A Bela e a Fera

11 Capítulo 11 - O Sarau e Um Novo Sonho


Notas iniciais
Perdão pela demora. Sem tempo nenhum para escrever. Estou chateada comigo por não conseguir postar como gostaria, tomara q vcs possam ter paciência comigo desta vez. BJ Acho q o noivado de Elliot e Mabel não vai muito longe não...

Duas horas de espera para que Elliot finalmente se aproximasse dela. Desde o começo das apresentações que Mabel esperava ansiosa por um momento a sós com o noivo. E isso só aconteceu quando suas esperanças de concluir este anseio chegavam ao fim.

— Boa noite... – ele disse serenamente se aproximando dela com aquele jeito sedutor que fazia seu coração se remexer no peito. Mas logo os olhos femininos perceberam mais do que simples serenidade, ele parecia despreocupado em se aproximar dela diante de todo aquele povo.

— Boa noite sir Chowes. – a garota respondeu quase que imediatamente mostrando seu mais belo sorriso.

— A senhorita pretende cantar ou tocar esta noite? – uma pergunta surpreendente já que Elliot jamais se importava se ela apresentava qualquer tipo de representação artística.

— Não creio que a marquesa me convide. – respondeu sucinta.

Elliot olhou em volta buscando pela mãe. Dominic lhe dissera para evitar confrontos com Phoebe, e era isso o que ele pretendia fazer. A conversa com o primo pela manhã, apesar de tudo, lhe conferiu um novo alento. Um alento que o jovem não pretendia perder.

— Talvez Sophie ou Lily a convide. – sugeriu acreditando Deeping provavelmente já falara com alguém sobre seus planos de ajudar.

Mabel não se sentia tão segura quanto ele, especialmente por não saber de onde vinha toda aquela tranquilidade.

— Lily está indisposta, sequer saiu do quarto. E Sophie, bem, Sophie está tão distraída com seus problemas que dificilmente lembrará de me convidar. – por diversas vezes as amigas tocavam e cantavam em dueto, mas se a prima se sentia como Mabel anunciara, então, o mais certo era que aquela não seria aquela a noite em que sua noiva mostraria algum dote artístico para a futura sogra.

— Se me der licença senhorita Nagle... vou levar um pouco de ponche para minha mãe. – ele explicou de repente e Mabel soube que a viscondessa estava por perto.

Produzindo uma breve reverência o casal se despediu e se separou com extrema rapidez. Mabel pegou um canapé e voltou para o seu lugar, ao lado de uma cabisbaixa Sophie. Outra garota tocava e cantava sentada ao cravo, a voz era melodiosa e angelical, talvez a mais bonita que tivera a oportunidade de ouvir. Entretanto, a dona da voz estava fora dos padrões de beleza da época, o que tornava sua condição dentro do grupo como provável candidata a solteirice. Assim como ela própria, Mabel ponderava, só que por outro motivo. Já que estava mais para magricela sem formas do que para gordinha arredondada.

Distraidamente fechou os olhos sentindo o tom daquelas palavras, a melodia íntima da música, e sem querer lembrou de Dominic. Onde o marquês estaria? Retornara à reclusão? Desde o encontro daquela manhã não voltara a vê-lo, nem soubera dele. Talvez estivesse fora de casa. Talvez tivesse uma amante. Talvez gostasse de jogar ou de freqüentar bordeis como tantos outros aristocratas. O certo era que Frances parecia mais irritada do que preocupada, o que garantia que nada ruim estava acontecendo, exceto o velho hábito do marquês de se manter longe de atividades sociais.

De repente ele entrou no salão, em passos longos, com os cabelos molhados e ar sisudo. Sentou-se na fileira a frente encobrindo totalmente a visão que Mabel tinha do cravo e da cantora. Cochichou algumas coisa no ouvido da mãe que lhe rebateu com um sorriso azedo. Pouco depois a marquesa virou-se na cadeira, encarou Mabel de frente e lhe disse sem pestanejar:

— Gostaria de tocar para nós Mabel?

