A Bella E A Fera
9 Aulas de piano
Notas iniciais
Chorei a noite inteira. Agora tudo fazia sentido. O fato de nunca os ver comendo, da força dele... Eu não sei como me sentir. Por um lado, ele mudou muito esses dias, mas por outro, como posso ter a certeza de que ele, a qualquer momento, pode me matar? Mas durante esses dias em que ele poderia ter me matado, ele não o fez... Será que ele sabe do plano de Alice e por isso não me matou? Pra que eu quebrasse essa maldição? Será que ele me usou esse tempo inteiro e quando ele disse que me amava, será que foi apenas um truque?
Minha cabeça parecia que ia explodir. Alice ficou a noite toda tentando falar comigo, mas nesse momento eu preferi ficar sozinha. Queria pensar um pouco sobre tudo. Então essa era toda a maldição... Eles eram vampiros. Será que quando a maldição for quebrada eles voltam a ser humanos? Eu estava tão confusa, mas ao mesmo tempo me sentia uma hipócrita. Podia ouvir as palavras dele “Ora, ora. E todo aquele discurso sobre eu não me ver como um monstro? Que pra você eu não era um monstro?”Ele estava certo! Eu o encorajei a não enxergar a si mesmo como um monstro e no primeiro erro eu fui a primeira a dizê-lo. A verdade era essa: eu era uma maldita hipócrita! Mas eu estava assustada! Qualquer pessoa ficaria assustada no meu lugar!
Andei até a janela, o dia estava começando a clarear. Tomei um banho e li um livro pra me distrair. Mas como? Eu me sentia culpada a cada minuto. Depois do susto, parei pra analisar a situação. Eu ainda podia ver a mágoa nos olhos dele, por trás do ódio. Eu o decepcionei. Apesar do medo e da raiva por ter sido enganada, eu podia ver a razão daquela mentira. Se fosse ao contrario? Teria eu sido honesta desde o começo? Provavelmente não. Teria medo de perder a oportunidade.
Sete dias... Agora era apenas seis. Eu não vou mentir que ainda estou temerosa, mas não posso ficar trancafiada nesse quarto pra sempre. Vou tentar agir como antes, mas vou deixar claro que preciso de um tempo pra pensar. Mas e se ele estiver com um ódio tão grande a ponto de me colocar na cela de novo? Ou me matar? Não! Ele teria feito isso ontem.
Vamos lá, Bella! Não seja uma covarde!
Com esse pensamento, abri a porta devagar e fui andando com passos leves, exatamente como no primeiro dia em que fiquei aqui. Nem parece que foram apenas á alguns dias atrás. Desci até a cozinha. Aparentemente não havia ninguém. Apenas uma bandeja de frutas que estava em cima da mesa. Comi olhando para os lados. Quando terminei, fui caminhando a esmo, meus pés iam automaticamente e me surpreendi ao ver que estava em frente à sala de música. A sala onde Edward tocou piano pra mim.
Sentei no banquinho e tentei dedilhar as teclas, sem nenhuma competência. Sempre quis aprender piano por causa da minha mãe, e aqui estou eu perdendo mais uma vez a oportunidade. Eu fui uma tola.
_ Eu não falei pra você não sair do quarto?_ ouvi a voz de veludo, mas raivosa. Virei-me apressada e o vi parado na porta com uma expressão prometendo um banho de sangue. E no caso o único sangue disponível no momento era o meu. Respirei fundo e disse a mim mesma que eu não posso ter medo, se o destino for a morte, que seja, mas eu não iria ficar encolhida de medo feito uma mulherzinha. O encarei e mantive a cabeça elevada, mas ao mesmo tempo queria passar segurança a mim e a ele. Não queria que ele pensasse que eu iria decepcioná-lo de novo.
_ Não vou até você cumprir o que me prometeu. Ensinar-me a tocar piano!
Ele me olhou incrédulo.
_ Não tem amor a vida? Tenho certeza que não quer que um monstro como eu a ensine alguma coisa!_ a voz dele era cortante.
_ Desculpe-me por ontem. Não o acho um monstro._ tentei colocar toda a certeza na minha voz.
_ Você é meio volátil, não acha? Uma hora diz que eu não sou um monstro e no outro me acha o próprio demônio! E agora acha que não sou um monstro? Vai ter que se decidir!_ a voz dele era suave e mortal. Seus olhos estavam em fendas.
_ Pode dar-me outra chance?
_ Não sei se merece!
Fiquei com raiva. Como assim?
_ Ora, como acha que seria minha reação sabendo que era um vampiro e que já matou um monte de pessoas? Acha que eu iria aceitar fácil?_ desatei a falar e coloquei o resto da raiva que eu sentia_ Não é todo dia que alguém encontra um castelo amaldiçoado, com um tempo limite, onde os proprietários são vampiros e que podem viver pra sempre. Eu não tenho sangue de barata, não! Eu sei que eu fui meio injusta com você, mas não venha dizer-me que se estivesse no meu lugar, iria aceitar esses fatos na hora, por que eu sei que não iria. E se acha que eu não tinha direito de saber só porque você acha que sou sua prisioneira, está enganado. E depois, você não me mandou ficar no quarto o tempo inteiro, só disse que eu ficaria a noite lá e que eu não poderia fugir. E como pode ver, uma vez que não é um vampiro cego, eu ainda continuo aqui no castelo. Então eu acho que como cumpri o que me disse, também você há de cumprir o que me prometeu, e...
_ Será que dá pra você ficar calada?_ ele me interrompeu_ Você tem mania de despejar suas reclamações desse jeito, sem pausa! Isso cansa, sabia?
Cruzei os braços no peito com força e fiz um biquinho com a boca. Ele suspirou alto e balançou a cabeça com força.
