A Besta E A Prostituta
1 A besta e a prostituta
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem, é uma história diferente. Sem diálogos, por acaso -q.
Ele saiu de dentro do seu carro, invejado por muitos na maioria das vezes, na mesma intensão de sempre. Suas roupas eram muito bem compostas e seu olhar esverdeado, totalmente rodeado por um vermelho intenso. Em seus lábios e em seu septo, marcas perfuradas de um sangue que não foi totalmente liberto, presente apenas por busca da beleza, por busca da vontade de alcançar uma rebeldia maior do que realmente estava ao alcance deste homem. Mas quem disse que ele não extravasou? Estava mais atraente do que deveria estar por conta do olhar infantil que carregava em seu rosto carregado de pura e incontrolável ação fora dos comportamentos normais de um ser obediente.
Queria mostrar a rebeldia que dominava nada mais nada menos que toda a sua alma. Queria mostrar o que todos já conheciam e o que todos queriam conhecer, o que todos sonharam em ter e apenas algumas tiveram a chance de experimentar. Aquele ser era desejado, pensava que sabia como é ter vontade e insanos carregados de desejos aos seus pés, não fazia idéia do quanto estava errado. Apesar de todas aquelas que ele comparava como primeiro nível de jogo comum atrás dele, não era de longe tão cobiçado naquela cidade que acabará de chegar.
Já havia um ser dominante naquele local. Dona de beleza desconhecida, formação elaborada, a prostituta sem controle autoritário. Com o corpo perfeito, aquele sim era invejado por todos e não por maioria. Em sentidos contraditórios, talvez. Mas naquela cidade, ela sim dominava e ela sim era desejada. Rosto indefinido entre uma mulher ou uma menina, talvez uma menina com feição de mulher, seios que ninguém passava sem encarar um pouco, tronco modelado o suficiente, cintura fina e nenhum vestígio de imperfeição. Seus cabelos negros combinavam com seus olhos, estranhamente mais escuros que o normal. Porque nesta cidade, os cabelos loiros e os olhos verdes ou azuis pararam de fazer sucesso depois da chegada dessa morena.
Homens e mulheres desejavam aquele corpo sobre si e aquela boca em contato com a sua, todos sonhavam com uma noite ao lado dela, uma noite que ninguém nunca iria saber se chegaria ou não. Saiu de dentro de uma casa desconfiante e misteriosa, ninguém estava por perto, ninguém sabia que ela morava lá, na casa onde todos temeriam entrar... Saiu com sua roupa que não ficaria tão sexy em mais ninguém além dela. Em um vermelho sangue, chamava atenção por onde passava, mas acredite, não era pela cor da roupa.
Mas apesar de tudo, ela não podia prever nada.
Ele encostou-se em seu automóvel de cor preta, com um cigarro nos lábio, não demorou muito para acomodá-lo em meio à seus dedos e tira-lo, prendendo por um tempo a fumaça. E logo depois, liberando-a leve e provocantemente. Observou um pouco o lugar enquanto repetia (quase) seguidamente o mesmo movimento incluindo os dedos, um cigarro e a sua boca. Uma cidade bonita, mas não era o suficiente para prende-lo ali. Ele estava por algum outro motivo que nem poderia imaginar qual era. Mas sentia que havia algo de diferente... Talvez uma missão de vida ou de matar. Ou... De morrer.
Ao soltar a fumaça pela sexta vez no local, se pegou encarando uma casa estranhamente sombria que mais parecia uma floresta do lado de fora. E um ser de vermelho, um ser com uma roupa bizarra e estranhamente (talvez mais que o fato dela ter saído da casa sombria) sexy. Ela andava em sua direção e ele apenas ficava encostado em uma das portas fechadas do belíssimo carro preto, equilibrado em sua perna esquerda e com a direita dobrada, com o pé de encontro ao automóvel.
Ela o encarou ferozmente e com os olhos completamente negros. Estava alí a mandato de seu rei, não queria ir segundos atrás. Não queria mesmo ir... Até encarar aquele homem de órbes verdes. nunca tinha desejado ninguém antes. Ou na verdade, tinha desejado todos. Mas aquele era diferente, ela desejou-o imediatamente, ele era irresistível. Ela podia escutar seu sangue pulsando em suas veias, podia ver cada gota dele através de sua pele macia e corada. Podia ler os pensamentos dele, cada palavra, cada gesto que a sua mente criasse, cada movimento estranho, podia ver tudo. E os pensamentos dele a satisfazia. Sorriu.
Para o "pobre" homem, a cidade já não era mais uma cidadezinha qualquer. Essa cidade brilhante construída de ouro, um brado distante da inocência. Não era mais a mesma. Enquanto encarava os olhos negros da mulher, em sequencia perfeita ao sorriso maléfico dela, escutava uma voz em seus ouvidos... Há mais do que o olho encontra por aqui, olhe para as águas da profundeza. Tarde demais. Não tinha mais o que se interessar em olhar, estava perdido naquela mulher. Em cada curva e cada caminho, em cada toque que o fazia arrepiar, sendo que eram apenas na cabeça dele. E na dela. Normalmente, a prostituta não tem "fantasias sexuais" com um alguém antes de tentar alguma coisa.
Ela virou de costas um tanto quanto provocante, revelando uma tatuagem e levantando sua mão esquerda, mexendo o indicador para frente e pra trás em uma tentativa de fazer o desconhecido homem de olhos verdes segui-la. E o que mais um mero indefeso, já hipnotizado pelo olhar de um demônio que ele não podia ver dentro daquela mulher, iria fazer se não obedece-la? Pois é, ele a seguiu quietinho e bonitinho, como a mesma desejou. Ela já sabia o destino dele, infelizmente, não era o que mais gostava. Gostava de prazer duplo, levava para cama e depois matava, gostava do sangue, era seu alimento. Mas odiava as regras. E se poderia deixar de segui-las, ela iria fazer isso, pelo prazer que nunca a saciava, com o único no qual ela desejou.
