A Better Man

4 Quarto Cap. — Quero-te Beijar!


'Cause you give me something

That makes me scared, alright

This could be nothing

But I'm willing to give it a try

Please give me something

'Cause someday I might know my heart

− James Morrison in You Give Me Something

Passaram quatros meses, não tão longos como antes, não só para Adam. Lucille conseguiu “salvar” Kimberly de alguns anos na prisão, tendo pela frente apenas dois anos e meio de trabalho em colaboração com a polícia. Kimberly tinha muito a agradecer-lhe, sabia perfeitamente que à partida Adam lhe teria suplicado mundos e fundos.

Kimberly foi pressionada a telefonar à sua família por Adam. Ela segurava a mão dele enquanto o telemóvel chamava, a sua mão tremia com o telefone em alta voz. O seu pai atendeu e a sua voz estava debilitada. Sempre foi assim, Adam não se lembrava de uma única vez em que o pai de Kimberly não estivesse doente. O pai de Kimberly chorou muito do outro lado, as suas palavras eram indecifráveis, mas a felicidade por saber que Kimberly estava bem era extremamente evidente.

Kimberly não se prenunciou, nunca, sobre onde dormia. Adam ofereceu a sua casa vezes sem conta, mas a cabeça teimosa dela não aceitou. Preocupava-se como sempre fez, da mesma maneira e quantidade.

A presença de Kimberly melhorou tudo, a polícia tinha uma maior e melhor atividade, agora. Apesar de nunca ter estado em campo, ainda, a sua ajuda era autêntica e quase física. Os casos que ela tinha investigado, todos aqueles documentos, fotos e áudios chocantes e carregados de sangue-frio e de vingança no seu estado mais puro. A sua mente não aguentava aquele oito-oitenta.

Adam acalmava-a sempre depois de cada reunião com a equipa, prensando-a levemente contra o seu peito e acariciando os seus cabelos negros causando-lhe sensações de nostalgia e costas até a sua respiração acalmar. O seu olhar era distante e cambaleava.

Friday, 10:38 p.m. Arizona Police, Arizona

O clima era de grande festejo, depois de horas e horas de trabalho exaustivo, tanto em campo como fora dele, o caso tinha sido bem-sucedido. Alguém culpado estava agora no lugar certo, embora nenhum pertencente à equipa fosse apto para trazer as vítimas à vida.

− Bom trabalho! ¡Buen trabajo! Good job! Bon travail! Buon lavoro! – Kimberly riu e pronunciou “Bom trabalho!” em cinco línguas diferentes. Era impossível não ver o seu cansaço através de uma simples ligação via Skype e também pelas suas olheiras e cabelo mal prendido e um pouco desgrenhado.

Lucille juntou-se a Kimberly e ambas felicitaram a equipa que tinha entrado em campo. A equipa triplicou os elogios a Kimberly, embora ela negasse com a cabeça e as suas maçãs do rosto corassem e todos se rissem da sua vergonha. Kimberly nunca praticou o bem em troca de algo, aspeto que até a penalizava.

A gargalhada mais natural veio de Adam, toda a equipa notou a troca de olhares entre os dois. A maneira como todos desejavam ser olhados, ser olhados com tanto amor, compreensão e admiração que até a sua alma descansaria sempre que estivesse a ser olhada de tal forma.

Lucille e o resto da equipa sentiram-se na pele da famosa “vela”. Alguém tossiu, no jato que se aproximava de descolar, lembrando-os que não estavam a sós.

− Vamos comemorar. Certo, pessoas? – Kennedy deu uma cotovelada a Adam fazendo-o acordar do transe provocado por Kimberly – Certo?! – Kennedy fez-se sentir no jato, mais ninguém tinha coragem de despertar Adam dos seus raros transes, raros até que Kimberly reapareceu. Já todos tinham notado a melhora no seu humor.

− Ótima ideia, Somerhalder! – Lucille guinchou e abanou Kimberly. – Algum lugar em mente? – Lucille colaborou com Kennedy, mas nem a sua cotovelada nem o abraço que abanaram Kimberly eram suficientes.

− Por que não o bar novo? – Kimberly encarou Lucille atrás de si. Lucille parecia extremamente feliz naquele dia, Kimberly estaria à espera de um “não” logo como resposta à pergunta de Kennedy, e agora tinha a felicidade à flor da pele, mesmo sabendo que era um lugar onde havia álcool como certeza?

