A Beautiful Lie
1 Capítulo 1
-Fionna, dá pra você parar de ser infantil e me escutar? -Marshall gritava, descontrolado pela emoção do momento. Ao ouvir nada mais do que o silêncio do outro lado da linha, percebeu que havia ido longe demais e se arrependeu quase instantaneamente. –, me perdoa? — ele gemeu baixinho. O silêncio que se instaurou pareceu durar uma eternidade.
- Perdoar pelo queMarshall? -Fionna perguntava, esgotada. – Pela milésima traição, ou você fez mais alguma coisa que me fará te odiar até o fim da sua vida?
- Se você me deixasse explicar...
- Eu não tenho mais nada para ouvir de você, mas que diabosMarshall, você não respeitou o dia do nosso aniversário.
- As coisas nem sempre são o que parecem.
- Cala a boca! — ela gritava, reunindo toda a força que ainda tinha, enquanto suas lágrimas teimavam em rolar pelo seu rosto. — Ouve bem o que estou te dizendo. Esqueça que um dia você me conheceu; juro que tornarei tudo mais fácil para você, embora o que eu vi hoje mostre que não será necessário muito esforço da sua parte.
- Mas que porra, será que você poder... — a frase se perdeu,Fionna já não estava do outro lado da linha.
Flashback ON
- Bom dia, cutezinha da minha life! — diziaMarshall, enquanto dava selinhos na namorada e, ao mesmo tempo, puxava o edredom dela. Sabia que isso a irritava, mas era inevitável ver a carinha de brava que ela fazia e que ele tanto amava. – Feliz 4° ano! Te amo!
- Awn,Marshall, me deixa dormir, estava num sonho tão bom. – seus lábios se curvavam em um sorriso ao se lembrar do sonho, enquanto puxava o edredom para si, dessa vez cobrindo até o rosto.
- Com quem estava sonhando? -Marshall perguntava, arqueando a sobrancelha. Era involuntário, fazia-o sempre que estava contrariado.
-Marshall, deixa de ser bocó, eu estava sonhando com você. – revirou os olhos ao ver um sorrisinho presunçoso se formar nos lábios dele. – E com mais uma coisinha.
- E a senhora não vai me contar o que vem a ser essa “mais uma coisinha"? – perguntou, fazendo aspas com as mãos enquanto pronunciava coisinhas.
Fionna sorria bobamente vendoMarshall emburrado. Era impressionante que mesmo depois de 4 anos ela não conseguia deixar de amar cada detalhezinho dele.
- Você nem vai ver o que eu preparei para você lá embaixo?
- Prefiro continuar dormindo, ou o senhorLee não quer ter uma noite e uma madrugada na mais pura insônia comigo.
Marshall sorria agora pervertido, cogitou a idéia por alguns instantes. Sua mente já trabalhava de maneira tão pervertida quanto o seu sorriso, mas não se deixou dominar, não ainda, teria tempo o suficiente para pensar nas “maldades" que faria. Afinal, ele não pediu para ser provocado.
-, tudo bem, eu entendo. – comoMarshall podia ser cínico quando queria. – Se você quiser desperdiçar um Mocha Frappuccino e alguns muffins que comprei pro nosso café- da-manhã, não se preocupe, eu como tudo por mim e por você.
Ao ouvir falar em seu café favorito do Starbucks,Fionna nem esperouMarshall dizer mais nada, saiu correndo do quarto deixando o namorado surpreso, mas este se recuperou logo. Puxando-a para trás e correndo até a cozinha,, ao se ver em desvantagem, pulou nas costas deMarshall e mordeu sua orelha. Não obtendo resultado algum, resolveu apelar para o seu sexy appeal. Mordia e beijava o pescoço dele, mas de maneira mais calma dessa vez. Ao ouvir uns curtos gemidos deMarshall, percebeu que estava fazendo um bom trabalho, e decidiu provocar um pouco mais, agora descendo uma das suas mãos até o peito dele. Sabia o quanto ele era sensível ali, conseguindo alguns gemidos, agora mais alto, seu trabalho estava feito, “desmontou" das suas costas e virou-se para ele, o beijava de modo que o imprensava na parede. O que aconteceu em seguida foi bem rápido;Fionna novamente correu em direção à cozinha, em busca dos seus amados muffins, deixando umMarshall “animadinho" (N/A : se é que me entendem ) ainda encostado na parede e com cara de criança que tinha acabado de ter seu doce retirado, mais que literalmente falando.
