em paz! Ohh que doce melodia que eu agora conseguia ouvir!! Os seus passos agora entoavam o que eu mais desejava, o som de uma despedida prévia e um convite promissor de uns momentos comigo mesmo… isolado dos que eu não desejava partilhar de momento o mesmo espaço de onde eu me encontrava enclausurado.

Tinha que admitir, com algum esforço até que Emmett conseguia ser suficientemente sensato e fazer aquilo que era o mais conveniente para a ocasião… Tal como os de Jasper, os pensamentos dele foram-se afastando, diminuindo de intensidade. Mais uma vez, a uma porta de madeira fez-se ouvir, sendo aberta e depois fechada. Ainda consegui ouvir um último pensamento de Emmett recair sobre a sua intensão de se retirar finalmente para a sua suite. Era de todo uma decisão sensata!

Senti que aos poucos, o controlo se apoderava do meu corpo, e como se a brisa marítima me levasse toda a raiva que lhe fosse possível bem para longe, os meus músculos foram relaxando. Uma sensação de estranha familiaridade penetrou-me, permitindo-me que buscasse o prazer de me deparar finalmente sozinho numa suite de 1ª classe que outrora, nunca vira na minha vida. Estava finalmente sozinho e isso é que me importava agora, permitindo deliberadamente que a minha mente suspendesse os acontecimentos passados ainda á pouco e atrevi-me finalmente a voltar para o interior. Tudo o que necessitava era esquecer…

Mas como esquecer?! Não se poderia esquecer facilmente que estava naquele momento num barco, o mais luxuoso que o homem vira no mundo até então… estava a caminho de um país que não queria “invadir” de todo. Se eu pudesse daria tudo para voltar a Londres, continuar a vida que tinha ficado em suspenso naquela cidade tão cinzenta, chuvosa e progressivamente cosmopolita.

Abri a porta e entrei calmamente para dentro da sala de estar da suite, apreciando o recém silêncio que se instalara dentro daquelas paredes. Como era delicioso o barulho do nada… Um pensamento não muito longínquo de Emmett fez-me saber que o próprio já se apoderava de um livro que trouxera consigo e preparava-se para mergulhar numa leitura intensiva que, pela sua intensão presente nos seus pensamentos seria alargada pela tarde inteira. Isso fez-me regozijar de alegria, uma alegria imensa e arrebatadora que me fez sorrir deveras!

Quase gargalhei ao imaginar que teria o meu tão merecido silêncio e puder dedicar-me ao digerir difícil de todos os acontecimentos desde que Carlisle tinha tido aquela ideia mirabolante de sair de Londres com a sua família e ir viver para o outro lado do oceano.

Sentei-me numa das poltronas megalómanas e austeras, apreciando deleitado o paladar de me encontrar só… mas eis que algo, subitamente, voltou a surgir… aos poucos. Pensamentos familiares invadiram-me a mente inoportunamente e eu quase exasperei, a raiva pungente, outrora calma, a emergir rapidamente dos confins de onde eu a lançara. Soltei um resmungo baixo, constatando que era Jasper que voltava. Mas ele não vinha sozinho… Carlisle acompanhava-o e o pensamento mais frequente que lhe habitava naquele momento no seu interior era a sua vontade de ferro em querer conversar comigo. O que poderia fazer? Nada! Poderia resmungar com o Jasper, poderia deixar explodir o meu mau feitio para cima de Emmett… mas nunca poderia negar um pedido a Carlisle, fosse qual ele fosse. Devia-lhe demasiado e nunca me permitiria que o meu orgulho e o meu carácter de pavio curto se sobrepusessem.

Para minha surpresa Jasper não entrou dentro da minha suite, em vez disso seguiu para a sua própria e lá se instalou, mantendo os seus pensamentos dentro do cariz calmo e de uma forma que não fossem tão evasivos no que tocava a mim. Consegui ouvir os seus passos seguirem mais adiante, a todo o comprimento da carpete persa faustosa do corredor e depois a porta do seu lado ser aberta e fechada.

Esperei em silêncio, deixando-me estar sobre a poltrona, sentado e aguardando que Carlisle finalmente se decide-se a invadir o meu espaço. Se eu pudesse escolher aquela não seria de todo uma das opções contidas na lista debaixo do título: “Como invadir a suite do Edward Cullen inoportunamente.”

