Notas iniciais
Aproveitem o capitulo!

Acho que dormi no chão. Meu rosto está pegajoso, acho que meu rímel foi literalmente por água abaixo. Minhas articulações reclamam quando tento levantar. Olho para o relógio. São sete e meia da manhã.

— Droga. — praguejo quando sinto o gosto amargo na boca. É uma merda dormir sem escovar os dentes.

Meu quarto é iluminado pelos feixes de sol que entraram por causa da janela aberta. As paredes azuis são harmosias que logo me sinto um tanto melhor, minha cama impecável (provavelmente, muito provavelmente não fui quem arrumei, não me lembro) com a colcha branca está posta ao lado da janela, no meu criado mudo livros quase que caindo no chão. Há prateleiras no quarto, armários também, só que também estão cheios de livros. É por isso que vivo dizendo par o pessoal dessa casa que preciso ter uma biblioteca só pra mim, de preferência bem grande.

Tenho uma escrivaninha também, de madeira branca. E adivinha? Mais livros (só que dessa vez, mais organizados). Meu computador desligado, ou aparentemente (às vezes ele fica com umas luzes piscando... irritante demais). Nesse minuto lembro-me do meu celular.

Apalpo meu bolso e solto um gritinho feliz quando encontro ele no bolso de trás da calça.

Vou ao banheiro e capricho na escovação. Lavo meu rosto e passo um dos milhares de hidratantes que se estabelecem no meu enorme armário dentro do banheiro. Decido trocar minhas roupas também. Tomo um banho bem tomado e coloco um simples vestido de manga e calço meus chinelos.

Respiro fundo e abro a porta.

O corredor está silencioso. Esta manhã está parecendo uma manhã de sábado (que foi ontem). Daquelas que um leitinho quente e um pãozinho em frente ao computador são totalmente ideais. Vou deslizando meus chinelos até as escadas.

— Já estava na hora de você acordar! — Miles diz atrás de mim. — Menina, eu tive que dormir no quarto do seu irmão! Imagina o quão fedorento é aquele lugar? Minha nossa, muito fedido.

Ele me dá um abraço e um beijo na bochecha.

— Dormiu aqui? — pergunto.

— Claro, né. Meu pai tinha uma reunião ontem, então... Você sabe né.

— Ah, sim. Claro. — sinceramente? Não era isso que eu me lembrava...

Descemos as escadas em silencio. Miles me puxa para a cozinha. Mas não antes de eu ver uma ENORME pilha de presentes multicoloridos. Depois a gente dá uma olhada nisso.

Ele começar a fuçar nas prateleiras a procura de seu doce preferido. Quando ele para e me olha com cara de cachorro que caiu da mudança, eu digo:

— Na primeira prateleira do armário do conservados.

— Por que guardaram isso aqui?

— Para proteger contra a fúria do seu estomago, Miles. — eu meio que tento imitar um monstro, mas acho que fiz uma careta horrorosa.

— Boba. — ele riu. — Mas mudando de assunto... O que aconteceu ontem?

— Como assim? — pego um dos pães que estão em cima da mesa e começo a comer. Meu estômago dá uma reviravolta, mas aceita.

— Como assim o que, menina? Tu brigou com teu pai e com a tua mãe, ai comeu o MEU cupcake de frutas depois brigou com o Ad. Você brigou com todo mundo!

Faço uma cara de inocente quando ele menciona o cupcake.

— Ai, Miles. Acabei de acordar, dá um desconto. Por favor.

Ele para e pensa um pouco e logo responde:

— Ok. Mais tarde nós conversamos. Você não me escapa!

Depois disso ele se cala e começa a comer aqueles docinhos vermelhos e azedos que dão até um arrepio macabro, sei lá o nome daquilo. Quem come isso no café da manhã?

Termino de devorar o pão e olho para Miles que agora se levanta e vai jogar o saquinho de doces no lixo. Ele lava as mãos e depois se vira para mim e me encara.

— Já abriu seus presentes?

De repente me lembro do amontoado de caixas coloridas que se localiza num canto da sala. Avisto um presente vermelho e o associo a Eliza, minha colega de biologia.

— Ainda não. — respondo levantando-me e indo até o meus presentes. — Lee já pegou os dele?

— Acho que sim. Se não, você rouba um dele. Abra um para eu ver!

