A Bella e a Fera
5 Capítulo 5 - Crueldade e Inocência
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"Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento."
(Albert Camus)
Senti alguém dar fracos palmadinhas em meu rosto, enquanto o cheiro forte de álcool enchia minhas narinas.
Eu havia desmaiado. Também pudera, eu jurava ter visto um fantasma, depois de saber que meus raptores bebiam sangue.
Mas parecia ter sido tão real.
Mas não podia ser.
Abri os olhos e vi Alice olhando preocupada para mim.
Não estava mais na cozinha. Pois sentia algo fofo em baixo de mim.
Olhei espantada em volta. Estava em uma sala.
E então os vi ao meu redor.
Alice, Emmett, Esme, Carlisle, a tal de Rosalie e...
-- Impossivel! — murmurei pausadamente.
-- Vampiros também são. — Alice respondeu abrindo um sorriso.
-- Ela... ela... morreu. — murmurei apontando, para a menina de cabelos loiros avermelhados e olhos verdes.
-- Para alguns, sim. — a loira magnifica respondeu, em uma voz de veludo.
-- Mas... mas... — minha voz estava presa. — ... eu...
Parei e respirei fundo, olhando pra pequena pessoa na minha frente.
-- Eu à vi morta. — disse por fim.
-- E Ela estava quase. — Alice explicou, me deixando mais confusa.
Eu a encarei incrédula.
-- Mas eu à vi. Dentro do caixão. Morta. — insisti entrando em desespero. — Aquele dia ficou gravado na minha memória. Ela dentro do caixão ficou gravado na minha memória. Não tem como eu me esquecer daquela visão, ou confundi-la. EU A VI MORTA!
-- Ela é a prova de que os verdadeiros monstros, nem sempre são os místicos, como nós. Mas aqueles que se dizem humanos, e estão lá fora, cometendo crueldades sem escrúpulos, à sangue frio, apenas por prazer. — a loira perfeita declarou, de um jeito que me deixou mais confusa ainda.
-- Do... do que está falando? — comecei, sem conseguir tirar os olhos da pequena.
Era ela. Mesmo depois de mais de um ano sem vê-la. Eu sabia que era ela.
Os mesmo cabelos lisos, loiros avermelhados; os mesmo olhos verdes escuros; as mesmas bochechas rosadas; o mesmo sorrisinho sincero, que ela sempre tinha nos lábios... ERA ELA!
Lily.
Mas não podia ser.
Eu à vi morta. Eu consolei Lauren por isso.
Lily olhou pra loira exuberante ao seu lado e murmurou.
-- Posso falar com ela agora Tia Rose? — até mesmo a voz era a mesma. Suave e fina.
A loira me olhou e perguntou.
-- Você já se convenceu que ela está viva, e não é um fantasma, ou vai desmaiar novamente, se ela lhe dirigir a palavra?
Mas eu nem prestei atenção no que a loira havia dito. Meus olhos ainda estavam pregados na figura pequena da criança.
-- Lily? — murmurei sem voz.
E ela me olhou sorrindo.
Aquele sorriso, que fazia você sentir que a inocência ainda existia. Mesmo no século XXI, a onde as crianças engravidam aos treze anos, e os pais fumam maconha dentro de casa, enquanto as mães se ocupam em satisfazer os vizinhos, dentro do carro.
Aquele sorriso, que incendiava locais, e descongelava coraçães.
Aquele sorriso que só podia vir de uma criança.
O mesmo sorriso, que deixava bem claro. Que de alguma maneira, ela estava viva, e ela estava ali.
Meus olhos se encheram de lágrimas, enquanto ela se aproximava de mim.
-- Eu senti sua falta Tia Bella. — disse passando sua pequena mãozinha em meus cabelos. Enquanto eu sentia as lágrimas começarem a escorrer.
-- Lily... — murmurei com a voz engasgada, abafada.
-- Não chore. — pediu com a voz doce, como mel. — Tia Lice disse que enruga a pele, e te faz ficar velha.
Eu a encarei ainda com as lágrimas caindo, e então ela me abraçou, com seus pequenos e delicados bracinhos.
A abracei de volta, e para a minha alegria ela era sólida, o que me provou que ela não era um fantasma, e nem sairia atravessando paredes.