E ele apenas caminhava perdido, naquela reluzente e perfeita, porém desconhecida cidade.Uma cidade do mal. Mas ele nem mesmo fazia idéia do que tinha um pouco mais à frente. Pois é, estranho. Ele se desligou um pouco da mulher em perfeição à sua frente, para notar o que faltava. Em pouquíssimos minutos eles já estavam dentro daquela estranha casa. Cheia de cadáveres e roupas bizarras. Um certo ponto, bem afrente de seus olhos, a perfeita mulher já estava sentada em um trono preto acolchoado de um vermelho sangue muito mais intenso que a roupa da prostituta. Era incrível, mas era assustador.
Havia algo ao lado da linda mulher. Lá estava sentado um monstro de sete cabeças, dez chifres cresciam da cabeça dele. Não demorou muito para ele entender tudo o que estava acontecendo. Ele era somente mais uma vítima sem refúgios e sem porque... Observou mais uma vez a linda mulher. Mulher simbólica sentava no seu trono, mas o ódio a descascava e a deixava despida. Ele podia sentir o fogo do olhar negro em sua própria pele e o frio já não existia mais. Aquele monstro estranhamente estúpido ainda estava alí, era ele quem estava estragado tudo. E a vítima desconhecida apenas não tirava os olhos deles. Da mulher, sendo mais exata. A besta e a prostituta.
Questão de segundos para que eles estivessem à sós. A mulher havia encaminhado a besta para fora. E colocado duas taças significativas de vinho. Uma bebida escura, mais para um preto que para a tua cor original. Ela colocou as duas taças em uma mesinha e veio andando em direção ao rapaz. Andando da forma mais sensual que conseguia e que ele já tinha vista na vida. Tentou resistir, mas quem é que não cai na armadilha daquela mulher quando ela age daquele jeito? Ela nunca tinha falhado em uma missão antes, não é agora que isso iria acontecer. Ele já tinha entendido tudo, era muita beleza para um ser humano qualquer, muita sensualidade para um momento qualquer... Muita incerteza para uma besta qualquer. Ela é um lugar de moradia para o demônio. Leu a placa que estava pendurada.... "Welcome to the Babylon" Ela é a gaiola para todos os espíritos impuros e todos os pássaros sujos. E nos faz beber vinho envenenado formicando com nossos reis. Já não tinha mais escapatória quando ele percebeu. Caída agora está a Grande Babilônia.
Apesar do trabalho dela ser fazer ele se perder em prazer, quebrou um pouco de tal regra, mesmo que sem intenção. Gemendo ao seu nome por prazer real, por algo que nem sempre sentia. Não poderia matá-lo depois, mas poderia tê-lo mais uma vez a cada folga de missão qualquer. Ele sabia que os outros já tinham passado por isso. Já sabia que iria entregar seu corpo ao ser abaixo... Sabia que ela era uma ninfomaníaca, mas não se importava. Queria o agora momentâneo. E de qualquer forma, sabia que não tinha escapatória. O dia chegou para todos nós pecadores, se você não é um servo você vai ser atirado no chão. Fugir da cidade que gananciosa está queimando, e olhar para trás em direção à ela e não ver nada.
E era assim, quem disse que o demônio se apaixona? É atração, assim chamamos. Não passa, mas não deixa de ser atração. Que um sentiu pelo outro desde a primeira vez que se viram, se é que isso é possível. Ele nem percebeu enquanto ela pegava de cima da mesa as taças que havia colocado anteriormente. Na selvageria em que estavam, seria muito difícil perceber qualquer coisa. Ele pensava que deveria ter algum tipo de ensurdecedor alí, porque tantos gritos, gemidos e risadas não passariam despercebidos.
Ele nem se lembrava como aquilo tinha começado, só sabia que estava gostando. Mas ela se lembrava muito bem. De toda a provocação que a mesma tinha cometido, da forma em que tirou a roupa dele e da forma em que ele tentava fugir daquilo. Ele parecia um idiota, tentando fugir do que nunca iria conseguir fugir. Pior, tentando fugir de uma mulher, por acaso, uma das mulheres mais desejadas, que nunca desejou ninguém, mas que tinha desejado ele. É, ele só podia ser idiota. Mas ele estava com medo... Até perceber que não haveria mais jeito, a alma dele já não era mais dele.
O gosto era de vinho, idêntico à um sem nenhum tipo de veneno. Era o melhor vinho que alguém poderia tomar na vida, com a maior redenção de todas. O inferno. Agora já era, ele já fazia parte de onde sempre fugiu e também já tinha tido a melhor noite da vida dele. Agora o negro toma conta da pele dele, para logo depois ir embora, deixando toda a escuridão por dentro dele. Iria tomá-lo a alma, os sentidos, a maioria das vontades, as poucas bondades seriam esquecidas, ele era um pecador, não era de nada, aquele era o real lugar dele. Observava o rosto da mulher agir como um espelho em relação ao seu. Ele era perfeição masculina... Ele era um dos demônios procurados na escuridão daquela dourada e rica cidade. Cidade caída.
Caída agora está a Grande Babilônia.
Caída agora está a asa do insano desconhecido...
O trabalho da besta e da prostituta esta terminado. Por enquanto.
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