O sentimento de súbita decisão pronteficante por parte do Carlisle fê-lo bater delicadamente, esperando então que eu respondesse ao dizer aquilo que ele queria que eu dissesse:

- Entre… — Murmurei de má vontade.

Foi o suficiente, era o que Carlisle precisava…

O som da porta a ser aberta vagarosamente preencheu a atmosfera e do outro lado surgiu a cabeça loura de Carlisle, amistoso pelo seu porte, com a elegância despojada sobre o traje que envergava. No seu olhar existia uma premonição inevitável do que se seguiria no decorrer dos minutos seguintes. Carlisle fechou a porta atrás de sim, optando por se manter primeiramente junto ao perímetro que alcançava a saída e entrada da suite. Quanto a isso eu supos que fosse devido á possibilidade de eu, num propósito ou não de ser ríspido. A mente do meu pai deslizou sobre a hipótese de, caso isso acontecesse-se que optaria por sair e voltar mais tarde.

- Não será necessário tal coisa Pai… — Antecipei-me, respondendo prontamente. – Se quiseres falar comigo que seja agora, aqui. É a altura apropriada para resolver as coisas e esclarecer as dúvidas que transportas em ti…

Carlisle sorriu abertamente depois de ter escutado a minha resposta, decidindo assim por se aproximar ainda um pouco mais. Imaginei que aquela minha resposta fosse a causadora da sua acção espontânea e o incentivo certo para que ele tomasse a iniciativa daquele gesto tão diligente… Olhando por instantes, aproximou-se da poltrona que jazia oposta a de onde eu me encontrava sentado e prontamente sentou-se. Eu, de olhos imersos em algo que naquele momento não existia no soalho brilhante que estava parcialmente encobrido por carpete rica em cores outonais, castanhos sombrios, vermelhos quentes e uma cor predominante de creme suave, ignorei a forte intensão de Carlisle, ficando absorvido pelo toque e a textura da carpete que se tornava aconchegante. Os seus pensamentos oscilavam por várias hipóteses… perguntas que ele desejava saber como responder. Por onde começar aquele diálogo? Qual o melhor início para aquela conversa em que de alguma forma não despertasse facilmente o meu mau humor, aparentemente naquele momento já entorpecido, quase adormecido?

Enquanto Carlisle buscava intensivamente por uma forma entre muitas que fosse razoável, reflecti em como até á data presente tinha almejado tanto para conseguir alcançar um pouco de paz que tanto queria e sossego que com todas as minhas forças presava… mas Carlisle estava ali, Jasper tinha estado ali, e Emmett a mesma coisa… seria mais do que natural que resmunga-se, afinal parecia ser já parte do meu carácter recém-adquirido… todos naquele dia pareciam dispostos a invadir o meu espaço, não olhando as consequências, quando sabiam que aquela viagem tinha afectado grandemente o meu estado de espírito.

- Como é que é a vossa suite, Carlisle? – Perguntei repentinamente, travando a avalanche de pensamentos de Carlisle.

- Posso dizer meu filho, que é uma suite digna e bem á altura da pequeníssima fortuna que nós desposemos em dar por ela. – Respondeu automaticamente, esboçando um sorriso travesso e bem-disposto.

- Essa pequeníssima fortuna, tal como mencionas Carlisle poderia ter sido poupada ao seu gasto… — Murmurei subitamente intempestivo, não conseguindo ocultar aquele tom amargo que acompanhou a minha afirmação.

Estava lançada a primeira pedra, e agora? Quem reagiria primeiro? Carlisle responderia á minha insinuação azeda?!

Um pensamento ímpeto da sua mente foi nascendo segundo a segundo, trazendo consigo a exasperação total de alguém que já não sabia o que havia de dizer, fazer e mesmo argumentar. Pareceu-me que a resposta seria sim… Carlisle reagiria, mas não de uma forma tão directa como Emmett com os seus modos provocativos.

Mas eu não largaria as minhas convicções tão facilmente, era no que eu acreditava fielmente de qualquer das formas… Jamais olharia com bons olhos para tudo isto. Na minha própria compreensão tudo isto era errado, esta viagem era errada!

