A Birthday Gift
2 O Flash Back.
Notas iniciais
– Ângela, precisamos conversar. — Vitória entrou em meu escritório, ao lado do dela, com aquele ar sério e sombrio que ela tinha quando a bomba era grande.
Ela se sentou no sofá no canto da sala, e eu a olhei confusa.
– tudo bem, Vick. Está tudo bem? — pedi, preocupada, e lágrimas começaram a fugir de seus olhos. Apavorada, contornei minha mesa com rapidez e fiquei de joelhos na sua frente, pegando uma de suas mãos e, com a outra mão livre, enxugando suas lágrimas. — meu amor, você está me assustando. O que foi que aconteceu? Você brigou com o Edward, é isso? Aquele cretino de uma figa teve outra crise de ciúmes? Ah, eu vou acabar com ele!
– não, Ang, não é nada disso... Não tem nada a ver comigo... Na verdade tem, mas não diretamente... Ah, como é difícil fazer isso... Mas como não posso ser eu a te dar essa notícia? — ela chorou mais, e eu me sentei sobre minhas pernas, um frio gelado atravessando minha espinha.
– Vick…. Meus pais…. Seus pais…. Emmett…. — engasguei, não querendo pensar ou dizer o pior. Eles tinham de estar todos bem, se não eu não ia suportar.
– calma, calma…. Estão todos bem, graças a Deus. Pare de pensar em coisas e me deixe criar forças pra falar, por favor. — implorou, e eu assenti, um pouco mais aliviada. Infelizmente, eu estava me corroendo de ansiedade e preocupação por dentro, porque minha melhor amiga destemida e extrovertida estava morrendo por me dar alguma notícia. Que caralho de notícia é essa, então?
– fala de uma vez, ou então eu vou ter um ataque. — sussurrei, procurando me controlar. Ao inferno com isso, porque a paciência dessa relação ficou toda com Vick, e ela parecia a ponto de entrar em uma crise de pânico. Tive que fazer um puta esforço pra não falar palavrão, porque ela não gostava disso, mas o nervosismo não ajudava em nada.
– é…. É sobre…. Sobre Damon. — ela sussurrou, com a voz engasgada, e eu assenti, incentivando-a.
– está tudo bem, querida. Pode me contar. Eu vou ficar bem. — garanti, mas eu nem sabia o teor do que ela ia me falar.
– ele…. Ele…. Ele mentiu pra você. — ela soltou, e deu um suspiro aliviado, antes de começar a soluçar com dor. Aquilo me partiu o coração mais do que qualquer outra coisa.
Pera. Ela me disse que Damon mentiu pra mim. Ela me disse que Damon, o MEU Damon, tinha mentido pra mim. Mas sobre o que, exatamente?
Ela estava em desespero demais pra me dizer qualquer outra coisa. Mas o que eu poderia fazer? Ou eu insistia a ela que me contasse, ou ajudava ela a se acalmar, ou ia atrás de Damon, pedir explicações? Porque eu confiava em Vick mais do que em qualquer outra pessoa. Se ela veio me dizer toda aos prantos que Damon mentiu pra mim, ele ia ter muitas explicações a me dar. Principalmente no porque de ela estar tão chocada.
Decidi ajudá-la a se acalmar. Cogitei chamar Edward, mas o assunto era muito nosso pra ele estar no meio. Mas eu estava muito nervosa, porque raramente precisava acalmá-la, e eu nunca fazia isso direito.
Pedi a minha assistente que providenciasse uma chá de camomila o mais urgente. Vick bebeu e, depois de meia hora, conseguia falar sem entrar em crise novamente.
– você está melhor? — perguntei, e ela assentiu, com a cara enfiada no chá. — vai me explicar o que você me disse?
Ela respirou bem fundo antes de assentir.
– o que foi exatamente que eu disse? — pediu, com sua calma habitual.
– me disse que Damon mentiu pra mim. — respondi, com uma calma que eu não tinha.
– certo. — ela respirou fundo, novamente. — uma mulher chamada Isabella Swan veio em meu escritório recentemente, pedindo que eu fizesse um contrato de compra e venda pra ela, sobre um imóvel que nem no nome dela estava. Eu disse que aquela não era minha área, então não podia ajudá-la. Disse-lhe que seria impossível ela vender um imóvel que não estava em seu nome, mas que eu podia encaminhá-la a você, porque você é a especialista aqui. Ela disse que não, que queria que fosse comigo. Por um minuto eu pensei que ela estava flertando comigo, por causa de uns olhares estranhos, mas, assim que eu vi o nome do proprietário do imóvel, percebi o que a piranha queria fazer.
Detalhe, raramente Vick xingava algo ou alguém. Então essa mulher deve ser muito vagabunda.
– e o que seria? — pedi, sem querer ouvir realmente a resposta.
– ela queria me mostrar que ela e o proprietário tem muita coisa a ver. Que ela queria vender o imóvel dele, porque ela tinha plenos poderes sobre o imóvel e sobre o proprietário. Ele estava passando o imóvel para ela. — respondeu-me.
– não estou entendendo, Vick. Qual era o nome do tal proprietário, então?
– Damon Salvatore. — falou, e eu arfei, tentando não acreditar. Mas não há nada que Vitória me dissesse desse jeito que eu não acreditaria. Ela nunca ia brincar com uma coisa dessas.
– eu…. Eu não estou entendendo. — falei, e ela respirou fundo, começando a chorar forte de novo.
– o Damon, Ang…. Ele tem outra. Ele tem outra mulher…. — ela falou, e eu comecei a chorar.
Eu não sabia o que dizer. Não conseguia acreditar que Damon tinha me traído, mas eu não ia desacreditar minha melhor amiga.
– como…. Porque esta mulher foi falar com você? Damon é…. É…. Meu namorado, certo? — sussurrei, ainda confusa, e ela assentiu.
– tenho duas hipóteses. Ou ela pensa que eu sou a namorada do Damon, ou ela conversou comigo para que eu falasse com você, pois ela não seria capaz de te encarar. — ponderou, e eu assenti.
Me levantei rapidamente, pegando meu casaco, minha bolsa e meu celular. Mandei uma mensagem a Edward, para que ele viesse ficar com Vick, pois ela estava muito frágil com tudo isso.
– Ângela…. Espera, aonde você vai? — ela implorou, chorando.
– vou resolver essa merda.
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