− Claro! Hoje o dia de álcool está oficialmente legalizado! – Lucille girou os calcanhares e puxou uma cadeira. Tinha planos de conversar com eles até o jato pousar. – Bom, mudando de assunto. Como vai esse lado do país?

Montreal. Montreal refrescava-lhes muitas memórias. A primeira discussão deles, dois anos antes de se separem em vidas e escolhas diferentes.

“ Os alunos do 11º ano iriam acampar em Montreal, num verdadeiro lugar destinado ao acampamento, ao verdadeiro acampamento. Num país diferente e nalgo decente, sem que houvessem depois queixas em algum tipo de reunião de pais por más condições

Adam e Kimberly estavam de “trombas” há alguns dias. Todos na turma e outros amigos, até mesmo professores, tinham notado o mau clima entre os dois. Como começou? Duas cabeças duras que faziam apostas e depois teimavam em quem tinha razão.

Era a primeira discussão e zanga, mas algo dizia a Kimberly que não ficaria por ali. Ela tentou a todo o custo ignorar os seus pressentimentos, porém na maioria das vezes eram certos e assustadoramente certos e reais. Herdou aquela capacidade da sua avó, de quem mal se lembra. Toda a sua vida conviveu com esta capacidade um tanto pouco adormecida, que a assustava desde pequena, com a qual não se conformava aos doze. Sempre acabou por se habituar com os seus sustos que a pouco a pouco foram diminuindo.

Até aos catorze experimentar ver alguém, não apenas pressentir as coisas que poderiam vir a acontecer, ver alguém que não conhecia, ficou completamente aterrorizada e traumatizada. Nunca tinha revelado a ninguém que aquela capacidade habitava em si, até ganhar coragem e abordar Adam e Lyane.

Kimberly e Adam tinham-se ignorado durante toda a manhã, desde a sua chegada às cinco da manhã até ao almoço ao meio dia. Almoçaram todos juntos e bem aconchegados entre aquela chuva e frio, a cara de maio canadense, mesmo sendo plena primavera.

Pararam de se ignorar depois do almoço, com muito esforço. Não conseguiam ficar mais de costas voltadas, a conversa entre eles tinha começado de uma forma extraordinariamente natural e fluente. Notava-se à distância que aquilo se tratava de algo estúpido e infantil.

Naquele dia, precisamente ao final da tarde, os alunos foram autorizados a ficarem nas ditas cujas “cabanas” e a passarem algum tempo entre amigos sem grandes rebaldaria e com juízo.

A curiosidade sobre o que cada um faria depois de sair do liceu foi o foco, e o foco certamente errado! Kimberly preferia ter ficado na ignorância e Adam preferia que as coisas não fossem daquela maneira.

Queriam seguir caminhos e traçar vidas diferentes. Kimberly pretendia ficar em New York e fazer um curso de letras, ficar perto daqueles que amava e tentar a sorte e trabalhar para que pudesse um dia escrever num editorial de uma revista ou até mesmo, quem sabe, ter um livro escrito por ela mesma como Best-Seller. Adam não. Adam não via assim as coisas. Adam desejava embarcar, uma vez mais, para fora do estado, talvez para Nevada ou Arizona e conseguir fazer um curso de Criminologia e ser empregue imediatamente, ser bem-sucedido quer fosse longe ou perto da família.

A conversa ficou pendente depois de ambos tirarem as suas conclusões um sobre o outro. Ambos conseguiram concluir uma coisa certa: as suas vidas não se iriam cruzar…

Kimberly ficou estática depois da sua conclusão. Ela sempre exprimiu mais os seus sentimentos, por menores que fossem, Adam não. Adam sentia com muita intensidade e nunca exprimia os seus sentimentos num décimo da sua intensidade real. Daquela vez foi diferente, envolvia Kimberly. Adam ficou estarrecido e desamparado.

A conversa e tudo mais o que os envolvia ficou pendente. Kimberly saiu do quarto dele com alguma desculpa sobre ter de voltar ao seu quarto e deixou Adam sozinho com as dúvidas e anseios sobre o futuro deles.

