A Beira Da Loucura
8 Você é o culpado?
Notas iniciais
Voltei para o meu quarto e fiquei pensando no Adair e é engraçado refletir sobre ele porque na verdade eu nunca sei o que pensar, toda essa coisa de dupla personalidade me deixa confusa, o Adair é uma confusão, minha confusão. Talvez usar esse termo seja um pouco possessivo, mas, é assim que eu me sinto como se ele fosse um problema meu e por mais que eu queira negar com todas as minhas forças tem um lugar em mim que grita “Droga, para de se enganar desde a primeira vez que seus olhos encontraram aqueles olhos negros você desejou mergulhar em toda aquela escuridão”, e isso era a mais pura verdade. Conferi as horas e ainda era seis e meia da noite e pelo período da manhã eu havia resolvido que iria mandar um e-mail para minha mãe e Emma, porém, agora estava muito cedo e isso me fez tentar dormir para que o tempo passasse mais rápido e eu não morresse de ansiedade. Acordei e sorri ao olhar o relógio e ver que o mesmo marcava uma e meia da madrugada, pois, essa era uma ótima hora para eu usar a internet escondida, espionei o corredor para me certificar de que não havia nenhum inspetor e depois sai com o modem guardado dentro do bolso do moletom e o notebook no meu braço, andei rapidamente até a parte de trás do prédio – que era o local que eu achava mais seguro de ficar – abri o notebook ansiosamente e conectei o modem, como já era de costume a internet estava uma porcaria então demorou minutos angustiantes para entrar no meu e-mail e logo que a página carregou os e-mails novos da Emma e da minha mãe apareceram.
“Que bom que o livro está caminhando bem fico muito feliz por isso, aqui está tudo bem apesar de eu estar me sentindo sozinha, estou quase fazendo a Emma morar aqui porque essa casa está silenciosa demais para o meu gosto, não se esqueça de me mandar notícias, beijos”
“Jeniffer já faz quase um mês que você não manda notícias, o que está acontecendo? Estou com um universo inteiro de saudades, eu amo você”
“JENIFFER DAWNSON ESSE JÁ É MEU TERCEIRO EMAIL E ESPERO SER RESPONDIDA! Eu sei que o seu livro é importante e tudo mais, porém, eu ainda sou sua mãe e mereço receber notícias suas, você está querendo que eu morra de preocupação e saudade?! Tente arranjar mais tempo para responder meus e-mails e isso é uma ordem.”
Acho que minha mãe está grudada demais na Emma para estar fazendo tanto drama, ela não era assim, sorri ao terminar de ler todos e digitei minha resposta.
“Me desculpa por não responder as outras mensagens, você sabe que aqui é complicado de mandar notícias e a Emma já te infectou com o drama dela, como se já não me bastasse uma dramática agora tenho duas, oh céus! Aqui está tudo bem e não precisa se preocupar, o livro está indo bem também e logo eu estarei de volta, não morra antes de eu voltar e isso é uma ordem. Eu te amo, beijos.”
Cliquei nos e-mails da Emma.
“Tudo é tão horrível sem você, como você foi embora e me deixou aqui?! Isso é muito crueldade dona Jeni, as minhas saudades não cabem mais dentro de mim, beijos e lagrimas melancólicas.”
“Eu e sua mãe iremos surtar se você continuar assim sem dar notícias, JÁ FAZ UM MÊS QUE ESTAMOS SEM RESPOSTAS, UM MÊS JENIFFER!! Pronto agora que eu já surtei vamos ao assunto principal, como você não me conta o que está acontecendo ai eu vou te contar as novidades que estão acontecendo aqui, acho que o senhor Johnson e sua mãe vão começar um caso, eles estão passando muito tempo juntos e semana passada peguei os dois bem íntimos tomando um vinho, eu acho que eles formam um casal fofo então estou torcendo para que dê certo e tenho certeza que você também. Ah e eu terminei com o Luke, acredita que eu peguei ele beijando a vaca da April?! Só que como eu odeio sair de vítima acabei contando para ele que eu ficava com o barman da Dark Rose toda vez que ia para lá sem ele, eu sei que eu só fiquei com esse cara uma vez e eu estava bêbada e ainda por cima eu e o Luke estávamos brigados, mas quem liga para uma mentirinha?! Ele ficou transtornado quando eu falei, você devia ter visto a cara dele haha E como anda sua vida? Já está interessada em alguns dos louquinhos? Porque romances improváveis é bem sua cara, vê se volta logo!”
Comecei a rir descontroladamente imaginando a cena da Emma contando aquilo para o Luke, ela é realmente maluca.