— Eu? – a garota não acreditava no que ouvia. Será que Elliot era algum tipo de mágico? Ou será que pedira a tia que fizesse isso? Provavelmente a segunda opção era a mais acertada. Internamente a garota sorriu satisfeita pelo interesse dele finalmente ter apresentado algum ato concreto em favor do amor deles. – Adoraria! – respondeu sorrindo percebendo que Frances não chamara a filha para que tocassem juntas.

A moça acima do peso estava concluindo sua música, em poucos segundos as pessoas aplaudiriam o final de sua performance, e a cada acorde Mabel percebia a tensão aumentar. O coração acelerar e as mãos praticamente estremecerem. Só esperava ter presença de espírito suficiente para cumprir bem o papel que seu noivo lhe oferecera generosamente.

Ela passou ao seu lado, em passos curtos e delicados, com aquele movimento de ombros que lhe parecia característico. Dominic não conhecia mais ninguém que se movesse daquela forma, e se conhecia, simplesmente não lembrava. Mabel se acomodou na cadeira, pegou um dos livros com partituras que estavam na mesinha ao lado do cravo, buscou algo que considerava ideal para o momento e com eficiência pôs-se a executar a música escolhida. Ele não conseguiu desviar os olhos dos lábios rosados e do meio sorriso que a garota fazia enquanto cantava. O pescoço longo e fino a tornava elegante e o vestido azul escuro salientava a tonalidade alva da pele. Com medo de ser pego em plena contemplação, Dominic se ergueu querendo bancar o desinteressado. Mas, o que queria era encontrar um lugar mais reservado de onde pudesse admirar a noiva do primo com mais tranquilidade.

A música preenchia o ambiente e nesse momento ele teve certeza de que a ideia de nunca se casar era a mais acertada, pois a única mulher com quem poderia se ver um dia casado, acabaria sendo esposa de outro. De vez em quando os olhos femininos tomavam a direção do local onde Elliot estava sentado, eram movimentos rápidos que com certeza passariam despercebidos por quem não sabia do compromisso do casal. Mas agora, depois de tomar ciência dos fatos, Dominic via com clareza todas as atitudes de Mabel como um indicativo claro do compromisso que guardava com seu primo.

Lentamente ele observou o rapaz do outro lado da sala, a conversar com uma moça e suspirou. Talvez Chowes soubesse que aquela música estava sendo executada para ele, mas não parecia dar qualquer importância ao fato. Dominic suspirou dando as costas para o cenário desagradável. Sentindo-se mal por colocar Mabel nos braços de Elliot sem saber se ele a merecia realmente.

Mabel avistou Dominic longe do lugar onde se sentara primeiramente. Ele a encarava, os olhos azuis estavam fixos em seu rosto, tão fixos que Mabel quase perdeu o ritmo da música. O anfitrião não parecia feliz, algo o perturbava, e ela quase teve certeza de que sabia o que era. Abigail. Será que a garota interpelara sir Deeping diretamente? O que ela diria? Como poderia confirmar que era ela quem estava com ele sem a palavra de Mabel? Ou de qualquer outra pessoa? Será que acreditariam nela?

Mais alguns acordes e a música acabou. As pessoas aplaudiram, ela se ergueu para dar lugar a outrem mas a marquesa sugeriu que permanecesse no lugar e imediatamente chamou o filho:

— Dominic... sei que você não gosta muito, mas, adoro ouvir você tocar. Pode por favor acompanhar a senhorita Nagle em outra música?

Frances estava ficando louca? Dominic se perguntou enquanto todos os olhos se voltavam para ele, especialmente Elliot e Mabel. O primeiro incomodado, a segunda surpreendida. Será que fizera mal em sugerir à mãe que influenciasse Mabel a tocar? Era óbvio que sim, ou não estaria naquela enrascada.

— Não toco há muito tempo. – respondeu sério – acredito que Elliot esteja mais preparado do que eu.

— Bobagem! – Frances foi enfática – Há poucos dias vi você tocar, está tão bom quanto sempre foi... sente-se ali, toque uma das árias que você adora, sei que Mabel conhece todas de cor, sempre canta com Sophie...

Enrascado?

