A Bela e a Fera - BDSM
4 Capítulo 4
Notas iniciais

Maldito seja!
Recompus-me, fechei a cara e saí daquele lugar com passos duros até alcançar meu quarto.
Fiquei deitada olhando para o teto não sei por quanto tempo. Uma sensação inquietante de frustração dominava-me por dentro, contudo, a pior parte era não entender o porquê de estar sentindo-me daquela forma. Teoricamente eu deveria odiar o meu algoz, deveria nutrir ódio por tratar-me daquele jeito, por manter-me prisioneira, e parte de mim sentia, a outra parte se perguntava: Por que ele não havia continuado?
Pensar na forma como nossos corpos estiveram colados e de como sua língua tocou meus lábios deixou-me úmida por entre as pernas e muito dolorida. Minha mente começou a vagar, por mais que eu tentasse bloquear essas imagens, não conseguia. Comecei a imaginar como seria sentir seu corpo grande dentro de mim, e como seria a sensação de sua grossa ereção entrando e saindo em um ritmo voraz. Imaginei aquele homem grotesco e agressivo segurando meus cabelos e forçando-me a chupá-lo...
— Oh, Deus!
Antes que eu pudesse perceber minhas mãos estavam acariciando meus seios e podia sentir meus mamilos eriçados. Desci minhas mãos para a saia do vestido que usava e levantei-o até deixar todo meu quadril exposto. Passei a mão por cima da calcinha e senti um arrepio arrebatar-me.
“Senhor... isso é tão errado!”
Eu sabia que era errado, no entanto, minha mente e meu corpo pareciam não concordar com a minha razão e um fogo quente dominou-me. Com a mente nublada não pensei ao certo no que estava fazendo, apenas abaixei minha calcinha e passei meus dedos da mão direita por cima de minha carne nua e sensível. Eu gemi.
Desci até minha entrada e percebi o quão molhada estava.
“E por aquele cretino, como pode?!”
No entanto, nada mais podia fazer-me parar. Comecei a fazer círculos com os dedos ao redor do monte dolorido, ao mesmo tempo em que via a Fera despindo aquela roupa de montaria e montando em cima do meu corpo, saboreando minha boca, invadindo-me com sua língua...
As sensações aumentavam á proporção em que minha mente vagava. Com minha mão esquerda eu apertava meus seios com força enquanto a direita aumentava o ritmo do meu toque. Quando senti todo o volume duro dentro de mim e a Fera grunhia enquanto me estocava forte, eu gozei.
Dei um gemido alto de prazer, meu corpo tremia inteiro. Eu nunca havia me tocado dessa forma, foi simplesmente... Nossa!
— Bela, abra a porta!
Eu dei um pulo da cama.
“Mas o quê...”
Era ele!
Dei uma olhada no meu estado e percebi que estava ferrada. O cabelo todo bagunçado, um dos seios à mostra, o vestido amassado e toda suada.
— Só um minuto, por favor!
Gritei de volta e corri para o espelho do quarto.
— Está mandando-me esperar? – ele rugiu do outro lado.
“Droga, droga, droga!”
Fiz um coque no cabelo de qualquer jeito, coloquei meu seio de volta ao lugar. Agora quanto ao meu rosto vermelho e suado, infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer.
Fui correndo até a porta e a abri.
Á princípio olhou-me com irritação, em seguida percorreu todo meu vestido com seus olhos para por último visualizar meu rosto. Virou a cabeça de lado como se estivesse analisando e então perguntou:
— O que diabos estavas fazendo?
Eu enrubesci e baixei os olhos. Não fazia ideia do que responder. Há apenas dois minutos estava gozando enquanto pensava nele.
Merda!
— Eu... uh...
— Não importa! Quero que saibas que daqui a três dias haverá um baile no castelo. Um costureiro virá essa tarde para tirar suas medidas. Madame Samovar irá lhe fazer companhia e ajudá-la a escolher um vestido adequado. Camponesa como és, acredito que não tenhas bom gosto o suficiente para vestir-se de acordo – ele revirou os olhos como se aquilo fosse muito óbvio.
“Ele estava dizendo que eu não tinha classe?”
Meu rosto voltou a ficar vermelho, entretanto, de raiva dessa vez! Meu pai não havia sofrido a vida toda trabalhando arduamente e dando-me a melhor educação possível para que um idiota desses me chamasse de sem classe. Fechei meu cenho, deveras irritada, e apenas acenei afirmativamente com a cabeça.
— Ótimo! E lembre-se de não se atrasar para o jantar.
E saiu a passos rápidos. Deixando-me com apenas um pensamento.
“Muito bem, Senhor, vamos ver quem aqui é sem classe”.
