A Black Perdida
4 Capítulo 3 - Medusa
Notas iniciais

Antes
Ao por meus olhos no portão do orfanato, vejo McGonagoll caminhado em direção aos portões. Sentido o peso de meu olhar, ela se vira e olha para a janela em que estou. Com seus olhos brilhantes ela dá um meio sorriso e acena. Logo após sair dos portões, do nada ela desaparece. MAS O QUE???
Agora
Fevereiro de 1991
Me levanto imediatamente anestesiada com o que tinha visto, como alguém conseguia desaparecer assim? Isso deveria ser impossível. E como ela vai embora assim? Sem ao menos falar comigo. Onde está a minha carta? Isso só podia ter dedo da Ramona Cole, o que ela devia ter falado para McGonagoll.
Saio enfurecida a caminho do escritório da Sra. Cole para tirar essa história a limpo.
— Katherine! O que houve? — Escuto Megan me chamando sem entender a minha mudança repentina de humor.
Não a respondo, não estava com humor para ficar aturando suas curiosidades. Subo as escadas que davam para o último andar no orfanato. Ao todo o orfanato possuía três andares, constituídos da seguinte maneira: térreo, onde fica o hall de entrada, sala de estar, cozinha e refeitório. O primeiro andar, onde fica os aposentos dos funcionários do orfanato, consiste basicamente em: Sra. Smith, que era a governanta do orfanato. O Sr. Fritz, jardineiro que era o ser mais sinistro do universo. A Sra. Rostislav e Sra. Vassili, imigrantes russas que cozinham para mais de 70 crianças. Grandes mulheres, mas não queiram irrita-las, provavelmente elas irão dar uma bronca em russo no qual você não irá entender nada, mas ficará com medo pelo resto de sua vida. No segundo andar fica os dormitórios dos órfãos, dividido em: lado esquerdo meninas e lado direito meninos. E no último, os aposentos da Sra. Cole, seu escritório e o temeroso sótão.
Vou em direção ao escritório, entrando sem bater. Sra. Cole dá um leve susto, eu riria se não estivesse tão nervosa, ela me olha com aquele olhar superior de sempre.
— Onde está a sua educação garota? Não é isso que eu passei todos esses anos ensinando. – Ela pronuncia com uma falsa indignação.
— Ahh por favor! Estou sem tempo para isso. Onde foi a McGonagoll? O que você fez? – Digo encarando-a.
— Ela cometeu um terrível engano, não era você que ela estava procurando, e sim uma garota no qual passou por aqui há muito tempo atrás – Diz ela
— O que? Não! É claro que não. Eu falei com ela, parecia que ela tinha certeza de que eu era a Katherine no qual ela estava em busca. – Digo exasperada
— Garota tola! Você acha que quantas pessoas já passaram por aqui? Quantas Katherine’s? Você é muito estúpida em achar que era você – Zombou ela.
— M-m-mas ela parecia ter certeza que era eu. – Murmuro sentindo meu rosto quente e uma certa ardência em meus olhos.
— Mas não era! Agora saia da minha frente garota. Já perdi muito tempo com você hoje. Não quero vê-la mais em minha frente hoje, se não aplicarei um castigo mais rigoroso de toda a sua vida. – Diz ela com sua expressão dura.
Saio batendo sua porta enquanto pequenas lágrimas queimam em meus olhos. Logo trato de limpá-las, me recuso a chorar por qualquer motivo ou qualquer pessoa. Parece que não foi dessa vez.
Agosto de 1991
Passaram-se cinco meses desde que McGonagoll tinha literalmente sumido em frente aos meus olhos, restando apenas lembranças daquele auspicioso dia. Nunca mais voltou a retornar ao orfanato.
Estou mais deprimida que o esperado, acho que aquilo pode ter me afetado mais do que devia, eu tinha uma leve esperança que alguma coisa iria mudar. Mas esse é o problema de ter esperança, um dia é tirado isso de você e não sobra mais nada. O que uma pessoa sem esperança? Apenas um monte de átomos circulando nesse grande espaço-mundo. Mas o bom depois que tiram isso de você, é que s não tem mais nada para tirar. Você não se importa com mais nada. Megan que o diga, não respondo mais nem seus “ bons dias”, qualquer coisa que ela faça, está literalmente me irritando.
Continuo aprontando como ninguém, porque convenhamos, se tem uma coisa que eu sou boa é nisso. No momento, me encontro no quarto do jardineiro maluco, o Sr. Fritz. Quero descobrir onde ele colocou meu mais novo poder aquisitivo, o canivete suíço que veio por engano junto as doações do orfanato, no qual o maluco fez questão de confiscar assim que coloquei minhas mãos em cima dele. Meu plano é apenas recuperar aquilo que me pertence. Vasculho os armários, gavetas e caixas, e não encontro nada!