_ Que encrenca enorme Alice foi me meter!_ ouvi ele resmungar baixinho.
_ Então? Vai ensinar-me a tocar piano?
Ele ponderou por um momento. E suspirou de novo.
_ Vou, mas não pense que viramos a ser amiguinhos de novo.
_ Tudo bem...
Sentei-me no banquinho e ele sentou-se ao meu lado. Ele me mostrou as notas e fez inúmeras repetições de acordes pra eu tentar. Era difícil, mas eu não ia desistir.
_ Pra quê essa obsessão em tocar piano?_ ele perguntou depois de várias tentativas frustradas, nas quais falhei miseravelmente durante horas a fio. Soltei todo o ar do meu pulmão.
_ Na verdade, a minha mãe era uma excelente pianista. Ela tocava piano pra eu dormir. No meu aniversario de sete anos ela ia começar a ensinar-me, mas ela sofreu de uma doença grave que lhe tirou a vida. Foi o pior dia da minha vida..._ abaixei a cabeça, me lembrando_ Depois disso, tentei aprender a tocar piano sozinha. Mas devido às dívidas que tínhamos por causa dos remédios que compramos pra ajudar minha mãe, vendemos o piano._olhei para as teclas_ E tocar piano faz-me lembrar dela. É como se ela estivesse aqui comigo. Mas parece que não estou saindo-me bem, não é?
Ele deu um sorriso solidário E tocou meu rosto, quase sem tocar de verdade, como se temesse a minha reação.
_ Sinto muito. Vou ensiná-la todos os dias, exaustivamente se for necessário.
_ Obrigada!_ fiquei realmente muito agradecida. Meu pai não sabia tocar e não tínhamos dinheiro para pagar um professor. Dei um beijo no seu rosto. Ele me olhou surpreso. Parecia irônico depois do que fizemos ontem, da maneira como me entreguei a ele sem pudor.Desviei o rosto, já vermelho diante da lembrança.
_ Vamos continuar?_ ele perguntou e continuou a ensinar-me som uma paciência que não parecia ser a dele. Lembrar da minha mãe fez-me lembrar de seus pais.
_ Posso fazer uma pergunta?_ olhei pra ele depois que terminamos nossa aula. Pelo menos já conseguia discernir a maioria dos acordes.
_ Pode._ ele me olhou curioso.
_ E os seus pais? Não tem curiosidade de saber onde estão?
_ Eles devem me odiar agora!_ ele se levantou e andou devagar pela sala.
_ Talvez sim, talvez não! Acho que você também acha que só porque se odeia pelo que aconteceu que todos sentem o mesmo._ falei decidida.Ele deu uma risada sarcástica e virou o rosto pra mim.
_ Até Alice me odeia, embora não diga. Logo, todos os outros também me odeiam!Pense, Bella! Se não fosse por mim, nunca teríamos virado monstros, estaríamos todos juntos. _ ele abaixou o tom de voz num sussurro_ Normais...
_ Pois acho que está errado! Acho que é você que tem raiva de si mesmo. Se não se perdoar, como pode deixar que os outros o perdoem?_ peguei no cabelo dele e enrolei nos meus dedos._ Eu já o perdoei. Você já me perdoou?
Ele olhou nos meus olhos.
_ Vou dizer isso no jantar._ ele deu um sorriso.
_ Está me convidando pra jantar?_ eu falei divertida.
_ Se a mademoiselle me der o prazer de sua companhia... Ou vou ter de amarrá-la e dar comida na boca como se faz com as crianças?
_ Ninguém amarra crianças pra dar de comer..._ falei fingindo indignação.
_ Você não pode ter certeza..._ ele riu. Adorava a risada dele, era linda. Apesar de tudo, acho que estou conseguindo superar essa história de vampiro. Então me lembrei de algo. No fundo, um tanto quanto alarmante.
_ Você vai jantar comigo? O que vai comer?_ acho que a parte medrosa que ainda está em mim ficou pensando: e se for eu a refeição?
_ O que você acha? Vou colocá-la numa bandeja e por uma maça na boca como se fosse um leitão assado!_ ele gargalhou ainda mais.
Um arrepio correu pela espinha, mas tentei rir junto com ele.
_ Está me chamando de leitoa, monsieur?
_ Perdoe-me. Se está perguntando se vou colocar você no menu de pratos principais, então pode ficar despreocupada._ ele riu e depois deu um sorriso travesso e sussurrou no meu ouvido_ Só se for no menu servido na minha cama...
Fiquei vermelha feito um pimentão. Ele passou um dedo na minha bochecha.
_ Fica deliciosa quando cora._ depois ele percebeu que estremeci diante desse comentário, pois ele completou_ Não se preocupe... Pretendo aproveitar de sua companhia por um longo tempo se me permitir. Então vou conversar com Alice a respeito do jantar e preparar uma roupa especial pra você!
Ele deu um beijo casto na minha boca e em seguida beijou-me a mão.
_ Aproveite o resto do dia. Se quiser, pode continuar praticando. Você ainda é péssima, meu amor!_ ele apontou o piano.
_ Como ousa?_ brinquei indignada. Peguei um livro e joguei em cima dele, mas Edward o pegou rapidamente.
_ Até mais tarde._ e ele saiu gargalhando.Que atrevimento! Então vamos jantar... Só então me toquei que ele me chamou de “meu amor”...Isso me fez ansiar ainda mais pelo jantar...
Notas finais
Proximo capitulo vai ter o jantar, a dança e algumas cenas que vocês se lembram do desenho da Bela e a fera. Mas é claro, vai ter uma lemom especiam pra voces. Mandem comentaro e rewies. E recomendem a fic. Bjão!!!
Fale com o autor