A Bolsa de Hermione
1 A Bolsa de Contas Roxa
Notas iniciais
No verão de 1997, pouco antes da Guerra Bruxa, Hermione Granger avistou uma linda bolsa de contas roxa em uma singela tenda no centro de Londres. Com os olhos vidrados na peça artesanal, a bruxa por um momento esqueceu-se de todos os problemas incomuns que vinha enfrentado nos últimos anos e dos grandes conflitos que ameaçavam emergir no mundo bruxo muito em breve. Impulsionada talvez pelo desejo de viver um único momento como uma garota trouxa normal — como aquelas que sempre vira na televisão antes dos seus 11 anos — Hermione apanhou a bolsa nas mãos e, olhando para vendedora que parecia com aquilo que os trouxas chamavam de hippie, proferiu as seguintes palavras: "Quantos galeões?"
A vendedora, que pitava um cachimbo cujo a fuligem caia em sua saia longa repleta de adornos e mandalas, estreitou os olhos em um misto de desconfiança e confusão. Hermione, que depressa havia percebido seu erro tratou de corrigir-se antes mesmo que a vendedora pudesse questionar.
— Desculpe — Disse a garota ajeitando o gorro que lhe protegia os cabelos. Apesar do verão, a ventania e a garoa constante obrigara a bruxa a se agasalhar como no inverno. O clima estava nublado e gélido, e a noite ameaçava chegar a qualquer momento. Hermione observou a fuligem do cachimbo abandonar as vestes da vendedora e se perder no vento como em uma dança. — Essa é a moeda que usamos da onde eu venho. Quis dizer, quantas libras te devo por essa linda bolsa?
A vendedora sorriu.
— Fico feliz que tenha gostado da minha arte, jovem. Poucas ainda apreciam bolsas cunhadas a mão. A maioria das garotas deseja peças feitas de couro, por grandes marcas. — A senhora interrompeu a própria fala para tragar o cachimbo — Faço por 5 libras para você.
Retribuindo o sorriso, Hermione deu o dinheiro para a senhora e continuou andando em direção a Heathgate, Hampstead para encontrar seus pais pela última vez antes de aparatar para a casa de Rony. Encarou a bolsa, feliz com a compra e também por saber que nunca seria igual a uma garota trouxa que via na televisão quando criança. Ao chegar em sua casa Hermione encontrou seus pais e tomou o clássico chá da tarde, mais tarde do que de costume. Os biscoitos amanteigados que a mãe fazia sempre foram o ponto fraco da bruxa e Hermione ficou satisfeita após quase esguichar chá pelo nariz com as piadas tolas de seu pai. Era imensamente grata pela vida que tinha e aquilo lhe dava força para lutar.
A Guerra Bruxa se iniciaria aquele ano. Ao lado de Harry e Rony, Hermione deu tudo de si para impedir que o mundo bruxo fosse sucumbido por Voldermort e a legião de bruxos das trevas que o acompanhava. Durante a caçada para destruir as horcruxes Hermione, que sempre levava consigo sua bolsa de contas roxa, decidiu fazer dela uma arma de guerra. Lançou um feitiço indetectável de extensão para que pequena bolsa artesanal pudesse abrigar de tudo e mais um pouco. Nela, Hermione colocava tudo que julgava necessário e que pudesse ajudar a derrotar os bruxos das trevas. O feitiço accio nunca lhe foi tão útil quanto na época em que contava com a companhia de sua bolsa expandida: bastava dizer accio e proferir em seguida a palavra daquilo que desejava que a bolsa logo lhe entregava.
Harry Potter se tornou um símbolo de heroísmo após a vitória contra os bruxos das trevas. Os anos se passaram e Hermione se tornou Ministra da Magia da Grã-Bretanha. A bolsa de contas roxa que tanto lhe servira de ajuda nos anos de guerra hoje encontrava-se aposentada no fundo do guarda-roupa de Hermione, que mal lembrava de sua existência. Afinal, com seu cargo vinham grandes responsabilidades, e não havia tempo para refletir sobre artefatos obsoletos de seu passado. Sem falar que a bruxa ainda tinha duas crianças para criar, frutos de seu casamento com o amante e melhor amigo Rony Weasley, que também havia conquistado uma profissão de grande responsabilidade. Como Auror, Rony ajudou a reformar e revolucionar o Ministério da Magia.
No entanto, o que Hermione não sabia, é que a bolsa de contas roxa guardava dentro de si muito mais do que ela esperava. Logo no início da guerra, alguns admiradores do trio de amigos observaram Hermione lançar o feitiço de expansão em sua singela bolsa artesanal. Um corvino astuto, visando se proteger da guerra, decidiu que iria esconder-se dentro da bolsa de Hermione. O jovem, inteligente como era, traçou um plano para entrar e sair sem ser percebido — o garoto contou sua ideia para o colega Colin Creevey, que não quis adentrar a bolsa pois desejava lutar ao lado de Harry na guerra. O corvino então pediu para que, ao final da guerra, Colin o resgatasse da bolsa de contas roxa. O fotógrafo aceitou e jurou com um voto perpétuo de que voltaria para busca-lo.
O corvino então, junto com seu melhor amigo e colega de quarto, iniciou sua missão para invadir a bolsa de Hermione. Estudou minuciosamente os hábitos da jovem bruxa e aguardou pacientemente até o momento propício adentrar o acessório. Após dias esperando uma oportunidade, Hermione finalmente abandonou sua bolsa durante alguns minutos em um canto escuro de Hogwarts. A guerra já estava acontecendo e o caos reinava no castelo. O corvino e seu companheiro foram depressa ao encontro da bolsa de contas quando se depararam com duas meninas desmaiadas, encostadas em uma das colunas do Castelo. As garotas estavam nitidamente machucadas e usavam vestes da Lufa-lufa.
—Elas vão morrer — Disse o melhor amigo do corvino. — Precisamos ajuda-las.
Em um lapso de empatia, o corvino então decidiu levar as duas garotas para dentro bolsa e tratar de seus ferimentos lá. Afinal, não havia tempo e a guerra tendia a ficar cada vez mais intensa. O corvino pegou uma das jovens nos braços e fez um sinal para que seu amigo carregasse a outra. "Engorgio" disse o corvino, observando a borda da bolsa crescer a ponto de que todos passassem por ela sem dificuldades.
—Não esqueça de usar o feitiço amortecedor — Avisou o corvino antes de saltar dentro da bolsa com uma lufana nos braços, assim como fez seu melhor amigo depois dele.
Um jovem sonserino do quarto ano, sozinho e amedrontado pela guerra, vagava sem rumo pelos corredores do castelo. Ao avistar a cena, não pode crer naquilo que vira. Aproximou-se da bolsa que engoliu quatro alunos de Hogwarts, olhou em seu interior e não avistou nada além de breu. O garoto, que não sabia o que fazer para se proteger do caos eminente que pairava sobre a escola, decidiu então adentrar a bolsa também.
Colin Creevey faleceu durante a guerra bruxa e nunca foi resgatar o corvino e seus amigos, que permaneceram aprisionados na bolsa de contas roxa e foram obrigados a chama-la de lar. Conformados de que não seriam resgatados, os cinco amigos seguiram suas vidas e fizeram o melhor que puderam para transformar o espaço vazio e sem forma no mais próximo do mundo que haviam deixado para trás, decidindo em conjunto esconder dos seus sucessores a terrível verdade por trás do mundo da Conta Roxa.
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