A Beira do Desejo

1 Capítulo 1 - Único


Notas iniciais
Olá aurietas, estão vivas depois da cena de hoje? Ainda estou me recuperando, mas tô preparadíssima para os dias de glória. Bem, decidi largar um pouco da minha timidez e postar essa fanfic. Espero que vocês gostem!

Julieta não sabe como isso aconteceu, para lhe falar a verdade, tudo que ela se lembra é da necessidade de esclarecer os pensamentos e da vontade de sentir o ar fresco em seu rosto. Depois disso, há um branco em sua mente, era como se o vento roubasse sua consciência no momento em que ela o avistou.

No primeiro instante, ela não percebeu quem era. Somente podia ver a figura de um homem no pasto tentando acalmar a fúria de um cavalo. Tal cena lhe chamou atenção e ela parou para ver como terminaria a luta travada entre o homem e o animal.

Ela os observa mais atentamente e aos poucos, pode perceber que o homem era Aurélio. Assim que o reconheceu, sentiu seu corpo travar, sua respiração descompassar e se viu incapaz de sair dali.

Julieta odiava o poder que Aurélio tinha sobre ela. Desde que ele entrou em sua vida, tudo parecia confuso, sem rumo. O filho do barão lhe proporcionava sensações tão intensas e devastadoras que a assustava. Nunca havia sentido algo assim.

Queria se castigar por tal descontrole, mas tudo que seu ser desejava naquele momento era poder admirar esse homem que lhe fazia perder a razão. E então, abaixou sua guarda e se permitiu sentir.

Seus olhos vagaram pela figura do homem e sua respiração se prendeu em seus pulmões ao notar que o homem não estava usando sua habitual camisa social. Mais sim uma camiseta branca que deixava seus braços e parte de seu peitoral a amostra.

Por conta do calor e da agitação ao lidar como cavalo, Aurélio deve ter tirado a camisa e agora, Julieta se via paralisada contemplando os braços fortes do homem. A cada movimento, seus músculos se destacavam, ficando mais evidentes. E devido a sua respiração pesada, seu peitoral se contraia, revelando um tronco levemente trincado.

Aurélio era extremamente atraente, Julieta não podia negar. Não nesse momento, quando tudo que ela podia ver era sua forte estatura. Senhor, que homem! Esse era seu único pensamento.

Seu corpo estava fervendo, seus desejos mais impuros atravessaram seus membros e ela sentiu sua boca seca, tendo a necessidade de molhar os lábios com sua língua enquanto admirava o filho do barão.

Quinze minutos depois, ela percebe que estava tão obcecada em apreciar o homem em sua frente que não se deu conta que Aurélio já havia dominado o cavalo e agora era ele que lhe olhava intensamente com um sorriso travesso nos lábios.

“Merda!”

Ela se xinga mentalmente ao notar que estar sendo observada e seu raciocínio volta como num passe de mágica.

Em instantes a amargurada rainha do café está de volta.

Julieta acena levemente com a cabeça para Aurélio e se vira, caminhando apressadamente para sua casa. Escondendo assim, sua timidez ao ser pega espionando o filho do barão.

Dias depois ..

Ela está ocupada podando suas roseiras, tentando cuidar de suas belíssimas rosas vermelhas, mas a verdade era que Julieta não sabia ao certo o que estava fazendo. Tudo que ela conseguia pensar era em Aurélio e o quão bom ele parecia esta manhã enquanto cuidava de uma praga nos cafezais.

Dessa vez, o homem não tinha se desfeito de sua blusa social. Entretanto, a camisa se agarrava em seu corpo suado, proporcionando a rainha do café uma bela vista do físico do homem. E seus olhos, ah os seus olhos, estavam tão claros devido à luz do sol que ela se perdeu na imensidão azul.

Ela se desperta de seus pensamentos ao sentir uma picada em seu dedo devido a um espinho da roseira. Imediatamente, ela deixa o alicate que estar em suas mãos cair e leva seu dedo ferido a boca, sugando o sangue.

— Cuidado majestade — Ao ouvir sua voz, Julieta fecha os olhos e tenta não se irritar com o destino, pois de todas as pessoas presente naquela fazenda, era ele quem presenciou a cena.

— Estou bem — Ela responde ao se virar para encará-lo e logo se arrepende. Aurélio está perto demais para o seu gosto, sorrindo suavemente e totalmente suado devido a seu trabalho. Seu coração dispara e ela se repreende por perder sua postura tão rápido — Estou acostumada com esses espinhos.

O botânico ao ouvir a resposta da empresária, se aproxima ainda mais dela, juntando seus corpos e esperando como seria sua reação ao movimento. Julieta não se afasta, seu corpo vibra tanto com a presença do homem que a paralisa.