O correcto era ser uma família como todas as outras, com residência fixa, permanecer no mesmo lugar ano após ano, sem que nos tivéssemos de preocupar com o seu amontoamento, enquanto os mesmos, os anos da madureza da carne e a chegada gradual mas impertinente da perda de cor dos nossos cabelos chegassem.

Mas isso nunca aconteceria, obviamente… só a nossa mente amadurecia com o passar dos anos, décadas, séculos… e estes mesmos anos de velhice nunca nos iriam atingir. Uma época de frescura e juventude eterna tinha-se conservado nos nossos corpos e não havia forma de retroceder isso.

- Até quando Edward? – Murmurou Carlisle, levantando-se da poltrona, mantendo o seu olhar cor de âmbar sobre mim. – Diz-me… até quando?!!!

Foi nesse momento que eu soube… Carlisle tinha perdido por instante a paciência e a compreensão. Consequências por ter lançado no ar a minha insinuação pessimista.

- Até quando o quê Pai? – Questionei inocentemente, eu sabia ao que ele se referia perfeitamente.

- Tu sabes muito bem o que eu quero insinuar, meu filho. – Disse-me com um olhar exasperado. – O que te faz ser assim? Dessa forma?! Torna-se cansativo estar perante a tua presença e ser dardejado constantemente por esses pontos de vista tão sombrios… Atrevo-me a perguntar o que é que te atormenta ainda, depois de todos estes anos passados na nossa companhia… já era para, com o passar do tempo, essas memórias terem-se suavizado.

Eram tantos os motivos, não chegaria de todo um dia para os mencionar na íntegra todos eles. E Carlisle tinha razão, muitos deles ainda nem tinham começado a suavizarem… residiam ainda bem despertos na minha memória e alma.

- Pai, eu não gosto de mudanças, e tu sabes muito bem isso… Quando estamos já

Completamente estabelecidos num certo lugar, quando passamos a conhecer cada

pormenor do que nos rodeia, os odores, os sons, as pessoa, os costumes… tudo! Quando

já temos aquela sensação de familiaridade, de que pertencemos finalmente àquele lugar

onde residimos, tu tens sempre a brilhante ideia de escolher um outro completamente

desconhecido e obrigas-nos a partir.

Esta era uma parte da verdade, uma ponta do véu puxada para cima, desvendando o que

realmente deixava-me neste estado. Era certo, eu não gostava de todo de mudanças…

mas havia muitos mais motivos…

Carlisle por segundos encarou-me, não dizendo uma única palavra, mas os seus pensamentos censuravam-me de uma forma bastante dura. O que era um grande contraste comparando com o típico temperamento recheado de compreensão e afabilidade por parte do meu pai…

— Se não houvesse necessidade de o fazer Edward, eu daria a minha mais honrosa palavra de que nunca obrigaria a minha querida família a tal incomodo e sacrifício… — Exclamou Carlisle, com a voz recheada da compreensão e afabilidade completamente restaurada.

Aquela sua insinuação foi deveras certeira, Carlisle tinha conseguido responder á altura… Obrigou-me a pensar na veracidade das suas palavras. Depois de tudo o que tinha expressado ele ainda continuava a ser um pai que se preocupava com o meu bem-estar e estava disposto a ajudar-me. Subitamente senti-me envergonhado, talvez eu estivesse a ser demasiado egoísta e tivesse dispensado demasiado tempo a pensar no quanto eu me sentia, optando sempre pelo meu ponto de vista e recusando assumir e compreender o que é que Carlisle, Esme, Jasper e até Emmett poderiam sentir.

Mas a vontade de me expressar era mais tentadora, e as minhas convicções de que isto continuava a ser errado não desapareceram, apenas foram atenuadas pelo momento.

Levei as duas mãos aos cabelos, apertando as têmporas com os dedos como se realmente tivesse intensão de esmagar a minha cabeça dos lados. Senti Carlisle aproximar-se de mim, colocando afavelmente a sua mão sobre as minhas costas.

- Eu vejo o quanto ainda sofres meu filho… São muitas as vezes que vejo nos teus olhos as sombras do passado, da tua antiga vida. – Murmurou. – É isso que te faz ser assim, tão introspectivo, reservado… áspero para os que te rodeiam.

Memórias do passado… de um passado longínquo que jamais poderia ser recuperado. Uma juventude retida para sempre, quando o meu desejo era ter continuado em frente até culminar na minha morte.