Não sei quanto tempo passei ali, sentindo as lágrimas cairem, em braços tão frágeis e quentes.
Ela se afastou delicadamente de mim, e passou um dedinho em baixo de meus olhos, secando as lágrimas.
-- Melhorou? — perguntou sorrindo.
-- Muito!
Então uma idéia me ocorreu. Eles disseram que ela não estava morta.
-- Ela... ela... é uma... de vocês? — indaguei, encarando Lily espantada.
Todos me olharam, como se eu os tivesse ofendido.
-- Não fariamos isso com uma criança. — exclamou Esme com a voz abafada.
-- Não causamos qualquer tipo de mal a crianças. — Alice completou com os olhos desfocados, como se tivesse se lembrando de algo.
-- "Não somos esse tipo de monstros que você está pensando." — terminou, me encarando.
-- Mas... então... então... como ela sobreviveu? Eu a vi no caixão. — insisti.
Lily me olhava, e vi seus olhos caindo, como se estivesse se lembrando de algo ruim.
-- Rose? — Carlisle chamou, e a loira exuberante, acentiu e disse olhando para Lily.
-- Vamos lá no quarto brincar, com seus novos brinquedos Lily?
-- Mas eu quero ficar um pouco com a Tia Bella. — Lily respondeu me olhando com aquele pequeno sorrisinho triste.
-- Mais tarde você fica o tempo que quiser com ela, porém agora a Tia Bella precisa descansar um pouco, e ter uma pequena conversa de adultos.
-- Não posso ouvir?
-- Não meu anjo, é uma conversa chata... sobre matemática. — a loira disse pensando rápido.
Lily fez uma careta, e me olhou.
-- Você ainda vai estar aqui mais tarde, não é? — perguntou.
-- Não vou sair daqui Lily. — respondi mandando um olhar frio aos Cullen's.
E então Lily se retirou com Rosalie, e eu os encarei esperando por explicações.
-- Por que isso?
-- Não falamos sobre esse assunto na frente de Lily. Não se pudermos evitar. — Emmett respondeu com uma cara séria.
Até que enfim falou algo, já estava achando que ele havia perdido a língua.
-- Por que? O que aconteceu? Como ela pode estar viva?... — ia começar com um turbilhão de perguntas, mas Carlisle levantou a mão, pedindo silêncio.
-- Você disse que foi em seu enterro, então deduzo que você conheça a irmã de Lily.
-- Sim. Lauren. — respondi, e então me lembrei. — Deus. Como ela pode estar viva? E por que vocês não a levaram de volta para Forks? Para a irmã? Lauren quase morreu com a morte dela. Se ela esteve viva esse tempo todo, por que não a levaram de volta para Lauren? Vocês não tinham o direito de fazerem isso.
Emmett trincou os dentes.
-- Pra que? Para ela terminar o que por pouco não conseguiu. — exclamou, e eu o olhei sem entender.
-- Terminar o que? Pelo amor de Deus, será que vocês morreriam se me contassem logo de uma vez?
Carlisle suspirou, e se sentou no sofá na minha frente.
-- Digamos que Lauren não sofreu muito com a perda da irmã...
-- Do que está falando? — interrompi. — Ela estava acabada.
-- Duvido muito que realmente estivesse sequer chateada. — Carlisle continou. — Já que foi ela quem QUASE conseguiu matar Lily.
Eu o encarei. Tentando juntar o que ele havia dito.
-- Você... — comecei. — Está querendo me dizer... que... Lauren... matou... a... irmã? — questionei lentamente, sem acreditar.
-- Não. Eu estou querendo te dizer que ela QUASE matou a irmã, mas como você mesma pode constatar há poucos minutos atrás, Lauren, felizmente, não obteve êxito nessa questão.
Ok. Agora tinha que ser brincadeira.
-- Impossível! — afirmei. — Esse tipo de crueldade não existe na vida real. Não pode existir pessoas assim.
-- Quanta ingenuidade. — Emmett murmurou revirando os olhos.
-- Não. É apenas a inocência Emmett. — Alice corrigiu, o encarando. — Apenas a inocência. Ela ainda acredita no melhor das pessoas.