Durante toda a semana que permaneceram em Montreal, as conversas iam e vinham, sem graça e sem grande naturalidade. O clima tinha ficado imensamente pesado e tenso.”

A equipa teve um voo de quase cinco horas, de Montreal para Arizona. A equipa estava quase estagnada ao fim de três horas e meia. Lucille e Kimberly não desligaram a chamada via Skype, a equipa tinha teimado vezes sem conta para elas irem descansar um pouco.

Lucille e Kimberly já massajavam as têmporas do rosto em busca de alguma energia, elas negaram-se a descansar. No fundo tinham razão, descasar como e onde? Nos bancos distribuídos pelo edifício? Nas camas das celas com cheiro a suor de mais de cem pessoas diferentes?

Lucille acabou por adormecer ao fundo do cubículo de Kimberly, a única que trabalhava para eles com a finalidade de trabalho comunitário, num banco pequeno e que só de olhar já transmitia o desconforto que o sofá oferecia. Kimberly deitou as costas da cadeira para trás para que pudesse descansar.

A equipa não tardou a chegar, uma hora e meia depois de elas adormecerem.

Estavam todos exageradamente cansados, mas felizes e ainda com energia para aproveitarem, beberem um pouco e festejar, não por muito tempo. Uma ou duas horas seria o suficiente para conviverem depois de quatro dias longe de Lucille e Kimberly, especialmente de Kimberly.

Demoraram trinta minutos a pousarem em casa as poucas malas que levaram com eles. Tinham sido caóticos aqueles dias numa pensão qualquer em Montreal, não tiveram grandes oportunidades para escolher um hotel de luxo.

Quando chegaram ao edifício, tiveram pena de acordar Lucille e Kimberly, dormiam tranquilamente mesmo em lugares pouco desconfortáveis. Não foi necessário grande esforço para as acordar, assim que Adam e Kennedy bateram com os pés um pouco mais forte, acordaram calmamente.

Lucille acordou disposta a matar tudo e todos enquanto Kimberly estava quieta sem saber o norte das coisas, parecia estar drogada. Sentou-se direita na sua cadeira, olhou à sua volta e para Adam e depois para Kennedy. Sorriu e riu ao ver os dois.

Levantou-se com dificuldade enquanto Lucille continuava a resmungar até Kennedy lhe falar nas maravilhosas bebidas alcoólicas. Kimberly trocou o seu casaco, que ficava no cubículo tipo casaco de trabalho, e os seus sapatos por uns mais confortáveis e elegantes.

Saturday, 04:41 a.m. Cooper’s Bar, Arizona

Toda a equipa foi para o tal bar, Cooper’s Bar, festejar e aproveitar algum tempo junto um dos outros. Era difícil festejarem alguma coisa sem envolver correrias e tropeços

Lucille seguia na frente do grupo com Camila e Ben, que eram cunhados e confidentes de Lucille. Kimberly, Adam e Kennedy seguiam atrás com muitos risos e piadas, Adam sentiu um fio de ciúmes por Kimberly e Kennedy. Luke ia atrás de todos, com as mãos enterradas nos bolsos do seu casaco de ganga, olhava em todas a direções com uma expressão fechada e agressiva.

Foram a pé, a caminhada e a brisa dela fê-los despertar. Enquanto lá fora estava fresco, no bar estava quente e tudo piorava graças ao calor Humano que havia em dobro. Adam mal pôs os pés dentro do bar, detestou. Detestou a ideia de tanto contacto humano que ali se podia gerar.

− Vocês estão a gozar/zoar, não? – Adam detestou com todas as suas forças o tanto de contacto físico que ali se podia dar. – Podemos ir para minha casa se quiserem, abrimos uma grade de cervejas ou uma garrafa de vinho do Porto. – Adam tentou dissuadir os colegas.

− Deixa de se desmancha-prazeres por uma hora, sim? – Kimberly pegou-lhe na mão, colapso de arrepios, tentou arrastar o corpo pesado e musculado de Adam. Kimberly desmanchou-se em risos e olhou para ele contagiando-o.

− Está bem, eu fico. – Adam obviamente que cederia a Kimberly. A Kimberly ceder-lhe-ia tudo, até mesmo a vida.