Pertencendo a uma época distinta… talvez ter criado feitos que outros não poderiam ter nem sequer imaginado, inscrevendo sobre o livro da História o meu nome a dourado. Deixando o corpo depois de inativo, debaixo da suja terra enquanto o meu nome permaneceria por gerações, correndo memórias atrás de memórias daqueles que me viessem mais tarde a recordar. Exaltando-o, cantando-o, levando-o ao divino. Teria sido esse o meu destino mais provável se nunca tivesse acontecido naquele dia o que aconteceu… afastando-me para o interior da floresta.

*Flashback On*

20 de Junho de 1772 — Palácio de Versalhes.

A manhã tinha nascido prometedoramente soalheira, não tardaria até que o calor surgisse, importunando a frescura de Versalhes que se instalara durante as horas da noite… fazendo-a refugiar-se agora nas florestas ali próximas do palácio. O Rei, Luís XVI como todas as vezes, saiu bem cedo para passar o seu dia inteiramente dedicado á caça, junto com os seus companheiros diários que partilhavam com o mesmo gosto e ambição este prazer. Alguns dos cortesãos mais habilidosos na arte de montar e caçar acompanhavam de igual forma o pacato e gentil Rei, nunca se esquecendo de mais tarde mencionarem aos restantes da corte do Palácio os acontecimentos do dia passado junto de sua majestade.

Naquele dia, Monsieur Jacques Thibodeau, um dos muitos que frequentavam diariamente a corte francesa, convidou o jovem Edward a visitar naquela manhã de Junho o Palácio e assim apreciar o modo de vida que era levado a cabo no círculo real e na corte. Quem sabe, se com aquela visita não incutisse no espírito de Edward uma ambição saudável de exercer cargos de prestígio e assim estabelecer a sua própria condição na vida… Jacques Thibodeau era muito amigo já a vários anos da família de Edward, aliás, fora ele o próprio que implantara o acesso livre e privilegiado da família do jovem rapaz, estabelecendo e firmando grandes laços entre a família que tinha uma grande riqueza em sua posse e a corte, abrindo caminho até á família real.

Na Galeria dos Espelhos já se avistava os reflexos das Madames e dos Monsieurs, simplesmente passeando naquela manhã num dos compartimentos mais belos de Versalhes. Edward admirou os frescos, completamente estasiado, todos aqueles frescos magníficos, a folha de ouro que cobria cada pormenor, os lustres de cristal imponentes que jaziam suspensos no ar… ele tentou imaginar como seria frequentar todos os dias Versalhes, descobrindo cada canto recôndito, imaginando perder-se nos labirintos dos jardins desejando depois ser encontrado por alguma jovem e bela Dama, admirando os reflexos projectados pelos espelhos de água, os repuxos das ninfas aladas completamente nuas, sendo apenas tapadas por finos tecidos de pedra vaporosos. Davam a ideia de emergirem da água, carregando ânforas de onde saia água cristalina. Mais além a fonte de Neptuno impunha-se, não dispensando de nenhuma forma a sua imponência e glória, dando a mostrar o emergir majestoso do carro do Deus do Mar, sendo puxado por cavalos que nasciam da água e se misturavam entre as ondas esculpidas em bronze… rodeado de repuxos refrescantes.

Seria maravilhoso viver neste lugar…” – Pensou Edward com um sorriso desprovido de timidez, comparando de uma forma espontânea o Palacete onde actualmente vivia com o Palácio onde agora se encontrava.

Edward manteve-se junto a Monsieur Jacques Thibodeau, admirando em silêncio as pessoas que naquele momento se encontravam na Galeria, exibindo os seus trajes, as damas mostrando as suas jóias e os seus penteados adornados igualmente de jóias e plumas, numa competição silenciosa de qual era a Madame que mais se destacava no meio de tanto fausto e requinte.

- É sempre assim Monsieur Jacques? – Questionou Edward num tom baixo de voz.

- Mas é claro que sim meu jovem rapaz! – Respondeu Monsieur Jacques, arregalando os olhos de surpresa, encarando um Edward completamente maravilhado e rendido. – Isto, é Versalhes!