Quando Madame Samovar levou-me até uma das salas de estar, um senhor idoso e de boa aparência saudou-nos com um sorriso e foi logo tratando de tirar minhas medidas. Foi uma tarde maravilhosa, rimos e brindamos com um delicioso vinho enquanto escolhíamos qual tecido usar e qual formato de vestido teria melhor caimento em meu corpo. Achei estranho como uma ou duas vezes Madame Samovar disse que o Senhor adoraria aquele modelo, ou aquela cor. É como se ela quisesse que eu o impressionasse. Então deixei que ela escolhesse boa parte das coisas, considerava que seria uma boa deixar o “Imponente Senhor Meu Dono” de queixo caído quando me visse. Eu queria que ele engolisse suas palavras arrogantes, e se para isso fosse necessário seguir as direções de Madame Samovar, assim eu faria!
Quando tudo estava decidido, inclusive os sapatos e as jóias que eu usaria, pedi algumas dicas de etiqueta. Precisava saber como as moças da côrte se comportavam adequadamente, e ela gentilmente deu-me todos os passos do que fazer e o que não fazer.
— Querida, apenas lembre-se que nosso Senhor é um homem diferente, não se acanhe se descobrir algo estranho durante esse baile... Tudo bem?
— Hum... Ok. Tentarei não parecer assustada – respondi por responder, o que será que ela quis dizer com isso?
No entanto ela nada mais disse. Apenas sugeriu que no dia seguinte eu tomasse aulas de como andar, como fazer uma reverência correta e como portar-me á mesa.
Aceitei de bom grado. Aquele ogro ficaria pasmo quando me visse.
Os dias passaram depressa e enquanto eu me olhava no espelho tive que sorrir. Eu estava estonteante!
Meu cabelo estava metade preso, metade solto. Todo cacheado e volumoso. A maquiagem em meu rosto e o pó facial deixaram-me com a pele de porcelana. Os olhos castanhos estavam contornados e os cílios puxados para cima deram vivacidade ao meu olhar, e um tom rosa claro em minhas bochechas finalizaram com a sempre sensação de levemente coradas.
O vestido era amarelo. Enorme! Com várias camadas que balançavam quando eu andava. Em cima ele modelava meu corpo e levantava meus seios deixando-os muito grandes e embaixo minha cintura estava bem marcada.
O sapato também era amarelo e apesar do salto ser muito alto era estranhamente confortável.
Por baixo de tudo isso, vesti peças íntimas também amarelas, assim como um par de meias 7/8 e um frufru vermelho na minha cocha direita. Afinal, uma hora eu teria que usar um desses troços. Então por que não aquela noite?
Sorri, totalmente maravilhada!
Passei um dos vários perfumes que dispunha em minha penteadeira e saí do quarto.
Quando desci, notei que no salão de baile ouvia-se o som de piano e vozes de outras pessoas. Andei cautelosa até a entrada e arregalei meus olhos quando avistei a quantidade de pessoas ali presentes.
“Minha nossa! É muita gente!”
Era um baile de verdade. Casais valsavam, pessoas andavam para lá e para cá. Um buffet enorme fora servido com toda a sorte de alimentos e muitas mesas foram colocadas em todo o salão, e óbvio quase todas estavam preenchidas com pessoas.
A música parou, e de repente todos estavam olhando em minha direção. Fiquei nervosa, procurando algum rosto amigo entre as pessoas que estavam servindo naquela noite, mas não vi ninguém, nem Lumiere ou sequer Horloge estava presente. Quando meus olhos terminaram de varrer o salão, deparei-me com um par de olhos azul cobalto que vinha em minha direção. Arrepiei-me.
Ele estava elegantemente bem vestido, o casaco grosso e azul combinava com seus olhos e naquele momento ele não trajava sua calça de montaria costumeira, estava lindo! Da forma como um grande homem da côrte deveria estar. Mal notava-se sua enorme cicatriz perante tanta altivez. A forma como andava, assemelhava-se a um rei.
Eu soltei o ar que até então não havia notado que estava preso em meus pulmões.
Seus olhos passearam por meu rosto, meu cabelo e minhas vestes, não da forma rude que ele sempre me olhava, mas de uma forma diferente, apreciando. Percebi uma faísca em suas pupilas que estavam dilatadas, senti que ele me desejava.
Inflei meu peito, orgulhosa de mim mesma. Havia concluído a primeira parte. Impressionar com a aparência.
“Quem não tem classe agora, Senhor?”
Pensei com divertimento e sarcasmo.
Quando chegou perto o suficiente, não esperei que se pronunciasse. Na mesma hora segurei nas laterais de minha saia e abaixei-me de cabeça baixa, fazendo a reverência de saudação.
— Senhor – o saudei.
