– O que faz só, nesta gaiola, pequeno pássaro?

– Não sei; mandaram-me aqui e desde então vivo neste espaço.

– Nunca pensou em abandonar esta gaiola? Se o fizesse, descobriria um mundo muito mais... Interessante.

Ao pronunciar suas últimas palavras, o corvo aproximou-se do rouxinol para observar sua reação. Sim, o pequeno pássaro recuou. Lembranças vagas, porém verdadeiras, surgiam. O que fizeram com o rouxinol? Por quê tirarem-lhe o dom de voar? Se não é um dom, um direito? Ah, aquelas incertezas do passado retornam. Um fogo emerge no corpo do pequeno ser, entretanto, permanece intacta sua doce e pura alma. Alma imaculada! Quantos já não o almejaram? O corvo parece ter deixado escapar um sorriso malicioso.

– Por que?

– Me invocaste por um motivo.

– ... Busco vingança.

O rouxinol, com seus grandes e profundos olhos, fitou-o, perplexo pelo próprio impulso. Puro instinto. Orgulho.

Estava escuro, como sempre. Era possível, contudo, ver o sorriso do ser negro, de exuberantes asas. Sim! Agora é certo; o corvo sorria maliciosamente, de forma a tornar seu pensamento indecifrável. O que estaria imaginando?

– Vingança, é isso o que quero! — Repetiu a criatura, dessa vez sem hesitação.

– Será que está convicto?

– Sim, é o que busco, vingança!

E tudo escurece completamente.


Notas finais
Bom, se alguém não entendeu: rouxinol - Ciel / corvo - Sebastian
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