Fora isso que pensara a respeito da situação que Frances lhe impunha? Estava totalmente enganado, aquela seria sua ruína. O pior momento para estar perto de Mabel, sentar-se ao seu lado, ouvi-la cantar e se irritar consigo mesmo por ser um total estupido em acabar apaixonado por quem já tem pretendente. Em passos longos cruzou a distância que o separava do cravo e de uma embasbacada Mabel. Assim que esteve bem próximo fez uma breve reverência antes de falar baixo:

— Creio que mamãe entendeu errado a sugestão que lhe fiz...

Sentou-se no canto do banco deixando o restante do espaço para Mabel.

— Que sugestão? – ela perguntou confusa enquanto se acomodava no que restava da banqueta forrada com tecido vermelho.

— Sugeri a ela que convidasse você para tocar ou cantar... agora ela quer que façamos isso juntos. Definitivamente fui pelo caminho errado... – e pegando um dos livros que estavam sobre a lateral do cravo perguntou – Qual delas?

A sugestão viera dele então? e não de Elliot? Mas por quê? Entretanto, naquele momento havia algo mais urgente a ser resolvido, e ela tomou a direção da resolução:

— Sophie e eu costumamos cantar esta... – ela separou uma partitura do meio das outras e a entregou ao marquês — o que acha?

Era Mozart, ele gostava muito de Mozart. Aceitou prontamente. No final, qualquer uma deveria servir já que provavelmente aquela seria a primeira e a única vez em que teria a oportunidade de realizar tal coisa ao lado de Mabel.

— Perfeita! – falou acomodando o papel e em poucos segundos deu início à apresentação.

A música transcorreu com exatidão matemática, tanto que mais tarde Dominic iria se recriminar por não ter aproveitado melhor o momento. Mas como aproveitar o momento se você está sentado ao lado da noiva de outra pessoa tocando para que ela cante.

Os dedos do marquês eram longos e deslizavam pelas teclas como quem está acostumado a tocar. Com isso ficava claro que ele mentira para oferecer a Elliot a chance de executar a ária ao seu lado. O rosto sério ficava acima do dela, apesar de estarem sentados, os olhos fixos na movimentação a ser executada e com isso Mabel ficava livre para admirar o rosto masculino sem ser notada. Os trejeitos, os lábios apertados o balançar do corpo. Conhecia aquela música de cor, não precisava ler a partitura para acompanhar o músico, era apenas guiada pela lembrança. Ele sorriu de repente, desviou o olhar das teclas e a encarou brevemente, parecia satisfeito com a performance, Mabel se sentiu preenchida por um sentimento de alegria, de contentamento, de tranquilidade e sorriu de volta ao silenciar para ouvir a parte final da melodia ser executada por Dominic.

As pessoas aplaudiram, ele se ergueu, estendeu a mão para que ela também se erguesse, e fizeram uma reverência em agradecimento. Depois lentamente a trouxe para junto do grupo sem liberar a mão delicada da sua.

Francês se mostrava totalmente encantada com o que vira. Nunca imaginara que um dia ficaria satisfeita em ver uma garota como Mabel tão próxima de seu filho. Na verdade ela não tinha nada contra a moça, simplesmente nunca a considerara como uma possível pretendida. Mas agora, depois de tudo o que presenciara, chegava a conclusão de que se Dominic aceitaria se casar com alguém, esse alguém era Mabel.

— Sente-se conosco Dominic... –sugeriu pulando para a cadeira ao lado, deixando espaço para que o filho se sentasse ao lado da moça.

Deeping encarou a mãe, passou as mãos para as costas e recusou o convite com rapidez dizendo que se juntaria ao grupo masculino ao fundo da sala. Mas o que fez de verdade foi sair pela porta lateral. Seu tiro saíra pela culatra, queria fazer uma coisa e acabara fazendo outra. Antes que tivesse chegado ao final do corredor encontrou Elliot, o primo trazia um olhar desconfiado e um ar sisudo. Imediatamente ele soube porque.

— Boa noite Elliot... – falou sério passando direto.