“Desculpa por ter passado tanto tempo sem dar notícias, quando eu falei que seria difícil manter contato eu realmente quis dizer que seria DIFÍCIL! Apoiando totalmente um romance da minha mãe com o senhor Johnson, no fundo eu sempre soube que ele era afim dela e minha mãe tinha uma quedinha por ele. Graças aos céus que você terminou com o Luke você sabe que eu não ia com a cara dele, se eu tivesse visto essa cena com certeza eu iria rir igual uma hiena maluca hahaha Acho que seria legal você dar uma investida no barman da Dark Rose, ele era bonito e até que legalzinho! Minha vida está indo bem e eu estou aqui para escrever meu livro não para arranjar romances dona Emma, beijos”
Resolvi não contar sobre o Adair para ela primeiro porque a mesma iria surtar e segundo porque eu não sei se o que ele e eu temos pode ser considerado alguma coisa, fechei o computador e coloquei o modem de volta no bolso. Estava andando tranquilamente até que escutei vozes frenéticas vindas do outro lado do corredor resolvi ver quem estava falando, me escorei na parede olhando de esguelha para o outro lado e percebi que a conversa era entre dois inspetores, me aproximei para ouvir melhor.
– ... Você sabe muito bem que aqueles acidentes já acabaram e que o culpado deles já está morto.
– Eu escutei barulhos estranhos no segundo andar e tenho certeza que foi outro acidente, já avisei na secretaria eles estão indo lá verificar.
Foi então que um curto flashback passou pela minha cabeça e eu lembrei das minhas primeiras semanas aqui, o sangue, os corpos sem vida, o maldito D... Corri o mais rápido que eu pude até o segundo andar e olhei o local atentamente e lá estava o corpo totalmente dilacerado – quase irreconhecível – jogado no chão e o D também estava lá, ouvi passos no segundo andar e sai correndo – pode ser paranoia minha, mas, fiquei com medo de o autor ter voltado e me matar ali também –, acabei esbarrando em alguém e me desequilibrei quase deixando meu notebook cair no chão, olhei para pessoa e vi que era aquele inspetor mal encarado que entrou no meu quarto no dia que eu vi o D na minha janela e ele havia sumido, ele parecia estar com pressa.
– Mais cuidado Srta. Dawnson. – Falou autoritário e saiu andando.
Pelo resto do dia fiquei pensando no ocorrido e algo que eu havia deixado passar veio à tona e fez com que eu estremecesse por dentro, logo que eu cheguei aqui os pacientes chamavam o Adair de demônio e os corpos são sempre encontrados com a letra D e se... Eu simplesmente não conseguia completar a frase e nem queria que isso fosse verdade. Olhei para o relógio e vi que estava na hora de passar no quarto dele e eu precisava tirar essa dúvida da minha cabeça e esse seria o momento, bati na porta duas vezes e ela foi aberta rapidamente.
– Olha você veio. – Ele falou dando espaço para mim entrar.
– Nós precisamos conversar. – Disse me sentando na cama.
– O que foi?
– Adair, olha, eu sei que isso vai parecer ofensivo e na verdade é ofensivo, porém, eu preciso me livrar dessa dúvida. – Respirei fundo e continuei. – Quando eu cheguei aqui muito pacientes te chamavam de demônio, eu nunca entendi muito o porquê, enfim, e em todos os corpos que são encontrados tem um D cravado na pele e eu não estou te acusando é só que eu preciso saber, você tem alguma coisa a ver com toda essas mortes?
– Sai do meu quarto.
– Adair me desculpa mas eu-
– Eu pensei que você fosse diferente e percebi que eu só estava me enganando porque você é igual a todos eles. Sempre é mais fácil colocar a culpa no psicopata.
– Olha eu n-
– Sai daqui ou você quer que eu te esfaqueei e desenhe um D na sua pele também?! – Ele me olhava frio, mas, não era o jeito frio de sempre dessa vez era diferente.
Sai do quarto e a única coisa que rondava a minha cabeça era: por que eu não pensei direito antes de perguntar? Agora eu havia ferrado tudo, ele não vai querer nem olhar para a minha cara, parabéns Jeniffer! Bufei frustrada e entrei no meu quarto, cinco minutos depois escuto batidas na minha porta e um fio de esperança se instalou em mim.
– Srta. Dawnson a diretora quer ter uma conversa com você agora. – Encarei confusa o inspetor arrogante a minha frente.
– Por que? – Ele apenas levantou meu modem e eu arregalei os olhos. – Como? – Foi a única coisa que eu consegui dizer.
– Vá para secretaria agora.
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