Sua boca ficou semiaberta e seus olhos fitaram-me com surpresa. Logo pareceu voltar ao normal, pegou minha mão direita inclinou-se e beijou.
Senti como se formigasse.
— Deixe-me que lhe apresente a meus convidados – eu assenti com um balançar de cabeça e ele ergueu a voz quando tornou a falar — Senhores e senhoras. Quero lhes apresentar minha companheira, essa adorável e formosa donzela. Bela.
Todos sorriram e acenaram em minha direção. Alguns homens colocaram um braço sob o estômago e o outro braço nas costas, curvando-se em uma reverência sincronizada.
— Parabéns, Adam. Excelente dama! – disse um rapaz loiro.
— Realmente, senhor meu príncipe, um espetáculo de companheira – disse um outro de cabelos escuros.
“Adam, o nome dele é Adam? E como assim príncipe?!”
Perguntei-me em pensamentos, totalmente atordoada.
— Não apenas uma companheira qualquer, meus caros amigos. Ela é também minha noiva.
— Sua o quê?!
Perguntei antes que conseguisse segurar minha língua. A minha sorte foi que falei baixo, seu olhar me fuzilou e quando falou sua voz era cortante.
— Tudo o que eu mandar, esquecestes?
— N-não, não esqueci...
— Ótimo!
Depois dessa pequena rodada de humilhação, a Fera levou-me para passear sendo apresentada a todos pelo salão.
Todo mundo sorria e dava vivas pelo noivado. Eu sorria de volta. Não ia deixar que ele pensasse que eu não sabia me portar como uma dama. Por mais assustada que eu estivesse, principalmente com o assunto “Noiva” em questão. Mantive-me serena.
Depois das apresentações, foi servido o jantar principal e todos sentaram-se ás mesas. Na nossa mesa, havia além de nós dois mais três outros casais. Um dos homens puxou assunto comigo.
— Senhora Bela, o que gostas de fazer como passatempo?
— Dedico meu tempo á leitura, senhor. Aprecio as artes intelectuais e de preferência os grandes artistas romancistas e pensadores. Acredito que a inteligência humana, principalmente a das mulheres é muito pouco valorizada, gosto de pensar que o mundo é vasto e quanto mais soubermos á respeito dele, mais poderemos aprender algo de valor. Os estudos da física também me fascinam. Li sobre teorias nunca antes imagináveis, que se concluídas o mundo jamais será como vimos hoje. Consegues visualizar, meu senhor, quão belo isso soa? – perguntei-lhe entusiasmada.
Todos á mesa ficaram em silêncio, apenas olhando-me como se eu fosse uma aberração.
“Mas que droga! Madame Samovar disse-me que se me dirigissem uma pergunta, eu deveria responder calmamente, e eu fiz! Por que todos me olham assim?!”
Procurei a Fera com o olhar, ciente de que eu havia feito alguma coisa errada. Contudo, quando o olhei, ele encarava-me de volta...
Embevecido?!
A boca semiaberta e as pupilas dilatadas. Deu um leve sorriso de canto de lábios antes de virar-se para seus convidados e falar:
— Entenderam porque a tenho como noiva? É inteligente e sagaz. Além de corajosa... – ele suspirou — Essa dama daria a vida em troca daqueles que ama, sabiam disso? – e sorriu.
— Meu príncipe, não havia escolha melhor para um homem tão austero e perspicaz como vossa senhoria. Alegro-me em ver que detém uma noiva tal qual sua estirpe e inteligência – respondeu o homem, com o rosto vermelho e voltando sua atenção para a refeição logo em seguida.
Eu fiquei abismada e corada. Nunca imaginei que a Fera pudesse falar coisas tão boas a meu respeito. Há meia hora eu jurava que ele tinha-me ódio, no entanto... Disse palavras tão gentis que mal pude acreditar.
E assim seguiu-se a noite, entre ceia, piano e coquetéis. Todos conversavam animadamente, mas eu não conseguia manter-me calma. Algo em meu estômago fazia borboletas voar. Hora e outra nossos olhares se cruzavam. A Fera estava realmente digno de uma realeza. Em determinado tempo simplesmente não me contive e perguntei:
— Realmente és um príncipe? S-senhor... – corrigi-me antes de levar uma bronca.
Olhou-me calmamente quando respondeu:
— Sim, o sou. Príncipe Adam de Orléans.
Lembrei-me de quando o vi a primeira vez e por todas as vezes que cruzei com o mesmo pelo castelo. Sempre vestido de forma simplória, quase sempre usava suas roupas de montaria.
— Desculpe-me por reportar-me a vossa senhoria dessa forma – engoli a saliva – Mas o senhor anda sempre vestido de forma simples, jamais poderia imaginar... – eu suspirei antes de continuar – Desculpe se o ofendo com minha observação, apenas fiquei curiosa.
