A Bird Inside A Cage e outros
3 Contrato
O pequeno pássaro acordara molhado pelas lágrimas de susto. Um sonho. Quando tomou consciência, não enxergava mais do olho direito. Apenas via um vulto e olhos cor de sangue, e uma mão. Um selo? Um contrato.
- Este é vosso pacto. Libertarei tua voz, teu ódio; serei tua espada e teu escudo.
E aquele demônio, com um gentil gesto, colocou o dedos dedos indicador e médio nos lábios da inocente criatura, que hesitava em obedecê-lo; por fim foi persuadida e sucumbiu ao desejo do corvo. Não satisfeito, foi mais profundo, até tocar a alma do rouxinol. O sangue de ambos se encontraram, e dessa forma o contrato tornou-se definitivo.
- Por que tanto orgulho? Tolo. — O corvo indaga, mas satisfeito com o pacto. Sabia, será? O rouxinol tinha o paraíso como futuro, e felicidade eterna. Um ímpeto, talvez mais tarde lamentado, levou tudo isso ao abismo e o ser se deixou levar pela escuridão presente em seu coração. Tudo lhe fora levado, é certo. Entretanto seguiu convicto de que aquilo que perdera seria impossível de retornar. De certo modo, verdade. O demônio arrastava, cada vez mais, a criatura ao inferno. — Ah, humanos. — E riu.
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