A Borboleta
1 Borboleta
Presa como uma borboleta
Num pote;
Imaginando quando essas paredes de vidro
Desaparecerão...
Observando de longe,
A felicidade que eles exibem...
Embora suas asas tenham sido cortadas
E eles estejam tão presos quanto eu
Aspiro o mesmo ar,
Observo as mesmas cenas
Exibidas continuamente
Tentando me livra de minha eterna sina
Ilusões e mentiras
Há muito se tornaram minhas companheiras
Em minha eterna prisão...
Há quanto tempo já estou trancafiada?
Meus olhos ardem,
E os soluços teimam em escapar
Por mais que meu esforço para controlar-me
Seja o mais invisível e ineficaz
Minhas asas há muito pararam de bater
Minha visão já se acostumou ao monocromático
Minha tristeza já me consumiu
E já odeio minha imagem refletida nesse vidro
Uma novidade?
Um novo espécime ara a coleção?
Vejo o desespero que um dia senti
E rio de suas tentativas de fuga...
Escuto os passos e vejo os movimentos
Mas, me parece difícil de acreditar
Anda por um a um dos vidros
Ate chegar ao meu
O pote foi aberto
Meu confinamento encerrou-se
Olho descrente
E recebo um enigmático sorriso em resposta...
Bato as asas o mais rápido que posso
Sinto o ar bater sobre minha face
Sorrio apreciando tudo
Maravilhada com o ambiente ao meu redor
Tudo que um dia me era conhecido,
Tornou-se novidade
Cada gesto simplório demais
Virou uma das maravilhas do mundo
A borboleta que um dia fora confinada
Agora voava em liberdade
Desprendida de culpa ou remorso
Esquecendo das companheiras em igual situação
A borboleta tingida de negro e carmesim
Batia suas longas asas
E cada vez que essas se tocavam
Uma nova morte ocorria
“Vamos capturar borboletas?”
A criança perguntou,
E naquela mesma noite
Seu corpo fora encontrado
Uma asa de borboleta sobre seu peito
Uma asa antes colorida, agora negra como a noite
Uma borboleta antes triste e confinada
Uma borboleta livre e sedenta de vingança
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