“Afinal, não sei nada a respeito do meu até então carcereiro”.
Pensei com sarcasmo.
Ele ficou calado por algum tempo, como se estivesse se questionando se falava algo ou não. Por fim deu um longo suspiro e começou sua narrativa:
— Sofri um acidente há vários anos. Esse é o motivo de minha cicatriz. Uma carruagem caiu por cima de mim – ele baixou os olhos para continuar — Eu possuía uma noiva e morava com a minha família. Quando o médico lhes avisou que provavelmente eu não voltaria a andar e que minha aparência após totalmente cicatrizada seria horripilante, meu incrível pai e minha zelosa mãe acharam por bem que seria melhor que eu vivesse longe do reino. Assim as pessoas não poderiam ver a desgraça que havia se abatido sobre o filho mais velho. Passaram o trono a meu irmão mais novo, Phillipe de Orléans e deram-me como morto para o restante do reino – ele fez uma pausa, fitando o horizonte — Não contentes, enviaram-me para essa região longínqua para que não precisassem mais ver-me. Mandaram empregados para contratar empregados que cuidassem de mim após minha recuperação e fossem embora de volta – seus olhos fecharam-se e sua garganta pareceu travada quando engoliu a saliva, senti meu coração doer por ele.
— Oh meu Deus! Isso não se faz a um filho... Eu sinto muito!– eu disse, com lágrimas nos olhos.
Ele limpou a garganta e logo em seguida tornou sua habitual feição de “Tudo está bem”.
— Isso não importa, foi há muitos anos. Deixaram-me uma fortuna imensurável em dinheiro para que eu mantivesse-me. E eu não poderia ter escolhido melhores criados. Madame Samovar foi a primeira a mudar-se para cá e nunca desistiu de ver-me andar novamente. Gosto de cavalos, pois a sensação que tenho é de estar voando, então além de andar novamente, posso voar. Não tenho o que me queixar – levou a taça de vinho aos lábios dando um grande gole.
— De fato eles o amam. Notei desde que cheguei. Madame Samovar é como uma mãe para você não é? Digo, para o Senhor...
— Sim, o é. Deixei que seu pai fosse embora, Bela, apenas por perceber seu amor por ele, quero que saibas disso. Não pense que sou algo sentimental, não o sou. Sou seco de sentimentos – tomou outro gole da bebida, os olhos úmidos – Com licença – fez uma reverência e saiu rumo à varanda.
Fiquei ainda algum tempo sentada à mesa, apenas ruminando a conversa. Fazia todo o sentido do mundo o porquê dele ser tão agressivo. Ele mal conhecia o amor, o carinho, o valor de uma família. Foi abandonado enquanto doente, sem conseguir andar e com o rosto todo remendado. Ninguém merecia esse destino! Era cruel demais!
Levantei-me de um salto e fui em direção á varanda, queria conversar com ele. Certamente mexer nessas lembranças não o faria bem.
Assim que passei pela porta, o vi apoiado na mureta. Olhava o horizonte.
— Senhor, eu...
— Bela, vá embora!
— Eu sei que não é uma boa hora para conversar, mas eu queria f...
— Eu disse para ir embora do castelo, não apenas agora! Suba, pegue tudo o que quiser e peça a Lumiere que a leve de volta ao vilarejo. Aproveite! Vá logo, antes que eu mude de ideia!
Eu fiquei paralisada... Como assim eu estava livre? Simples assim? Do nada?
— E-eu...
— Vai embora, porra!
Gritou com a sua voz de trovão. E antes que ele mudasse de ideia eu corri escada a cima de volta ao meu quarto. Logo Madame Samovar apareceu para ajudar-me a fazer as malas e o Sr. Lumiere começou a descer com as coisas. Peguei apenas mais dois vestidos além do que eu usava. Dois pares de sapatos e mais algumas pequenas coisas. Não havia por que levar tudo, eu sequer teria onde usá-los, por mais que Madame Samovar insistisse que eram meus, enquanto secava suas lágrimas.
Eu chorei também, sentiria falta.
Entretanto, tudo o que eu queria era chegar em casa e ver meu pai, abraça-lo e beijar-lhe a face.
Quando a carruagem começou a andar, lancei uma olhada para o terraço. Lá estava ele, olhando na minha direção com os braços cruzados. Depois simplesmente virou as costas e entrou. Senti meu coração pesado e eu sequer entendia o motivo. Esse era o homem que havia me aprisionado e tentado matar meu pai, era muito errado sentir compaixão, muito errado!
Desci da carruagem em um pulo e corri para a porta de entrada, quando meu pai a atendeu com semblante cansado, mal acreditou quando me viu.
— Pai! — gritei e o abracei com força – Estou de volta!
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