- Amor, esses muffins estão mais gostosos que o normal. –dizia animada, mas não conteve o riso ao ver a cara de desolado deMarshall, e o quanto seu amiguinho estava animado.
- Como você é engraçadinha.
- Awn bebê, vem aqui vem, já disse o quanto você fica sexy mal-humorado? – disse, distribuindo beijinhos pelo queixo dele.
- Nem! E não vou cair no seu joguinho de novo. – reclamavaMarshall, manhoso e com o orgulho ferido.
-Marshall, pára de fazer cu doce, pensei que fôssemos comemorar o nosso aniversário fazendo algo interessante.
- Como um velho sábio twitteiro costuma dizer: a carne é fraca, o orgulho não compensa e para que existem quartos se cozinhas podem ser belas substitutas...
Flashback OFF
Marshall ainda encarava o telefone, estático, como um dia que começara perfeito estava acabando de maneira tão trágica.
- Tudo por culpa daquela puta daMarceline – ele gritava enquanto arremessava contra a parede a primeira coisa que encontrou na sua frente. – Vadia. Ela armou tudo. Como eu fui capaz de namorá-la por tanto tempo?
Precisava desabafar, precisava de uma luz. Como reconquistá-la, como fazê-la entender que ele foi tão vítima na história quanto ela. Discou o já tão conhecido número deFinn, era de longe o seu melhor amigo; na verdade, todos os Brickers eram como seus irmãos, mas ele eFinn tinham passado por muitas coisas juntos, o que lhe dava o título de melhor amigo.
- Oi...Finn?
Flashback ON
-Marshall,Marshall,Marshall, awm,Marshall, é tão linda! -dava gritinhos histéricos, grudando em seu pescoço. – É a coisa mais linda, te amo!
havia encontrado dentro do seu último muffin uma pulseira de prata, com 3 pingentes de estrelas; na maior estrela estava escrito: My star girl.
Estrelas fascinavam o casal. Uma vez por semana eles iam à praia, mais precisamente na quarta-feira, dia sagrado para ambos, e passavam todo o dia juntos, assistindo filmes. E ao entardecer, assistiam ao pôr-do-sol em praias diferentes, e só voltavam para casa quando a última estrela surgisse no céu, deixando-o todo pintadinho com aquelas pequenas maravilhas brilhantes.
- Eu sabia que você ia amar. – disseMarshall, presunçoso. — Acho que este ano, eu me superei no quesito presentes.
- Sinto em lhe informar, mas o que eu tenho para você é simplesmente o melhor presente do mundo. Algo que você sempre quis, mas não vou dizer mais nada. Você saberá do que se trata à noite, e só à noite!
- Boba.
- Feio.
- Boba.
- Feio.
- Te amo, sua guardadora de segredos mais secretos do namorado mais lindo e gostoso!
-Marshall, você é muito prepotente! -fingia uma indignação, mas no fundo concordava, ela tinha de fato o namorado mais lindo, gostoso, convencido e amado de todo o mundo.
- Boba-feia. –Marshall estava atrasado para encontrar os guys, depositou um beijo no topo da cabeça de, e saiu em direção à porta. – Hey, não esquece de levar o meu presente, nem vou ensaiar direito hoje tentando adivinhar o que é. Espero que tenha algo a ver com aquela sua lingerie vermelha...