Bom, e pelo jeito eu acreditava também no melhor dos vampiros.
-- Impossível! — murmurei novamente. Sem prestar atenção no que Alice e Emmett diziam.
-- Vamos Bella. — Emmett exclamou, e eu o encarei. — Até algumas horas atrás muitas coisas eram impossiveis para você. Vampiros... mortos que não estão bem mortos... então será que é realmente dificil acreditar, que a garota tentou matar a propria irmã. Quer dizer Caim matou Abel, não foi?
Eu ainda o encarava.
Sim, era dificil acreditar que Lauren havia tentado matar Lily.
Especialmente, porque eu CONHECI Lauren.
-- Mas ela estava dentro do caixão. — disse em voz baixa.
Carlisle sorriu triste, e olhou para Emmett, que suspirou.
-- Odeio contar histórias. — Emmett reclamou.
-- Você é o unico no recinto, que pode faze-lo. — Carlisle pressionou.
Emmett me olhou e suspirou novamente.
-- Arg. Que seja. — murmurou, e se sentou ao lado de Carlisle. — Eu e Edward, estavamos voltanda para casa, depois de caçarmos. Nós sempre voltamos pela floresta, porque não podemos andar livremente por Forks, sem encontrar com os vira-latas.
Vira-latas?
-- "Foi quando um cachorro se aproximou correndo até nós. — eu o encarava, prestando atenção em cada palavra.
-- "Edward parou de andar e olhou para o cão. O animal estava relutante em se aproximar de nós, mas alguma coisa nele parecia querer se aproximar. O que era estranho, pois a maioria dos seres vivos, gostam de manter uma distância muito apropriada de nós. É o instinto de preservação natural dos animais se afastarem de nós. Mas o cachorro continuava lá, nos olhando, sem correr de nós. Foi apenas quando eu dei um passo em sua direção, que ele se virou e começou a correr. Eu e Edward pensamos que ele havia se dado conta do perigo, e corrido de nós, mas o cachorro voltou. Dei novamente um passo para perto dele, e ele voltou a correr, e olhar para trás para ver se estavamos acompanhando-o. Foi só então que percebi que o animal queria que seguíssemos. Claro, que Edward achou que eu estivesse louco. Mas como ele sempre acha isso, não dei bola. Apenas o convenci a ir atrás do cão, especialmente porque eu estava curioso. Muito curioso.
Como o maníaco mascarado, pode achar alguém louco, se ele mesmo não possui nenhuma sanidade mental?
-- "Tivemos que ir devagar, para acompanhar os passos do animal, e quando demos por nos, estavamos na floresta que rodeia o cemitério de Forks. Já estava escurecendo, e o local estava vazio. Foi quando ouvimos gritos abafados. Olhamos em volta, para descobrir da onde vinham, e nada. Então o cachorro correu até uma parte fofa da grama artificial, e eu e Edward percebemos que os gritos estavam vindo de lá, de baixo da terra."
-- Como vocês ouviram os gritos dela de DENTRO do caixão, embaixo da terra? — perguntei, o interrompendo.
-- Temos sentidos aguçados. — respondeu rapidamente.
Claro. Por que eu não pensei nisso?
-- Ah certo. Continue.
-- Não somos boas pessoas Bella. E não é do nosso feitio, salvar seres inocentes, mas a curiosidade era enorme. A muitos anos que não se via mais pessoas enterradas vivas. Teve uma época no começo do século XX, em que havia virado moda enterrarem pessoas vivas, mas a muitos pararam de faze-lo. — Emmett continuou.
E eu deduzi que viver com eles, seria melhor que uma enciclopédia de história. Quer dizer se eles não me matassem, logicamente.
-- Eu e Edward estavamos movidos pela curiosidade; que por acaso, parece crescer mais a cada década; e começamos a tirar a terra de cima do caixão. Claro, nem eu, ou Edward ligamos o nome da lápide, recém colocada a uma menina de cinco anos, nem mesmo olhamos para a data de nascimento inscrita. Enfim, logo não havia mais terra em cima do caixão. Esse é o lado bom dos vampiros, tudo que nós fazemos, nós fazemos rápido.
Emmett contava tudo com tédio, como se quisesse acabar logo com aquilo.