Subitamente fez-se ouvir um grande burburinho muito mais audível. A Rainha! A Rainha tinha acabado de entrar no corredor comprido e faustoso da Galeria dos Espelhos, acompanhada da Duquesa de Polignac e a Princesa de Lamballe que seguiam ligeiramente mais atrás, conversando entre as duas, enquanto a Rainha ia á frente, exibindo um novo vestido em tafetá e musselina branca, inúmeras jóias encrostadas de diamantes no pescoço, nas orelhas, e até mesmo no cabelo louro acinzentado, várias pulseiras de pérolas em cada um dos pulsos delicados e um novo penteado recheado de plumas cor-de-rosa e brancas a conjugar com fitas do mesmo tecido do vestido.

- Hoje a nossa Rainha, Marie Antoinette, está deslumbrante… — Comentou Jacques completamente embevecido

Edward reflectiu por instantes, no nome da Rainha… Marie Antoinette. O nome suou-lhe mentalmente inúmeras vezes, produzindo no mais profundo do seu ser admiração. Nunca antes tinha visto a Rainha e decerto que concordava com a afirmação de Monsieur Jacques, Marie Antoinette estava deveras deslumbrante, muito elegante aliás!

O corpete do seu novíssimo vestido acentuava ainda mais a cintura fina, a sua pele alva do rosto resplandecia naquela manhã de Verão, os lábios rosados, delicados e pequenos esboçavam um sorriso maravilhoso, as maçãs do rosto exibiam uma fina camada de pó rosada que lhe davam aquele ar mais deliciosamente corado, mas o seu olhar azul acinzentado espelhava algo diferente. Só mesmo um olhar mais atento desvendaria uma centelha de tristeza naquele olhar tão límpido e encantador.

De uma forma inexplicável, Edward sentiu compaixão por Marie, não sabendo ao certo da sua origem, uma compaixão que foi substituída por uma atracção avassaladora que o fez discretamente corar.

Seria possível que se sentisse atraído pela Rainha?

Edward estava tão vidrado naquele facto que nem reparou nas restantes damas que entretanto chegavam á Galeria dos Espelhos e assim que notavam a sua presença faziam os possíveis para chamar a sua atenção sobre si próprias. Queriam aplicar os seus modos galantes naquele rapaz completamente novo na corte. Monsieur Jacques Thibodeau apercebeu-se e sorriu perante as hipóteses que já se começavam a cair aos pés de Edward. Talvez ele conseguisse casar com uma das damas ainda solteiras da corte e então assim estabelecendo uma possibilidade de coloca-lo no leito da Rainha. Sim, Jacques tinha reparado no olhar de admiração por parte de Edward na direcção de Marie Antoinette. De uma forma discreta poderia ser amante dela e assim depois adquirir importância e prestigio com um cargo gentilmente oferecido por ela.

Jacques trataria de zelar pelos interesses de Edward…

- Creio que tenha despertado em si meu caro jovem Edward, o desejo de frequentar mais vezes a corte? – Iniciou Jacques, não se esquecendo do tom sugestivo na voz.

- Sim, Monsieur Jacques. – Uniu convicto Edward de sorriso nos lábios. – Gostaria de comparecer mais vezes, se isso fosse possível de vir acontecer. – Ao dizer isto o seu sorriso esmoreceu ligeiramente.

- Pois não se preocupe! Sabe Caçar Edward? – Perguntou Jacques.

- Sei sim, o meu pai em pessoa assim me ensinou essa arte e também a arte de montar a cavalo! É deveras interessante, só o facto de andar a cavalo faz-nos usufruir de uma liberdade prazeirosa!

- Pois bem, proponho-lhe um convite inegável – Sorriu satisfeito o Monsieur, ajeitando a casaca de veludo vermelho. – Dado que ama tanto essa arte, como me dá a parecer… lanço-lhe o convite de amanhã, logo pela bem cedo vir caçar juntamente com o grupo real e assim tereis a oportunidade de ouro e a honra de conhecerdes o Rei em pessoa! O que achais da minha proposta?

Edward não sabia bem o que dizer, de tanta alegria. Nunca imaginara que algum dia na sua vida poderia ir caçar com o Rei Luís XVI! Era um grande privilégio!

- É uma proposta avassaladora Monsieur Jacques! Aceito-a de bom grado!