- Tchau,Marshall. –se despediu, não antes de soprar um beijo, o mesmo queMarshall pegou no ar guardou no coração. E não antes de sussurrar um último – Te amo!
- Não acredito que é oMarshall ligando pela 9384648394387493 vez. Dessa maneira eu nunca estarei pronta a tempo. – reclamava, atrapalhada entre calçar o scarpin e atender o celular, que havia deixado na sala.
Como ela esperava, era uma mensagem doMarshall:
Estou contando os minutos para te ver, não sabe o quanto está sendo chato
passar o dia de hoje longe de você. Vem mais cedo, assim eu mato a saudade
e canto para você o próximo single do Bricks. Acho que não preciso dizer quem
é a minha fonte de inspiração. Com amor,
Marshall.
Marshall, quando queria, conseguia ser o ser mais fofo do universo.já havia perdido a conta de quantas músicas ele havia composto para ela, e cada uma delas ocupava um pedacinho no seu coração, e ainda havia espaço para quantas maisMarshall a dedicasse.
correu de volta ao quarto, estava quase pronta;Marshall teria uma noite perfeita. Ela vestia um tomara-que-caia preto, curtinho,era de longe o vestido que ele mais gostava, um scarpin rosa envernizado com salto roxo, uma maquiagem leve, somente com os olhos marcados por um delineador preto e um gloss rosa claro nos lábios.
Trancou o apartamento e dirigiu até a Super Records. No caminho, ligou para avisar que já estava chegando, mas o celular deMarshall estava desligado, ele sempre odiava que atrapalhassem o ensaio.
10 minutos depois, ela já estava na portaria do prédio. Achou estranho estar vazia, poderia ser o horário da troca dos porteiros, mas não justificava. Poderia entrar um assaltante, um sequestrador, e os garotos lá correndo riscos, mas por outro lado, poderia ser também alguma brincadeirinha doMarshall. Todos os sintomas estavam lá: mensagens no celular, antecipação do encontro, pediu para que ela fosse até lá... estava convencida,Marshall estava tentando surpreendê-la, e ela sacou tudo bem rápido, era isso.
Subiu até o 3° andar e, como esperava, estava tudo tão escuro quanto na portaria. O local estava silencioso, mas quanto mais se aproximava da sala de ensaios, ouvia alguns pequenos ruídos. Se perguntava se eles já sabiam da sua presença no local, será que passaram a tarde inteira preparando a surpresa para ela?Finn,Jake eFlame eram os melhores amigos que alguém poderia ter. Continuou andando em direção das vozes, que agora ficavam mais audíveis, a voz deMarshall se destacava, não sabia se era por ele estar falando mais alto, ou simplesmente por ser a voz do amor da sua vida.ria baixinho imaginando a cara de surpresa queMarshall faria quando percebesse que ela não se surpreendeu. Ou será que ela deveria fingir estar surpreendida só para não magoá-los após todo o possível trabalho que tiveram? Ainda sorrindo, abriu a porta. Esperou uns 2 segundos, mas não ouviu o tão esperado “ surpresa". Tateou o interruptor, conseguindo iluminar o ambiente, e sim,Marshall conseguiu surpreendê-la, mas de uma maneira que ela nunca imaginaria. Ele estava sem camisa, sentado no sofá, o mesmo em que ele passava horas compondo, e agora tinha uma vadia no seu colo; ela estava nua, com uma perna de cada lado da cintura dele e mordiscava a sua orelha. Era o ponto fraco deMarshall, e como ela sabia? O corpo detremia, não sabia se gritava de raiva, decepção ou um mix de tudo, o que só fez piorar quando ela reconheceu a “vadia". Ninguém mais, ninguém menos, que a ex-namorada deMarshall; a pessoa responsável por todas as crises em seu relacionamento, a mesma pessoa que ligava para atormentá-la todas as noites em queMarshall estava em turnê com o McFly, dando a entender que ele estava se divertindo com algumas fãs dispostas a fazer tudo com o seu ídolo. Traição é algo imperdoável, mas com “ela", é passe só de ida para o inferno. EMarshall tinha acabado de ganhar o seu presente de 4 anos: um inferninho particular.