-- "Foi então que percebemos que não havia mais gritos, e Edward ja não lia mais pensamentos desesperados. Só houviamos o coração batendo fraco; não demoraria muito para ela acabar de morrer asfixiada, então abrimos o caixão, e o que encontramos nos fez com toda a certeza odiar a pessoa que havia feito aqui. Era Lily, com um vestidinho branco, suada e cabelos bagunçados, praticamente morta."
Enquanto ele falava, eu conseguia visualizar perfeitamente a cena. Eu lembrava dela com esse vestidinho, estava linda.
-- "Não estavamos preparados para aquilo, especialmente porque o caixão era tamanho adulto. Tiramos Lily de dentro do caixão, tentando fazer ela voltar a respirar, e então trouxemos ela para casa. Carlisle cuidou dela, e de seus ferimentos. E por acaso ela tinha uns bem feios, e hoje ela está ai, linda, saudável e saltitante." — terminou sorrindo.
Eu o encarei tentando entender.
-- Você disse 'ferimentos'? — perguntei com medo de ter entendido mal.
-- Ah esqueci, ela foi machucada antes de ser enterrada viva. — Emmett respondeu com simplicidade.
-- Machucada não. Ela foi basicamente torturada. — Alice disse olhando para longe, como se estivesse se lembrando de algo.
Só então me lembrei que eles ainda estavam ali, estavam tão calados e imoveis, pareciam que nem respiravam.
Olhei em volta, para Carlisle e Alice, e percebi a falta de Esme.
-- Onde está Esme? — perguntei.
-- Ela não gosta de ouvir o que aconteceu com Lily. — Alice respondeu.
Ainda encarando eles, a idéia do ocorrido começou a entrar lentamente em minha mente.
Era horrivel. Horrivel.
Então Lauren realmente havia feito isso.
-- Eu não acredito, que Lauren teve coragem de fazer isso. — sussurei.
-- Isso não é questão de coragem Bella. Crueldade é sangue frio, não coragem. — Carlisle me corrigiu.
-- Mas... mas... como vocês sabem que foi Lauren? — perguntei.
-- Bom, isso foi um trabalho de Edward, Alice e Jasper. — Emmett respondeu. Apontando pra Alice.
-- Foi basicamente de Edward e Jasper, fiz muita pouca coisa. A questão é que Edward e Jasper começaram a caçar a pessoa, Edward lia os pensamentos, e Jasper procurava alguém com um coração que carregava assassinato, segundo Jazz, da para sentir um coração pesado; uma alma corrompida. Até que a encontraram.
E então eu me toquei. Lauren estava viva.
Por que não a mataram?
-- Calma. Vocês não mataram Lauren?
-- Bom, ela ainda está viva, não está?
Eu senti uma raiva começar a borbulhar dentro de mim
Eles eram seres misticos, que matavam para se alimentar.
ENTAO, POR QUE NAO MATARAM LAUREN?
Depois do que ela fez, era pra eles terem torturado e exprimido ela, até a ultima gota de sangue.
-- Por que não a mataram? — questionei. — Vocês matam as pessoas boas, que aparecem por aqui, e saem pra caçar. Então por que não mataram um ser desprezível como Lauren? Por quê a deixaram viva? — eu estava realmente indignada.
Se tem alguém que merecia morrer, esse alguém era Lauren.
-- Edward, Jasper e eu bem que queriamos, até Rosalie queria partir seu pescoço, mas Alice não deixou. — Emmett respondeu cruzando os braços e lançando um olhar feio pra irmã.
-- Por que? — a encarei fazendo careta.
-- Porque foi o que Lily pediu.
Boiei!
-- "Lily sabia que a irmã havia tentado mata-la e mesmo assim não quis que a matássemos." — completou.
-- Ela não quis?
-- Não. Lily é apenas uma criança, Bella. Não consegue carregar ódio dentro de si. — respondeu sorrindo triste. — Mas se serve de consolo Lauren vai morrer por si só.
Eu a olhei espantada.
-- Como?
-- Eu olhei seu futuro, pelas decisões que ela estava tomando. Ela vai aplicar, ou melhor tentar aplicar o golpe do baú no prefeito de Seattle, com o qual ela já havia dormido algumas vezes. Só que ele não vai abandonar a esposa pra ficar com ela, e nem vai querer assumir o bebê, já que daria um impacto e tanto na sua campanha politica.