Adam tinha ficado parado perto da porta no mesmo tempo que os outros reservavam lugares numa mesa redonda que refletia as luzes do bar. O bar chegava a ser acolhedor, com discos de vinil numa parede xadrez oposta ao balcão, com quadros de Elvis Presley, Marilyn Monroe e outros e um balcão no estilo anos cinquenta.

Ao longo da noite, Lucille e Adam abusaram da bebida, principalmente Adam. Kennedy ficou num meio-termo, parou de pedir bebidas ao balcão quando sentiu o seu equilíbrio a abandonar o seu corpo. Kimberly repetiu a mesma bebida por duas ou três vezes, porque sabia como ficaria caso exagerasse. Camila e Ben beberam das bebidas mais fracas duas vezes.

Lucille e Adam partilharam exatamente uma garrafa de Vodka, sentiram os olhos opressores de Kennedy e prosseguiram, e uma dose de Absinto, cada um. Kennedy bebeu alguns copos de whisky até se aperceber do seu equilíbrio, melhor, a falta dele. Camila e Ben beberam um pouco de licor de nata e Kimberly bebeu duas garrafas de Sagres Radler com sabor de pêra de Alcobaça.

Foi um espetáculo bonito de se ver. Lucille e Adam riram a noite fora, fizeram muitas palhaçadas e contaram as piadas mais secas do conhecimento de todos. Kennedy estava sentado no canto, quieto e quase a dormir acordado. Camila e Ben observaram o espetáculo juntamento com Kimberly, a única diferença entre aqueles cunhados e Kimberly era que eles fizeram questão de os fotografar e filmar. O estado deles era lindo, gostaram de ser fotografados e filmados.

Saturday, 06:37 a.m. Cooper’s Bar, Arizona

− Não acham que já chega de festejar? – Ben olhou para as horas no seu relógio de pulso.

− Há muito tempo. – Camila mordiscava uma das palhinhas que Adam e Lucille tinham trazido do outro lado do bar. – Vamos levá-los como? – Camila encarou Ben.

− Pomos-lhes umas fraldas e levámo-los ao colo. – Kimberly sugeriu fazendo Camila e Ben rirem-se.

Kimberly, Camila e Ben pegaram nas suas coisas e levantaram-se. Os seus olhares atentos vaguearam pelo local à procura de Adam e Lucille. Não podiam estar muito longe.

− À nossa procura? – Adam sentou-se na cadeira. – Já estamos aqui. – Adam riu entre as palavras.

− Vão nos levar para uma cela? – Lucille fez cara de inocente. Cada vez que abriam a boca, mais uma asneira dita.

− Não minha linda, embora às vezes mo apetecesse fazer tal coisa. Mal posso esperar que lhes passe a ressaca para lhes mostrar as fotografias e vídeos. – Camila esfregou as mãos e gargalhou.

− Só aceito ir embora se for contigo! – Adam agarrou-se à cintura de Kimberly o que a fez corar e rir. – Só contigo!

Camila acordou Kennedy que dormia no canto enterrado no assento com o capuz a cobrir-lhe a cara, descalçou os saltos de Lucille e ajudou Ben a carregá-la.

Kimberly não teve muitas hipóteses. Adam insistiu, insistiu e insistiu para que fosse Kimberly a acompanhá-lo a casa. Era engraçado vê-lo daquela maneira tão descontraída e desinibida.

Saturday, 06:44 a.m. Street, Arizona

O corpo de Adam tornava-se extremamente pesado para Kimberly o carregar. Adam tinha um dos seus braços à volta dos seus ombros para que não se desequilibrasse tanto.

Kimberly desejou ter o seu carro consigo, no Arizona, queria encolher-se na sua cama macia e acolhedora. Ao invés disso, estava em plena rua a caminho do apartamento de Adam, bêbedo, e sob ameaça de chuva. Fantástico!

− Posso olhar para ti, um bocado? Por favor? – Adam sussurrou num tom em que Kimberly pudesse ouvir perfeitamente. – Por favor?

Adam sabia que tinha culpa. Sabia também que Kimberly também tinha culpa. Ambos partilhavam a culpa de se terem separado em vidas, caminhos e escolhas diferente, mas que acabaram por os unir. Porém, Adam tinha mais culpa.

