A Birthday Gift
4 Flash Back 3.
Notas iniciais
Eu nem sabia pra onde ir. Saí do apartamento daquela tal de Isabella sem rumo, só querendo cair no chão e chorar. Como eu pude ser tão estúpida por todo este tempo? Como nunca desconfiei do canalha que dormia comigo? Dormir não, porque depois de…. Arg, sinto nojo só de pensar nisso. Depois de tudo, ele me deixava dormindo e ia embora. Nunca conheci seus pais ou seus amigos íntimos, mas nunca nem liguei, porque eu tinha medo de compromisso maior, tipo “casamento”. Foi por isso que terminei com Emmett, e é a coisa que eu mais me arrependo na vida.
De repente, meu celular começou a tocar e eu esperava ardentemente que fosse Vitória, porque ela seria a única pessoa capaz de me ajudar agora. Mas não. Ela estava muito abalada com tudo, e provavelmente Edward tenha a levado para casa deles, pra ela se acalmar e descansar um pouco. Não era ela me ligando.
Era Damon.
Ponderei por dois segundos sobre o que eu deveria fazer, e atendi, disposta a dar um fim definitivo nisso.
– alô? — atendi, roendo a unha. Alice ia querer me matar quando visse minhas unhas, mas eu não estava nem aí.
– oi, princesa…. Como está sendo seu dia? Estou morrendo de saudades…. — ele falou, com aquele carinho que eu tanto amava, mas que agora me dava nojo.
– meu dia começou muito bem, mas está só piorando. A gente pode se encontrar? Eu preciso muito conversar. — pedi, e eu pude imaginá-lo sorrindo. Aquele sorriso maravilhoso com aquele brilho naqueles lindos olhos azuis.
– tudo bem, meu amor. Pode ser no seu apartamento, que tal? — falou, e eu suspirei.
– tudo bem, eu te espero lá. — falei, desligando antes que ele me quebrasse dizendo um “eu te amo”.
Assim que eu pus meu telefone no bolso, ele voltou a tocar.
Era Vick.
– oi…. — atendi, suspirando. Vick ainda estava bem abalada.
– Ângela…. Ângela, onde você está? Por favor, me diga que você não fez nenhuma besteira…. — ela balbuciou, soluçando, e eu respirei fundo, parando de andar e chamando um táxi.
– eu estou bem, Vick. Estou indo pra casa agora. — falei.
– tá, tá, eu…. Eu tô indo, eu…. Eu vou pegar meu carro…. E já…. Me solta, Edward! Eu vou sim! — ela gritou, transtornada, e eu até me assustei. O táxi parou e eu dei o endereço de casa.
– Vick, calma…. Não briga com o Edward, por favor, ele só quer o seu bem. — falei, e ela ia me interromper, mas eu não deixei. — escuta: eu vou resolver isso agora, e, quando eu terminar, o Edward te leva lá em casa, ok? Eu vou conversar a sós com o Damon. Eu preciso fazer isso.
– não, não, não…. Eu não vou te deixar sozinha com aquele canalha…. Eu não vou deixar…. — ela chorou, e Edward tomou o telefone da mão dela.
– Ângela…. — ele murmurou, tentando contê-la.
– Edward, não a deixe sair daí. Quando eu estiver livre, eu ligo, ok? — pedi, e ele suspirou.
– ela está transtornada, Ângela. Eu nunca a vi assim. — ele falou e eu respirei fundo.
– eu já a vi assim, e só vai piorar. Mas você não pode deixá-la sair assim, ela vai acabar fazendo besteira. Segure-a o tempo que puder. Você é forte, deixe-a bater em você, se necessário. É pelo bem dela. — falei, e ele confirmou.
– e você, Ângela. Não faça nenhuma bobagem. — ele pediu, e eu dei uma risada cética.
– até parece que você não me conhece, Edward. — falei e desliguei.
Quando Damon chegou em minha casa, eu estava no sofá, assistindo TV, com uma faca na mão.
– Ang…. — ele falou, confuso com meu sorriso diabólico.