- Pois então considere já como feito! – Exclamou Jacques satisfeito

Edward ainda conseguiu vislumbrar a Rainha sair da galeria com a Princesa de Lamballe e a Duquesa de Polignac no seu encalço, atrás da saia esvoaçante e cheia de drapeados de Marie Antoinette. Os seus pensamentos oscilaram para depois se estabelecerem na expectativa que seria de ir caçar no dia seguinte com o Rei.

Mostraria do que era capaz, cairia nas boas graças de Luís XVI e desejava ardentemente tornar-se uma companhia dali em diante agradável ao seu Soberano.

*Flashback Off*

Recordei com forte saudade aquele dia que me parecera, e ainda parecia ter sido tão maravilhoso. Hoje poderia ter a certeza, tinha-me sentido puramente atraído pela Marie Antoinette. Os anos eternos como vampiro tinham-me trazido aquela confirmação. Sentira-me atraído sob todas as formas, tanto intelectualmente como sexualmente… Quando a Revolução explodiu no ano de 1789, sentiu-se sinceramente preocupado com o destino de todos os presentes em Versalhes, e quando a Rainha deu o seu último suspiro a 16 de Outubro de 1793 eu chorei sinceramente por ela… Recordando com saudade aquela manhã de 20 de Junho de 1772, a primeira e única vez em que tive o privilégio de colocar o meu olhar sobre ela.

Era uma vida perdida no passado, jamais poderia ser recuperada. Foi esta que me foi imposta e não a que Monsieur Jacques Thibodeau tanto aspirava para mim. Essa ficou retida, perdida nas recordações do passado, suspensa.

- Eu sei o quanto custa abandonar uma vida que outrora tínhamos meu filho… Eu também tive a minha e perdi-a. Mas vi-me obrigado a guarda-la apenas nas minhas memórias e viver a nova vida que me foi importa. Recordar o passado torna-se demasiado doloroso para nós, vampiros. E é isso que tem feito durante todo este tempo meu filho… Recordar o passado. – Carlisle fez uma pausa, sorriso singelamente. Afagou mais um pouco o ombro de Edward. – Tu carregas o passado todos os dias às costas, como se fosse essa a tua derradeira obrigação, um fardo insuportável a ser obrigatório de suportar. Mas não é isso que tens que fazer meu filho. O importante agora é viver o presente, estamos já no ano de 1912 e não ainda em 1772… Eu quero que aproveites cada momento do agora, que desfrutes da viagem… ou pelo menos tentares fazer isso, por mais incomodo que seja para ti este tipo de mudanças.

Retirei as mãos do cabelo, olhando agora para Carlisle que alargou mais o sorriso e continuou com o seu discurso a transbordar de racionalidade precisa e bondade paternal.

- Tu sabes perfeitamente, aliás, como eu já te expliquei que isto é necessário para nós. Infelizmente é uma condição que quer queiramos quer não temos que adoptar. Seria demasiado arriscado, em qualquer circunstância ficar no mesmo lugar durante mais do que 4 anos seguidos… As pessoas começam a aperceberem-se da nossa juventude que não passa e das rugas que nunca surgem e os cabelos brancos que nunca se dão a mostrar. – Carlisle afastou-se desta vez, sentando-se novamente na poltrona. – Ficares amuado não serve de nada.

Todas as suas palavras faziam sentido. Era o correcto a pensar, mas agora o meu orgulho não me queria deixar vergar perante o discurso de Carlisle… além disso as minhas convicções persistiam, mais vivas do que nunca.

- Irei tentar… — Murmurei, tentando parecer convincente.

Carlisle sorriu, levantando-se novamente. Impelindo-me a fazer o mesmo, abracei o meu pai num gesto de agradecimento.

— Espero que cumpras com o que estás dizer Edward. – Murmurou Carlisle ao meu ouvido, enquanto estava abraçado a mim, dando-me palmadas convictas nas costas.

Nada garantiria que faria isso mesmo… realmente tentaria. Se não conseguisse, tentaria manter uma fachada o suficientemente convincente perante os humanos presentes no Titanic.

- Bem, é melhor ir andando para a minha suite… Esme deve estar á minha espera para nos preparar-mos para o jantar.

Carlisle saiu da suite, deixando-me finalmente só. Mas eu não estaria nesta condição por muito tempo… o 1º jantar e toda a 1ª classe estaria á espera da minha comparência.