Flashback OFF
-Finn?
- Oi,Marshall, seu safadinho. – brincouFinn. — Está me ligando pra jogar na minha cara o quanto a sua noite está divertida enquanto eu estou na seca e de ressaca? AhMarshall, deixa de ser idiota, me zoa amanhã, aproveite ao máximo aí. Nem todos tem a sua sorte de ter uma namorada gostosa e que te ama.
-Finn, você não está entendo, aFionna não quer nem olhar na minha cara.
- O que você fez dessa vez? — ironizouFinn. – Esqueceu de comprar o presente dela?
- Claro que não. – Por queFinn era tão idiota mesmo? — Ela... -Marshall respirou fundo, tentando absorver tudo o que aconteceu. – Achegou aqui na gravadora e meu viu com aMarceline.
- Mas o que? -Finn gritava, descontrolado. –Marshall você é retardado, tem probleminhas por um acaso? Como você pôde ter uma recaída logo com ela?
- Não é o que você está pensando. – isso parecia um déjà vu.
- Juro que se estivesse perto de mim, já teria levado um soco na cara!
- Pensei que fosse meu amigo.
- O que não significa aceitar tudo o que faz, principalmente quando está envolvido magoar uma pessoa maravilhosa como a.
- Mas eu sou inocente, caralho! Por que ninguém acredita em mim?
- Depois você me conta os detalhes sórdidos. – interrompeuFinn. – Vai logo conversar com a, é pra ela que você deve satisfações.
- É o que pretendo fazer, mas perdi a coragem, não vou suportar ser desprezado por ela.
- Garanto que vai suportar menos ainda ter que ficar sem ela.
- Ok cara, vou para casa agora.
- Está esperando o que, veado? Já era para ter ido, e boa sorte! Vai precisar!
Marshall dirigiu o mais rápido que pode, pela 1° vez na vida fez o percurso de volta a sua casa em menos de 10 minutos. Provavelmente receberia algumas multas por excesso de velocidade, por ter ultrapassado alguns, ou todos os sinais vermelhos, mas era um preço a se pagar para terFionna de volta.
Sabia que não seria fácil ser perdoado. As aparências conspiravam contra ele, e ele conheciaFionna muito bem, realmente não seria fácil. Estava nervoso demais, não esperou o elevador, subiu as escadas até o 3° andar (N/A: o universo conspirando again, 3° andar rules). Hesitou um pouco em frente a porta do apartamento em que viveu boa parte dos momentos felizes da sua vida; foi como se tivesse revivido cada um deles em questão de segundos.
-... sei que não quer falar comigo, entendo o quão está magoada. –Marshall falava atropelando as palavras, ao mesmo tempo em que esmurrava a porta. — Mas é importante, eu não posso te deixar aqui sozinha hoje, justo hoje. – estava um pouco mais exaltado. — Hoje é um dia importante para nós, eu não faria nada para estragá-lo., está me ouvindo?
Não ouvindo respostaMarshall, que num primeiro momento deu o espaço para quese sentisse a vontade em recebê-lo ou não, não conseguiu se conter e abriu a porta usando a sua chave, mas no primeiro olhar que lançou pelo apartamento, percebeu que tudo estava pior do que sempre esteve. As cortinas estavam rasgadas, porta-retratos estilhaçados no chão, o mesmo chão que estava coberto de fotos rasgadas do anteriormente casal feliz.Marshall continuou percorrendo o apartamento, como se estivesse em transe, vivendo um terrível pesadelo, mas seu pesadelo tornou-se real quando chegou ao quarto e percebeu que ele se encontrava vazio.não estava lá, nem ela e nem nada que denunciasse que um dia ela esteve ali...
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