-- Mas se o filho for dele... — comecei.
-- Mas não será. — Alice me garantiu. — O prefeito não pode mais procriar. Claro que Lauren não sabe disso. E vai engravidar desse namoradinho dela, que a ajudou com o quase assassinato de Lily. Mas ele não sabe desse plano dela com o prefeito, e quando ele negar ela e o filho, ela vai correndo de volta pro namorado, que também não irá aceitar o filho, e Lauren irá se encontrar com uma mão na frente e outra atrás. Não é o mesmo que morrer, mas posso te garantir que ela irá sofrer. Muito.
Eu a olhava com a boca entreaberta. Ela havia acabado de me contar o futuro praticamente inteiro da desgraçada da Lauren.
-- Mas vocês bem que podiam te-la matado né? Faria um bem enorme pra humanidade. — disse ainda achando que mata-la era o melhor.
Eles riram.
-- Nem sempre a morte é o pior que se pode acontecer a uma pessoa Bella. — Carlisle respondeu rindo.
Os encarei, pensando sobre tudo.
-- Você disse que o namorado dela a ajudou? Como?
-- Bom, quem sabe disso, é Edward. Foi ele quem leu a mente dela e do rapaz. Mas pelo que ele disse, o namorado de Lauren fazia estágio de assistente no necrotério, e ele convenceu o médico a deixo-lo fazer a autopsia sozinho. Quer dizer, ele não fez nada. Apenas continuou dando sonífero dos fortes pra menina, para mante-la apagada. — Alice respondeu trincando os dentes.
-- Sonífero? Foi isso que a fez ficar como morta? — perguntei abismada.
Era tão simples, tão besta.
-- Sim.
-- Por isso o caixão não ficou aberto no velório? — questionei. — Para não repararmos em seu coração batendo e sua respiração fraca?
-- Pelo que Edward contou sim. Mas o caixão não estava de todo fechado, se não iria embaçar o vidro com a fraca respiração dela. Lauren deixou o caixão ligeiramente aberto, e ficava por perto para cuidar caso alguém reparasse em algo. — Alice continuou. — Na real, não foi um plano muito inteligente.
-- Lauren não é inteligente. — respondi sentindo raiva.
EU CONSOLEI AQUELE IDIOTA ASSASSINA!
-- Sim. Mas ela podia realmente ter feito um plano melhor, já que o namorado trabalhava no necrotério, era apenas ter matado Lily de uma vez. Ali no enterro, teve milhares de chances de alguém perceber que a garota ainda estava viva. Ela fez tudo mal feito, até o pó de arroz que ela passou no rosto da menina pra ela parecer pálida, foi mal feito.
-- Por que ela não matou Lily logo de uma vez?
-- Não sei. Creio que é porque embora Lauren quisesse se ver livre da garota, ela não teve a... 'coragem' suficiente pra terminar o serviço, então decidiu deixa-la morrer sufocada.
Aquilo era... doentio.
Lauren era doentia.
-- E aquele idiota do namorado dela? Por quê não o mataram?
-- Bella, você esteve me escutando? Se o matassemos, ela não iria engravidar dele. Mas de qualquer modo, Lauren ira mata-lo, quando ele negar ela e a criança. — respondeu como se fosse óbvio.
Claro, esqueci que Lauren estava virando uma serial killer.
Continuei sentada pensando sobre tudo.
Era tão horrivel. Tao terrivelmente horrivel.
Eu mataria Lauren com minhas próprias mãos, se um dia eu saisse desse lugar. Não, eu a torturaria lentamente, tirando fio por fio de seu cabelo com pinça, depois sim eu a mataria.
Alice riu de alguma coisa.
-- E o cachorro? — perguntei. — O cachorro de Lily?
-- Ainda está com ela. — Emmett respondeu de cara fechada. — Não gosto do saco de pulgas. Mas ela nem me deixa chegar perto dele.
Eu ri. E então me lembrei.
-- Cavalheiro! — exclamei.