Bella

*Flashback On*

27 de Abril de 1902 – Londres.

Renée não olhava nem uma única vez para as suas duas filhas, não se atreveria a fazer tal coisa porque de cada vez que o fazia uma enorme raiva tomava completamente conta do seu espírito. Não fora aquilo que planeara de todo quando tratara de pedir a Charlie que lhe comprasse o um vestido maravilhoso, completamente novo para ela usar no Jantar da família dos Chapman. Irritou-se quando as duas meninas, de olhos brilhantes e sorrisos abertos nos lábios pelo entusiasmo entraram dentro do recém-adquirido carro que custara uma fortuna ao bolso do seu marido, quando Bella e Alice entraram dentro do carro já ela se encontrava sentada juntamente com Charlie, que sorria por ver as suas duas filhas tão felizes.

- As nossas filhas hoje vão ficar maravilhosas com os seus vestidos novos. – Disse Charlie, afagando os cabelos compridos de cada uma das meninas gentilmente.

Renée rolou os olhos, sentindo-se enjoada com aquela demonstração toda de sentimentos e afectos paternais. Ela queria simplesmente sair dali o mais depressa possível em direcção a Londres e comprar finalmente um vestido novo. Mas se pudesse tiraria Bella e Alice do carro e deixá-las-ia em casa, fechadas… enquanto ela iria com Charlie desfrutar de um dia maravilhoso e bem passado em Londres.

Achava que era um total disparate leva-las á modista mais famosa de Londres, Mrs. Eyre, mas ela decidiu por não expressar a sua vontade. Não fosse o Charlie mudar de ideias…

Seguiram para Londres e assim que Renée se viu rodeada de vestidos maravilhosos, requintados e luxuosos deixou de prestar atenção á incomoda presença das suas duas filhas e concentrou-se na sua própria pessoa. Tinha que escolher o vestido perfeito para o jantar dos Chapman!

Estava indecisa entre um de seda e renda creme e vermelho, com mangas curtas e um de mangas compridas verde-claro com pedraria bordada no cós do corpete e atrás na saia.

Quem assistia a tudo, sentado numa cadeira era Charlie, que sorria ingenuamente para ela.

- Querido Charlie, é tão difícil! Não sei por qual optar, são os dois tão maravilhosos…

Renée fez biquinho com os lábios, numa súplica que ela mesma queria fazer entender e sabia muito bem disfarçar, quero mostrar que não era propositalmente. Charlie pareceu ponderar por segundos e depois respondeu:

- Leva os dois, querida. Ambos ficam-te bem.

Foi o que Renée queria ouvir. Com um sorriso de satisfação virou-se novamente para o espelho de corpo inteiro triplo dourado.

- Levo os dois Mrs. Jane. – Declarou Renée de sorriso arrebatador, alisando a parte da frente do corpete e da saia, sentindo-se uma Rainha… completamente vaidosa.

- É um bom investimento Madame Renée Bukater. São a última moda em Paris. – Afirmou a modista de grande sorriso.

- São maravilhosos não são Charlie? – Perguntou Renée, continuando a olhar para o espelho e depois dando uma volta sobre si mesma, admirando incansavelmente a sua silhueta.

Mas não recebeu qualquer resposta. Estranhando Renée olhou na direcção em que Charlie estava antes sentado e para sua admiração ele já não estava lá. Charlie encontrava-se já num ponto distante, com Alice ao colo e Bella agarrando-se á cintura dele, os três de sorrisos sinceros, apontando para os vestidos de criança expostos da modista.

- Eu quero o que é rosa papá! – Exclamou Alice, dando pequenos pulinhos no colo de Charlie que se riu.

- Eu quero o branco papá, o branco! – Exclamou logo a seguir Bella, não dispensado nem um segundo para dizer o vestido que mais lhe encantara os olhos.

Charlie virou-se para a modista ainda de sorriso nos lábios e disse:

- Queria o vestido rosa e o vestido branco por favor. Levá-los-ei também.

Renée olhou para eles com um olhar assassino. Estava mais do que arrependida por ter falado a Charlie no jantar de ontem no desejo de querer um vestido novo. Se tivesse falado em particular com ele talvez esta situação não se estivesse a concretizar…

Charlie sorria de felicidade ao ver as suas duas filhas tão exultantes e entusiasmadas, amava-as, faria tudo por elas.