O outro segurou seu braço com firmeza, Dominic parou de caminhar, encarou o primo de cima e sem nada dizer esperou que a mão do outro se soltasse de seu casaco.

— O que você pretende? – Elliot perguntou azedo.

— Ir para o meu quarto. – Dominic respondeu no mesmo tom.

— Você estava brincando comigo hoje pela manhã quando...

— Se eu fosse você não concluiria o comentário... – o marquês sugeriu desagradado, só um idiota não perceberia que o acontecimento fugira de seu controle.

Elliot silenciou e se afastou alguns passos antes de perguntar:

— Não gostei do que vi...

Dominic deu um passo em frente, encarou o outro de perto antes de falar:

— Também não gostei do que vi... – seu olhar era acusatório – você está noivo da senhorita Nagle em segredo, e eu compreendo que precise ser discreto, mas essa discrição lhe obriga a flertar com outras moças diante dela?

— Não creio que isso lhe diga respeito... – sem argumentos fortes o suficiente para enfrentar o primo, Elliot usou daquele que acreditava possuía algum valor.

— Claro que não... assim como oferecer um dote para a senhorita Nagle ou um título para o pai dela... nada disso me diz respeito.

Elliot que entendesse como quisesse aquela última frase Dominic pensou antes de se afastar em passos largos e pesados. Deixando o primo com uma pulga atrás da orelha. Ele acreditara que o marquês ajudara por influência de Sophie, entretanto, agora já não sabia mais se realmente esse era o motivo do auxilio que o outro lhe oferecera.

Mabel se recolheu mais cedo, estava emocionalmente exausta. Aqueles dias na casa de campo do marquês de Deeping, que quando criança lhe foram tão agradáveis, agora estavam sendo torturantes. Estar perto de Elliot e mal conseguir falar com ele, tocar nele, beijá-lo não fora exatamente os planos que montara antes de viajar. Em contrapartida a proximidade com Dominic lhe apresentou uma pessoa que ela acreditava que não existia dentro do menino turrão e genioso que conheceu. Além de que o marquês se transformara em um homem belo, elegante e extremamente atraente. Aquela voz profunda e sonora ecoava dentro dela todas as vezes em que tinham a oportunidade de conversar. E finalmente era preciso admitir que ficar perto dele não era exatamente assustador ou amedrontador como quando eram crianças e a simples presença do primogênito de sir Charles Deeping quase a fazia chorar.

A camisola se acomodou em seu corpo, ela deitou a cabeça no travesseiro ajustando o cabelo para o lado, e permaneceu por vários minutos pensando, enrolando uma mexa de fios castanhos no dedo e lembrando das apresentações da noite.

Dominic sentiu o afago suave de dedos delicados sobre seu peito, abriu os olhos e virou o rosto para encarar a face levemente rosada de Mabel que estava deitada nua ao seu lado. Ele se virou ficando apoiado no cotovelo, de frente para ela. Os longos cabelos castanhos se esparramavam sobre o travesseiro e o corpo delicado brilhava a luz da lua. Ele sorriu segurando a cintura dela e a puxou para perto. A moça espalmou as mãos em seu pescoço conduzindo o rosto masculino para si. Nenhuma palavra foi dita e nem era preciso. Os corpos nus se uniram sobre o lençol branco, as carícias e os beijos se intensificavam, ela mordiscou a ponta de sua orelha, ele gemeu e... acordou novamente.

O corpo suado, o coração acelerado, a respiração ofegante, e o desejo a arder dentro dele. Continuar assim era se submeter a tortura. Coisa da qual ele nunca foi adepto. Num salto se ergueu, vestiu a roupa e decidiu que precisava sair dali. Passar algumas horas acompanhado por uma figura feminina. Alguém de carne e osso que poderia retribuir aos seus desejos.

Notas finais
Adoro a marquesa posso dizer? Acho q ela é quem vai empurrar esses dois para que fiquem juntos, kkkkkkkkkkkkk nada como uma boa mamãe não é? Bj garotas, obrigada pelos reviews, obrigada a todas q estão lendo, me perdoem pela demora, a falta d tempo está perturbando minha vida de escriba. BJJJJJJJJJJJ