-- Ele está bem. — Carlisle me garantiu. — Jasper o levou para nosso estábulo, logo que Emmett saiu com seu pai, e cuidou dele. Bom, ele tentou, porque como a maioria dos animais, ele não queria ficar perto de nos, mas pareceu entender que não iriamos ataca-lo.
Suspirei aliviada, e então me lembrei de outra coisa que me fez sobressaltar.
-- Charlie vai contar pra todos sobre vocês! — exclamei assustada.
-- Não ele não vai! — garantiu Alice.
Eu a encarei sem entender, mas foi Emmett quem explicou.
-- Não me leve a mal Bella. Mas quando eu o deixei em um beco perto do hospital, eu o ameacei. Seu pai é bem dificil, não se deixou abalar quando ameacei a vida dele, apenas quando amecei a sua, Bella. Então sai dali, e liguei para a emergência, dizendo a onde ele estava.
-- O futuro dele é incerto. — comentou Alice, pensativa. — Ele fica trocando de decisões toda a hora, pensando em dizer a alguém, ou fazer um batalhão e vir atrás de você. Mas ele levou a sério a ameaça de Emmett, então pelo que parece, ele vai tentar vir atrás de você sozinho.
Eu ofeguei. Não.
-- "Não se preocupe Bella, vai demorar para isso. Ele não poderá ir a lugar nenhum antes que sua perna melhore, e até ela estar melhor, ele pode mudar de decisão."
Suspirei aliviada novamente, me lembrando de sua perna. Bem, então iria levar um bom tempo, já que a perna dele estava horrivel.
Mas pensei no que seria esses meses para Charlie. Ele iria endoidar.
-- Ah. — Alice disse sorrindo. — Edward e Jasper estão voltando.
Fechei a cara. Não queria o maniaco mascarado perto de mim.
-- Pai! — Alice chamou. — Mamãe vai te chamar em dez segundo.
-- Obrigada Alice. — Carlisle agradeceu e se levantou com imensa rapidez, e saiu como um raio da sala.
Minha boca ficou entreaberta, encarando o espaço vazio da onde ele havia saido.
-- Ela sabe? — perguntei do nada.
Alice e Emmett me olharam confusos.
-- Lily. Ela sabe o que vocês são?
-- Sabe. — Alice respondeu. — Apenas não sabe que caçamos humanos.
-- Ela não sabe do calabouço então? — indaguei.
-- Não faz nem idéia.
-- Ela não sente medo?
-- Muito pelo contrario.
-- E onde ela estava quando eu vim atrás de Charlie?
-- Bom, você deu sorte na real. Não havia ninguém em casa. Rosalie, Esme e Carlisle haviam ido até Seattle com Lily, enquanto eu, Emmett, Jazz e Edward, fomos caçar. E então eu vi você se aproximando, e avisei ao resto, Edward começou a correr de volta, enquanto o idiota do Emmett, segurava Jazz e eu, insistindo em terminar de caçar. No final, apenas Emmett se alimentou. — Alice disse azeda, e Emmett sorriu. — E então voltamos para casa, enquanto Jasper foi atrás de Carlisle avisa-lo. Mas Rose ficou para trás com Lily. Bom, você deve entender o porque.
Fiz que sim com a cabeça, enquanto mordia os lábios.
Eu queria perguntar, como Lily vivia entre eles, e porque não a deixaram em um orfanato ou algo assim, mas Alice respondeu antes que eu perguntasse.
-- Pensamos em deixa-la em um orfanato, pelo menos ela teria uma vida melhor que aqui. Mas não a deixamos por dois motivo. Primeiro: Lily não é uma criança comum, ela é especial. Segundo: Ela não quis ir, não se importou com o que somos. Ela diz que somos bons, mesmo bebendo sangue.
Pois é, vai entender as crianças.
-- O que você quer dizer com uma criança especial? — indaguei.
Emmett e Alice se entreolharam, e suspiraram.
-- Não é hora para contar essa parte Bella. Em breve contaremos, porém Jazz e Edward estaram aqui em dois minutos, e não seria legal já começarmos a irritar Edward. Vamos deixar para testar o limite da paciência dele, em outro horário, ok? Até porque ele voltará de bom humor.
-- O maníaco mascarado de bom humor? — indaguei céptica. — Sim, e o papai noel existe. — completei ironica, revirando os olhos.