*Flashback Off*

Despertei abruptamente dos meus próprios pensamentos com a pancada leve na porta do quarto. Tentara descansar um pouco como a minha mãe ordenada. Mas pouco ou nada conseguira… a minha mente era invadida por memórias á muito passadas, esperaria não estar com o rosto macilento e indisposto de um mau descanso.

- Posso entrar Miss? – Ouviu-se uma voz do outro lado.

- Entra… — Ordenei.

A minha criada pessoal entrou no quarto, com um ar bastante eficiente e sério.

- Está na hora de a preparar para o jantar Miss Bella. – Disse a criada, juntando as mãos á frente do avental de linho lavado, endireitando as costas e ombros.

Com alguma resignação e um sorriso e acenar de cabeça em afirmação pouco convicta, saí da cama. Iria-se dar o início de tudo… saí do quarto e pela iluminação fraca que já invadia a sala de estar contatei que o dia já começava a findar, o sol provavelmente já tinha começado a pôr-se no horizonte, a mergulhar sobre as águas que não pareciam ter fim. Já á muito que tínhamos passado o Canal da Mancha, por tanto já não faltaria muito, ao anoitecer chegaríamos a Cherbourg

- Miss Bella, aconselho-a a começar já a preparar-se, caso contrário chegará atrasada ao jantar… — disse a criada, detendo-se por instante pela ousadia de dizer aquilo. Mas vira-se na obrigação disso. Ela sabia como a Madame Renée Dewitt Bukater detestava atrasos.

- Sim… — Respondi ainda com resignação, claramente contrariada. Mas eu sabia que se queria ver a minha mãe a aprender a sua lição e por fim reduzir-se á sua insignificância eu teria que comparecer ao jantar.

Para um 1º jantar como aquele escolhi um vestido de renda branca e veludo preto, sustentando no decote uma rosa cor de pêssego com o corpete rendado a preto, usaria as luvas pretas até aos cotovelos, os sapatos de salto alto e o xaile de renda comprido da mesma cor.

Optaria por não usar demasiadas jóias, o que eu queria era tudo menos parecer a minha mãe e termos de extravagâncias por isso optei por um colar discreto com pequenos diamantes que rodeavam uma opala cor de mel muito fina e elegante. Os brincos igualmente com minuciosos diamantes aconchegavam duas réplicas mais pequenas da opala. Por fim, quanto ao penteado não pediria grandes complicações. Decidi por pedir á minha criada pessoal que fizesse um coque alto e desprovido de adornos.

Olhei-me ao espelho, sorrindo por momentos, satisfeita por ver que não estava exagerada… já conseguiria imaginar quem fosse o centro das atenções.

Dispensei a minha criada e silenciosamente saí da minha suite, pronta para ir ter com a minha mãe e com Alice que já deveriam estar no amplo salão da 1ª classe. Os violinos acompanhavam os meus passos, numa melodia leve e harmoniosa que me fez fechar por segundos os olhos e continuar a percorrer o corredor até á saída.

Mas subitamente algo veio contra mim, chocando comigo e fazendo-me abrir os olhos.

- Desculpe Miss… — Murmurou uma voz masculina.

Naquele mesmo instante não consegui de me deixar surpreender ao ver quem era. Um jovem de uns olhos enormes cor de âmbar dourado que parecia ter a mesma idade que eu, de pele muito branca… Pareceu-me de alguma forma familiar, constatando logo que talvez fizesse parte daquela família que tanto a minha mãe Renée expressara o desejo de conhecer…

Ajeitei as luvas e puxei parte do xaile que tinha descaído de um dos meus ombros.

- Veja por onde anda Senhor… — Murmurei educada mas ainda assim um pouco aborrecida por aquele encontrão.

- Mais uma vez peço desculpa, não foi minha intenção ir contra si, Miss…

- Bella. – Respondi. – Chamo-me Bella.

O jovem sorriu ligeiramente e apresentou-se cordialmente.

- Sou chamo-me Edward Cullen…

Notas finais
Então... gostaram? :3
Awww de uma forma acidental Bella e Edward encontram-se no corredor antes do 1º jantar no Titanic!!! :O
O que irá acontecer a seguir??
Esperem pelo próximo capítulo ;)
Beijoooo****
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.