– sabe, Damon…. Eu nunca me perguntei porque você raramente dormia comigo aqui em casa. Tipo, quando eu acordava, você nunca estava aqui. — falei, enfiando a faca na mesinha de centro de madeira que ele tinha me dado de presente. — nunca me perguntei, até hoje.
– Ângela, eu…. — ele gaguejou, e eu dei um sorriso largo.
– shhh... Calma, meu amor. É só um joguinho. Três respostas erradas, e eu vou ter que enfiar a faca em outro lugar. — sorri, o empurrando no sofá e subindo no colo dele. Peguei a faca de novo, pegando-o pelo cabelo e puxando sua cabeça para trás.
– Ângela, por favor…. — ele implorou e eu ri.
– você acha que eu tenho cara de palhaça? — perguntei, e ele engoliu em seco.
– não, meu amor…. Claro que não. Porque está fazendo isso? — sussurrou, e eu dei um suspiro bem teatral.
– primeira resposta errada. — falei, com a voz séria, e cortei sua gravata com a faca, bem próximo a sua garganta. — é melhor você cooperar, meu amor.
– Ang…. — sussurrou, entre lágrimas.
– calado. — rosnei alto, e ele tremeu de medo. Sorri. — segunda pergunta: Isabella Swan é sua esposa?
– o que…. Quem? — ele arregalou os olhos e eu sorri. — claro que não, princesa, eu nem sei de quem você está falando, eu não sou casado, eu….
– segunda resposta errada. — sussurrei, cortando seu paletó com um pouco de cuidado para não machucá-lo. A última coisa que eu queria era o sangue dele no meu carpete.
– oh meu Deus…. — ele fechou os olhos, pedindo proteção, e eu ri.
– eu acho engraçado que, mesmo eu estando com uma faca na mão, você continua mentindo pra mim. — falei, e Damon abriu os olhos, me fitando com medo.
– eu não estou mentindo pra você, Ângela. Eu te amo. — ele falou e eu suspirei.
– terceira resposta errada. — falei e empunhei a faca. Ele fechou os olhos, esperando a punhalada, mas eu sorri e a atirei com precisão na pintura italiana de dois milhões de euros que estava pendurada em minha parede. Ele a tinha comprado. Saí de seu colo e o puxei pelo paletó rasgado para se levantar. Meti um tapa em seu rosto.
– você é um filho da puta! Me fez de idiota todo esse tempo, e então eu descubro que você é casado! CASADO! E tem dois filhos, seu cretino! Por quanto tempo mais você achou que ia conseguir esconder de mim? — gritei, pegando o vaso de cima da mesinha e jogando nele. Ele abaixou a tempo.
Droga.
– calma, Ângela, eu posso explicar…. — ele falou e eu o fitei, incrédula.
– você vai me explicar o que? Que se casou há 10 anos e que simplesmente se esqueceu disso? Que me disse que era solteiro, quando nos conhecemos, porque achou que não ia pra frente e que quando “se apaixonou por mim” não foi capaz de contar a verdade com medo de me perder? Que estava pensando em contar, mas não encontrava o momento certo? Depois de quase dois anos, Damon, DOIS ANOS, você acha que eu vou cair nessa porra de desculpa esfarrapada? Quer saber de uma coisa? EU QUERO QUE VOCÊ VÁ PRO INFERNO! — gritei, extravasando tudo, sem derramar uma única lágrima.
Eu não ia dar a ele o gostinho de me ver chorar. Nem fudendo.
– Angel…. — ele sussurrou, chorando, e eu meti outro tapa em sua cara.
– você não tem a porra do direito de me chamar de Angel! Nunca teve! Seu desgraçado! — gritei, e escondi a boca com a mão, tentando me controlar. Eu não ia chorar. Não mesmo.
– Ângela, por favor, me deixar falar…. — implorou, caindo de joelhos, e eu virei o rosto, com nojo.
– fala. — grunhi, porque eu tinha que parar de gritar pra poder me controlar.
– por favor, me perdoa…. Eu não queria te magoar, mas eu não podia ficar sem você. Você é tudo pra mim, Ang, por favor me perdoa…. Eu…. Eu vou me separar de Isabella. Eu prometo que vou largar dela e vou ser todo seu, completamente seu…. Eu vou….