Viro meu rosto em direção ao meu primo super gay e sorrio.

— Hey, os presentes são meus.

— Abre logo, Ariana!

Pego a caixa de presente de Eliza primeiro, pois eu estava ansiosa demais para saber o que ela resolvera me dar. Procuro a ponta do Durex e puxo-a, infelizmente isso rasga o papel (o que me deixa com raiva porque eu NUNCA consegui tirar o Durex sem rasgar o papel). Aproveitando o estado de desgraça do papel termino de rasga-lo.

O que vejo é um caderninho com meu nome escrito. A capa é azul anil, as letras estão em dourado. Abro e encontro um pequeno bilhetinho com a caligrafia de Eliza.

— O que diz?

— "Para Ariana Snow, colega de biologia. Este presente é para torna-la uma parceira mais organizada. Beijos, Elizabeth."

— Haha, ela te chamou de desorganizada! — ele zoa.

Não sou tão desorganizada... eu acho.

— Cale a boca, Miles.

Coloco de lado o caderninho e puxo outro presente aleatório. Desta vez um pacote azul anil, uma etiqueta bem pequena diz-me que aquele presente era de Leon. É bem embrulhado, posso dizer. Aquele pacote tinha um astral... carinhoso. Desta vez tento o Maximo não rasgar o papel (porque azul anil é minha cor preferida e também eu tinha planos para aquele papelzinho lindo), eu teria destroçado o papel se este não tivesse uma parte adesiva*.

— É um colar! Own, que fofo, Ari. — exclama meu primo.

— O cara tem bom gosto. Mamãe deve ter contado para ele que sou fã de borboletas.

Na minha mão um colar de ouro, tinha um circulo e dentro dele asas (azuis) de borboleta talhadas. Ainda sinto uma raiva de Leon, mas mesmo assim entrego o colar a Miles que prende-o em meu pescoço. O colar é pesado e gelado contra minha pele. Dá um formigamento, daqueles de tremer o corpo todo.

— Abre aquele preto ali, por favor.

— Miles, me responde: quem fez aniversario ontem? Eu ou você? — foi um pergunta retórica, claro. Miles nem ligou e puxou o tal embrulho e pediu — de forma agressiva — para eu abrir. Com o nariz empinado eu fui abrindo o pacote, desta vez nem liguei para o papel.

É uma caixinha em pretinha de madeira polida, numa etiqueta eu vi o nome de Adam. Apenas por pensar já me deu um calorzinho no pescoço que foi se espalhando. Respirei fundo e abri a caixa. Por um momento pensei estar no paraíso.

A caixa está cheia de asas coloridas de borboletas prensadas em vidros. OH MY GOD, estou no paraíso.

— Nossa, que lindo. — Miles fala sarcasticamente. Não dou bola. Só o presente de Adam já me faria feliz.

Em um segundo já me lembro da noite de ontem. Viro-me para Miles.

— O que aconteceu com o Adam ontem? Ou melhor o que aconteceu com todo mundo?

— Hm, bem, os amiguinhos do seu pai- Ok, ok, desculpe! Bem, aquele pessoal foi embora lá pras uma da manhã. O Adam ficou insistindo com a sua mãe pra ele ir te ver no quarto. Foi bem maluco de se ver. A Luce, aquela loirinha oxigenada, brigou com o Ad por ele dar tanta atenção pra você. Sabe, aquela coisa de sempre.

Logo depois de ouvir, assinto e penso em Adam. Ele me dá atenção, até demais. Poxa, somos amigos desde que eu nasci. Penso que ela, Luce, deveria entender. Faço uma nota mental de ligar a Adam depois de desembrulhar os pacotes de presente.

Nesse momento a campainha toca. Eu levanto e digo a Miles que me espere ali, perto da pilha. Mas quem poderia ser?

Ao abrir me deparo com Luce chorando. Ela se atira contra mim e passa os braços por minha cintura.

— Sinto muito — ela sussurra. Meu coração acelera e um nó se faz em minha garganta. — Sinto muito. A-adam sofreu um acidente.

Me sinto esfriar. Tudo a minha volta para.

Adam! Chamo mentalmente, mas ninguém responde. ADAM!

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*tipo aqueles embrulhos da Pernambucanas, azuzinho fofo, que tem uma parte já pronta pra pregar, entenderam?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.