Eles riram.
-- Bella, até a horas atrás, para você vampiros existiam? — Emmett perguntou.
-- Não!
-- Então, como você pode provar que papai noel realmente não existe?
Ok, depois dessa, vou até ficar quieta.
E então eles entraram.
Jasper e o maníaco de máscara, andavam até nós rindo de alguma coisa. E eu os encarava.
Mas então o maníaco parou e olhou em volta, aspirando o ar.
Ele me olhou nos olhos, e eu percebi que seus olhos não estavam mais vermelhos, e sim, no mesmo tom de castanho que o de Emmett.
Ele fechou a cara, e murmurou alguma coisa para Jasper. Alice rosnou baixo, e Emmett ficou de pé. O que me levou a pensar que eles ouviram.
Então Jasper respondeu no mesmo tom rápido e baixo, que eu não ouvia nada, e o maníaco acentiu com a cabeça.
Eles vieram até nós.
E meu coração disparou, eu estava com medo. Isso era um fato.
Eu estava com muito medo dele.
Meu medo por toda aquela familia de vampiros junta, não era nem um terço, do que era meu medo pelo maníaco mascarado.
Senti minha respiração faltar, e meu corpo começar a tremer.
Emmett se sentou do meu lado, e passou seu braço ao meu redor.
Enquanto ele vinha calmamente até nós, me encarando firmemente nos olhos.
Eu me senti perdida no meio deles, não conseguia desviar, como se estivesse hipnotizada.
-- Ele não vai te atacar. Pode ficar calma. — murmurou.
-- Ainda não decidi isso Emmett. — o maníaco respondeu, passando por nós.
Emmett rosnou, e Alice foi até o maníaco o empurrando.
Era incrivel como mesmo com a máscara, e o olhar de mau. O maníaco parecia abundantemente lindo.
Quando ele passou por trás do sofá em que eu estava sentada. Senti um arrepio passear por todo o meu corpo.
E então senti sua respiração fria e gelada no meu pescoço. Senti meus pelos se arrepiarem e minha respiraçao se perder.
-- Pelo menos não hoje, Bella. — ele murmurou em meu ouvido, me fazendo ficar imovel, e respirou fundo em meu pescoço, suspirando em seguida.
Emmett olhou para trás rosnando para ele.
-- Pare de brincadeira Edward. — ouvi a voz de Alice, antes de ouvir a gargalhada do maníaco, e perceber que eles haviam deixado o recinto.
E voltei a tremer.
Jasper estava parado na porta com o olhar desfocado.
-- Não seria melhor você ir atrás dele? — Emmett perguntou.
-- Não. Não quero ficar louco. É mais saudável para minha sanidade mental, manter uma distância apropriada dele, especialmente quando ele estiver perto de Bella, e melhor para ela também. E além do mais, ele estava calmo, ou pelo menos estava se esforçando para ficar. — Jasper respondeu levantando a cabeça para nos encarar, e eu percebi que seus olhos também estavam castanhos.
-- Você... você... já pode se aproximar de mim? — perguntei a Jasper.
Ele sorriu e acentiu.
Oh Deus. Eu devia ser louca, mas...
-- Então será que você poderia usar seu super poder de tarja preta, e me sedar, por favor? — pedi o encarando.
Ele e Emmett riram.
Jasper se aproximou, e se sentou do meu outro lado, a onde a minutos atrás estava ocupado por Alice.
No mesmo instante todo sentimento de medo, evaporou-se, e eu comecei a me sentir muito mais calma.
-- Melhorou? — perguntou.
-- Muito! Obrigada! — agradeci sorrindo serenamente.
-- Disponha sempre! — respondeu sorrindo, enquanto colocava uma de suas mãos frias, em cima de meu braço, fazendo o efeito triplicar.
Encostei minha cabeça no ombro de Emmett, me sentindo sonolenta, e antes que percebesse eu já havia adormecido.
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N/A: Queria agradecer a todos que estão lendo, comentando, e gostando. Pois realmente é muito bom saber que apreciam, já que eu me esforço muito para fazer o melhor para vocês. E sem vocês nem teria porque escrever. Então muito obrigade de coração.
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