– você vai embora da minha casa, e vai embora da minha vida, pra sempre. Eu não vou cair na sua lábia, filho da puta. Isabella me disse que não era a primeira vez, e eu tenho certeza que não vai ser a última que um galinha como você vai fazer uma merda dessa na vida dos outros. Pra falar a verdade, você e aquela vagabunda ruiva se merecem, são dois cretinos. Eu já disse pra ela, e vou dizer pra você: é a última vez que eu quero ouvir falar de vocês. Se vocês dois se meterem na minha vida outra vez, eu acabo com vocês, eu estou avisando. E manda sua piranha de capa de revista ficar bem longe do Edward, se não eu não me responsabilizo pelo que vou fazer na cara dela. — avisei, com a voz cavernosa, e Damon assentiu, chorando.
– depois de tudo o que vivemos, você vai destruir nosso amor desse jeito? — ele sussurrou, e eu ri.
– isso não foi amor. Amor foi o que eu perdi, e você se aproveitou disso. Eu estou te perdoando de tudo o que houve, porque não quero mais nada de você na minha vida, nem mesmo nutrir ódio ou ressentimento. Mas eu realmente espero nunca mais olhar na sua cara miserável, seu covarde. — rosnei, e fui abrir a porta pra ele dar o fora. Chutei o carpete cheio de vidro pra um canto da sala e abri a porta. Vick apareceu no mesmo instante.
– seu filho da puta…. — ela rosnou, chorando, e avançou em Damon, tentando bater nele. Ele era mais forte que ela, isso é obvio, mas ela lutava muito bem, então tinha acertado uns belos golpes nele. O mais hilário foi o monte de chute no saco dele.
– o que é isso? — Edward entrou, assustado.
– da última vez que ela pirou assim, a vagabunda que recebeu o ódio dela foi parar no hospital. O irmão dela foi tentar separá-la da outra, e acabou levando um soco nos ovos. Eu não sou nem maluca de me meter aí. Vai você. — avisei, e ele balançou a cabeça.
De repente Damon conseguiu tomar o controle da situação, e virou, prendendo Vick no chão. Antes de qualquer coisa, Edward agarrou Damon pela cintura e o jogou pra longe da mulher dele. Pegou ela pela cintura, a segurando pra longe de Damon.
Damon tinha o canto da boca cortada e a cara bem vermelha de tanto tapa. Não conseguia nem levantar de tanta dor nos ovos. E era por isso que eu amava essa morena perigosa.
– me solta, Edward, eu vou matar esse viado vagabundo corno dos infernos…. — ela rosnou, e eu sorri com os palavrões. Minha amiga sabia xingar quando queria.
– meu amor, para…. — Edward pediu, mas não adiantou. Ele tinha que fazer um esforço enorme para segurá-la. Damon se levantou e limpou o canto da boca, fitando minha amiga nos olhos.
– eu pensei que você fosse uma garotinha boa e inocente. — ele falou, a olhando com cara de mal.
– eu, ao contrário, sempre soube o filho da puta que você era. — ela devolveu, e Edward a afastou mais de Damon.
Damon deu um passo decidido na direção de minha amiga, e Edward a escondeu em suas costas.
– mais um passo e serei eu que vou acabar com sua raça, seu imundo imprestável. — Edward rosnou, parecendo um leão bem perigoso, e eu sorri. Ele sempre ia proteger minha amiga.
– vai proteger sua noivinha, vai? — Damon falou, o enfrentando.
– proteger de quem? De você? Eu quero é ver você vir aqui me bater, seu covarde. — Vick rosnou, o enfrentando, e Damon deu outro passo em direção a ela, sendo recebido por um soco certeiro de Edward, que o fez cair no chão.
– seu…. — ele rosnou e eu tive que intervir. Me pus entre eles e apontei a porta da rua para Damon.
– ou você sai daqui agora, ou eu chamo a polícia. — rosnei, imponente. Ele se levantou, limpou as roupas e, me dando um último dilacerado olhar, foi embora.
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