— Onde será que aquele coveiro das trevas colocou? – Murmuro tentando me equilibrar ao máximo para conseguir alcançar os fundos do armário, enquanto estou em cima de uma velha cadeira que encontrei no quarto. Quase desistindo sinto minha mão tocar em algo. Bingo! Nada mal Kate! Pego o canivete e desço da cadeira colocando-a no lugar anterior, olho em volta para ver se estava tudo em seu lugar. Abro a porta garantindo que não seria pega, subo as escadas apressada, no meio do caminho acabo por esbarrar na Senhora Smith.
— Por que tanta pressa menina Davies? – Diz ela enquanto me olha desconfiada.
— Não é nada Sra. Smith! Estou apenas com pressa para começar a rever a matéria, no qual a professora Jane passou hoje, pensei em pedir a ajuda de Megan. – Digo inocentemente enquanto escondo o canivete em minhas costas.
— Humm, sei. Mas você, por incrível que pareça, é muito inteligente, porque iria pedir ajuda para a menina Megan? – Diz olhando desconfiadamente para mim. – Está tentando me enganar menina Davies?
— O que? Não! Estou realmente com dificuldades, a Prof. Jane está pegando pesado na matéria Sra. Smith, você tem que ver. – Digo dando um sorrisinho mais inocente do mundo para ela.
— Ok, dê o fora daqui. -- Diz ela enquanto revira os olhos.
Não espero ela mudar de ideia, subo as escadas correndo. Em meio do caminho escuto o Sr. Fritz gritar.
— DAVIESSS!!! – Arregalo os olhos e continuo subindo as escadas correndo. Quando vejo já estou no andar proibido, o andar da Senhora Cole. Bom, já que eu estou aqui não custa nada dar uma espiadinha. Vou entrando sorrateiramente pelo corredor em direção ao escritório, sempre com bastante atenção, ninguém merece dar de cara com a Medusa por aí. Sra. Cole estava vigiando as crianças nos seus afazeres, os mais velhos estavam com a obrigação de limpar o segundo andar, sem eles notar dei uma escapada. Abro a porta, por reflexo vejo se não tem ninguém dentro, olho em direção a enorme cabeça de javali empalhada no centro do escrito de frente para escrivaninha da Sra. Cole, simplesmente assustador. Como alguém conseguia ficar naquela sala com aquilo encarando?
— Maluca. – Murmuro enquanto vou em direção a mesa dela, sempre de olho no javali. Sento em sua cadeira e começo a rodar, aquilo é divertido! Paro, e começo a mexer nas coisas da Medusa.
— Hummm vejamos, nada importante, isso não, isso também não. – Murmuro olhando para os papeis que estão em cima da mesa, vou abrindo as gavetas. Acabo descobrindo para onde vai as guloseimas que sempre ganhamos do padeiro do povoado. – Típico! – Reviro os olhos. Tento abrir uma gaveta e ela está trancada. – Olha o que temos aqui Kate! – Murmuro enquanto mordo meu lábio inferior. Tento forçar mais uma vez para ver se consigo abrir e não dá, bufo em desanimo. Ah qual é! Sempre quis descobrir os segredos da Medusa. Me encosto novamente na cadeira para pensar, até que uma luz se acende em minha cabeça. – O canivete! – Pego ele e uso as minhas habilidades adquiridas durantes anos de confusões. Depois de algum tempo abro e para minha surpresa, mais papeis, que ótimo! Reviro os meus olhos. Pego neles e vou vasculhando, até encontrar algo que me chama atenção, um envelope grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado, a carta, tão clara que não poderia haver um engano.
Srta. K. Black
Quarto 12
Orfanato Wool
Povoado de Great Hangleton
Londres Norte.
Viro a carta e observo o lacre com um brasão com quatro animais em volta de uma grande letra “ H”. Sentiu seu coração descompassado, sentindo a ansiedade vindo. Tratou logo de abrir a carta.
Escola de Magia e Bruxaria De Hogwarts
Diretor: Albus Dumbledore
(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta. Katherine Adhara Black
Temos o Prazer de informar que V.Sa tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até o dia 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva Mcgonagall
Diretora Substituta
Não consigo terminar de ler, Sra. Cole abre a porta brutalmente.
— Sua delinquente! – Diz enquanto caminha até a minha direção batendo a porta ferozmente.