Ao ver que a rainha não se afasta após a proximidade, Aurélio pega gentilmente sua mão, segurando seu dedo ferido e levando-o até seus lábios. Depositando ali um beijo suave, desejando que com isso, a dor passasse.

Julieta fica sem reação ao acompanhar as ações do filho do barão e quando seus lábios tocam seu dedo, ela sente um formigamento por todo o corpo. Após isso, seus olhos encontram com os de Aurélio e seu coração derrete ao ver tanto amor em um único olhar.

Eles ficam se encarando em silêncio por mais alguns segundos até que a voz do botânico quebra a calmaria.

— Sabe o que mais me fascina nas rosas? — Ele pergunta a Julieta, que balança a cabeça negativamente — É o fato delas me remeterem a você.

— Como assim? — Julieta sente a necessidade de realizar a pergunta quando ele fica em silêncio após a declaração. Seu peito transbordando de curiosidade.

— Os espinhos de uma rosa ferem, assustando qualquer um que tente se aproximar dela. Mas o que ninguém percebe, é que os espinhos estão ali para proteger a rosa. –

Aurélio faz uma pausa e aproveita esse momento para tocar o rosto de Julieta, descansando a palma da mão em sua bochecha enquanto balança seu dedo levemente, acariciando o final dos lábios dela. A mulher, fecha os olhos ao sentir o carinho, apreciando.

— E somente quando você compreende que aquilo é uma defesa, você se permite admirar as belas pétalas vermelhas e sua exuberante fragrância.- Ao ouvir o termino da fala de Aurélio, Julieta ainda manteve seus olhos fechados e ao processar o que acabará de ouvir, se permitiu abrir os olhos e encontrou Aurélio observando-a intensamente.

Ela era a rosa, uma rosa que sofreu horrores na mão de um cravo e por isso se amargurou, desenvolvendo os mais ferozes espinhos e afastando todos ao seu redor. Até mesmo seu filho. E mesmo com toda essa frieza em seu coração, Aurélio lhe decifrou e a amou.

Aquele homem lhe conhecia tão bem, nem parecia que até pouco tempo atrás eles não sabiam da existência um do outro. Entretanto, ele não sabia do medo que habitava o coração de Julieta, não sabia o quanto ela havia sofrido nos seus anos de casada e não tinha conhecimento que aquilo a impedia de demostrar seus sentimentos.

— As vezes, os espinhos da rosa estão defendendo-a por tanto tempo que ela não se lembra mais de como viver sem eles. Ela tem medo de livrar da sua proteção e se machucar novamente. – Julieta sussurra evitando o olhar de Aurélio, que processou a declaração por um instante antes de responder.

— Talvez essa rosa precise de tempo para perceber que nem mesmo os mais grossos espinhos são capazes de nos livrar dos sofrimentos da vida – Aurélio responde ao comentário de Julieta aproximando seus rostos – O medo não nos permite viver e se essa rosa deixar, ela será muito bem tratada pelo seu jardineiro. – Ele sussurra e Julieta se derrete ao ouvir as palavras do filho do barão. Ela repousa sua mão em cima da mão de Aurélio, acariciando rapidamente antes de virar seu rosto e beijar delicadamente palma da mão do homem.

— Eu quero, Aurélio, juro que tudo que mais desejo é me livrar desse medo e me permitir – A rainha do café sussurra ainda segurando a mão do botânico e parando de usar a rosa para falar sobre seus sentimentos. – Entretanto, preciso de tempo.

— Se for para ter você em meus braços, tempo não é problema – Aurélio diz e deposita um leve beijo na testa de Julieta, demorando alguns segundos ali. Até que uma ideia surgiu em seus pensamentos e aproximou sua boca da orelha da mulher, sussurrando suavemente. – Fico feliz que vossa majestade esteja satisfeita com o meu trabalho na fazenda. Mas, se a rainha deseja manter em segredo nossos sentimentos, recomendo parar de me devorar com o olhar. –

O botânico se afasta ligeiramente da mulher com um sorriso travesso nos lábios. Julieta arregala os olhos ao ouvir o comentário do homem e rapidamente sente um calor dominar suas bochechas. Aurélio ri ao ver a tão temida rainha do café corada e totalmente envergonhada. E aproveita o momento de embaraço da empresária para se retirar dali.

— Seu petulante! – Julieta exclama ao perceber que o filho do barão estava provocando-a propositalmente. E mesmo o homem estando de costa, consegue ouvir a gargalhada dele.

— Até logo, majestade – Aurélio se vira rapidamente, despedindo da rainha do café com uma reverência e ganha o seu dia ao perceber o largo sorriso estampado nos lábios da mesma.

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