Sabia que tinha mais culpa, porque foi covarde. Covarde suficiente para nunca ter admitido que era apaixonado por Kimberly desde o primeiro sorriso. Tentou-se negar por algum tempo, até aos seus dezassete anos. Aos dezassete anos tinha a certeza que tinha uma paixão por Kimberly. Uma paixão que ia desde o seu estado mais calmo até ao seu estado mais psicótico de T.P.M.

Nunca conseguiu encontrar os aclamados vinte segundos de coragem e dizer tudo a Kimberly, nem nunca a ter beijado. Tinha medo de mostrar os seus sentimentos e de que Kimberly não compartilhasse do mesmo. Era uma tortura psicológica.

Agora, ah agora, agora seria diferente. Adam realmente não queria saber do risco que corria, de a perder. Era agora ou nada.

− O que foi? Quero ir para…− Começou a chover naquele instante, Kimberly previra aquilo. − …casa.

− Eu também, mas antes. Deixa-me fazer uma coisa.− Kimberly não percebeu qual era o rumo ou o objectivo daquela conversa, provavelmente de bêbedo.

Adam estava a ficar encharcado tal como Kimberly. Adam tirou o seu braço dos ombros de Kimberly. A pressão fê-la respirar melhor enquanto Adam tentava focar a sua visão em alguma parte do alcatrão da estrada para encontrar o equilíbrio.

Kimberly riu, riu por não saber ao que Adam pretendia chegar e, também, pelo seu estado, ao mesmo tempo que sentiu pena. Adam estava alegre, risonho e com humor digno da idade dele.

A chuva tinha ficado mais forte mas o vento estava fraco, ainda bem! Adam cambaleou para mais perto dela, ao ponto de sentir o seu calor e os batimentos cardíacos irregulares. Era o efeito dele? Ou da chuva gelada?

− Adam… − Kimberly pareceu adverte-lo. Foi e seria em vão, Adam estava mais decidido como nunca, mais decidido como nunca tinha sido.

As mãos dele estavam na cara dela, fria e molhada, enquanto as mãos dela tomavam movimentos involuntários e incertos, não sabia onde e se lhe devia pousar as mãos no corpo molhado, porém quente.

Adam avançou devagar na direção dos seus lábios, não queria assustá-la, dando-lhe tempo para se certificar do que estava prestes a acontecer, que poderia ser realmente desastroso ou não.

Adam já não aguentava mais, tinha esperado uns bons e longos sete anos. No decorrer daqueles sete anos, tinha namorado nada mais nada menos que duas raparigas, relacionamentos que duraram menos de um mês e meio. Não sabia se era a sua consciência a pesar-lhe para confessar o que sentia a Kimberly ou se era mesmo real, cada vez que as beijava ou que falava no nome delas, era como se sentisse o olhar pesado e desiludido de Kimberly queimar-lhe a nunca, ou melhor, o coração.

Kimberly gostaria de ter opiniões e ações sempre prontas e bem estruturadas, mas nunca as tinha. Gostaria de interromper aquele momento, mas sabia que seria um erro, tinha esperado por aquilo por… oito anos?! Ele era e é o seu crush de adolescência que levaria para a vida toda. Foram tantas as vezes que pensou num futuro distante, com filhos e casada, a viver a dor de ver Adam e os filhos dele com outra mulher ao lado dele, a partilhar cama e beijos. Mas tinha a certeza que acabaria divorciada com filhos dependentes ainda dela, com um ex-marido do qual se divorciara por motivos de ausência, maus tratos psicológicos e de alcoolismo e que Adam se envolve-se com ela traindo assim a sua esposa, levando ao quase divórcio que era salvo pelo afastamento de Kimberly.

Kimberly avançou na direção dos lábios de Adam. Beijou-o. Beijou-a. Beijaram-se. Adam queria morrer por ter quebrado o desejo já antigo, Kimberly queria espernear e talvez empurrar o seu peito em vão, mas de que adiantaria? Ela já tinha correspondido e ele também. Podia jurar que sorriu entre o beijo.

− Desculpa… − Adam falou com voz embargada. A chuva caia torrencialmente, digna de uma cena de filme. – Eu… −Kimberly interrompeu-o com um beijo curto, juntou a sua testa à dele e sorriu.

− Não sabes há quanto tempo estava à espera disto… − Kimberly sorriu contagiando Adam. O corpo de Kimberly abraçou o corpo de Adam enquanto a chuva escorria corpo abaixo sem os incomodar muito.