Quando vê com o que estou em mãos ela paralisa e arregala os olhos.
— VOCÊ MENTIU PARA MIM – Grito em sua direção. – COMO PODE?
— OLHA COMO FALA COMIGO GAROTA! ANTES QUE EU ARRANQUE SEUS MALDITOS CABELOS E TE DEIXE TRANCADA NO SÓTÃO POR TODA A ETERNIDADE! – Grita de volta.
— Faz isso então! Ficarei feliz em procurar as autoridades e dizer que a benfeitora Sra. Cole faz com as crianças desse maldito orfanato! – Rosno
— Garota tola! Você acha que irão acreditar em uma órfã delinquente igual a você? – Fala soltando uma risada maníaca logo depois.
— Quer saber? Não irei ficar aqui mais nenhum estante! – Digo passando por ela e abrindo a porta com raiva. O corredor estava cheio de curiosos. – O QUE FOI? NUNCA VIRAM? – Grito em direção deles enquanto desço as escadas com a minha carta e canivete em mãos. Vou em direção ao quarto para pegar as poucas coisas que possuo, que consistia em algumas mudas de roupas, meu livro do romancista e aventureiro, Dave McCall e meu inseparável travesseiro. Coloco as coisas dentro de uma mochila que possuía, pego meu travesseiro e vou em direção a porta.
Ás meninas, que estavam se preparando para deitar, olhavam horrorizadas para situação. Megan se coloca em minha frente e agarra meus ombros.
— Para Katherine! Você está nervosa, não está pensando direito. Você não tem um lugar para ir. – Diz ela desesperadamente.
— Me solte Megan! Sempre me virei muito bem sozinha. – Digo enquanto empurro suas mãos para longe.
Passo por ela e vou em direção a saída, Sra. Cole se encontrava no corredor.
— Se você sair por aquela porta garota, pode esquecer que esse lar existe, está me ouvindo? Você vai se tornar um deles, não quero esse tipo de gente frequentando o meu orfanato. Isso já aconteceu antes, não vai acontecer de novo! –Diz Ramona Cole olhando profundamente em meus olhos.
— Você está enganada! Não vou me tornar um deles, eu já nasci como eles. – Digo dando as costas para ela, não podendo ver seu olhar chocado. Vou em direção a porta de saída e a abro, dou um longo suspiro e caminho em direção aos grandes portões enferrujadas do orfanato, olho por uma última vez ao local que um dia foi minha casa, mas que não sentirei falta alguma.
Caminho sem rumo pelas ruas de Great Hangleton, apesar de ser um lugar mais afastado do centro de Londres ainda assim era um lugar muito bonito, sua natureza era de tirar o folego. Caminho por horas, em qualquer direção, começo a ficar um pouco nervosa, apesar de ser um local um tanto quanto sossegado, Great Hangleton ainda possuía seus perigos, não era bom uma garota de 10 anos, que daqui exatamente dois dias completaria 11 anos, caminhar por aí sozinha a noite. A única coisa que me faz acreditar que eu sou alguém, foi o pequeno colar com um pingente em formato de coração que foi encontrado comigo quando fui deixada no orfanato, ele continha os seguintes dizeres: em um lado era escrito Katherine e no outro lado, minha data de nascimento, 27/08/1980. Isso é a única coisa herdada da minha família, o meu nome e o dia que nasci.
Ás vezes esqueço o quão nova ainda sou, uma menina ainda, é difícil ser uma criança quando se é criada desses modos, acabo por muitas vezes ter atitude de adulto. Mas agradeço por ser assim, pois assim poderei cuidar de mim, já que estou sozinha no mundo. Sinto vontade de chorar, e pela primeira vez, depois de muito tempo, deixo que as lágrimas escorram em meu rosto. Estou entrando em pânico, o que tinha na cabeça, sinto a ansiedade se apoderar.
Mas antes que ela possa chegar, escuto um barulho ensurdecedor, e logo sou atingida por duas grandes luzes brancas, acabo por me assustar. Um ônibus de três andares, com uma cor roxa gritante para diante de mim, com o seguinte letreiro: O Nôitibus Andante.
Um senhor, magrelo e alto, mas ainda aparentava ser novo, salta do ônibus com seu uniforme roxo e anuncia:
— Bem-vinda ao ônibus Nôitibus Andante, o transporte de emergência para bruxos e bruxas perdidos. Basta esticar a varinha, subir a bordo e podemos levá-la aonde quiser. Meu nome é Stanislau Shunpike, Lalau, e serei seu condutor essa noite. – Encaro ele de queixo caído.
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